JBRA Assist. Reprod 2006;10(1):35-36
ARTIGO DE OPINIÃO
doi: 10.5935/1518-0557.2006.10.1.08
SBRA
RIO DE JANEIRO 30 DE JANEIRO DE 2006 À AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA
At
Dr Dirceu Raposo de Mello - Diretor Presidente
Dra Aludima Mendes - Gabinete do Diretor Presidente Ref: Banco de Tecidos Germinativos
Prezados Senhores.
Em atenção à demanda de vários colegas sócios da SBRA, especialistas e /ou responsáveis por Serviços ou Clínicas que trabalham na área de Reprodução Assistida, temos a informar a V Sas:
Uma Clinica de Reprodução Assistida se ocupa dos tratamentos de casais com dificuldade de engravidar, e dentre estes, nos deparamos com uma infinidade de situações em que o congelamento de células e tecidos germinativos se impõem.
Podemos congelar e armazenar gametas, óvulos e espermatozóides para tratamentos em outros indivíduos que não os produzem, mas desejam ainda ter filhos, mesmo que não de seu próprio material genético.
Podemos congelar espermatozóides, naqueles casos em que o marido está ausente no momento do processo de ovulação trabalho fora da cidade ou do país, e poderemos inseminar a esposa com o respectivo esperma criopreservado.
Podemos congelar embriões excedentes dos procedimentos de reprodução assistida, condição na qual, pelas normas do Conselho Federal de Medicina, não podemos descartá-los.
Podemos congelar espermatozóides, óvulos, ou tecido germinativo (ovário, testículo) de pacientes que deverão se submeter a tratamento ionizante ou quimioterápico, para diversas patologias, sendo mais comum a procura nos casos de câncer.
Desta forma, as clínicas de Reprodução Assistida, hoje, tem solicitação crescente destes procedimentos de criopreservação, principalmente nos casos oncológicos onde o tratamento poderá potencialmente inviabilizar sua fertilidade futura.
Neste momento estão consagradas as técnicas de congelamento de embriões e espermatozóides. Entretanto, embora ainda com carater experimental, congelamento de óvulos e tecidos germinativos (tecido ovariano e testicular) tem sido realizados. A aplicabilidade futura destes procedimentos é esperada em curto e médio prazo, como já vem ocorrendo com os relatos de gestação pós-descongelamento de óvulos.
Todas as clínicas, ou todos os grupos se estruturaram para oferecer as tecnologias para congelamento, mas a estocagem se constitui por vezes dificuldade, principalmente pela solicitação crescente, muitas vezes não imaginada na concepção inicial destas técnicas. Nos grandes centros, principalmente, o problema ainda é maior pois as áreas previstas inicialmente não permitem adequação do espaço físico para o desejado, nos limites de segurança esperados.
Esta solicitação vem, pois, de encontro ao que já existe em diversos locais do mundo, onde centros de criogenia foram criados para conservar por longo tempo tecidos que serão utilizados em futuro remoto ou de curto prazo, liberando espaço na estrutura de uma clínica, quando não haveria este espaço disponível ou não seria objetivo principal manter material congelado. Ficaria então livre o arbítrio de cada centro em realizar os processos de reprodução assistida e as criopreservações, com toda a manutenção e estocagem ou utilizar posteriormente este material em tratamentos de reprodução, com a estocagem concentrada em locais adequados para esta finalidade.
Em anexo enviamos informações de um dos maiores Bancos de Tecido Germinativo dos USA, que está oferecendo o serviço de guarda e armazenamento de acordo com as novas normas do FDA.
Atenciosamente.
Maria do Carmo Borges de Souza
Presidente da SBRA
Eduardo Pandolfi Passos
Vice-Presidente da SBRA