JBRA Assist. Reprod 2007;11(4):33-37
ARTIGO DE REVISÃO

doi: 10.5935/1518-0557.2007.11.4.07

O Valor do Estudo da Face Humana na Reprodução Assistida

The Value of the Study of the Face Human In the Assisted Reproduction

Paulo Franco Taitson1, Thiago Pacheco Heringer2, Hélio Henrique de Araújo Brito2

1Pós-Doutorado em Reprodução Humana pela UFRJ. Professor Adjunto Doutor do ICBS/PUC Minas
2Curso de Mestrado em Ortodontia da FO/PUC Minas

Received September 01, 2007
Accepted November 23, 2007

Endereço para correspondência
Prof. Dr. Paulo Taitson
Grupo de Pesquisa Anatomia Funcional do Aparelho Urogenital
(CNPq/PUC Minas)
Rua Rodrigues Caldas, 600/18 30190-120 Belo Horizonte MG
Tel: (31) 3337-1960
pftaitson@bol.com.br

RESUMO
A face e o crânio foram alvos de vários trabalhos para tentar estabelecer padrões, e diferenciar tipos de face e crânio. A face humana, como a parte anatômica mais especializada do corpo, apresenta grandes variações tanto funcionais, quanto estruturais. As diferenças estruturais são as que fazem as pessoas serem diferentes e únicas em se tratando da aparência da face. Muitas vezes a equipe multidisciplinar que trabalha nos centros de reprodução humana encontra dificuldades na seleção de um doador que apresente compatibilidade com o casal receptor. O conhecimento, ainda que genérico, das diferenças faciais permite uma melhor caracterização e estudo do biótipo craniofacial nos protocolos de seleção de doadores para casais em centros de reprodução assistida.

Palavras-chave: face, desenvolvimento maxilofacial, banco de sêmen.

ABSTRACT
The face and the cranium have been the focus of many studies in the literature. A great number of them were done to establish different facial patterns. The human face is the most specialized part of the human body with many functional and structural variations. The structural variations grant individuality to the persons making them unique and different from each other.The multidisciplinary teams working in human reproduction centers have often found difficulties to proper select compatible donors. Knowing the different facial types may help to improve the protocols for donor selection.

Key words: face, maxillofacial development, sperm banking.

INTRODUÇÃO
O interesse pela face na espécie humana pôde ser estabelecido com o registro através das artes, especialmente com a escultura na idade antiga. Esculturas que buscavam harmonia e proporções faciais remontam desde o tempo dos egípcios antigos, onde as esculturas que retratavam os faraós evidenciavam o conceito de beleza daquela civilização, que era o de uma face mais arredondada, com uma ponte nasal estreita e olhos evidenciados. Os egípcios foram à primeira cultura a capturar a aparência facial em pedra, mas os gregos e romanos foram os primeiros em transpor beleza da face da escultura para a filosofia. Filósofos gregos buscaram proporções e medidas para explicar a beleza da face, desse ponto em diante começou o estudo da face como ciência (Peck & Peck, 1970).
Existem três tipos faciais. São: leptoprosopo, mesoprosopo e euriprosopo. Esses padrões da face são determinados geneticamente e por aspectos funcionais. Com relação ao aspecto funcional, é relatado que o desenvolvimento ósseo se processa através da atividade muscular que pode acelerar ou impedir o crescimento do osso. A construção de uma estrutura óssea depende da musculatura, língua, lábios, bochechas, tecido mole, mucosas, tecidos conjuntivos, nervos, vasos sangüíneos, espaço aéreo, faringe, cérebro como massa orgânica, tonsilas, adenóides, etc. Estes fatores definem o ritmo dos tecidos histogênicos que produzem o desenvolvimento ósseo. A variação no crescimento facial é justificada através do conceito de interação dos componentes funcionais externos e internos. Os componentes funcionais externos se referem à musculatura mastigatória e da mímica e outros tecidos moles na parte anterior da cabeça e pescoço, incluindo seu comportamento em repouso. Os componentes funcionais internos se referem às cavidades bucais, nasais e faringeais e às atividades dentro das cavidades. Como ainda não se pode interferir na carga genética de um indivíduo, tenta-se atuar em nível da atividade funcional, alterando a posição muscular e redirecionando o crescimento ósseo (Van der Linden, 1990; Enlow, 2002).
O complexo dentofacial pode ser considerado como um sistema com três subsistemas: esqueleto, dentadura e função. Em um indivíduo normal em crescimento, os três subsistemas irão amadurecer de diferentes maneiras em velocidades diferentes, mas estão em equilíbrio e cada um ficará situado dentro da extensão normal de variação. Na maioria dos distúrbios funcionais os fatores internos provavelmente são mais importantes do que os externos, mas o prognóstico de alteração é menos favorável para os aspectos funcionais internos (Van der Linden, 1999).
A face, e o crânio foram alvos de vários trabalhos para tentar estabelecer padrões, e diferenciar tipos de face e crânio. A face humana, como a parte anatômica mais especializada do corpo, apresenta grandes variações tanto funcionais, quanto estruturais. As diferenças estruturais são as que fazem as pessoas serem diferentes e únicas em se tratando da aparência da face. Muitas vezes a equipe multidisciplinar que trabalha nos centros de reprodução humana encontra dificuldades na seleção de um doador que apresente compatibilidade com o casal receptor. O conhecimento, ainda que genérico, das diferenças faciais permite uma melhor caracterização e estudo do biótipo craniofacial nos protocolos de seleção de doadores para casais em centros de reprodução assistida (Taitson, 2005).

Características do tipo facial leptoprosopo
Na vista frontal a área zigomática parece mais aplainada que o normal e o terço inferior da face é longo e desproporcional ao terço médio. Este excesso do terço inferior impede o selamento labial passivo, causando contração do músculo mentoniano durante o selamento labial; expõe excesso de incisivos superiores e gengiva tanto em repouso, e durante o sorriso. O nariz do indivíduo leptoprosopo é verticalmente mais comprido e muito mais protruído. A inclinação do nariz tende a seguir a mesma inclinação da testa ao contrário do braquicefálico que o nariz irrompe de uma fronte mais bulbosa. Por ser protrusivo, o nariz tende a curvar-se produzindo um tipo aquilino. A curvatura aumenta com a idade. A região nasal possui a tábua óssea externa da fronte mais inclinada e a glabela e as margens supra-orbitais tendem a ser mais proeminentes proporcionando uma bochecha pouco aparente e olhos mais profundos (Enlow, 2002; Gimenez et al., 2006).O perfil é caracterizado por um lábio superior curto, o inferior evertido, distância interlabial aumentada, mandíbula retrusa, com uma linha mento cervical curta e o ângulo entre a pescoço e o mento fechado. Esses sinais podem não estar todos presentes e nem sempre evidentes. A face mais alongada do leptoprosopo e a forma aberta (obtusa) da flexão da base do crânio possibilitam uma rotação da mandíbula para baixo e para trás, tendendo a um perfil convexo. O tamanho dos músculos dos maxilares nos indivíduos leptoprosopos é mais de 30% menor que os dos indivíduos mesoprosopos e que a força máxima da mordida é metade em relação à normalidade.Nos indivíduos leptoprosopos, a principal característica detectável por radiografia é o aumento da altura facial anterior inferior, o que resulta no aumento da altura facial total anterior e uma desproporção desta com a altura facial posterior. A mandíbula apresenta alteração de forma com abertura significativa do ângulo goníaco. Em relação à posição dentária, se observam a extrusão dos incisivos superiores e inferiores, caracterizando a compensação e também uma extrusão dos dentes posteriores superiores. Cefalometricamente observase que a forma do contorno facial é alterada, os arcos dentários geralmente são estreitos, a maxila pode ou não se apresentar bem posicionada em relação à base do crânio, enquanto a mandíbula geralmente sofre rotação pósteroinferior. Apresentam-se aumentadas as seguintes medidas: a altura facial total, a altura facial inferior, os ângulos goníaco, do plano mandibular e interincisivos e apresentam-se diminuídos o ângulo do perfil e da proporção de altura facial proposta por Jarabak (Capelozza Filho, 2004; Gimenez et al., 2006).O leptoprosopo por possuir o cérebro longo na horizontal e relativamente estreito possibilita que a base do crânio seja achatada, ou seja, flexura entre as partes média e anterior do assoalho craniano é mais aberta. Em conseqüência disso, o complexo nasomaxilar assume uma posição protrusiva com relação à mandíbula que gira para baixo e para trás devido ao rebaixamento do complexo nasomaxilar. A fossa anterior do crânio estreita e mais comprida estabelece um palato e um arco maxilar mais longos, estreitos e profundos. Com a miscigenação étnica, os tipos faciais tendem a se mesclar não produzindo padrões faciais puros, mesmo assim nas extremidades norte e sul da Europa continental, assim como em grande parte da Inglaterra, Escócia, Escandinávia, norte da África e alguns países do Oriente Médio e Irã, Afeganistão, índia, Iraque e Arábia, o tipo leptoprosopo tende a predominar.Com relação ao sexo, o homem apresenta, predominantemente, características faciais de um leptoprosopo enquanto que as mulheres predominam as características de um euriprosopo. Ao realizar uma avaliação do biótipo craniofacial no doador e no casal receptor nos centros de reprodução assistida, tais caracteres devem ser considerados. O homem apresenta a base do crânio longa e estreita e as vias aéreas amplas e protrusivas. O homem leptoprosopo, como na mulher face longa, as características de forma da cabeça acentuam o nariz, fronte, ossos malares, globos oculares profundos, mandíbula retrusiva, etc . Com relação à faixa etária, a criança tende a ter uma face mais larga e com o crescimento, a face assume posição mais vertical (aumento das vias aéreas e dentição), de modo que a face mais estreita caracteriza o adulto (ENLOW, 2002).

Características do tipo facial mesoprosopo
Um tipo intermediário de forma da cabeça é o chamado mesoprosopo. Seus parâmetros se situam entre o tipo leptoprosospo e o euriprosopo. Na forma da cabeça de um mesoprosopo, o cérebro tem o comprimento e a largura intermediários, ou seja, nem longo nem curto, nem estreito nem largo. Assim, a flexura existente entre a base craniana anterior e média é correspondentemente intermediária, determinando um adequado posicionamento da mandíbula. Indivíduos assim apresentam uma face equilibrada e, geralmente, na análise facial possuem simetria aparente, distância intercanto medial dos olhos similar à largura do nariz, distância interpupilar similar à largura da comissura bucal e proporção entre os terços faciais. No terço inferior, há uma proporção de 1 para 2 entre a porção superior e inferior e no perfil um grau moderado de convexidade ou perfil retro.

Características do tipo facial euriprosopo
Existe um complexo de características faciais que caracterizam um euriprosopo, tais como: seios frontais menores, testa mais vertical e bulbosa, arcos supra-orbitários e glabela não tão proeminentes. O nariz é pouco protrusivo e a ponte nasal é mais baixa. A maxila e a mandíbula parecem ser mais proeminentes porque a região nasal superior é menos protrusiva. Os malares têm aparência mais proeminente, o queixo parece proeminente e mandíbula parece mais cheia. Há uma maior probabilidade de ocorrência de perfil ortognata. A cabeça tem forma arredondada, horizontalmente mais curta e mais larga (caracterizam indivíduos orientais e algumas populações caucasianas (Enlow, 1993).Os indivíduos ou grupos étnicos deste tipo facial têm um cérebro mais arredondado, mais curto (horizontalmente) e mais largo. A base do crânio é mais vertical e tem a f1exura mais fechada, o que diminuí a dimensão horizontal efetiva da fossa craniana média. O resultado facial é um posicionamento posterior da maxila. O comprimento horizontal do complexo nasomaxilar é também relativamente curto. Pelo fato da base do crânio ser mais larga, porém menos alongada no sentido antero-posterior, as fossas cranianas média e anterior são correspondentemente escorçadas. A fossa craniana anterior proporciona a base que estabelece o comprimento horizontal e a largura bilateral do complexo nasomaxilar e um posicionamento relativamente mais anterior de toda a mandíbula. A fossa craniana média é mais em pé e a trajetória do cordão espinhal mais vertical, os indivíduos que possuem essas várias características têm também tendência a uma postura mais ereta, com a cabeça em posição de atenção fixa.Na análise facial frontal pode-se observar a ausência de exposição dos dentes anteriores em repouso e pouca exposição no sorriso. A face larga e quadrada, pela fartura da musculatura no ângulo goníaco mandibular, e uma avaliação dos terços faciais justificam o uso do termo curta, pela discrepância para menor do terço inferior. A proporção esperada para o terço inferior deve ser menor que 60% da altura facial total. O nariz tende a ser normal ou largo e a expressão zigomática plena. A relação dos incisivos superiores com o lábio superior pode ser normal, principalmente em crianças e jovens. Quando a relação entre os lábios e incisivos é deficiente, o paciente em repouso fica com os seus dentes escondidos atrás do lábio superior, e quando ele sorri, a exposição dos dentes é discreta, sem exibir gengiva. Quando em oclusão, os lábios são comprimidos e os sulcos peribucais, nasogeniano e mento labial, apresentam uma profundidade desproporcional à idade do paciente. Em indivíduos com idade mais avançada e principalmente com desgaste dentário, a linha de contato labial curva para baixo e os cantos da boca ficam abaixo da relação labial (ENLOW, 1993).Deve ser notado que o ponto mais importante é a deficiência do terço inferior em relação ao terço médio e a conseqüente compressão labial quando a boca está fechada, com os dentes em oclusão. O perfil apresenta também aspectos marcantes, ele tende a ser reto ou moderadamente convexo. O terço médio tem aparência normal, com depressão infraorbitária denotando bom desenvolvimento do zigomático e um nariz normal. A altura facial anterior inferior está diminuída. O ângulo nasolabial é normal ou agudo, e o sulco mentolabial marcado e profundo, principalmente quando o paciente está em oclusão. O vermelhão do lábio inferior pode estar aumentado e desproporcional ao do lábio superior. A linha mentocervical é adequada ou longa. A face na vista lateral também demonstra ser quadrada, devido ao ângulo goníaco fechado, musculatura farta e mento proeminente. Esses sinais podem não estar todos presentes e sempre tão evidentes.Os lábios guardam uma relação compressiva que, dependendo da gravidade, pode dar a eles uma protrusão. O lábio inferior pode estar evertido por conta dessa compressão, e o sulco mentolabial é profundo por conta dessa posição do lábio inferior, somando ao mento forte. O perfil é pouco convexo e a altura anterior da face está diminuída, com um terço médio normal e um inferior diminuído. A estrutura arquitetural dos indivíduos do padrão face curta é forte e o esqueleto aparece marcado na imagem radiográfica. Isso é especialmente detectável na mandíbula, que apresenta um ramo largo, um ângulo goníaco fechado, um corpo de tamanho geralmente normal posicionado horizontalmente, com uma sínfise larga e curta. Essa característica de sínfise larga e curta é fortemente correlacionada com o padrão face curta, a ponto de ser considerada fator de predição. Do ponto de vista vertical, apresenta um plano palatino paralelo em relação ao plano da base do crânio, provavelmente normal, e que guarda um angulo pouco divergente do plano mandibular. Essa é uma forte característica do padrão de face curta. A sua largura anterior, assim como a sínfise mandibular, tende a ser maior, com altura menor (Gil, 2001; Kim, 2007).Nanda (1990) relatou que em pessoas com altura facial anterior inferior reduzida, os planos faciais como base do crânio, planos palatino, oclusal e mandibular tendem a ser mais paralelos. Segundo ele, numerosas investigações indicaram que um ângulo goníaco relativamente pequeno é associado com mordida profunda e as características morfológicas da face são dependentes dos quatro planos horizontais. Como característica de indivíduos do tipo facial estudado, Lavelle, em 1979, ressalta ainda que como conseqüência da forma do crânio larga e arredondada, a base do crânio é mais levantada, com uma f1exura relativamente fechada, diminuindo, portanto, as dimensões horizontais da fossa média craniana. Para se estabelecer um padrão de divisão de acordo com o formato da cabeça, foi criado o índice cefálico, que nada mais é do que a razão entre a largura total e a altura total da cabeça. Nos dolicocéfalos esse índice é menor que 75.9, nos mesocéfalos ele varia de 76 a 80.9 e nos braquicéfalos esse índice é maior que 81. (Enlow, 1990) (Fig.1).

 

Figure 1
Figura 1. Tipos cranianos existentes.

 

A face pode também ser analisada a partir de uma vista lateral, onde é evidenciado o aspecto ântero-posterior, que nos da a leitura do tipo de perfil que a pessoa apresenta. Pessoas que na análise facial apresentam um perfil reto demonstram uma boa relação de crescimento antero-posterior entre a maxila e a mandíbula, consequentemente há uma harmonia nesse tipo de perfil. (Landgraf, 2002).As pessoas que apresentam um perfil convexo, geralmente têm a maxila numa posição mais anterior em relação à mandíbula. Uma leve convexidade do perfil é uma condição característica dos caucasianos. Há uma condição chamada de bi-protrusão, onde a maxila guarda uma boa relação com a mandíbula, porém as duas se encontram muito à frente da base craniana. Indivíduos que tem um perfil côncavo apresentam uma situação contrária dos que possuem o perfil convexo, ou seja, a maxila dos que tem perfil côncavo se situa no plano horizontal, mais posteriormente do que a mandíbula. Esse tipo de condição revela pouco crescimento maxilar, ou excessivo crescimento mandibular, ou ainda uma combinação de ambos(Figura 2).

 

Figure 2
Figura 2. Tipos de perfis faciais.

 

Na análise lateral da face, a avaliação da projeção zigomática tem um papel fundamental na harmonia facial. A projeção zigomática, ou “maçã do rosto”, torna o sulco naso-geniano pouco ou muito marcado, contribuindo assim para o aspecto mais jovial ou não do indivíduo. Pouca projeção zigomática denota uma deficiência do crescimento maxilar no sentido ântero-posterior. Essa situação é condizente com as pessoas que apresentam um perfil côncavo, o que leva a um pronunciamento do sulco naso-geniano, contribuindo assim para o envelhecimento do indivíduo. O contrário também é verdadeiro, ou seja, onde a projeção zigomática é muito evidente, denotam-se perfis mais convexos e por conseqüência sulcos naso-genianos menos marcados (Mayoral & Mayoral, 1997).A mandíbula também pode ser avaliada numa visão lateral da face, para tal deve-se analisar o lábio inferior, o sulco mento-labial e a linha mento pescoço. A deficiência sagital da mandíbula causa uma eversão do lábio inferior, que pode também estar associada a uma altura facial reduzida. Essa situação do lábio inferior tem relação direta com o sulco mento labial, ou seja, quanto maior essa característica do lábio, mais pronunciado o sulco mento-labial. A linha mento pescoço está ligada ao tipo facial, assim indivíduos dolicocéfalos apresentam uma linha mento pescoço curta, enquanto indivíduos braquicéfalos têm essa linha mais longa, e os indivíduos mesocéfalos se situam intermediariamente. (Zaher et al., 1994; Proffit, 2007).Para que o indivíduo seja considerado dentro de um padrão de normalidade, certos requisitos devem ser preenchidos quanto à proporcionalidade de sua face. A face pode ser divida em três terços: O terço superior se estende desde o ponto trichio, que é o ponto onde começa o couro cabeludo, até a glabela que é o ponto médio entre as sobrancelhas, o terço médio se estende da glabela até a base do nariz, e o terço inferior vai da base do nariz ao ponto mentoniano, que se situa na borda inferior do queixo (fig. 3).

 

Figure 3
Figura 3. Variações dos terços faciais humanos.

 

Uma relação harmoniosa entre os terços faciais está na proporção de 1:1, ou aceitando-se um leve ganho do terço inferior da face sobre os outros numa proporção de 5:6. O terço inferior vai do ponto subnasal até o mento, englobando o lábio superior, lábio inferior e mento, sendo que essas estruturas também devem guardar uma certa proporção entre si para que se tenha um aspecto de normalidade nessa parte da face. (Landgraf, 2002; Proffit, 2007).As larguras oculares (distância entre o canto ocular externo ao canto ocular interno) devem ser iguais entre si e iguais a largura nasal. Já a distância entre os cantos internos do olho, também devem ser iguais a largura nasal. A largura interpupilar deve ser igual a distância entre as comissuras labiais. O lábio superior, que corresponde à distância entre a base do nariz até o ponto mais inferior do lábio superior, e deve ocupar 1/3 do comprimento total do terço inferior da face, deixando os 2/3 restantes para que o lábio inferior e o mento ocupem. Na vista frontal da face também pode-se fazer uma análise das estruturas transversais faciais, pois essas também devem guardar certas proporções para que o indivíduo permaneça numa faixa de normalidade (Figura 4). A proporção divina de Fibonacci (relação entre os elementos do corpo humano, 1/1.618) é largamente utilizada para a avaliação das proporções faciais no sentido transversal. Nessa vista podem ser avaliadas as proporções da largura facial com as respectivas estruturas que compõem um conjunto harmonioso, tal como a relação entre a distância intercantal e a largura do nariz. (Ricketts, 1982).

 

Figure 4
Figura 4. Proposta de Protocolo para Estudo de Compatibilidade do Casal - Biótipo Craniofacial (Taitson , 2005).

 

CONCLUSÃO
A análise facial é muito importante nas diversas áreas que lidam com estética, como a ortodontia e a cirurgia plástica. O estudo da face remonta desde a antiguidade, onde se buscava um modelo ideal de face. Muitos fenômenos que são vistos no crescimento do corpo como um todo, são expressos, embora que de certa forma diferente, no crescimento da face. O surto de crescimento, mais notável no período da adolescência, ocorre no ramo da mandíbula. Observa-se que o comportamento do crescimento da face está, de algum modo, entre o crescimento do neurocrânio e o crescimento físico em geral. Isto se aplica não apenas à proporção de crescimento alcançado nas idades precoces, mas também ao período da adolescência (Van der Linden, 1990; Suguino et al; 1996).
Algumas postulações são interessantes, quando se observa que todos os indivíduos são diferentes. Não existem duas pessoas iguais. O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo a cada momento: momentos condicionais. A hemiface direita apresenta diferenças da hemiface esquerda. Essas diferenças individuais não são caóticas. Elas obedecem a determinadas leis. De fato, os elementos ponderáveis e mensuráveis, quando estudados num grupo de indivíduos, se distribuem, em termos de freqüências, segundo uma curva de distribuição normal de Gauss. Dentro das diferenças existem semelhanças, que permitem agrupar os indivíduos em tipos. A variação é uma lei básica da ciência. O conjunto de variações estruturais, funcionais e genéticas e patológicas sempre está presente em uma população de qualquer espécie devido à capacidade de adaptação ao ambiente mutável. Isso aumenta a possibilidade de sobrevivência para os indivíduos que têm características mais adequadas às necessidades do tempo. A face humana certamente tem sua parcela de variações. Na verdade, provavelmente existem tipos mais básicos e divergentes de padrões faciais do ser humano. Isso ocorre porque houve adaptações faciais e cranianas incomuns relacionadas a expansão do cérebro humano. Conclui-se assim, que a utilização de um estudo de compatibilidade do casal baseado no seu biótipo craniofacial pode ser útil na seleção e caracterização de doadores e casais em um banco de sêmen.

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