JBRA Assist. Reprod. 2011;15(5):49-92
RESUMOS
doi: 10.5935/1518-0557.2011.15.5.09
Nardi, F.S.1; Slowik, R1; Wowk, P.F.1; Michelon, T.2; Neumann, J2; Bicalho, M.G.1
1UFPR; 2CIR-Porto Alegre
OBJETIVO: Estudo caso-controle que investiga associação entre alelos HLA-G ( éxons 2, 3 e 4) e múltiplas falhas de implantação embrionária (FIE). MÉTODOS: Vinte e um casais com pelo menos duas FIE e no mínimo, duas transferências de embriões não criopreservados e 60 casais controle com pelo menos duas gestações à termo, sem complicações. A genotipagem foi realizada através de sequenciamento direto do DNA. Foram analisados os polimorfismos específicos destes éxons, com o intuito de avaliar uma possível associação no estabelecimento de uma gestação viável. Seis casais com falha de implantação, nos quais a mulher foi diagnosticada com endometriose também foram analisados, totalizando vinte e sete casais. Os alelos encontrados nesta população foram analisados individualmente através do Teste Exato de Fischer ou Qui-quadrado corrigido, dependendo do tamanho da população a ser analisada. RESULTADOS: Foram encontradas diferenças significativas na distribuição dos alelos de HLA-G entre casais com múltiplas falhas de implantação e casais controle. O alelo G*01:01:03 é mais freqüente nos casais controle (6,72%) se comparado aos casais com falha de implantação (1,19%) (p=0,0373), sugerindo um possível fator de proteção para a gestação. O alelo G*01:04:01 se mostrou mais presente nas mulheres dos casais com falha de implantação (16,67%) se comparado às mulheres dos casais controle (9,66%) (p=0,0413), sugerindo ser um dos possíveis fatores de risco para a implantação embrionária. Ao incluirmos os seis casais com endometriose na análise, observamos que os alelos G*01:01:06 e G*01:05N estão presentes em 2,77% dos casais com falha de implantação e estão ausentes nos casais controle (p=0,0298). O alelo G*01:01:01 se mostrou mais freqüente nas mulheres pertencentes aos casais controle (48,3%) quando comparado com as mulheres pertencentes aos casais com falha de implantação (29,62%) (p=0,0329). E confirmamos as diferenças observadas para os alelos G*01:01:03 e G*01:04:01. CONCLUSÃO: Estes resultados evidenciam que a implantação embrionária está sob controle genético, além dos diversos outros fatores envolvidos nesta rede imunoreguladora, e corroboram a hipótese de que os produtos de HLA-G exercem papel importante na modulação da resposta imune materno-fetal.
Cuzzi, J.F.5; Serafini, P.2; Motta, E.L.A.3; Alegretti, JR.3; Criscuolo, T.C.4; Hassun, P.A.5
1Genesis Genetics Brasil; 2Huntington - Medicina Reprodutiva São Paulo; Universidade de São Paulo - USP - Centro de Reprodução Humana Mario Covas; 3Huntington - Medicina Reprodutiva São Paulo; Hospital Santa Joana - Centro de Reprodução Humana; Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - Departamento de Ginecologia; 4Huntington - Medicina Reprodutiva São Paulo; 5GENESIS GENETICS BRASIL
OBJETIVO: Uma etapa crucial no tratamento de fertilização in vitro (FIV) é a seleção do melhor embrião para a transferência uterina. Ainda hoje, a maioria dos métodos de avaliação embrionária baseiam-se em critérios morfológicos, como o número e tamanho das células, multinucleação ou grau de fragmentação. Entretanto, já se sabe que estas características pouco dizem sobre a viabilidade embrionária e sua capacidade de se desenvolver e estabelecer uma gestação saudável. Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi correlacionar a morfologia de embriões no estágio de blastocisto com a incidência de alterações cromossômicas detectadas pela técnica de Hibridação Genômica Comparativa (CGH-array). MATERIAIS E MÉTODOS: Um total de 302 blastocistos gerados por 110 casais com idade materna média de 37,8 anos foram biopsiados e analisados pela técnica de CGH-array. Estes embriões foram avaliados e classificados de acordo com os critérios morfológicos propostos por Gardner & Schoolcraft (1999). Desta forma, com base no desenvolvimento embrionário, qualidade da massa celular interna (classes A,B e C) e trofectoderma (classes A,B e C), os blastocistos foram classificados entre os graus de 1 a 6. Como esperado, no memento da biópsia não foram observados embriões graus 5 e 6. RESULTADOS: Foram encontradas alterações cromossômicas (aneuploidias) em 52% dos embriões analisados. Observou-se que 55,8% (95 de 172) dos blastocistos graus 3 e 4 eram cromossomicamente normais (euplóides) comparados com 37,7% (49 de 130) dos embriões graus 1 e 2, uma diferença significativa (p< 0,001). A qualidade da massa celular interna e do trofectoderma pareceu não ter associação com os diferentes tipos de aneuploidias observadas. As alterações cromossômicas complexas e DNA degradado também foram observados com maior frequência nos embriões graus 1 e 2. CONCLUSÃO: Nossos resultados demonstram uma associação entre morfologia e alteração cromossômica em blastocistos, sugerindo um possível efeito da aneuploidia no desenvolvimento embrionário. No entanto, apenas a análise morfológica não é capaz de garantir a transferência de embriões euplóides, reafirmando que o uso da técnica de CGH-array é uma estratégia valiosa na escolha dos embriões com maior viabilidade e capacidade de estabelecer uma gestação saudável.
Nogueira, A.C.T.1; De Souza, L.R.2; Wolff, P.3; Heibel, M.2
1Cliníca Genics-Medicina Reprodutiva e Genômica; 2Clínica Lavitta - Centro de Medicina Reprodutiva e Infertilidade do Amazonas; 3Clinica Genics-Medicina Reprodutiva e Genômica
INTRODUÇÃO: Entre as azoospermias obstrutivas (AO), a vasectomia é a causa mais comum encontrada em casais que irão submeter-se às técnicas de reprodução assistida (TRA). A reversão da vasectomia propicia taxas de patência e gravidez entre 40% a 70%, entretanto, o resultado satisfatório para a técnica de reversão cirúrgica está diretamente ligado ao tempo de obstrução. A introdução da Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI) mudou as perspectivas de reprodução na vida desses pacientes, uma vez que amostras seminais, independente da qualidade, podem ser utilizadas com êxito nessa técnica. DESCRIÇÃO DE CASO: Paciente com 33 anos de idade, com quadro clínico de miomatose, foi submetida a um ciclo de indução de ovulação utilizando gonadotrofinas e antagonistas do GnRH. Após 36 horas da administração do hCG, foram recuperados 8 oócitos em meiose II. O marido de 54 anos de idade, vasectomizado há 28 anos, foi submetido a uma aspiração percutânea do epidídimo seguido de aspiração percutânea do testículo, com sedação. Foram recuperados poucos espermatozóides móveis, os quais foram selecionados quanto a sua morfologia e posteriormente utilizados na fertilização dos oócitos por meio da técnica de ICSI. Ao final do terceiro dia de desenvolvimento foram selecionados três embriões e transferidos para o útero da paciente. Duas semanas após a transferência, a ultrassonografia transvaginal comprovou a presença de um único saco gestacional e batimento cardíaco fetal normal. A gestação evoluiu normalmente, contudo, na 36ª semana, devido a um quadro de hipertensão gestacional, foi realizado um parto cesariana prétermo com o nascimento de um prematuro saudável do sexo feminino pesando 2.480g. COMENTÁRIO: A recuperação de espermatozóides nas AO é um procedimento simples, uma vez que a produção de espermatozóides está mantida. A aspiração permite a recuperação de espermatozóides do epidídimo e dos testículos sem a necessidade, na maioria das vezes, de uma incisão. A reversão da vasectomia, embora seja um procedimento com maior custo-benefício que as TRA, é indicada nos casos com o intervalo de obstrução inferior a 15 anos e sem fatores de infertilidade feminina envolvidos. Dessa forma, a decisão de reversão da vasectomia, ou captação espermática utilizando métodos de recuperação espermáticas, associados à ICSI, deve ser individualizada e ponderada entre os casais e os profissionais envolvidos.
Andari, V.C.M1; Melo, A. V1; Angelozzi de Oliveira, M.1; Borges Jr, E2; Martinhago, CD1
1RDO Diagnósticos Médicos; 2Fertiliy - Centro de Fertilização Assistida
O PGD (Preimplantation Genetic Diagnosis) surgiu como uma importante alternativa de diagnóstico pré-natal a casais com alto risco de conceber uma criança com alguma desordem genética. Como a mais recente aplicação nessa área, surgiu a proposta de combinar o PGD para doenças monogênicas à análise genética do sistema HLA (Human leukocyte antigen) a fim de selecionar embriões saudáveis para uma doença específica e possíveis doadores (HLA-compatíveis) de medula óssea ou célula-troco a um irmão afetado pela condição. Este estudo apresenta o resultado da primeira experiência brasileira de padronização de PGD para tipagem do perfil HLA associada à seleção de embriões livres de beta-Talassemia, desenvolvida para uma família de pais portadores de traço talassêmico e uma criança afetada pela doença. Foi elaborado um protocolo flexível e indireto de identificação dos haplótipos da região do HLA para todos os membros da família baseado na técnica de multiplex-PCR (polymerase chain reaction) para análise de marcadores polimórficos STR (short tandem repeat) dessa região, otimizado com a amplificação simultânea de marcadores STR da região envolvida na mutação de interesse. Nove marcadores foram incluídos na análise do multiplex-PCR, sete marcadores de um total de 21 analisados foram considerados informativos para a região do HLA. Além de dois marcadores informativos para a região da beta-globina. Para avaliar a confiabilidade do protocolo precedente ao PGD, 64 linfócitos isolados do pai da família foram testados e revelaram >97% de eficiência na amplificação. O casal foi submetido a um ciclo de estimulação ovariana seguido de ICSI (intracytoplasmic sperm injection), que resultou em 10 embriões. Três afetados pela beta-Talassemia; e cinco com o perfil HLA incompatível ao da criança afetada pela doença, um embrião não portador da mutação e quatro com traço talassêmico (três provenientes da linhagem paterna e um de origem materna). Foram transferidos dois embriões HLA-idêntico ao da criança afetada, um homozigoto normal e outro heterozigoto (traço talassêmico de origem materna) para a mutação no gene da beta-globina. Uma vez que o procedimento é recente, aguardamos a confirmação de gravidez bioquímica. O maior avanço observado nessa estratégia é a possibilidade de sua aplicação nas mais diversas condições de hemoglobinopatias de ordem monogênica, ampliando o número de famílias que podem recorrer a essa nova opção terapêutica.
Setti, A.S.1; Figueira, R.C.S.2; Braga, D.P.A.F.3; Colturato, S.S.2; Iaconelli Jr., A.3; Borges Jr., E.3
1Instituto Sapientiae; 2Fertility - Centro de Fertilização Assistida; 3Fertility - Centro de Fertilização Assistida e Instituto Sapientiae
OBJETIVO: Verificar a relação entre os dismorfismos oocitários e as anormalidades cromossômicas em embriões originados in vitro. MÉTODOS: Um total de 189 ciclos de injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) associados à técnica de diagnóstico genético pré-implantacional (PGS) para 8 cromossomos (13, 15, 16, 18, 21, 22, X e Y) foram retrospectivamente avaliados. Para minimizar a influência do fator de infertilidade masculina, todos os casos de concentração de espermatozóides menor que 1 x 10 6 m / ml e motilidade espermática inferior a 20% foram excluídos do estudo. A avaliação de anomalias cromossômicas embrionárias foi realizada com base em oócitos individuais. Na primeira análise, a relação entre os dismorfismos oocitários (aumento da granulação citoplasmática, presença de vacúolos, agregados do retículo endoplasmático liso (REL), corpúsculo polar (CP) aumentado, espaço perivitelino (EP) aumentado e granular) e as aneuploidias embrionárias foi avaliada em 834 oócitos/embriões. A fim de excluir a influência da idade materna sobre as anormalidades cromossômicas embrionárias, uma segunda análise do protocolo acima descrito foi realizada incluindo apenas os embriões de pacientes do sexo feminino até 35 anos (n= 57, 326 oócitos/embriões). A influência dos dismorfismos oocitários nas aneuploidias cromossômicas embrionárias foi avaliada por meio de regressão logística binária e os resultados foram expressos como odds ratio (OR) e intervalos de confiança de 95% (IC). RESULTADOS: O aumento da granulação citoplasmática (OR: 1,68; IC: 1,10-2,56), espaço perivitelino aumentado (OR: 1,52; IC: 1,10-2,11) e espaço perivitelino granular (OR: 1,52; IC: 1,11-2,10) foram determinantes do aumento da probabilidade de aneuploidia embrionária. Considerando apenas pacientes do sexo feminino com idade ≤ 35 anos, o espaço perivitelino aumentado (OR = 2,20; IC: 1,11-4,37) foi determinante do aumento da probabilidade de aneuplodia embrionária. CONCLUSÕES: A granulação citoplasmática, espaço perivitelino aumentado e granular estão associados com maior probabilidade de aneuploidia no embrião em desenvolvimento. Considerando apenas as pacientes jovens, a associaçao entre o espaço perivitelino aumentado e o aumento da probabilidade de aneuploidia embrionária foi observada. A avaliação morfológica oocitária pode predizer a qualidade oocitária e embrionária, devendo ser levada em consideração para a seleção embrionária no momento da transferência.
Fuhrmeister1; Branchini, G.2; Pimentel, Anita3; Kussler, Ana P.4; Brum, Ilma2; von Eye Corleta, H.5
1Clinica Gerar; 2UFRGS; 3Clínica Gerar - HMV, UFRGS; 4Clínica GERAR - HMV, UFRGS; 5Clínica GERAR, UFRGS, HCPA
A metformina é uma droga amplamente utilizada como um agente sensibilizador da ação da insulina no tratamento da Diabete Melito tipo II,e,mais recentemente,no tratamento de mulheres com ovários policísticos. O objetivo deste trabalho é avaliar a expressão gênica e protéica de receptores de Insulina, IGF-1 e da enzima aromatase em culturas de celulas da granulosa (CG) tratadas com metformina ( Met ) e insulina ( I ), provenientes de pacientes submetidas a técnicas de Reprodução Assistida. MM:No presente estudo utilizamos células da granulosa (CG) murais luteinizadas coletadas durante os procedimentos de fertilização in vitro. As CG murais foram isoladas e mantidas em cultura por 24 horas e divididas nos grupos controle (C) e tratados com (M30) Metformina 30min,Metformina 30min + Insulina(I) 30min (M30+I30) e (M30+I60).Após os tratamentos, foi realizada a extração do RNA total (reagente Trizol), seguida da síntese de cDNA e reações em cadeia da polimerase (PCR) para os genes do IGF-1R,Receptor de Insulina,aromatase e da β2-microglobulina (normalizador). Os produtos da PCR e Western Blot(WB) foram quantificados em gel de agarose.R:As CG tratadas com metformina apresentaram um aumento significativo na expressão de IGF-1R em relação ao grupo controle (p = 0,010). Não houve diferença na expressão de IGF-1R quando as células foram tratadas com metformina mais insulina por 30 min ou 60 min.O tratamento com metformina induziu também a expressão gênica do IR (p = 0,011). A adição de insulina por 30 min. não modificou a expressão do receptor em relação à metformina aos 60 min. os valores foram semelhantes ao controle. A análise do mRNA da aromatase demonstrou que a adição de insulina por 30 min. nas células tratadas com Met inibe a expressão do gene da aromatase (p=0,007).Comparando o mRNA da aromatase entre o grupo controle e o tratado com insulina por 60 min. não houve diferença. A expressão Protéica de IGF-1R foi similar entre todos os grupos estudados. A expressão protéica do receptor de insulina não foi possível ser avaliada por WB. A análise protéica da aromatase também apresentou resultados semelhantes entre os grupos estudados.C: O presente estudo sugere ação da metformina em CG luteinizadas in vitro, entretanto as vias de modulação da metformina sobre os receptores de Insulina, de IGF-1R, e da enzima Aromatase necessitam mais investigação.
Telles de Souza, I.D.1; Telles, A.P.P.1; Abud, P.D.N.1; Araujo,A.A.S.2; Freitas, D.P.1; Nascimento, V.C.P.S.1
1Fertilità Medicina Reprodutiva; 2Universidade Federal de Sergipe
OBJETIVO: Determinar se a dose de gonadotrofinas estimada pela idade e ajustada pela contagem de folículos antrais (CFA), antes do estímulo ovariano em ciclos de ICSI, pode ser determinante para a resposta ovariana e para a gravidez. MÉTODOS: Estudo coorte retrospectivo, que avaliou 112 paciente de ciclos de ICSI, de outubro de 2009 a março de 2011 (15 ciclos). As pacientes foram divididas de acordo com Idade: grupo 1: < 30 anos, grupo 2: 31-35, grupo 3: 36-39, Grupo 4: >40 anos. Avaliou-se nestes grupos a dose de gonadotrofinas ajustada pela CFA, os dias de estimulação, o número de oócitos M2, taxas de implantação, de gestação e de abortamento. A CFA (3mm -10 mm), foi realizada no 2º ou 3º dia do ciclo, por meio de ultrassonografia transvaginal, pelo mesmo observador. RESULTADOS: Pacientes do grupo 1 tem maior quantidade de FA, usam menos gonadotrofinas (p<0,001). As do grupo 3 e 4 assemelham-se quanto a: quantidades de FA, doses de gonadotrofinas e oócitos M2 captados, mas a taxa de gravidez é maior no grupo 3 (36% x 23,53%) (p=0.051). Houve necessidade de dose maior de gonadotrofinas no grupo 2 para obter mesma quantidade de M2 do grupo 1(p<0,001). A taxa de gravidez foi maior no grupo 2 (59,62%) do que no grupo 1 (44,44%)(p=0.051), mas o grupo 1 teve a maior taxa de implantação (p<0,05). A taxa de abortamento foi maior no grupo 4 (50%) e menor no grupo 1 (12,5%). Não houve diferença nos dias de estimulação. CONCLUSÃO: A dose de gonadotrofinas estimada pela idade e ajustada pela contagem de folículos antrais (CFA) antes do estímulo ovariano em ciclos de ICSI permite maximizar a resposta ovariana. A idade é determinante nas taxas de gravidez e abortamento.
Amaral, V.L.L.1; Cordini, M.2; Frajblat,M.3; Graf,A.C.L.3; Artuso, S.3; Andrade, S.F.3
1PROCRIAR; UNIVALI; 2CLIUS; 3UNIVALI
O uso de plantas medicinais é amplamente difundido e a maior parte dos fitoterápicos comercializados é de venda sem prescrição médica. Um dos principais problemas da utilização destes produtos é a crença de que produtos de origem vegetal são isentos efeitos tóxicos. As gestantes constituem um grupo populacional que culturalmente recorre ao uso de fitoterápicos, por acreditarem que não causam danos ao feto . A formulação fitoterápica (Água Inglesa ®), contendo Cinchona calisaya (quinina); Jateorhiza palmata (calumba);Centaurim erythraea ( fel-da terra); Baccharis trimera (carqueja); Artemisia absinthium (losna); Matricaria chamomilla (camomila) e Cinnamomum cassia (canela da china), é indicado como tônico e aperiente. Porém, tem sido utilizado empiricamente para tratar infertilidade. Este estudo foi o primeiro a investigar este composto e seus efeitos sobre a reprodução em fêmeas de camundongos. O composto foi administrado diariamente por 42 dias, em três doses diferentes, abrangendo o período pré-acasalamento, acasalamento e período de embriogênese e implantação. Foram avaliados os sinais clínicos de toxicidade, variação na massa corporal e peso do fígado, além das variáveis que indicam toxicidade reprodutiva: cópula, gestação, perdas pré e pósimplantação, índice placentário (peso da placenta/peso do feto), malformações maiores nos conceptos e potencial mutagênico pelo ensaio do micronúcleo em medula de óssea de camundongo. Os resultados, interpretados em conjunto, mostraram que a formulação fitoterápica investigada, não causou toxicidade sistêmica e reprodutiva quando administrado por via oral em dose preconizada para humanos, durante 42 dias em fêmeas de camundongos. Também não houve efeito genotóxico que possa induzir mutações. O grupo que recebeu três vezes a dose preconizada para humanos apresentou um maior (p=0, 001) índice placentário em relação aos demais grupos, indicando efeito toxico materno que de forma indireta afetou negativamente o peso dos fetos. A formulação fitoterápica pode ser considerada relativamente inócua, desde que seja administrada na dose indicada.
Costa, T.1; Oliveira, E.A.1; Mohamed, R.1; Duarte, M.C.P.M.1; Silva, W.J.J.1; Souza, M.C.B.1
1UFRJ
INTRODUÇAO: Ao abordar infertilidade, conflitos, tabus, sentimentos, estereótipos, cobranças se convertem em demandas de tecnologias para os serviços. No Brasil, há poucos serviços públicos gratuitos na área de reprodução. Além disso, é patente o aumento de mulheres com mais de 35 anos desejosas da primeira gravidez, muitas vezes excluídas nos critérios de acesso. A concepção de família e a dificuldade/ impossibilidade de acesso à reprodução justificam a necessidade de atendimento interdisciplinar. OBJETIVO: Relatar estruturação de grupo interdisciplinar de acolhimento a usuários com infertilidade conjugal em serviço público de referência. MÉTODOS Análise das atividades ocorridas desde 2008 e de pilotos de grupos de acolhimento permitiu selecionar dúvidas, questionamentos e anseios dos usuários. Reuniões semanais consolidaram elaboração de material apresentando o serviço e ficha de pré-consulta multidisciplinar. O depoimento/ análise dos profissionais subsidiou discussão e consolidação da prática educativa. RESULTADOS: A rotina de acolhimento, embasada na pedagogia da problematização com escuta sensível, compreende:(1) apresentação do serviço e equipe multiprofissional a grupos (10 a 15 casais), visando discutir expectativas de tratamento;(2) pré-consulta, consolidando o acesso, referência e contra-referência em saúde reprodutiva. Foram selecionados questionamentos dos casais para compor a apresentação, subsidiando discussões e processo de construção compartilhada do conhecimento: sobre o serviço, a tecnologia reprodutiva (distinção entre inseminação artificial e fertilização in vitro), efetividade do tratamento e alternativas de solução. Discussão recorrente compreendeu a impossibilidade de atendimento inteiramente gratuito e a obrigação de procriar, como consolidação da família, corroborando dados do serviço: 54,7% das usuárias (2008 - 2010) com infertilidade primária. CONCLUSÕES: Participar de grupo de acolhimento permite que usuários reflitam sobre vivências, angústias e alternativas de solução à infertilidade, como sujeitos ativos do processo. Ampliar o acesso e desmistificar sua viabilidade deve considerar parcela da população que desconhece e sequer busca os serviços e outra que se mantém vinculada a eles, presa pelo desejo/obrigação de gerar filhos. A educação em serviço de saúde consolida processo de construção compartilhada do conhecimento e alfabetismo científico como forma de empoderamento em prol da promoção da saúde reprodutiva. Apoio Pibex-UFRJ.
Schneider, D.T.1; Esteves, S.C.1
1Androfert
OBJETIVO: A nova lei brasileira que foi aprovada em 2011 estipula que não mais do que dois ou três embriões devem ser transferidos ao útero de mulheres abaixo dos 36 anos e entre 36 e 39 anos, respectivamente. Assim, a nova regulamentação proibe a prática utilizada por muitos serviços de transferir até quatro embriões independente da idade da paciente. O objetivo deste estudo é de analisar o impacto futuro da nova regulamentação nas taxas de bebês nascidos e multiparidade. MÉTODOS: Foram incluídos 1468 ciclos de ICSI, divididos em três grupos de acordo com a idade materna: grupo (i) ≤35 anos; grupo (ii) 36-39 anos e grupo (iii) ≥40 anos. Taxa de bebês nascidos e de gestação múltipla foram comparadas de acordo com o número de embriões transferidos em cada categoria, e de acordo com a presença de fator masculino grave. Regressão logística foi realizada para avaliar o impacto da redução do número de embriões transferidos no número de bebês nascidos e no número de múltiplos. RESULTADOS: O limite de embriões transferidos imposto pela nova lei não deve alterar as taxas de bebês nascidos nos grupos (i) (45,7% versus 44,4%) e (ii) (48,7% versus 42,5%). Por outro lado, redução significativa deverá ser observada nas taxas de multiparidade nas mulheres do grupo (i) (21,0% versus 34,1%) devido à dramática redução no percentual de gestações triplas (decréscimo de 9X; p=0,009). No grupo (ii) as taxas de gestação múltipla não se alteram (22,0% versus 23,7%). Em casais cujo homem tenha um fator masculino grave, houve redução nas taxas de bebês nascidos (28,0% versus 39,1%) e de gestação múltipla (9,3% versus 23,5%), embora de forma não significante (p=0,06). CONCLUSÕES: A nova lei brasileira para reprodução assistida parece ter um impacto positivo na redução de gestações múltiplas, sem prejudicar as chances de bebês nascidos em mulheres jovens. Em mulheres acima de 36 anos a lei parece não ter nenhum tipo de impacto. Uma tendência negativa nas taxas de bebês nascidos parece ocorrer nos casos de fator masculino grave, devendo ser melhor investigada.
Alegretti, J.R.1; De Paula, T.S.1; Mattila, M.C.2; Hassun, P.A.3; Serafini, P.1; Eduardo Motta1
1Huntington - Medicina Reprodutiva; 2Hospital e Maternidade Santa Joana; 3Genesis Genetics Brasil
OBJETIVO: Avaliar as taxas de implantação de embriões humanos euplóides, transferidos “a fresco”, após biópsia em fase de blastocisto, com análise por Hibridação Genômica Comparativa por microarranjos (CGH-array) e determinar sua eficácia em diferentes grupos etários de pacientes submetidos a ciclos de Fertilização In Vitro (FIV). MÉTODOS: Entre novembro de 2010 e abril de 2011 foram analisados 101 ciclos de casais submetidos à FIV. Os ciclos foram divididos em: A) idade materna até 37 anos; B) idade materna > 38 anos. Todos os embriões que em cultivo apresentaram número maior de 04 células em dia 3 foram submetidos ao Hatching assistido por sistema de laser e mantidos em cultivo triplo-gás por 48 horas. Aqueles que atingiram o estágio de blastocisto, procedeu-se a biópsia no dia 5 de cultivo, após comprovação de herniação das células trofoblásticas e enviada para análise por CGH-array. Os embriões foram mantidos em cultivo por mais 24 horas, no aguardo do resultado e, os diagnosticados como euplóides, foram transferidos ao útero em dia 6. Os testes de Mann Whitney e t de Student foram utilizados quando apropriados. Taxas de gestação, cancelamento e implantação foram analisadas pelo Teste Z para duas proporções. RESULTADOS: Observou-se de forma significativa, maior taxa de ovócitos recuperados no grupo A em relação ao B (A = 11,2±5,3; B = 9,2±5,6; p=0,04), em metáfase II (9,6±4,6; 7,5±4,4; p=0,03) e fertilizados (8,0±4,1; 7,5±4,0; p=0,03); assim como de blastocistos formados (3,6±2,1; 2,6±1,7; p=0,009). Além disso, uma menor taxa de embriões aneuplóides pela análise do CGH foi verificada no Grupo A em relação ao B (A = 62,8±31%; B = 83,9±27%; p=0,001), acarretando maior taxa de cancelamento dos ciclos (A = 33,33%; B = 58,5%; p=0,009). Contudo, não foram encontradas diferenças no número de embriões transferidos (A = 1,5±0,5; B = 1,4±0,5; p=0,2), implantação (40,4%; 42,8%; p=0,8) e, sobretudo, nas taxas de gestação (A=55,2% e B=50,0%; p=0,7). CONCLUSÕES: A análise dos resultados sugere que, independente da idade materna, a presença de embriões euplóides ao CGH-array, oferece chances iguais de implantação e gestação, demonstrando que a euploidia de todo o complemento cromossômico é fundamental na gravidez. Já o cultivo até a fase de blastocisto, seleciona um menor número de embriões a serem analisados e posteriormente transferidos. Por fim, a biópsia embrionária em dia 5 e posterior transferência a fresco no dia 6, mostrou ser uma técnica eficaz.
Oliveira, I.C.L.1; Montenegro, I.S.1; Terraciano, P.B.1; Paz, A.H.1; Cirne-Lima, E.O.1; Passos, E.P.1
1HCPA
A criopreservação de tecido ovariano é uma técnica promissora para a preservação da fertilidade. O objetivo deste trabalho foi determinar o protocolo mais eficiente de criopreservação de tecido ovariano utilizando o sistema automático de congelação, para comparar a integridade do tecido ovariano congelado através de duas diferentes curvas de congelação combinadas com dois diferentes crioprotetores. Utilizamos 20 ratas Wistar que foram submetidas à oofarectomia bilateral. Os ovários foram divididos e congelados em dimetilsulfóxido (DMSO) e etilenoglicol (EG) e foram analisadas duas curvas de congelamento (curva lenta e rápida). As amostras de tecido, após congelação, foram descongeladas, fixadas e processadas para a coloração com hematoxilina e eosina para a análise da integridade dos oócitos. Foi feita a quantificação dos folículos e análise do dano tecidual. Para a análise folicular foi utilizado o microscópio óptico e realizou-se a classificação dos folículos pré-antrais de acordo com o estágio de desenvolvimento em primordiais e primários. Os resultados foram submetidos à ANOVA e as comparações entre as médias Foram feitas pelo teste de Tukey (P<0,05). Nos resultados foi observado que no tecido criopreservado os folículos que persistiram íntegros em cada ovário foram os primordiais em 79% e primários em 29%. Entre as alterações reversíveis identificaram-se vacuolizacão citoplasmática e contorno irregular. Quanto às alterações irreversíveis foi encontrado picnose. Concluindo, no tecido ovariano criopreservado, foram encontrados apenas folículos primordiais e primários apresentando alterações histológicas reversíveis e irreversíveis. O crioprotetor EG promoveu uma melhor preservação folicular, e não foi encontrada diferença estatisticamente significativa, quando se comparou as duas curvas de congelação.
Santos, L.P.1; Nicoletto, B.B.1; Becker, G.F.1; Montenegro, I.S.1; Passos, E.P.1; Moulin, C.C.1
1UFRGS
OBJETIVO: Caracterizar o perfil nutricional e metabólico de homens com diagnóstico de sub-fertilidade e verificar correlações entre parâmetros nutricionais, hormônios sexuais e SHBG. MÉTODOS: Estudo transversal com braço-controle. Foram avaliados 18 homens com diagnóstico de sub-fertilidade (casos) e 9 homens pareados por idade sem causa aparente de infertilidade (grupo controle). Fatores de exclusão: alterações genéticas, distúrbios endócrinos, diabetes melito, câncer, insuficiência hepática ou renal, tabagismo, alcoolismo ou contato com metais pesados ou agrotóxicos. Todos os indivíduos assinaram o TCLE. Parâmetros avaliados: Índice de Massa Corporal (IMC), circunferência da cintura (CC), percentual de gordura corporal (%GC), glicose, insulina, perfil lipídico, FSH, LH, estradiol, prolactina, testosterona, SHBG, A1c% e HOMA-IR. RESULTADOS PRELIMINARES: O estudo está em fase de coleta de dados, sendo a amostra final prevista de 34 homens em cada grupo. O IMC (kg/ m2) médio dos grupos foi de 28,6 (casos) e 27,2 (controles). Não houve diferença nos parâmetros avaliados entre os grupos. Quando analisados todos os indivíduos, os níveis de testosterona se correlacionaram negativamente com IMC (r=-0,76; p<0,001), %GC (r=-0,59; p=0,001), CC (r=-0,59; p=0,001), HOMA (r=-0,85; p<0,001) e TG (r=-0,53; p=0,005); e positivamente com HDL (r=0,54; p=0,004). A concentração de LH apresentou correlação negativa com IMC (r=-0,44; p=0,02), HOMA (r=-0,60; p=0,001) e TG (r=-0,42; p=0,03). Houve correlação negativa também entre os valores de SHBG e IMC (r=-0,77; p<0,001), %GC (r=-0,59; p=0,001), CC (r=-0,57; p=0,002), HOMA (r=-0,80; p<0,001) e TG (r=-0,69; p<0,001). CONCLUSÕES: Apesar de os dados não apontarem diferença entre os grupos nas variáveis avaliadas, as correlações observadas demonstram que o excesso de adiposidade corporal, em especial a visceral, exerce influência deletéria sobre os parâmetros relacionados à fertilidade.
Nastri, C.O.1; Ferriani, R.A.1; Martins, W.P.1
1Departamento de Ginecologia e Obstetrícia (DGO), Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, Brasil
OBJETIVO: Verificar se a injúria endometrial realizada uma vez previamente à indução da ovulação pode melhorar o resultado das técnicas de reprodução assistida em mulheres não selecionadas. MÉTODOS: Estudo controlado triplo-cego com alocação aleatória em grupos paralelos na razão de 1:1. Foram convidadas as mulheres submetidas a técnicas de reprodução assistida com transferência de embriões frescos no HC/FMRP-USP. Foram incluídas aquelas que consentiram por escrito e nenhuma mulher foi excluída, para se respeitar o princício de intenção de tratamento. No grupo da intervenção foi realizada biópsia endometrial com Pipelle de Cornier® entre 7 e 14 dias antes do início da indução da ovulação. No grupo controle foi realizado um procedimento simulado constituído de exame especular e secagem do colo com gaze. Todas as participantes usaram anticoncepcionais orais por pelo menos 21 dias antes do início da indução da ovulação e os protocolos de estimulação ovariana foram semelhantes entre os grupos. Avaliação ultrassonográfica com Doppler tridimensionsal do endométrio foi realizada no dia da indicação do uso de hCG para indução final da ovulação, com o aparelho Voluson 730 Expert. Para ter um poder de 80% de detectar uma diferença relativa de 50% na taxa de gravidez clínica (de 30% para 45%), com nível de significância de 5% serão necessárias 160 participantes por grupo. Análises de ínterim foram programadas após a inclusão inicial de 60 mulheres e a cada inclusão de 30 mulheres. RESULTADOS: Na análise de ínterim realizada após a inclusão de 120 mulheres observamos: taxa de gravidez clínica de 46,7%(28/60) vs. 30%(18/60); RR[IC95%]=1,56[0,97;2,49]; p=0,09; injúria endometrial vs. controle respectivamente; taxa de gestação múltipla de 11,7%(7/60) vs. 8,3%(5/60); RR[IC95%]=1,40[0,47;4,17]; p=0,76; e taxa de implantação de 30,3%(36/119) vs. 18,7%(23/113) RR[IC95%]=1,49[0,94;2,34]; p=0,09. Não observamos diferença significativa na espessura (10,01±1,53 vs. 10,09±1,21; p=0,77) ou volume endometrial (5,98±1,63 vs. 6,13±1,54; p=0,62); entretanto observamos uma tendência a aumento dos índices Doppler VI (3,95±2,23 vs. 3,15±1,87; p=0,05) e VFI (1,00±0,57 vs. 0,80±0,45; p=0,05). CONCLUSÃO: Os resultados preliminares mostram que injúria endometrial está associada à tendência de melhora dos resultados da reprodução assistida e ao aumento da vascularização endometrial. Em razão de não haver ainda diferença estatística nos resultados, o estudo será continuado.
Figueira, R.C.S.1; Braga, D.P.A.F.2; Setti, A.S.3; Halpern, G.1; Iaconelli Jr., A.2; Borges Jr., E.2
1Fertility - Centro de Fertilização Assistida; 2Fertility - Centro de Fertilização Assistida e Instituto Sapientiae; 3Instituto Sapientiae
OBJETIVO: Investigar a influência do estilo de vida do parceiro masculino, incluindo hábitos alimentares e sociais, na qualidade do sêmen e no sucesso da injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI). MÉTODOS: Este estudo observacional incluiu 250 pacientes do sexo masculino que completaram um questionário antes do início do ciclo de ICSI. O questionário continha questões de múltipla escolha sobre a freqüência do consumo de alimentos durante o ano anterior. A freqüência de consumo de alimentos foi registrada em uma escala de cinco valores, que iam desde a ausência de consumo ao consumo diário. Um questionário diferentes registrou informações sobre a prática de exercício físico, perda de peso, dieta e hábitos, e número de refeições diárias. Modelos de regressão logística foram utilizados para avaliar os efeitos dos hábitos alimentares e sociais sobre os parâmetros seminais, taxas de fertilização, gestação, implantação e aborto foram investigados. Os resultados foram expressos como coeficiente de regressão (RC) ou odds ratio (OR) com intervalos de confiança (IC) de 95% e valores de p. RESULTADOS: A concentração espermática foi negativamente influenciada pelo consumo de álcool (RC: -5,0, p <0,01) e positivamente influenciada pelo consumo de cereais (RC: 15,2, p <0,01) e número de refeições diárias (RC: 5,8, p = 0,046). A motilidade espermática também foi negativamente influenciada pelo consumo de álcool (RC: -8,5, p <0,01) e tabagismo (RC: -8,0, p = 0,013), enquanto foi positivamente influenciada pelo consumo de frutas (RC: 7,4, p = 0,028) e cereais (RC: 10,9, p <0,01). O consumo de álcool teve influência negativa sobre a taxa de fertilização (RC: -3,9, p = 0,007). O consumo de carne vermelha (RC: -36,2, p = 0,003), bem como estar em uma dieta de redução de peso (RC: -18,0, p = 0,019) tiveram um impacto negativo sobre a taxa de implantação. Além disso, o consumo de carne vermelha (OR: 0,06, IC: 0,06-0,7, p = 0,04) e estar em uma dieta de redução de peso (OR: 0,21, IC: 0,01-0,19, p = 0,01) tiveram um efeito drástico sobre a probabilidade de gestação. CONCLUSÕES: A qualidade do sêmen e os resultados de ICSI podem ser influenciados pelos hábitos alimentares e sociais masculinos e, portanto, os casais que procuram tratamentos de reprodução assistida devem ser alertados sobre o efeito do estilo de vida masculino no sucesso do tratamento.
Melamed, R.M.1; Cortezzi, S.S.2; Setti, A.S.2; Vingris, L.3; Iaconelli Jr., A.4; Borges Jr., E.4
1Fertility - Centro de Fertilização Assistida; 2Instituto Sapientiae; 3Fertility - Centro de Fertilização Assistida; 4Fertility - Centro de Fertilização Assistida e Instituto Sapientiae
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi investigar a resposta emocional do paciente infértil e possíveis alterações de acordo com a causa da infertilidade, utilizando técnicas projetivas gráficas, entrevistas e inquérito psicológico. MÉTODOS: Foram incluídos 62 pacientes com diagnóstico de infertilidade (27 homens e 35 mulheres), atendidos entre julho de 2010 e abril de 2011. O profissional de Psicologia realizou os atendimentos. Foi realizada uma entrevista semi dirigida seguida da realização do desenho da figura humana e posteriormente de uma família. O inquérito psicológico foi conduzido a fim de obter maior possibilidade de compreensão e interpretação do material. RESULTADOS: Os padrões de respostas das vivências estigmatizantes do indivíduo infértil são múltiplos. Apesar de cada individuo construir sua identidade e apresentá-la aos demais de forma única, há evidências de padrões de respostas que se repetem. Foi observado que 65,7% das mulheres representam a família com 4 elementos (1filho e 1 filha). Possuir um filho de cada gênero vincula-se à idéia de que a cada membro do casal parental seria atribuída a função tangenciada pela formação biopsicossocial da descendência de acordo com o modelo que provém. A expressão gráfica para 51,8% dos homens apresenta apenas 3 elementos, sendo a criança com identificação masculina. Este resultado corrobora a afirmação “o desejo de procriar para o homem está associado à transmissão da filiação”. Os participantes com diagnóstico de azoospermia primária, ao desenharem a figura humana, representaram a mesma somente pela gravura da cabeça, negligenciando o corpo. O processo afetivo de denegação do prazer e do desprazer visa protegê-los de uma experiência desagradável. A representação da família, por sua vez, parece restabelecer a capacidade de expressar o corpo que fora suprimido no desenho anterior, como mecanismo de defesa que se dá pela racionalização. CONCLUSÃO: A temática da reprodução traz em si imbricados aspectos de diferentes domínios (biológicos, sociais e culturais). A impossibilidade de obtenção de filhos de maneira espontânea gera queda da auto-estima e estigmatização. Foram observadas diferenças nas expressões gráficas de acordo com a causa da infertilidade e na relação de gênero; revelando que este instrumento possibilita a avaliação e fornece elementos para o trabalho terapêutico a ser realizado com pacientes em processo de reprodução humana assistida. CONTACTO׃orgelerner69@hotmail.com
Posteres
Macedo, J.F.1; Gomes, L.M.O.1; Ferreira, D.A.F.1; Melo, K.R.B.1
1Clínica Reproferty
OBJETIVOS: Correlacionar a influência do fator de infertilidade feminino, masculino ou ambos (feminino/masculino) com as dosagens de progesterona, β- HCG e taxa de gravidez, nos ciclos de reprodução assistida, após a administração de duas formas de progesterona micronizada em gel e em cápsula, ambas administradas via vaginal na fase lútea. MÉTODOS: Analisaram-se retrospectivamente 32 ciclos de tratamento de reprodução assistida. As pacientes possuíam ambos os ovários e foram submetidas a ciclos de FIV e ICSI; a idade média das pacientes tratadas com a cápsula foi de 34,72 ± 4,34 e as com o gel foi de 32,62 ± 3,91, a média dos embriões foi de 2,61 ±0,64 e 2,47 ± 0,72, respectivamente. Os resultados foram avaliados de acordo com as dosagens de β- HCG e progesterona no 12° dia após a transferência embrionária. RESULTADOS: Para a dosagem realizada no grupo onde o fator masculino prevalecia, encontramos uma diferença estatística significante de P < 0,001 para as dosagens de progesterona em relação à forma gel e cápsulas, e P < 0,05 para a comparação das taxas de gravidez independente da forma de progesterona administrada. Os resultados não foram estatisticamente significantes para o uso dos dois tipos de progesterona e β- HCG na dosagem dos grupos influenciados pelo fator feminino de infertilidade ou ambos (feminino/ masculino). As demais variáveis não foram estatisticamente significantes para o fator masculino, não ocorreram também diferenças para as taxas de gravidez e aborto, para as dosagens de β- HCG e progesterona para os casos influenciados pelos fatores de infertilidade femininos ou ambos (femininos e masculinos). CONCLUSÃO: O estudo demonstrou que as taxas de gravidez foram similares no uso de progesterona na forma de gel ou cápsula; porém, quando se comparou as taxas de gravidez independentemente do tipo de progesterona, observamos que é maior nos casos onde o fator de infertilidade é masculino, e também influenciou na dosagem de progesterona. Entretanto, são necessários maiores estudos a respeito da influência da infertilidade masculina com relação à alteração dos níveis de progesterona e gravidez. Os estudos terão continuidade para elevarmos o n amostral e obtermos resultados mais conclusivos.
Martins, W.P.1; Figueiredo, J.B.P.1; Vieira, A.D.D.1; Ferriani, R.A.1; Nastri, C.O.1
1FMRP-USP
OBJETIVO: Comparar os protocolos com clomifeno + gonadotrofinas + antagonista (CGA) com protocolos com uso de agonista + gonadotrofinas (AG) para a indução da ovulação em procedimentos de reprodução assistida. MÉTODOS: Foram pesquisados ensaios clínicos controlados com alocação aleatória comparando os protocolos CGA e AG. A busca eletrônica, extração dos dados e avaliação da qualidade metodológica foi realizada por dois autores independentes. A análise foi realizada utilizando Mantel-Haenszel (dados dicotômicos) e variância inversa (dados contínuos); os valores dos intervalos de confiança de 95% são apresentados entre colchetes. Uma diferença relativa de 20% foi considerada como mínima clinicamente relevante. RESULTADOS: A busca resultou em 523 artigos, sendo 3 incluídos nesta revisão (total de 522 mulheres avaliadas): 2 estudos incluíram mulheres “sem mau prognóstico” e 1 estudo mulheres com “má resposta prévia”. O uso de gonadotrofinas foi menor no protocolo CGA (-1200,27UI [-1777,72UI; -622,82UI). Não houve diferença significativa na taxa de nascidos vivos (RR=1,16 [0,83; 1,60]) e gravidez clínica (RR=1,17; [0,90; 1,53]). No subgrupo “mulheres sem mau prognóstico”, não observamos diferença significativa na espessura endometrial (-0,00mm [-0,11mm; 0,11mm]) e no número de dias de estimulação (-0,2dias [-0,59dias; 0,19dias]), porém houve um menor número de oócitos MII (-3,15 [-6,07; -0,22]) e uma tendência de redução de síndrome de hiperestimulação ovariana (RR=0,19 [0,03; 1,11]). Já no subgrupo “má resposta prévia”, houve um aumento na espessura endometrial (0,68mm [0,2mm; 1,07mm), um aumento no número de oócitos MII (2,11 [0,84; 3,38]) e uma redução no número de dias de estimulação (-0,44dias [-0,76dias; -0,13dias]).CONCLUSÕES: O protocolo CGA leva a uma redução na quantidade de gonadotrofinas utilizadas e não piora em 20% ou mais os principais resultados, sendo observada inclusive uma melhora discreta na taxa de nascido vivo (+16%) e gravidez clínica (+17%). Em mulheres sem mau prognóstico, existe uma redução no número de oócitos MII, porém há uma tendência de redução acentuada no risco de síndrome de hiperestimulação ovariana. Em mulheres com má resposta prévia o protocolo CGA está associado a um maior número de oócitos MII, maior espessura endometrial e menor número de dias de indução. O protocolo CGA parece uma alternativa mais barata e provavelmente mais segura para mulheres sem mau prognóstico e mais barata e eficaz para as com má resposta prévia.
Nascimento, J.A.A.1; Fazano, F.A.T.1; Morais, S.1; Gabiatti, J.R.E.1; Bahamondes, L.1
1UNICAMP
OBJETIVO: Analisar os parâmetros seminais (motilidade espermática (A+B), vitalidade, volume, concentração espermática) em todos os exames realizados no Laboratório de Reprodução Humana (LRH) - CAISM/UNICAMP entre 1989 a 2009. MÉTODOS: As médias de cada variável foram avaliadas quanto à modificação em relação aos anos através de regressão linear polinomial utilizando o programa SAS 9.2. Os dados foram extraídos do banco de registros informatizado específico do Laboratório de Reprodução Humana - CAISM/UNICAMP. Foram calculadas as médias anuais de cada variável considerandose a totalidade dos exames (independente da idade dos pacientes) e estratificadas segundo a categorização das idades dos pacientes por faixas etárias. Assim foram formados quatro grupos distintos sendo: i) < 29 anos; ii) 30 a 39 anos; iii) 40 a 49 anos; iv) > 50 anos. Todos os exames foram analisados pela mesma equipe do laboratório ao longo do tempo e tiveram a mesma padronização de técnicas e análises. RESULTADOS: Foram incluídos no estudo 23.342 exames realizados no período de 20 anos. Tanto a motilidade quanto a vitalidade permaneceram constantes ao longo do tempo. O volume do ejaculado apresentou uma leve tendência para redução principalmente nos últimos quatro anos do período e esse declínio foi reforçado principalmente pelo grupo de pacientes com idade < 30 anos e também pelo grupo na faixa etária entre 30 a 39 anos. Os dados mostraram que há uma forte tendência de diminuição na concentração de espermatozóides (tanto na concentração/ml quanto na [ ]/total) e a faixa etária mais afetada corresponde aos homens em idade reprodutiva, ou seja no grupo < 30 anos e no grupo de 30-39 anos. CONCLUSÕES: A suspeita mundial de que esteja havendo uma redução na qualidade do sêmen ao longo do tempo foi confirmada no presente trabalho. Esses dados correspondem ao primeiro estudo desta magnitude realizado na América Latina.
Genro, V.K.1; Andreoli, C.G.1; Matte, U.2; Souza, C.A.B.2; Schmitz, C.R.3; Cunha-Filho, J.S.1
1UFRGS; 2HCPA; 3UFGRS
OBJETIVO : O objetivo do trabalho é verificar se portadoras de uma mutação comum de único nucleotídeo (single-nucleotide polymorphisms SNPs) do receptor do hormônio folículo-estimulante (FSHR) mostram resposta reduzida dos folículos antrais após administração de FSH, mensurada pela FORT. MÉTODOS: Foi realizado um estudo transversal prospectivo em um hospital universitário da França, incluindo 124 pacientes caucasianas candidatas à fertilização in vitro. As variantes FSHR 307Ala e 680Ser foram testadas e divididas em 2 grupos de acordo com a posição 307 (307Thr/Thr, n=32; 307Thr/Ala-Ala/Ala, n=96) e em 2 outros grupos de acordo com a posição 680 (680Asn/Asn, n=49; 680Asn/Ser-Ser/ Ser, n=75). Níveis séricos de FSH, estradiol e hormônio anti-Mülleriano (AMH) foram dosados no 3° dia do ciclo. Hiperestimulação ovariana controlada foi completada utilizando doses iniciais semelhantes de FSH. Foram realizadas contagem de folículos antrais de 3-8mm (AFC) e contagem de folículos pré-ovulatórios de 16-22mm (PFC). RESULTADOS: A prevalência dos genótipos 307Thr/Ala-Ala/Ala e 680Asn/ Ser-Ser/Ser foi 73.3% e 60.4%, respectivamente. Apesar dos níveis de estradiol e AMH não diferirem significativamente entre portadoras do SNPs e controles, os níveis de FSH foram mais altos em 680Asn/Ser-Ser/Ser (6.7 ± 2.0 vs. 5.9 ± 1.8 mIU/mL, P <0.05). Entretanto, FORT permaneceu semelhante em genótipos 307Thr/Ala-Ala/Ala (41.1%; 5.0-91.6%) versus 307Thr/Thr (44.4%; 17.3-83.3 %) e em genótipos 680Asn/Ser-Ser/Ser (40.0%; 5.0-91.6%) versus 680Asn/Asn (42.2%; 8.3-90.0%). CONCLUSÕES: A resposta dos folículos antrais ao FSH, mensurada pela FORT, não é influenciada pela presença de SNPs 307Ala e 680Ser do receptor de FSH.
Criscuolo, T.S.1; Alegretti, J.R.1; Hassun, P.A.2; Nicolielo, M1; Motta, E.L.A.1; Serafini, P.1
1Huntington - Medicina Reprodutiva; 2Genesis Genetics Brasil
OBJETIVO: Avaliar a eficácia do diagnóstico genético pré-implantacional pela técnica de Hibridação Genômica Comparativa por microarranjos (DPI-CGH) em pacientes submetidas a ciclos Fertilização In Vitro (FIV) com histórico de 3 ou mais falhas de implantação. MÉTODOS: No período entre novembro de 2010 e abril de 2011 foram analisados retrospectivamente 50 ciclos de FIV com DPI-CGH, que possuíam histórico de 3 ou mais falhas anteriores de implantação. Incluíram-se no estudo, biópsias embrionárias em D3, cujos embriões apresentavam > 6 células, ou embriões submetidos à biópsia em D5 já no estágio de blastocisto. Todas as biópsias foram realizadas com auxílio de sistema de laser e os embriões mantidos em cultivo triplo-gás até o momento da transferência. Estas foram realizadas em dia 5, se biópsia em D3 ou, em dia 6, se a biópsia em D5. A comprovação da gestação deu-se por exame de sangue e ultrassonografia. A analise descritiva dos dados foi realizada pelo programa SAS. RESULTADOS: A idade média das pacientes foi de 37±4 anos, apresentando em média 9,15±5,6 oócitos recuperados por paciente; sendo 7,68±5 em metáfase II e 6,42±4,3 de fertilizados. Foram biopsiados 135 embriões, sendo 47 (34,8%) em D3 e 88 (65,2%) em D5 e não foram observadas diferenças estatísticas entre estes grupos quando analisadas as taxas de implantação e gestação, bem como no número de embriões transferidos. O grupo estudado apresentou uma taxa de aneuploidia de 77,14% e uma taxa de cancelamento de ciclo de 54,0%. Foram transferidos em média 1,48±0,6 embriões por paciente, independente do dia da transferência. As taxas de gestação e implantação foram de 56,5% e 35,1%,respectivamente. CONCLUSÕES: A utilização do DPI-CGH em ciclos de FIV mostrou-se uma ferramenta importante para os casais com histórico prévio de falhas recorrentes. A técnica permitiu avaliar corretamente quais os casais que apresentaram embriões euploides e, portanto, aptos à transferência, com resultados similares a grupos sem este histórico. Vislumbra ainda, para aqueles casais com sucessivas falhas, determinar o possível mecanismo do insucesso e aconselhar a outras condutas terapêuticas.
Bos-Mikich, A.1; Orlandi, A.P.2; Marques, L.3; Rodriguez, J.L.4; Oliveira N.P.5; Lothammer, N.2
1UFRGS; 2ICBS, UFRGS; 3Laboratório de Biotécnicas da Reprodução Faculdade de Veterinaria da UFRGS; 4Laboratório de Biotécnicas da Faculdade de Veterinária da UFRGS; 5Centro de Pesquisa e Reprodução Humana Nilo Frantz, POA, RS
OBJETIVO: Investigar histologicamente efeitos da vitrificação utilizando um carreador metálico sobre a morfologia dos folículos primários e primordiais e do estroma ovariano. MATERIAL E MÉTODOS: Ovários obtidos de camundongas jovens foram encaminhados a um dos 8 grupos experimentais. Gônadas ficaram em meio à temperatura ambiente, a 4º.C ou à 37º.C e a vitrificação ocorreu imediatamente, 2 hrs ou 4 hrs pós-coleta. A solução de equilíbrio (SE) constou de 7.5% de etilenoglicol (EG), 7.5% de dimetilsulfóxido (DMSO) e a de vitrificação (SV) de 15% EG, 15%DMSO e 0.5% de sacarose, ambas em TCM-199 + 20% soro fetal bovino. Ovários ficaram na SE por 15 min. e desta passaram para SV, de onde foram pinçados para uma cubeta de papel alumínio em < 90 segs. As “cubetas metálicas” foram expostas à superfície do NLíq fechadas e depositadas em crio-tubos submersos no Nliq, para serem armazenadas. O aquecimento dos ovários deu-se à temperatura ambiente seguido de banho-Maria por 10 segs e a remoção do crioprotetor em sacarose 1M e de 0.5M por 2 min. cada, antes da fixação para histologia. RESULTADOS: Folículos primordiais e primários apresentaram gradativamente mais alterações morfológicas conforme aumentou o período de permanência pré-vitrificação, em todas as temperaturas. Melhores resultados em termos morfológicos foram observados quando as gônadas ficaram à 4º.C anteriormente à vitrificação. O estroma sofreu alterações maiores, quando as gônadas permaneceram à temperatura ambiente por 4hrs, sendo que o dano acentuou-se com o aumento do período pré-vitrificação em todas as temperaturas. CONCLUSÕES: Vitrificação em uma cubeta metálica é eficaz para manutenção da viabilidade folicular, especialmente dos folículos primordiais. A criopreservação deve ser realizada o mais rápido possível pós-coleta e os ovários devem ser mantidos a 4º.C pré-vitrificação, para minimizar danos a estes folículos e ao estroma circundante.
Lima, A.M.1; Torquato, S.E.F.1; Freitas, T.A.1; Rodrigues, F.E.M.1; Sá, E.G.1
1BIOS - CENTRO DE MEDICINA REPRODUTIVA DO CEARÁ
OBJETIVO: A obesidade é um fenômeno mundial em constante crescimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde 1,6 milhões de pessoas estão com sobrepeso. A ovulação é alterada com a obesidade e sabe-se que com o avançar da idade, o aumento das taxas de Hormônio Folículo Estimulante (FSH) basal e Índice de Massa Corpórea (IMC) alteram negativamente os ciclos de indução da ovulação desfavorecendo bons resultados em ciclos de Reprodução Assistida. O objetivo deste estudo é comparar o IMC ao número de oócitos recuperados após punção folicular. METODOLOGIA: Trata-se de estudo prospectivo comparativo realizado em mulheres atendidas no Centro de Medicina Reprodutiva BIOS de fevereiro a abril de 2010. Caracterizam-se os grupos: G1=22 (IMC =20-25Kg/m2) e G2=18 (IMC>25Kg/m2). O IMC é calculado dividindo o peso (quilos) pela altura (metros) ao quadrado. O bloqueio hipofisário foi agonista e a estimulação ovariana com FSH recombinante. Para avaliação dos dados estatísticos utilizou-se teste t-Student sendo significante p<0.05. RESULTADOS: Idade média, FSH basal, valor de FSH no dia 3, dias de estimulação ovariana e unidades de FSH administrados entre os dois grupos não foi estatisticamente significante. O IMC médio para G1 foi 22,8 Kg/m2 e para G2, 30.1 Kg/m2, (p<0.0001) (Tabela 1). O número de oócitos recuperados em G1 foi 8.5 + 6.3 e em G2, 5.6 + 4.4, (p=0.21), não significantes (Gráfico 1). CONCLUSÃO: Embora pacientes com IMC>30Kg/ m2, apresentem alteração nos níveis de insulina e uma produção excessiva de hormônios masculinos, resultando em uma queda na produção de oócitos, nossos resultados não se mostraram estatisticamente significativos.
Montenegro, I.S.1; Oliveira, I.C.L.1; Terraciano, P.B.1; Paz, A.H.1; Cirne-Lima, E.O.1; Passos, E.P.1
1HCPA
INTRODUÇÃO: A maior causa de subfertilidade feminina é a patologia tubária ocasionada por doença inflamatória pélvica e a clamídia tem sido implicada como o agente de maior prevalência na doença inflamatória pélvica. A estimativa da Organização Mundial de Saúde é que, anualmente, quase 100 milhões de novos casos ocorram em todo o mundo. Nenhum estudo avaliando a prevalência da infecção por clamídia em mulheres inférteis no nosso meio foi encontrado nas bases de dados. Nesse sentido, o presente trabalho se propõe a definir a prevalência dessa infecção em pacientes submetidas a procedimento de reprodução assistida no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. MATERIAIS E MÉTODOS: Foram selecionadas as pacientes que foram submetidas a procedimento de reprodução assistida no ano de 2008 e dados foram coletados através de análise do prontuário eletrônico do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Determinouse a prevalência de clamídia em pacientes submetidas a procedimento de fertilização in-vitro. RESULTADOS: A prevalência de infecção por clamídia nas pacientes estudadas foi de 39%. Dentre as pacientes com sorologia positiva, 51% foram diagnosticadas como inférteis devido patologia de origem tubária. No grupo de pacientes que teve diagnóstico de infertilidade por causa tubária, 52% tinham sorologia positiva para clamídia. Discussão: Estudos epidemiológicos indicam que clamídia deve ser responsável pela maior parte dos casos de infertilidade de fator tubário, gravidez ectópica e perda gestacional e a Organização Mundial de Saúde estima que 18 - 20% das mulheres inférteis apresentam infecção em atividade por clamídia. Nossos dados corroboram com a suposição da Organização Mundial de Saúde e os achados destes autores, de que a clamídia está intimamente associada com a infertilidade de causa tubária. Mulheres inférteis devido oclusão tubária podem ficar grávidas com auxilio de fertilização in-vitro. Entretanto essas mulheres apresentam uma menor taxa de sucesso do que mulheres submetidas a este procedimento por outras razões. Também, devido aos altos custos de tratamentos de reprodução assistida e de complicações de doença inflamatória pélvica alguns países já fazem screenning para este patógeno. CONCLUSÃO: Um screening para a detecção de clamídia deveria ser realizado em toda a população em idade reprodutiva, e poderia ser feito anualmente junto com o exame cito patológico do colo do útero e poderia ajudar na prevenção das seqüelas da infecção de clamídia.
Gaulke, R.1; Herkenhoff, M.E.2; Amaral, V.L.L.3; Pitlovanciv, A.K.4; Remualdo, V.R.4;
1UNIASSELVI / FAMEBLU; 2UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina; 3UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí; 4Laboratório Genolab Análises Genéticas;
INTRODUÇÃO: A reprodução humana assistida possibilita a casais sorodiscordantes, em que apenas o homem é infectado pelo vírus HIV, que esta seja realizada de forma segura, sem que ocorra a transmissão do vírus para a mulher e para o feto. O sucesso da terapia antiretroviral e o tratamento das infecções oportunistas vêm aumentando a expectativa e a qualidade de vida dos indivíduos infectados com o HIV. Diversos estudos constataram a presença do HIV no ejaculado de homens infectados, mesmo quando não houve detecção de vírus no plasma destes pacientes. No que se refere à biologia molecular, ela é uma importante ferramenta para diagnosticar a carga viral de HIV no sêmen, possibilitando a realização da reprodução humana assistida com total segurança. OBJETIVO: Avaliar a detecção de carga viral de homens infectados com HIV em amostras seminais processadas e plasma, oriundos de clinicas de reprodução assistida dos estados de Santa Catarina e Paraná. Metodologia: As amostras seminais deste estudo foram processadas por técnicas específicas realizadas para reprodução humana assistida. Para a avaliação da carga viral em amostras seminais foi utilizado o método real-time PCR com sensibilidade de 50 cópias/mL, e os resultados coletados no banco de dados do laboratório Genolab (Blumenau-SC) no período de Janeiro de 2008 a Janeiro de 2011. RESULTADOS: Obtivemos um total de 21 amostras, sendo 42,86% do estado de Santa Catarina e 57,14% do estado do Paraná. Das amostras analisadas 95,24% foram negativas e 4,76% positivas. Das amostras analisadas, 19% foram solicitadas carga viral no plasma e apenas 25% resultou em positivo. CONCLUSÃO: Os dados obtidos demonstraram que o processamento seminal foi eficiente, pois pacientes com carga viral no plasma não apresentaram no sêmen. Os dados contribuem para assegurar a eficiência das técnicas de processamento seminal para eliminação do vírus do HIV no sêmen e ressaltar a importância da biologia molecular no diagnóstico confiável. Destaca-se a importância e a parceria da Biologia Molecular na Reprodução Humana Assistida para diagnosticar a presença do vírus no sêmen e a possibilidade da utilização das amostras com total segurança.
Nakano, F.Y.1; Verza Jr, S.1; Esteves, S.C.1
1Androfert
OBJETIVO: Analisar a resposta à estimulação ovariana com FSH recombinante (FSHr) isolado ou associado ao LH recombinante (LHr), nos ciclos de fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática de espermatozóide (FIV-ICSI), em grupo de mulheres com níveis séricos normais e diminuídos de testosterona. MÉTODOS: Estudo retrospectivo incluindo 226 mulheres normogonadotrópicas, submetidas à estimulação ovariana para FIV-ICSI, que utilizaram antagonista do GnRH para supressão do pico de LH. As pacientes foram divididas em dois grupos, de acordo com a presença de nível sérico basal de testosterona normal ou diminuído, obtido no 1º. dia da estimulação ovariana.Valores de testosterona <20ng/dL ou ≥20 ng/dL foram considerados diminuídos e normais, respectivamente. Cada grupo foi subdividido de acordo com a gonadotrofina utilizada para estimulação ovariana, ou seja, FSHr isolado ou associado ao LHr. Os grupos analisados eram homogêneos quanto à idade materna e reserva ovariana. RESULTADOS: Os níveis de estradiol sérico (3194+2583; 2134+1685; p=0,042) e número de oócitos aspirados (10,6+5,3; 7,2+3,7; p=0,0091) foram superiores no grupo de mulheres jovens (<35 anos) e com testosterona diminuída (<35 anos) que receberam suplementação com LHr em comparação ao grupo sem suplementação. No grupo de mulheres jovens com testosterona normal e sem suplementação de LH houve maior número de oócitos aspirados em relação aquelas com testosterona diminuída, porém esta diferença não foi significativa (15,91+6,6; 11,20+6,34; p=0,28). No grupo das mulheres com mais de 35 anos não houve diferença significativa em relação aos oócitos captados comparando tanto a testosterona basal quanto a suplementação do LH. As taxas de fertilização, clivagem, implantação e nascidos vivos não diferiram entre os grupos analisados. Conclusões: A suplementação do LH em ciclos de estimulação ovariana parece beneficiar o subgrupo de mulheres com idade jovens que apresentam níveis de testosterona na fase folicular menores de 20ng/dL. A suplementação exógena de LH pode aumentar a capacidade do ovário de secretar andrógenos em mulheres com reserva ovariana reservada.
Araujo, L.F.P.1; Araujo , E.A.1; Araujo, L.F.P.2; Araujo, L.F.P.2
1Centro de Reprodução Humana de São José do Rio Preto;
2Centro de Reprodução Humana de São Jose do Rio Preto
OBJETIVO: Avaliar se um teste simples de análise espermática é capaz de servir de sinalizador positivo para o sucesso em inseminação simples. MÉTODO: Estudo prospectivo analisando casais que buscam assistência médica para tratamento de infertilidade conjugal e que serão submetidos a inseminação intra-uterina no período de janeiro de 2009 a março de 2011. Foram avaliadas 180 amostras seminais nesse período. Critério de exclusão: fator masculino moderado e grave, fator tubário e peritoneal, endometriose avançada, idade superior a 38 anos. A análise seminal: Critérios da OMS. Cinco microlitros de sêmen era colocado na câmara de Makler e a amostra era avaliada com aumento de 100 vezes. A progressão dos espermatozóides é dada em porcentagem e de acordo com a movimentação: % de grau-0,1,2,3 e 4. Feita a análise prépreparo a capacitação era realizada com ISOLATE e uma alíquota de 05 micro-litros era retirada para análise final . Do volume total pós preparo retirava-se 20 microlitros para colocar na incubadora por 24 horas para depois avaliar a motilidade. ANÁLISE ESTATÍSTICA: Utilizamos o t-Teste pareado e o t-teste não pareado. RESULTADOS: Das 180 amostras preparadas para inseminação, 151 cumpriram os critérios do estudo e foram avaliadas. Dessas, 38 geraram gravidez e 113 não. Das 113 amostras seminais sem gravidez a motilidade no dia do preparo e 24 hs mostrou diferença estatistica, com p=0.001. As amostras seminais que geraram gestação, a motilidade no dia do preparo e com 24 hs após, também mostrou diferença significante ( p= 0.000001). O mesma diferença estatística foi encontrada quando comparamos o grupo que gerou gravidez versus o grupo que não gerou gestação, 24 hs após incubação a 37% (p=0.00001). CONCLUSÃO: A análise seminal da motilidade 24 hs após preparo para inseminação simples é um teste simples de ser realizado e é pode ser um sinalizador de maior ou menor chance de êxito com técnica de baixa complexidade.
Almodin, C.G.1; Radaelli, M.R.M.1; Câmara, V.M.1; Nakamo, R.2; Oliveira, C.M.2; Fujihara, L.S.2; Rulli-Costa3; Silva, B.M.3; Segura, M.E.A.3; Rulli-Costa, R. - Silva, B.M. - Segura, M.E.A.3; Oliveira, C.M. - Fujihara, L.S.2
1MATERBABY; 2FERTICLIN; 3HOSPITAL ASA SUL DE BRASÍLIA
OBJETIVO: Relatar a análise histológica após descongelamento de tecido ovariano vitrificado de 2 pacientes, submetidas a 2 protocolos de congelamento diferentes, procurando avaliar preservação e viabilidade tecidual. MATERIAL E MÉTODOS: Duas pacientes com indicação para tratamento gonadotóxico foram submetidas ooforectomia parcial para criopreservação pela vitrificação. Os ovários de ambas pacientes à vitrificação após serem expostos à solução de equilíbrio e vitrificação. Ambas as pacientes tiveram seu córtex ovariano exposto por 15 minutos à solução de equilíbrio, entretanto, a exposição à solução de vitrificação foi de 5 minutos no caso da paciente 1 e 2 minutos na paciente 2. Outra diferença foi que na paciente 1 os fragmentos foram colocados em cryovials e, então, introduzidos no nitrogênio líquido, e na paciente 2 os fragmentos foram mergulhados diretamente no N2, pois, foram inseridos em agulhas de acupuntura. O processo de degelo foi o mesmo em ambas as pacientes. A análise histológica foi baseada na descrição qualitativa e quantitativa das estruturas teciduais. Classificamos os folículos em três diferentes graus, sendo considerados os folículos G1 e G2 como folículos intactos ou preservados e o G3 anormal. RESULTADOS: Três amostras do tecido ovariano foram analisadas. Na paciente 1 todas as 3 amostras com presença de extensa área necrótica tecidual, folículos caracterizados, porém estavam autolisados. A análise da paciente 2 foram identificados 11 folículos primordiais e 4 folículos primários na amostra 1, sendo que 14 destes eram G1-2 após o degelo e 1 com dano irreversível pelo processo (G3). Na amostra 2 foram identificados 6 folículos primordiais, todos intactos (G1-2). Na amostra 3 foram identificados 8 folículos primordiais, sendo 6 intactos (G1-2) e dois com dano irreversível (G3). Totalizando foram identificados 25 folículos primordiais e 4 folículos primários, com 26 folículos (89,65%) com característica de preservação da estrutura celular após descongelamento. CONCLUSÃO: O maior tempo de exposição do tecido ovariano na solução de vitrificação e a falta de contato direto do tecido com o nitrogênio líquido durante o procedimento da paciente 01, levou provavelmente, a maior toxicidade tecidual. A vitrificação de ovário da paciente 2, apresentou melhores resultados de preservação tecidual em relação à paciente 01. Estes resultados também indicam que a vitrificação tem potencial para uso clínico na criopreservação de tecido ovariano humano.
Braga, D.P.A.F.1; Setti, A.S.2; Figueira, R.C.S.3; Ferreira, R.C.3; Iaconelli Jr., A1; Borges Jr., E.1;
1Fertility - Centro de Fertilização Assistida e Instituto Sapientiae; 2Instituto Sapientiae; 3Fertility - Centro de Fertilização Assistida;
OBJETIVO: O presente estudo avaliou se a estação do ano afeta os resultados dos tratamentos de reprodução assistida em casais submetidos à injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI). MÉTODOS: Um total de 1932 pacientes submetidas à captação de oócitos para ICSI foram atribuídas a grupos de acordo com a estação do ano em que foi feita a captação oocitária: inverno (n= 435, 22,5%), primavera (n= 444, 23,0%), verão (n= 469, 24,2%) e outono (n= 584 30,3%). Análises de variância foram utilizadas para comparar a percentagem de oócitos recuperados em metáfase II (MII) e embriões de boa qualidade, as taxas de fertilização, implantação e gestação entre os grupos. A concentração de estradiol sérico e a concentração de estradiol por número de oócitos MII obtidos foram avaliadas a fim de identificar a eficácia da resposta ovariana. Regressão logística binária foi utilizada para avaliar a influência de cada estação do ano na taxa de fertilização e percentagem de embriões de boa qualidade. Os resultados foram expressos como odds ratio (OR), com intervalos de confiança (IC) de 95% e valores de p. RESULTADOS: As taxas de oócitos MII (71.7, 72.4, 73.0 e 74.3%, p= 0.480), embriões de boa qualidade (61.1, 57.2, 61.7 e 58.9%, p= 0.360), implantação (20.6, 20.5, 20.7, 20.3%, p= 0.907) e gestação (31.4, 32.6, 35.5 e 32.4%, p= 0.639) não diferiram entre os grupos inverno, primavera, verão e outono respectivamente. Entretanto, a taxa de fertilização foi significativamente maior durante a primavera do que em qualquer outra estação (inverno: 67.9, primavera: 73.5, verão: 68.7 e outono: 69.0%, p <0,01). Um aumento de uma vez e meia foi observado na taxa de fertilização durante a primavera (OR: 1,45, p <0,01). O estradiol sérico foi igual entre os grupos, no entanto, a concentração de estradiol por número de oócitos MII recuperados foi significativamente maior durante a primavera (inverno: 235.8, primavera: 282.1, verão: 226.1 e outono: 228.7, p= 0,030). CONCLUSÕES: Este estudo demonstra uma significativa variabilidade sazonal no resultado da ICSI, onde a fertilização e a eficácia da resposta ao estímulo ovariano são mais altos durante a primavera. A melhora no resultado do tratamento, quando a intensidade de luz começa a aumentar, pode estar associada à maior atividade da melatonina sob o eixo hipotalâmico-hipofisáriogonadal, levando à formação de gametas de melhor qualidade.
Bonetti, T.C.S.1; Salomão R.2; Brunialti, M.2; Braga, D.P.A.F.3; Borges Jr., E.4; Silva, I.D.C.G.5
1Laboratório de Ginecologia Molecular e Proteomica - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM)); 2Laboratório de Imunologia - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM); 3Fertility - Centro de Fertilizaçaõ Assistida; 4Fertility - Centro de Fertilização Assistida; 5Laboratório de Ginecologia Molecular e Proteomica - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM)
OBJETIVOS: O fluido folicular (FF) é o ambiente no qual o desenvolvimento e maturação oocitária acontecem. A foliculogênese é altamente dependente da angiogênese, e o fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF) é um fator chave neste processo. O objetivo deste estudo foi avaliar os níveis intrafoliculares de VEGF e seus receptores presentes no maior folículo da coorte de pacientes submetidas a estimulação ovariana controlada, e correlacioná-los com as características dos embriões correspondentes. MATERIAIS E MÉTODOS: Este estudo incluiu 53 pacientes infertéis sem fator feminino de infertilidade que realizaram ciclos de ICSI com espermatozóide ejaculado. As amostras de FF foram obtidas do maior folículo após estimulação ovariana controlada com FSH-recombinante. As concentrações de VEGF foram avaliadas por citometria de fluxo com microparticulas (FACS Canto, BDBiosciences), e receptores de VEGF (VEGFR1 e VEGFR2) quantificados por ensaio multiplex com microparticulas (Luminex, Millipore). Considerou-se embriões de alta qualidade aqueles com 2-4 células no 2º dia ou mais que 6 células no 3º dia, < 20% de fragmentação, ausência de multinucleação ou blastômeros dominantes. A análise dos dados utilizou regressão logística múltipla ajustada para a idade da pacientes. RESULTADOS: Todos os oócitos coletados do maior folículo eram maduros (MII). A taxa de fertilização normal foi 68.6%, e 97.3% dos embriões gerados a partir dos oócitos fertilizados se desenvolveram até o dia da transferência (dias 2 ou 3). A taxa de embriões de alta qualidade por paciente foi 35.9%, e foi inversamente associada ao nível intrafolicular de VEGF. A cada unidade de aumento do VEGF intrafolicular, a chance de ter um embrião de alta qualidade diminuiu em 5% (OR: 0,95; IC 95%: 0,9-1,0; p=0,05). Não houve relação entre a qualidade embrionária e os receptores de VEGF. CONCLUSÕES: Observamos uma relação inversa entre os níveis intrafoliculares de VEGF e a qualidade dos embriões. Alguns autores sugerem que os níveis de VEGF são marcadores de hipoxia folicular e estão associados a falha de implantação em ciclos de ICSI. Os resultados deste estudo corroboram com estas afirmações; entretanto ainda são necessários estudos complementares para determinar o mecanismo de ação pelo qual o VEGF intrafolicular afeta os oócitos, os processos subseqüentes como fertilização e desenvolvimento embrionário e possivelmente os resultados clínicos dos ciclos de ICSI.
Cota, A.M.M.1; Silva, A.L.M.1; Amaral, M.C.M.S.1; Marinho, R.M.1; Caetano, J.P.J.1
1CLÍNICA PRÓ CRIAR
OBJETIVO: Avaliar a influência da idade materna sobre a morfologia oocitária. MATERIAIS E MÉTODOS: Estudo retrospectivo onde foram analisados 1748 oócitos obtidos de 194 ciclos de fertilização in vitro. As pacientes foram divididas em 3 grupos de acordo com a faixa etária: <35 anos, 35 a 40 anos e >40 anos. As alterações oocitárias foram classificadas em: extracitoplasmáticas (alteração da zona pelúcida, do espaço perivitelino e do corpúsculo polar) e citoplasmáticas (presença de vacúolos, granulações, corpos refringentes e retículo endoplasmático liso) RESULTADOS: Foram avaliados 1748 oócitos maduros (MII). Destes, 763 (42,7%) foram considerados totalmente normais e 1021 (57,2%) apresentavam pelo menos uma alteração morfológica. Com relação ao citoplasma, 736 MII (41,3%) apresentavam citoplasma normal, enquanto 1048 MII (58,7%) apresentavam alguma alteração citoplasmática. Já em relação às características extracitoplasmáticas, 1188 MII (66,6%) estavam normais, enquanto 596 MII (33,4%) apresentavam alguma anormalidade. Não foi observada diferença estatisticamente significativa ao correlacionar a freqüência das alterações citoplasmáticas com a idade materna (OR: 1,03 95% IC 0,69-1,53, P=0,182). Quando avaliado as alterações extracitoplasmáticas, observou-se que mulheres com mais de 40 anos apresentaram uma chance significativamente maior de apresentar espaço perivitelino com fragmentos quando comparados com mulheres mais jovens (OR: 5,49 95% CI 2,5 -12,04, P<0,001). Além disso, mulheres entre 35 e 40 anos apresentaram um número significativamente menor de oócitos com alterações da zona pelúcida quando comparadas com mulheres mais jovens (menor que 35 anos) e mulheres acima dos 40 anos (OR: 0,70 95% CI 0,52 - 0,94, P=0,05). CONCLUSÕES: Na população estudada, a idade materna apresentou influência tanto sobre a morfologia do espaço perivitelino quanto sobre a zona pelúcida.
Cota, A.M.M.1; Silva, A.L.M.1; Amaral, M.C.M.S.1; Marinho, R.M.1; Caetano, J.P.J.1
1CLÍNICA PRÓ CRIAR
OBJETIVO: Avaliar a influência da morfologia oocitária sobre a taxa de fertilização e evolução dos embriões em ciclos de fertilização in vitro. PACIENTES E MÉTODOS: Trata-se de estudo retrospectivo em que foram analisados os oócitos de 194 ciclos de FIV no período de setembro/2009 a março/2010. As alterações oocitárias foram classificadas como extracitoplasmáticas (alteração da zona pelúcida, espaço perivitelino e do corpúsculo polar) e citoplasmáticas (presença de granulações, vacúolos, corpos refringentes, retículo endoplasmático liso). Os oócitos foram submetidos ao ICSI, e posteriormente foram observadas as correlações das alterações morfológicas sobre as taxas de fertilização e a evolução dos embriões. RESULTADOS: Foram avaliados 1748 oócitos maduros (MII). Destes, 763 (42,7%) eram totalmente normais e 1021 (57,2%) tinham pelo menos uma alteração morfológica. 309 (17,3%) oócitos MII não fertilizaram, sendo que desses, 61,6% (191) apresentavam pelo menos uma alteração. Em relação à taxa de fertilização, observou-se que um oócito com citoplasma normal apresenta uma chance significativamente maior de fertilização quando comparado com oócitos com alterações morfológicas no citoplasma (OR: 1,48 95% CI 1,15-1,89 P=0,0023). Das alterações citoplasmáticas a presença de granulações é a que apresentou maior impacto na taxa de fertilização (OR: 0,47 95% CI 0,31-0,70 P=0,0003). Já a presença de alterações extracitoplasmáticas não interferiu na taxa de fertilização. Quando se avaliou a evolução dos embriões, percebeu-se que oócitos com citoplasma normal apresentam uma chance significativamente maior de desenvolverem embriões de boa qualidade tanto no dia 2 (OR: 1,55 95% CI 1,26-1,91, P< 0,0001, quanto no dia 3 (OR: 1,37 95% CI 1,12-1,67, P=0,002) e no dia 5 (OR: 1,42 95% CI 1,14-1,78). CONCLUSÕES: No presente estudo, as alterações citoplasmáticas, principalmente as granulações tiveram um impacto negativo tanto na taxa de fertilização quanto no desenvolvimento embrionário.
Lima, A.M.1; Torquato, S.E.F.1; Sá, E.G.1; Freitas, T.A.1; Paiva, M.A.B.1
1BIOS - CENTRO DE MEDICINA REPRODUTIVA DO CEARÁ
INTRODUÇÃO: No intervalo entre 18 e 20 horas após a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI), é verificada a fertilização. Neste momento, uma avaliação morfológica dos pronúcleos é muito importante, pois suas características devem ser utilizadas como critério de seleção embrionária no momento da transferência. OBJETIVO: Este estudo tem o objetivo de relacionar o intervalo de tempo entre a aspiração dos folículos e a ICSI, com a característica dos pronúcleos. MÉTODO: Foram analisados 150 casos de ICSI no período de Janeiro a Março de 2011. Os resultados do ICSI foram divididos em dois grupos: Grupo 1, 870 oócitos (128 casos) que foram injetados entre 3 e 6 horas após aspiração folicular. Grupo 2, 101 oocitos (22 casos) que, devido a mudanças na rotina do laboratório, foram injetados com mais de 6 horas após aspiração. A fertilização foi observada 18 a 20 horas após a ICSI, e o aspecto dos zigotos foi avaliado quanto à quantidade, posição e tamanho dos pronúcleos, número, posição e alinhamento dos nucléolos. Zigotos com pelo menos uma dessas alterações foram considerados irregulares. RESULTADOS E CONCLUSÕES: Foi observado um maior número de pronúcleos irregulares quando o intervalo entre aspiração folicular e a ICSI foi superior à 6 horas. A regularidade dos pronúcleos é um ponto muito importante a ser levado em consideração no momento da seleção embrionária, aumentando assim as chances de se obter sucesso no tratamento.
Azambuja R.1; Dorfman L.E.2; Okada L.2; Lazzari V.2; Badalotti M.2; Petracco A.2
1Fertilitat-Centro de Medicina Reprodutiva; 2FERTILITAT-CENTRO DE MEDICINA REPRODUTIVA
OBJETIVOS: Estudo retrospectivo com o objetivo de observar se os embriões escolhidos como os melhores no dia 2, após a fertilização, são transferidos no dia 3. MÉTODOS: Durante o ano de 2010, nas pacientes em que a transferência embrionária seria realizada no dia 3 após a fertilização, foi feito um ranqueamento embrionário (1ª, 2ª e 3ª escolha), no dia 2, de acordo com a morfologia e qualidade. O número máximo de 2 embriões foi transferido por paciente. Os embriões transferidos que não estavam entre as escolhas de 1 a 3, no dia 2, eram classificados como número 0 (zero). Os critérios de seleção para a transferência no dia 3, foram à morfologia e a evolução dos embriões, independente do ranqueamento realizado no dia anterior. Todas as transferências foram realizadas sob controle ultrassonográfico. As taxas de gravidez clinica foram comparadas pela análise do chi-quadrado (p<0,05).
RESULTADOS: Foram realizadas 60 transferências de 2 embriões. Os embriões selecionados para a transferência foram: 1 e 2 (23 ciclos); 1 e 3 (5 ciclos); 1 e 0 (14 ciclos); 2 e 3 (4 ciclos); 2 e 0 (7 ciclos); 3 e 0 (4 ciclos); 0 e 0 (3 ciclos). Quando transferidos os embriões 1 e 2, a taxa de gestação clínica foi de 47,8% semelhante aos 55,5% obtidos quando foram transferidos embriões das categorias 2,3 ou 0. CONCLUSÕES: Estes resultados mostraram que não existe relação na morfologia e qualidade embrionária do embrião no dia 2 com a escolha do melhores embriões e que foram transferidos no dia 3. Não houve melhora na taxa de gravidez clínica quando o melhor embrião no dia 2 foi transferido no dia 3.
Avelar, C.C.1; Peixoto, A.1; Cota, A.M.M.1; Lamaita, R.M.1; Caetano, J.P.J.1
1CLÍNICA PRÓ CRIAR
OBJETIVO: Analisar a experiência psicológica das pacientes receptoras de óvulos doados, com relação aos sentimentos: diante do diagnóstico; durante o tratamento; durante a gravidez e o parto; a relação mãe-filho e a avaliação do suporte psicológico oferecido pela clínica. MÉTODOS E PACIENTES: Estudo qualitativo, onde foi utilizada uma entrevista individual e semi-estruturada após a realização do tratamento e do nascimento do(s) filho(s), no período de 2008 a 2009. Foram contactadas 35 pacientes que realizaram tratamento de fertilização in vitro (FIV) com óvulos doados no período de 2004 a 2006. Destas, 30 aceitaram participar da pesquisa. Resultado: Sentimentos relatados diante do diagnóstico: a descoberta de que não poderiam utilizar seus próprios óvulos teve impacto intenso em 18 (60%) pacientes, gerando sentimentos de frustração, angústia e medo. Sentimentos relatados com relação ao tratamento: 10 (33,3%) pacientes relataram que o tratamento foi tranqüilo; 15 (50%) pacientes fantasiavam muito com relação à doadora e 5 (16,7%) colocaram que a espera pelo tratamento foi um momento angustiante. Sentimentos relatados durante a gravidez/parto: a sensação de estar grávida foi satisfatória para 21 (70%) entrevistadas e 9 (30%) entrevistadas apresentaram problemas durante a gravidez, relatando depressão e negação. Relação mãe/ filho: foram apontadas como tranqüilas e gratificantes por 28 (93,3%) das entrevistadas, sendo que 2 (6,7%) pacientes relataram dificuldade na relação. Compartilhar o tratamento: 66,6% dos casais decidiram por não revelar o tipo de tratamento; sendo que 26,7% optaram por compartilhá-lo com um grupo restrito de pessoas e 6,7% não ocultaram. Avaliação do suporte psicológico oferecido pela clínica: foi considerado eficaz por 28 (93,3%) entrevistadas, 2 (6,7%) pacientes trouxeram suas críticas e sugestões com relação ao serviço. Após o tratamento: 21 (70%) pacientes relatam a importância do apoio psicológico no decorrer da gravidez, ressaltando o encontro dos casais grávidos realizado na clínica como gratificante. CONCLUSÃO: Apesar da opção terapêutica com óvulos doados ser inesperada e indesejada a ovodoação possibilitou a vivência da maternidade. É um tratamento com inúmeras peculiaridades, sendo de extrema importancia uma avaliação psicológica prévia ao início do tratamento, para avaliar casais que estão certos da escolha do tratamento e preparados psicológicamente para realizá-lo.
Artuso, S.1; Amaral, V.L.L2; Frajblat, M.1 1UNIVALI; 2PROCRIAR; UNIVALI
O transporte de oócitos em temperatura ambiente facilita seu envio para uso em treinamento e pesquisa. O objetivo deste trabalho foi avaliar a sobrevivência de oócitos murinos em meio HTF-Modificado (Irvine®) suplementado com 10% de SSS (Irvine®) mantido a temperatura ambiente por 8, 24 e 48 horas. Fêmeas F1 (BALB/c x C57BL/6) foram superovuladas com a administração de eCG (10UI, IP, Novormon®) e após 48 horas receberam hCG (10UI, IP, Vetecor®). Os oócitos foram coletados 15 horas após a injeção de hCG, utilizando meio HTF-Modificado (Irvine®) suplementado com 10% de SSS (Irvine®) sendo a remoção das células da granulosa realizada com a utilização de hialuronidase (Lifeglobal®). Os oócitos foram selecionados por sua morfologia, sendo utilizados os que apresentavam zona pelúcida intacta e espaço perivitelínico normal. Oócitos do grupo controle (n=126) foram mantidos em microgotas (20μl) do meio de cultura G-IVFTM PLUS (Vitrolife®), sob óleo mineral e mantidos em incubadora com 5% de CO2, 37°C e alta umidade. Oócitos do grupo teste (n=133) foram mantidos à temperatura ambiente (± 22°C) em 100 µl de HTF-Modificado (Irvine®) suplementado com 10% de SSS (Irvine®) e envasados em palhetas de 0,25mL. Na primeira observação com 8 horas, os oócitos do grupo controle apresentaram maior (p < 0,05) sobrevivência em relação aos do grupo teste (97,6% e 70,7%, respectivamente). Após 24 horas, os oócitos mantidos na incubadora tiveram uma taxa de sobrevivência maior (p < 0,05) que o grupo mantido em temperatura ambiente (61,9% e 45,9%, respectivamente). Porém, em 48 horas não foram mais observadas diferenças (p > 0,2) entre os oócitos que permaneceram na incubadora comparados com aqueles que permaneceram na temperatura ambiente (31,7% e 39,8%, respectivamente). Os resultados deste estudo indicam que oócitos mantidos em temperatura ambiente por até 48 horas apresentam uma taxa de sobrevivência que permite sua utilização principalmente para treinamento.
Schneider, D.T.1; Verza Jr, S.1; Esteves, S.C.1
1Androfert
OBJETIVO: Micro-abertura na zona pelúcida dos oócitos pode ser realizada com o uso do laser para auxiliar a injeção intracitoplasmática do espermatozóide no citoplasma do óvulo. O objetivo deste estudo foi avaliar se esta técnica pode melhorar os resultados clínicos e laboratoriais da injeção intracitoplasmática do espermatozóide (ICSI). MÉTODOS: 434 ciclos de ICSI, realizados no período de janeiro de 2010 a abril de 2011 foram incluídos no estudo. Os ciclos foram divididos em dois grupos: (1) uso do laser para microinjeção espermática (212 ciclos; 1575 oócitos injetados) e (ii) microinjeção pela técnica convencional (221 ciclos; 1819 oócitos injetados). Dois ou três tiros de laser foram utilizados para perfurar a zona pelúcida do oócito no local onde a agulha de microinjeção seria inserida para a injeção do espermatozóide (laser de diodo infra-vermelho, comprimento de onda: 1,48 µm; tempo de exposição: 8µs). Taxas de fertilização 2PN, degeneração oocitária, qualidade embrionária, gestação clínica e aborto foram comparadas entre os grupos, que foram ainda estratificados de acordo com a presença e o tipo de azoospermia. RESULTADOS: Taxas de fertilização 2PN e degeneração embrionária foram diferentes nos grupos 1 (62,5% e 5,7%) e 2 (54,5% e 8,5%; p=0,0001), respectivamente. Regressão logística demonstrou que as chances de um oócito degenerar sem o uso do laser foi 36 vezes maior do que com o uso do laser. De forma geral, não houve diferença nas taxas de gestação e aborto entre os grupos. Entretanto, observou-se uma tendência ao aumento nas taxas de gestação clínica no subgrupo de homens com azoospermia não-obstrutiva (ANO) no grupo 1. CONCLUSÕES: O uso do laser para abertura da zona pelúcida visando a microinjeção do espermatozóide no óvulo melhora as taxas de fertilização e diminui as taxas de degeneração oocitária. De forma geral, não há impacto negativo desta técnica no desenvolvimento embrionário e taxas de gestação/abortamento. Homens com ANO podem apresentar melhores resultados reprodutivos.
Ferreira, F.P.1; Maia Filho, V.O.A.1; Magalhães, A.C.M.1; Rocha, A.M.1; Serafini, P.C.1; Motta, E.L.A.1
1Huntington Medicina Reprodutiva
OBJETIVO: Avaliar através da biopsia endometrial realizada no mês anterior à fertilização in vitro (FIV), comparar os perfis protéicos endometriais e da Apolipoproteína A-1, um possível anti-agregante embrionário, por espectrometria de massa e correlacionar as expressões entre as mulheres que engravidaram com as que não engravidaram. MÉTODOS: Estudo prospectivo e observacional incluindo 35 pacientes. Foi realizada a biópsia endometrial na janela de implantação, ou fase lútea média, do ciclo imediatamente anterior ao do tratamento e as amostras criopreservadas para posterior análise. As amostras foram preparadas para análise de identificação protéica por espectrometria de massas (SELDI-TOF), utilizando chips protéicos aniônicos Q10 lavados sob condições de máxima estringência (pH 5,0). Após o resultado do tratamento, as pacientes foram divididas em dois grupos: gravidez positiva e gravidez negativa. A análise estatística dos picos observados foi realizada com base na análise das curvas ROC e estabelecida significância se p<0,05. RESULTADOS: Os grupos gravidez positiva e gravidez negativa não apresentaram diferenças significativas com relação à idade das pacientes, dose total de FSH utilizado, número de oócitos obtidos, número de embriões transferidos e qualidade embrionária. Considerando os picos de massas peptídicas, não se identificaram padrões específicos, apenas o valor de 8.400 Da foi o mais observado como preditivo de gestação (p=0,07), com curva ROC de 0,69, porém sem atingir o valor esperado de significância estatística. Já Apolipoproteína A-1 também não demonstrou diferença significante de expressão entre os grupos estudados. CONCLUSÕES: O peptídeo correspondente ao pico de massa molecular de 8.400 Da apresentou uma tendência de ser preditivo de gestação em pacientes que realizaram tratamento de Fertilização in vitro, quando analisadas amostras de endométrio biopsiado no mês anterior ao ciclo, por espectrometria de massas SELDITOF. A pesquisa para a Apolipoproteína A-1 não mostrou relevância estatística entre os grupos.
Avelar, C.C.1; Cota, A.M.M.1; Marinho, R.M.1; Caetano, JP..J.1 1CLÍNICA PRÓ CRIAR
OBJETIVO: Avaliar os sentimentos e significados vivenciados por casais inférteis frente ao diagnóstico de infertilidade e compreender sua implicação na vida pessoal, conjugal e social. PACIENTES E MÉTODOS: Neste estudo, qualitativo, utilizou-se como instrumentos a entrevista individual e grupal. Foram avaliados 10 casais inférteis de baixa renda financeira que estavam realizando o seu primeiro tratamento de FIV, dentro de um programa social desenvolvido pelo Centro Pró-Criar de Medicina Reprodutiva em Belo Horizonte/Minas Gerais, no período de junho a julho de 2009. RESULTADOS: Dos 10 casais, 5 (50%) tinham como causa de infertilidade fator masculino, 4 (40%) fator feminino e 1 (10%) fator misto. Com relação aos sentimentos dos casais diante da dificuldade de engravidar, 80% das mulheres e somente 30% dos homens relataram angustia e frustração a cada mês, depois de cada tentativa falha. Sete homens relataram tranqüilidade durante o 1o ano de tentativa e a certeza de que a gravidez aconteceria espontaneamente, sendo que somente 2 mulheres disseram o mesmo. 30% das mulheres relataram que sofreram mais por serem delas a dificuldade para engravidar. Já para os homens, quando a causa da infertilidade era o fator masculino, a profundidade da crise psicológica foi mais intensa: 60% dos homens falaram do choque frente ao diagnóstico, com sentimentos de frustração, angustia e sensação de baixa de auto-estima. Ao avaliarmos os significados sociais sobre a infertilidade, encontramos diferenças na forma de compartilhar com familiares e amigos o problema da infertilidade: 6 homens e 4 mulheres falaram que se sentiram estigmatizados socialmente por não terem filhos. Avaliando o significado das implicações na relação conjugal, percebemos comprometimentos na sexualidade de alguns casais: 3 mulheres e 4 homens relataram situações que conduziram à redução da espontaneidade e satisfação e um casal relatou distanciamento na relação. Em contraste, 6 mulheres informaram que esta situação intensificou a relação do casal e 4 homens relaram que não tiveram nenhuma alteração na relação sexual. CONCLUSÃO: Este estudo evidenciou diferenças nas reações emocionais entre homens e mulheres frente a um diagnóstico de infertilidade, refletindo na vida pessoal, conjugal e social. A necessidade de serem reconhecidas e entendidas essas diferenças é fundamental, para que um apoio adequado seja oferecido a cada um dos cônjuges.
Souza,M.C.B.1; Antunes, R.A.1; Mancebo, A.C.A.1; Areas, P.C.F.1; Souza, M.M.1; Henriques, C.A.1
1G&O GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA DA BARRA
OBJETIVO: Verificar se a presença de sangue no cateter interfere nas taxas de gestação em ciclos de ICSI MATERIAIS E MÉTODOS: Foram avaliados retrospectivamente 219 ciclos de ICSI em pacientes com idade ≤ 39 anos entre janeiro de 2009 e abril 2011. As pacientes foram submetidas ao protocolo de estimulação ovariana com antagonistas/agonista do GnRH e FSH recombinante associado ou não ao HMG purificado. Nos ciclos com antagonista de GnRH, este foi iniciado em presença de folículo dominante de 14mm , diariamente até o dia de desencadear a ovulação. A maturação oocitária foi induzida com rhCG em presença de pelo menos 1 folículo ≥18mm ou 2 folículos ≥16mm. A captação foi realizada 34 a 36h após a administração do rhCG. Técnicas laboratoriais, culturas embrionárias e protocolos de transferência foram idênticos em ambos os grupos. Os ciclos estudados foram divididos em 2 grupos: Grupo 1 ciclos em que no momento da transferência de embriões observou-se a presença de sangue no cateter utilizado (n=48) e grupo 2: ciclos em que no momento da transferência de embriões não observou-se a presença de sangue no cateter (n=171). Os parâmetros avaliados foram: idade, IMC, doses totais de gonadotrofinas, FSH, LH, e progesterona basais, nº de folículos ≥ 18 mm e espessura endometrial no dia do hCG, nº de oócitos em metáfase II aspirados, nº de embriões de boa qualidade (8 células G1/G2) transferidos e taxa de gestação. A análise estatística foi feita através do teste t-Student’s considerando-se o nível de significância menor que 5% (p<0,05). RESULTADOS: Comparando-se os Grupos 1 e 2, não houve diferença significativa quanto a idade (34,31±3,82/34,28±3,12), IMC (24,19 ± 4,02/23,25 ± 3,43), total de gonadotrofinas (2304, 64 ± 654,04/2156,69 ± 734,06), FSH (6,36 ± 3,42/5,86 ± 2,67), LH (4,96 ± 3,06/5,55 ± 4,14) e progesterona (576,58 ± 429,03/559,88 ± 334,47) basais, nº o de folículos ≥ 18 mm (2,45 ± 1,18/2,56 ± 1,44) e espessura endometrial (10,30 ± 2,00/10,60 ± 2,30) no dia hCG, nº de oócitos metáfase II aspirados (4,70 ± 3,53/4,99 ± 3,09), embriões de boa qualidade transferidos (4,99 ± 3,09/1,15 ± 0,86) ) e taxa de gestação (39,6 % (19/48)/ 40,3% (69/171). CONCLUSÃO: Recentes trabalhos indicam que traumatismos endometriais podem desencadear resposta inflamatória que melhora as taxas de gestação, entretanto, isso não foi observado nos casos de trauma provocado pelo cateter no dia da transferência embrionária.
Schmitz, C.R.1; Andreoli, C.G.1; Genro, V.K.2; Souza, C.A.B.3; Alfonsi, M.2; Cunha-Filho, J.S.2
1UFGRS; 2UFRGS; 3HCPA
OBJETIVO: Este estudo avaliou se a prevalência do polimorfismo (Trp8Arg and Ile15Thr) da subunidade β do hormônio luteinizante (LH) seria maior em pacientes com endometriose e infertilidade quando comparada com pacientes sadias e férteis. Esse polimorfismo é conhecido como V-LH. MÉTODOS: Foi desenhado um estudo transversal prospectivo incluindo 50 pacientes com endometriose e infertilidade (grupo em estudo) e 50 pacientes sadias e férteis (grupo controle). Todas as pacientes foram submetidas a cirurgia laparoscópica, sendo as pacientes em estudo para investigação de infertilidade e as pacientes do grupo controle para realização de ligadura tubária. RESULTADOS: Os níveis séricos de FSH e LH foram semelhantes entre os grupos, entretanto os níveis de CA-125 foram mais altos no grupo em estudo. As análises de mutações de nucleotídeos entre os códons 8 e 15 do gene LH β (Trp8Arg and Ile15Thr) foram feitas utilizando PCR. Sete (14%) das pacientes do grupo em estudo e 6 (12%) das pacientes do grupo controle apresentaram o polimorfismo V-LH. Essa diferença não foi estatisticamente significativa, sendo o OR 1.19 (IC 95% 0.31-4.67). CONCLUSÕES: Em conclusão, foi demonstrado que o polimorfismo V-LH não foi mais prevalente em pacientes com endometriose e infertilidade. Aparentemente, esse polimorfismo não está associado com a insuficiência lútea desse grupo de pacientes.
Michelon, J.1; Rodrigues, C.D.1; Okada, L.1; Azambuja, R.1; Badalotti, M.1; Petracco, A.1
1Fertilitat
OBJETIVOS: Determinar a freqüência de Embriorredução Espontânea (ERE) em gestações múltiplas (GM) usando espermatozóides (SPTZ) do ejaculado (EJ), epidídimo (PESA) e testículo (TESA). MÉTODOS: Estudo retrospectivo de mulheres submetidas a FIV pela técnica de ICSI que resultou em GM, utilizando SPTZ do EJ, PESA e TESA. Os dados foram analisados estatisticamente pelo teste do Qui-quadrado. RESULTADOS: Das 353 gestações múltiplas analisadas, 105 (29,7%) resultaram em ERE. A partir de SPTZ do EJ foram geradas 306 GM (86,7%) e, a partir de TESA ou PESA, outras 47 (13,3%). A ERE ocorreu em 93 (30,4%) GM oriundas de SPTZ do EJ e em 12 (25,5%) GM originadas de SPTZ de TESA ou PESA. Na comparação dos resultados, não houve diferença, estatisticamente significativa, no risco de ERE, independente da origem do espermatozóide. CONCLUSÕES: A origem do espermatozóide (EJ, TESA ou PESA) não altera significativamente o risco de ERE nos programas de FIV. Estes achados permitem melhor aconselhamento dos casais quanto ao desfecho das gestações múltiplas e o número de embriões a serem transferidos.
Telles de Souza, I.D.1; Telles, A.P.P.2; Nascimento, V.C.P.N.1; Freitas, D.P.1; Abud, P.D.N.1; Araujo, A.A.S.3
1Fertilità Medicina Reprodutiva; 2Fertilità Medicina Reproldutiva; 3Universidade Federal de Sergipe
OBJETIVO: Avaliar o impacto do estilo de vida e da exposição ambiental de homens de casais inférteis sergipanos, em uma clínica de reprodução humana de Aracaju, sobre a fertilidade masculina. Os seguintes fatores foram avaliados: consumo de alcool, cigarros, uso de medicamentos, drogas e anabolizantes, prática de exercícios físicos, alimentação, exposição a agrotóxico, pesticida,raio-x, temperaturas elevadas, vestimenta quente ou apertada, DST`s, caxumba e padrão alimentar. MÉTODOS: Estudo tipo caso controle, por meio da análise de questionário respondido por 263 homens que se submeteram ao espermograma e associação com as seguintes alterações da qualidade seminal: oligospermia severa, astenozoospermia, teratozoospermia e hipospermia. RESULTADOS: O estilo de vida e a exposição ambiental não se associaram com oligospermia severa, astenozoospermia, hipospermia e teratozoospermia. CONCLUSÃO: Estilo de vida e exposição ambiental não alteram a fertilidade masculina, nesta população.
Dias, G.S.1; Magalhães, A.2; Kimati, C.T.1; Freitas, F.S.1; Semaco, E.O.1; Ricardo, A.T.1
1Huntington - Medicina Reprodutiva; 2Hospital e Maternidade Santa Joana
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi descrever a adequada atuação do enfermeiro na prevenção e controle da Síndrome do hiperestímulo ovariano (SHO) em pacientes submetidos a tratamentos de Reprodução Assistida (RA) de baixa e alta complexidade MÉTODOS: Com base na literatura existente, a atuação do enfermeiro foi dividida em duas categorias, preventiva e corretiva para os tratamentos de RA, sejam de baixa (Inseminação Intrauterina) ou alta complexidade (Fertilização In Vitro) RESULTADOS: A atuação preventiva deve ser iniciada anteriormente ao estímulo ovariano, através de consulta com o casal, anamnese, exame físico, a após, através de dosagens hormonais e acompanhamento ultrassonográfico. Tais informações irão delinear o planejamento da assistência da equipe de enfermagem. Mesmo que a paciente não apresente fatores de risco para o desenvolvimento da SHO, o enfermeiro deve estar atento no controle de crescimento folicular, analisando o número de folículos recrutados e em desenvolvimento, assim como os níveis hormonais. Ainda, cabe ao enfermeiro orientar e supervisionar algumas medidas de prevenção como: controle de peso e medida de circunferência abdominal diariamente, repouso, aumento da ingestão de proteínas, ingestão de bebidas isotônicas, controle da freqüência urinária, avaliação de dificuldade respiratória. A ação corretiva é mais freqüente em tratamentos de alta complexidade, devido a presença de maior número de folículos seguido de aspiração ovariana. Assim, as pacientes apresentam ganho de peso, desconforto e distenção abdominal, sintomas gastrointestinais como náuseas e/ou vômitos e/ou diarréia, com possibilidade de síncope e dispnéia. Deste modo, as medidas preventivas devem ser reforçadas. Também deve ser observada a possibilidade de formação de hidrotórax, hidropericárdio e torção ovariana. Tal acompanhamento auxilia a equipe médica na decisão de realizar paracentese corretiva. Geralmente, a SHO é um processo auto limitado nos ciclos em que não houve gestação, ou seja, os sintomas desaparecem após o fluxo menstrual. Nos casos de ocorrência de gestação, o acompanhamento do enfermeiro deve ser mantido até a normalização do quadro CONCLUSÕES: A presente revisão evidencia a importância do enfermeiro inserido na equipe multiprofissional, atuando no diagnóstico precoce, prevenção e controle da síndrome. Ainda, por não dispormos de tratamento eficaz quando estabelecida a SHO, o precoce diagnóstico torna-se fundamental.
Bos-Mikich, A.1; Carvalho, T.J.2; Oliveira, N.P.3; Frantz, G.4; Ferreira, M.O.3; Hoher, M.5; Frantz, N.6
1Departamento de Ciências Morfológicas, ICBS, UFRGS; 2Deparatmento de Genética, UFRGS; 3Centro de Pesquisa e Reprodução Humana Nilo Frantz, POA, RS; 4Centro de Pesquisa e Reprodução Humana Nilo Frantz, POA, RS; 5Centro de Pesquisa e Reprodução Humana Nilo Frantz, POA,RS; 6Centro de Pesquisa e Reprodução Humana Nilo Frantz , POA, RS
OBJETIVOS: Embriões humanos são geralmente selecionados para transferência com base em aspectos morfológicos e adequação do desenvolvimento. Aderência celular cedo no dia-3, 66-68hrs pós-inseminação, dita compactação precoce (CP) pode também servir como um marcador da potencialidade de implantação e gestação de um embrião. O objetivo deste estudo retrospectivo foi avaliar o potencial de implantação de embriões com divisão precoce, com compactação precoce e daqueles que apresentaram ambos fenômenos juntos para verificar se a potencialidade de implantação e gestação é incrementada, quando os 2 fenômenos ocorrem juntos. MATERIAIS & MÉTODOS: Embriões foram classificados como divisão precoce (DP), compactação precoce (CP), divisão e compactação precoces (DCP) ou nenhum dos dois (N). Os embriões foram também classificados conforme critérios morfológicos. Só foram consideradas transferências com um ou dois embriões e delas foram constituídas 7 grupos conforme o (s) tipo (s) de embrião(ões) transferido(s). RESULTADOS: Taxas significantes superiores em termos de gestações e implantações foram observadas dentre as pacientes que recebiam no grupo de transferência um embrião DP ou CP ou DP/CP, em comparação com as pacientes que não tinham estes embriões (gestação p=0,001 e implantação p=0,036). Além disso, as pacientes que receberam pelo menos um embrião DP/CP apresentaram taxas de gestação superiores às das que receberam apenas embriões N (p=0,024). Embriões de DP e CP ou DP/CP apresentaram um escore morfológico significativamente superior àqueles que sem estas características. Se juntarmos embriões DP, CP e DP/CP em um mesmo grupo, eles se correlacionam fortemente com G1 e os N com G4, p<0,001. Taxas de gestação variaram entre 50% e 62% , quando havia um embrião DP entre os embriões transferidos. Havendo embriões com ambas características no grupo de transferência, a taxa de gestação ficou entre 25 e 54%. CONCLUSÕES: Embriões de compactação precoce devem ser preferencialmente selecionados para a transferência no dia-3, especialmente se eles já apresentaram divisão precoce ao estádio de 2 células no dia-2.
Cerqueira, G.1; Cerqueira, C.2; Cerqueira, M.1; Ribeiro, K.1
1CLINIFERT; 2UFPR
OBJETIVO: Avaliar a eficácia da acupuntura nas taxas de gestação em ciclos de fertilização in vitro (FIV), MÉTODOS: Realizou-se estudo prospectivo, randomizado e controlado, em uma amostra de 46 pacientes, divididas em grupo de estudo (com uso da acupuntura) e grupo controle (sem uso da acupuntura), como procedimento adjuvante ao tratamento por FIV. Não houve diferença entre os grupos na descrição da amostra, sendo analisados: idade, IMC, duração da infertilidade, tipos de infertilidade. Foi realizado acupuntura 25 minutos antes da TE (transferência embrionária) com aplicação de agulhas de acupuntura nos seguintes pontos: Shenshu (B23); Ming Men (VG4); Pangguangshu (B28); Chengsahan (B57); Sanyinjiao (BP6); Gongsun (BP4); Neiguan (PC6); Zhongji (Ren3); Guanyuan (Ren4); Qihai (Ren6). Realizada nova aplicação de acupuntura 25 minutos após a TE nos seguintes pontos: Zusanli (E36); Sanyinjiao (BP6) bilateral; Xuehai (BP10); Hegu (IG4); Taixi (R3); Guilai (E29); Zigong (Ex-CAI); Qichong (E30); Lieque (P7); Zaohai (R6); Baihui (VG20). O tratamento também incluiu aplicação da acupuntura auricular nos seguintes pontos: Shen Men; Útero; Endócrino; Tálamo; simpático. O material utilizado foi constituído de agulhas de acupuntura de aço inoxidável, esterilizadas e descartáveis. As sessões duravam 30 minutos sendo que as pacientes permaneciam na posição de decúbito dorsal com ambiente apropriado para relaxamento. RESULTADOS: As taxas de gestação bioquímica e gestação clínica de 44.0% e 40.0% respectivamente no grupo com acupuntura e de 33.0% e 28.0% respectivamente no grupo sem acupuntura. A comparação entre os dois grupos não evidenciou significância estatística. CONCLUSÃO: Apesar de o definitivo papel da acupuntura no tratamento da infertilidade feminina ainda precisar ser estabelecido, seu impacto central no eixo hipotálamo-hipófise-ovariano e perifericamente no útero e principalmente no endométrio, já são uma realidade. Além de todo efeito na redução da ansiedade e estresse, geralmente presente nestas pacientes. Os resultados obtidos são positivos quanto ao uso da acupuntura, mas são necessários estudos randomizados e controlados, com amostras maiores, para melhor avaliar a eficácia da acupuntura adjuvante ao tratamento de mulheres por FIV.
Prates, N.L.1; Gomes, F.C.1; Fernandes, P.A.L.1; Nogueira, R.S.P.1; Auler, J.R.1
1Clínica Pró Nascer
INTRODUÇÃO-OBJETIVO: O peso corporal saudável é uma vantagem importante em todos os aspectos da saúde, incluindo a saúde reprodutiva. A obesidade está associada a um maior risco de infertilidade, mas os seus efeitos no tratamento de reprodução assistida são controversos. Este trabalho visa avaliar a influência do índice de massa corpórea (IMC) no número de oócitos coletados, número de oócitos em metáfase II, taxa de fertilização, taxa de embriões de boa qualidade e na taxa de gestação. MATERIAL E MÉTODOS: Foi feito um estudo retrospectivo de 572 ciclos a fresco de fertilização in vitro, realizados na Clínica Pró Nascer no período de maio de 2009 a março de 2011, que tiveram o IMC registrado. Os ciclos foram divididos em 3 grupos de IMC: I: <25 kg/m2 (n=330), II: 25-29,9 kg/m2 (n=191), e III: > 30 kg/m2 (n=51). A análise estatística foi composta pelos seguintes métodos: ANOVA one way, teste de comparações múltiplas de Tukey, análise de covariância (ANCOVA) e teste de Cochran-Mantel-Haenszel. Foi considerado estatisticamente significativo P<0.05. RESULTADOS: O grupo III apresentou idade média (36,2 ± 4,3 anos) significativamente maior que o grupo I (34,4 ± 4,8 anos) (p = 0,016). Não existe diferença significativa na idade média entre o grupo II (35,3 ± 5,4 anos) e os demais grupos. Visando controlar a influência da idade nos grupos estudados foi aplicada a ANCOVA nas variáveis numéricas. Observouse que não existe diferença significativa entre os grupos em relação ao número de oócitos coletados (I: 6,1; II: 6,0; III: 4,8), número de oócitos em metáfase II (I: 4,9; II: 4,7: III: 3,8), taxa de fertilização (I: 79,1; II: 78,9; III: 80,1), taxa de embriões de boa qualidade (I: 67,3; II: 73,4; III: 70,5) e taxa de gestação (I: 42,2%; II: 36,4%; III: 26,7%). Apesar de não ser estatisticamente significante, houve uma tendência do grupo III (IMC > 30 kg/m2) apresentar menor número de oócitos coletados (p=0.093) e menor taxa de gestação (p=0.10) em relação aos outros grupos. CONCLUSÃO: Não há um consenso na literatura em relação aos parâmetros que são influenciados pela obesidade na fertilização in vitro. No nosso estudo não foi observada diferença estatística significante em relação aos parâmetros analisados. Pôde-se observar apenas uma tendência de diminuição do número de oócitos coletados e da taxa de gestação em pacientes com IMC > 30 kg/m2.
Gaulke, R.1; Herkenhoff, M.E.2; Amaral, V.L.L.3; Pitlovanciv, A.K.4; Remualdo, V.R.4
1UNIASSELVI / FAMEBLU; 2UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina; 3UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí; 4Laboratório Genolab Análises Genéticas
INTRODUÇÃO: Nenhuma outra DST tem mostrado frequência tão elevada quanto a infecção por Chlamydia trachomatis. É freqüente a detecção de mulheres portadoras de danos tubários, por vezes irreversíveis causados por este agente, determinado infertilidade permanente. Observa-se que as intervenções cirúrgicas, como as salpingoplastias e salpingólises, não tem demonstrado sucesso em reparar os danos tubáricos causados pela doença inflamatória pélvica (DIPA), mostrando-se como método mais eficiente a reação em cadeia da polimerase (PCR), sendo este mais sensível do que a cultura para a identificação de Chlamydia trachomatis principalmente no caso de uretrite em ambos os sexos e também de cervicite clamidiana nas mulheres. A PCR promove a detecção de sequências específicas de nucleotídeos para a Chlamydia trachomatis.OBJETIVO: Analisar a prevalência de infecções causadas pela Chlamydia trachomatis identificando quais locais e métodos de coleta obtiveram melhores resultado. MÉTODOS: Utilizou-se para o presente trabalho, amostras enviadas pelos laboratórios conveniados ao Genolab, pertencentes aos estados de São Paulo e de Santa Catarina. Foram consultados os resultados dos laudos de exames para a Chlamydia trachomatis, oriundos do banco de dados do Genolab no ano de 2010. Para a obtenção e o isolamento do DNA utilizou-se a técnica de fenol-clorofórmio, e para a amplificação do material genético a técnica de PCR. RESULTADOS: Amostras de 540 indivíduos, sendo 42% positivos. Na população feminina a amostra que obteve o maior número de positivos foi o raspado endocervical com 82,2%. Na população masculina o amostra biológica que obteve o maior número de pacientes positivos foi à urina com 84%, no entanto, entre os pacientes com uma amostra obtida da uretra o percentual de positivos foi maior do que entre os pacientes com amostra biológica de urina, que foi de 65% e de 38% respectivamente. CONCLUSÃO: As amostras biológicas provenientes do raspado endocervical apresentaram uma detecção mais eficiente da Chlamydia trachomatis na população feminina em comparação com a urina, o swab endocervical, o raspado vaginal, o swab vaginal e a coleta de secreção. Na população masculina, a urina se mostrou o material biológico mais coletado para a detecção do agente, no entanto, a amostra coletada na uretra se mostrou mais eficiente.
Borges, M. S.1; Coelho, G. M.1
1Instituto Valenciano de Infertilidade - IVI Salvador
A criopreservação é uma prática necessária nos laboratórios de fertilização in vitro, sendo utilizada tanto como método para armazenar os embriões excedentes, como na prevenção contra a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana, ajudando também nas estratégias terapêuticas nos casos de alteração da receptividade endometrial ou para preservar a fertilidade de determinadas pacientes. A qualidade de um centro de reprodução assistida está diretamente ligada ao êxito do seu programa de criopreservação que permitirá melhorar a efetividade dos tratamentos ao aumentar a taxa acumulada de gestação. O objetivo deste trabalho é mostrar os resultados do programa de desvitrificação e a transferência desses embriões no IVI Salvador, durante o período de julho/2010, mês correspondente a abertura do centro, até dezembro/ 2010. Este estudo reporta todas as transferências de embriões congelados (TECs) realizadas no referido centro durante o ano de 2010. Um total de 14 pacientes, com embriões de dias 2 a 6 de desenvolvimento embrionário, que não obtiveram sucesso na primeira transferência regressaram ao centro para a realização de uma TEC. As pacientes submetidas às TEC apresentaram idade média de 37,5 anos e problemas variados de infertilidade. Previamente as TECs, as pacientes foram submetidas a preparação endometrial utilizando valerianato de estradiol e progesterona micronizada via vaginal com a finalidade de manter o endométrio correspondente ao dia do embrião a ser transferido. Os embriões foram desvitrificados pelo método desenvolvido por Kuwayama, e mantidos na incubadora em placa de cultivo no mínimo duas horas antecedentes a realização da transferência, período necessário para avaliar ocorrência de lise celular. Todas as transferências foram realizadas com o auxilio do cateter Wallace. No nosso programa logramos a taxa de 100% de sobrevivência dos embriões não havendo, dessa maneira, a necessidade de cancelamento de nenhuma transferência, sendo registrada uma taxa de gestação de 58,33% dessas pacientes. A eficiência da técnica de vitrificação/desvitrificação nos permitiu reduzir a 0% o número de cancelamento das TECs e aumentar as taxas de sucesso nas pacientes que buscam uma segunda oportunidade de gestação sem necessidade de repetição do ciclo.
Silva, W.J.J.1; Costa, T.1; Moura, S.L.1; Souza, M.C.B.1
1UFRJ
OBJETIVOS: O estudo objetiva averiguar exposição ocupacional e/ou ambiental em 102 homens, parceiros de casal infértil, em atendimento em serviço público de referência no Rio de Janeiro e, especificamente, relação drogadicção e alterações no espermograma. MÉTODOS: Estudo descritivo, longitudinal visa estabelecer o perfil masculino (história de vida e exposição a fatores de risco à saúde reprodutiva), por meio da análise de questionário orientado; analisar duas amostras de sêmen por espermograma (OMS, 2010), cruzando resultados com drogadicção ilícita. Dados integram bancos de dados informatizados. RESULTADOS: Perfil dos homens: 85,61% têm idades entre 21 e 40 anos; 62,8% com renda mensal familiar até R$ 1500,00 e 34,3% até R$3500,00; 41,2% têm Ensino Fundamental e 43,2% Médio; 9,82% iniciaram o Superior. A exposição inclui: 14,3% a cloro, 33,3% produtos de limpeza, 23,8% produtos químicos, óleos e solventes, 9,5% tinta. História reprodutiva: 20% de alterações na forma/ motilidade e 14% na concentração espermática, 12% varicocele, 18% doenças sexualmente transmissíveis. Quanto à adicção: 49% álcool, 13,7% tabaco; 21,5% drogas ilícitas (22 homens): 31,8% por maconha, 40,9% cocaína, 13,6% maconha e cocaína, 4,5% maconha e crack e 9% não referiram as drogas. Destes 22, 11 têm alterações no espermograma: no volume (4,5%), na concentração total (31,8%), motilidade (18,2%), morfologia (18,4%) e vitalidade (13,6%). Não foi encontrada correlação estatisticamente significativa entre a adicção e as alterações no espermograma dos 22 usuários nem dos 11 com alterações no espermograma (c2 com p>0,05). Nestes, alterações na motilidade (45,5%), concentração (72,7%), volume e morfologia (9,1%). Ao considerar os parâmetros da OMS de 1999 na análise dos espermogramas dos adictos, o grupo foi acrescido de mais 2 (18%). CONCLUSÕES: Os dados indicam a necessidade de ampliação da amostra, na pesquisa de correlação estatisticamente significativa. Entretanto, mesmo na pequena amostra, concentração e motilidade sofreram alterações mais expressivas. Quanto à análise seminal dos 102 homens, destacam-se diferenças: 5 ocorrências de alterações quanto à morfologia (OMS 2010) contra 23 (padrão 1999); 23 casos com alterações na motilidade A+B contra 39 (padrão 1999). Assim, ao adotar os novos parâmetros podem ser desconsideradas alterações relevantes para o estudo da saúde reprodutiva masculina. Estudo desenvolvido com Bolsa Pibic/ UFRJ.
Rodrigues, R.J.M.1; Gonçalves, S.P.1; Crepaldi, A.C.F.1; Gomes, M.1; Monteleone, P.A.A.1
1Centro de Reprodução Humana Monteleone
OBJETIVO: Comparar taxa cumulativa de gravidez (transferência a fresco + descongelado), em primeiro ciclo de tratamento de fertilização in vitro, em pacientes com bloqueio hipofisário com agonista versus antagonista do GnRH. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de primeiro ciclo de tratamento de fertilização in vitro em casais com idade da mulher inferior a 38 anos, de Fevereiro de 2004 a Abril de 2011. Foram excluídos ciclos de tratamento com ovodoação. Os grupos foram separados conforme protocolo de bloqueio hipofisário, sendo Grupo A - Antagonista (n=397) e Grupo B - Agonista (n=197). Foram avaliadas e comparadas as taxas de gravidez clínica em transferência de embrião fresco e transferência de embrião descongelado, bem como a taxa cumulativa de gravidez nos dois grupos. A análise estatística foi realizada com teste exato de Fisher. RESULTADOS: As taxas de gravidez clínica dos grupos A e B, quando comparados em relação à transferência de embrião fresco (39,49% X 44,24%, p=0,3086) transferência de embrião descongelado (31,62% X 32,65%, p=1,0000) e taxa cumulativa de gravidez (42,26% X 45,18%, p=0,5356). CONCLUSÕES: Não houve diferença estatisticamente significante nas taxas de gravidez clínica entre os grupos A e B, quando comparados em relação à transferência de embrião fresco, transferência de embrião descongelado e taxa cumulativa de gravidez.
Francisco L.S.1; Tomioka R.B.2; Mizumoto J.K.2; Bonetti T.C.S.3; Carvalho F.M.4; Ueno J.5
1GERA - Instituto de Medicina Reprodutiva; 2GERA - Instituto de Medicina Reprodutiva / Universidade de Sao Paulo - Faculdade de Medicina (FMUSP) Divisão de Clínica Ginecológica; 3GERA - Instituto de Medicina Reprodutiva / Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM) Departamento de Ginecologia; 4Universidade de Sao Paulo - Faculdade de Medicina (FMUSP) Departamento de Patologia; 5GERA - Instituto de Medicina Reprodutiva / Hospital Sirio Libanes - Setor de Histeroscopia
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência de alterações endometriais avaliadas por histeroscopia diagnóstica e biopsia, assim como os resultados dos ciclos de ICSI em pacientes apresentando ou não falha de implantação. MATERIAIS E MÉTODOS: Este estudo avaliou 211 pacientes submetidas a investigação de infertilidade no período de 2009 a 2010. Todas as pacientes realizaram histeroscopia diagnóstica ambulatorial e biopsia de endométrio. Cento e cinco (105) pacientes receberam antibioticoterapia profilática com vibramicina e realizaram ciclos de ICSI posteriormente. O protocolo de estimulação ovariana incluiu bloqueio hipofisário com agonista ou antagonista do GnRH, FSH recombinante (Gonal-F, Serono) para estimulação ovariana, e hCG recombinante (Ovidrel, Serono) para maturação folicular. Os resultados dos ciclos de ICSI foram avaliados de acordo com os seguintes grupos de estudo: 36 pacientes que estavam realizando o primeiro ciclo de ICSI (CONTROLE), 18 pacientes com falha de implantação (FALHA-IMPLAN- TAÇÃO) definida como pelo menos três ciclos de ICSI anteriores sem sucesso, e 51 pacientes que haviam realizado um ou dois ciclos de ICSI ou ciclos de baixa complexidade anteriores, sem sucesso (INTERMEDIARIO). RESULTADOS: A idade das pacientes foi semelhante entre os grupos (CONTROLE: 34.8 ± 4.6; FALHA-IMPLAN- TAÇÃO: 36.5 ± 5.7; INTERMEDIARIO: 36.4 ± 4.7; p=0.280). A prevalência de alterações endometriais diagnosticadas na histeroscopia foi maior no grupo FALHAIMPLANTAÇÃO (66.7%) comparado ao grupo CONTROLE (27.3%; p=0.006) e INTERMEDIARIO (37.0%; p=0.032). Entretanto a frequência de alterações observadas nas avaliações anatomopatológicas não diferiu entre os grupos (p=0.592). Entre as pacientes que realizaram ciclos de ICSI, a média de ciclos por paciente foi 1.5±0.5, e a taxa de gestação em andamento acumulada foi 30.6% no grupo CONTROLE, 29.4% para FALHA-IMPLAN- TAÇÃO, e 42.9% no grupo INTERMEDIARIO (p=0.411). CONCLUSÕES: O grupo de pacientes com falha de implantação apresentaram maior prevalência de alterações endometriais observadas à histeroscopia. Por outro lado, as taxas de gestação em andamento acumulada foram semelhantes entre os grupos após antibioticoterapia. Estes achados sugerem que a associação da histeroscopia diagnostica com biopsia, associada à antibioticoterapia é favorável em paciente com falha de implantação.
Paula, L.B.1; Braga, N.P.1; Mendonça, M.1; Moro, L.1; Geber, S.1
1UFMG
OBJETIVO: No presente estudo foram avaliadas a apoptose e a expressão do oncongene Bcl-2 nos implantes de endométrio ectópico de pacientes portadoras de endometriose e no endométrio eutópico de pacientes não portadoras dessa doença. PACIENTES E MÉTO- DOS: No período de março de 2007 e janeiro de 2008, foram selecionadas 16 pacientes para inclusão no estudo as quais foram divididas em dois grupos: (a) grupo a - constando de 8 com endometriose pélvica (b) grupo b controle - 8 pacientes sem endometriose. A coleta do material para análise foi feita durante cirurgias realizadas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Fragmentos de útero eutópico e de implantes ectópicos foram fixados em formol tamponado a 10% e processados para inclusão em parafina. Cortes de 4µm foram corados em Hematoxilina-eosina e submetidos à morfometria para cálculo do índice apoptótico. Alguns fragmentos foram submetidos à reação de TUNEL para a marcação “in situ” da apoptose e à imunoistoquímica para avaliar a expressão da proteína Bcl-2. RESULTADOS: Observou-se que o índice apoptótico foi significativamente menor no endométrio ectópico das pacientes com endometriose, quando comparado ao endométrio tópico das mulheres sadias independente da fase do ciclo menstrual. A expressão de bcl-2 foi maior no endométrio ectópico das pacientes com endometriose. CONCLUSÃO: Os presentes resultados sugerem que os implantes ectópicos apresentam deficiência do processo de morte celular via apoptose. Conseqüentemente, essas células apresentam maior sobrevida e mais chance de colonizar e se desenvolver em sítios ectópicos. Esse fator parece ser fundamental na patogenia da endometriose.
Florencio, R.S.1; Oliveira, V.A.1; Santos,F.C.1; Castro, C.L.A.1
1HUMANA medicina reprodutiva
OBJETIVO: Avaliar a chance de gravidez em 3 faixas de concentração de estradiol(E2) na fase lútea média(D+7-8 pós inseminação artificial) e correlacionar com microconcentrações de gonadotrofina corionica(hCG) no D+7-8. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de 108 ciclos de inseminações artificiais com esquema sequencial,sem bloqueio hipofisário,com idade igual ou inferior a 40 anos, determinando o percentual de gravidez em 3 faixas de concentração de E2:A-<100 pg/ml, B-100-500 pg/ml, C->500 pg/ ml, no D+7-8. Também avaliamos as microconcentrações de gonadotrofina corionica neste dia e calculamos a média de hCG em grávidas e não grávidas e a percentagem de hCG>2 mui/ml em grávidas(G) e não grávidas(NG). Os testes utilizados foram teste T,Qui Quadrado e Exato de Fisher,significancia de <5%. RESULTADOS: O número de pacientes nos grupos A,B,C foram respectivamente 15,46,47 e o percentual de gravidas foram 13,33%, 15,21%, 40,42, p=0,03. A média de hCG em NG foi 1,31 versus 6,05 no grupo G, p=0,03. O percentual de hCG>2 mui/ml foi 21,51%(NG) e 58,61%(G),p=0,0004 CONCLUSÕES: A chance de gravidez foi maior no grupo C, nas pacientes com hCG>2 mui/ml e a média de hCG foi maior no grup G, mostrando correlação positiva entre E2 e microconcentrações de hCG.
Cardoso,E.A.1; Amaral, V.L.L.2; Pincinin, G.D.3; Mietz, M.N.3; Frajblat,M.3
1PROCRIAR; 2PROCRIAR; UNIVALI; 3UNIVALI
O objetivo deste estudo foi analisar a eficiência da criopreservação de espermatozoides sem o plasma seminal comparado ao processo de criopreservação convencional, com o plasma seminal. Amostras (n=14) do ejaculado de diferentes doadores foram avaliadas, e separadas em dois grupos: criopreservado com plasma seminal e criopreservado sem o plasma seminal. No grupo sem plasma seminal, as amostras foram processadas pelo método de sperm whash, na proporção 1:1 com HTF-Modificado (Irvine®) suplementado com 10% de SSS (Irvine®) e centrifugadas por 8 minutos, o pellet foi ressuspendido em 0,5mL do mesmo meio e diluído na proporção de 1:1 com (Yolk Buffer Freezing Medium - Irvine Scientific®). No grupo com plasma seminal, as amostras foram diluídas na proporção 1:1 também com o mesmo crioprotetor. Todas as amostras foram envasadas em palhetas de 0,25mL permanecendo 30 minutos a 4°C, logo a seguir, 10 minutos no vapor de nitrogênio líquido (NL2) e imediatamente imersas e armazenadas a -196°C. Para a avaliação pós-criopreservação, as palhetas foram retiradas do NL2 e mantidas a temperatura ambiente (±22C°) por 20 min. As amostras foram homogeneizadas em HTF-Modificado (Irvine®) suplementado com 10% de SSS (Irvine®) e centrifugadas por 8 minutos. O pellet foi ressuspendido em 0,5 mL e os parâmetros motilidade progressiva e vitalidade foram avaliadas, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2010). A motilidade progressiva das amostras précriopreservação foi de 73,0 ±5,9%. Não houve diferença (p=0,33) na motilidade progressiva pós-criopreservação quando este foi realizado com ou sem plasma seminal (41,8 ± 6,8 e 39,0 ± 6,0%, respectivamente). Da mesma forma não houve diferença (p < 0,7) na vitalidade (50,4 ± 4,4 e 51,3 ± 4,18%) para o grupo com e sem plasma, respectivamente. A queda na motilidade progressiva pós-criopreservação foi de 21% nas amostras com plasma e 24,1% nas amostras sem plasma. A eficiência da técnica de criopreservação foi de 66% nas amostras com plasma e 61,9% nas amostras sem o plasma. Estes resultados sugerem que a presença ou ausência do plasma seminal não interferem nos resultados da criopreservação de espermatozóides.
Nastri, C.O.1; Ferriani, R.A.1; Martins, W.P.1
1Departamento de Ginecologia e Obstetrícia (DGO), Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, Brasil
OBJETIVO: Verificar se a lesão endometrial prévia ao procedimento de reprodução assistida interfere com os seus resultados. MÉTODOS: Foram pesquisados ensaios clínicos controlados com alocação aleatória que incluíram mulheres submetidas a qualquer técnica de reprodução assistida nos quais alguma forma de injúria endometrial intencional tenha sido realizada previamente (até seis meses antes) ao procedimento. A busca foi realizada usando PubMed, OvidSP e Clinical Trials. gov. A extração dos dados e avaliação da qualidade metodológica foram realizadas por dois autores independentes. A metanálise foi feita utilizando o modelo de efeitos aleatórios de Mantel-Haenszel. A mínima diferença clinicamente significativa foi considerada como uma diferença relativa de 20% nas taxas estudadas. RESULTADOS: A busca resultou em 2047 trabalhos, sendo 4 incluídos: 2 trabalhos publicados e 2 estudos em andamento; totalizando 413 mulheres. Três dos estudos incluíram apenas mulheres com falhas prévias de implantação, enquanto 1 trabalho em andamento incluiu mulheres não selecionadas. Os resultados são apresentados em razão de risco (RR) e intervalo de confiança de 95%. Notou-se um aumento significativo na taxa de nascidos vivos RR=1,94[1,18;3,21]; de gravidez clínica RR=1,83[1,37;2,44]; e de implantação RR=1,71[1,20;2,45] por mulher incluída. Não houve diferença significativa nas taxas de gravidez múltipla RR=1,44[0,57;3,64] ou de aborto por mulher RR=2,60[0,53;12,79] por mulher incluída, porém o valor RR observado foi > 1. Como o número de gestações clínicas também foi mais alto neste grupo, novos RR foram calculados por “gravidez clínica” e observamos valores mais baixos no grupo injúria endometrial tanto para gravidez múltipla RR=0,82[0,36;1,89] quanto para aborto RR=0,67[0,16;2,76]. Não houve heterogeneidade entre os estudos para nenhuma variável (I2=0% em todas as análises). CONCLUSÕES: A injúria endometrial realizada previamente a ciclos de reprodução assistida praticamente dobrou a taxa de nascidos vivos, de gravidez clínica e de implantação sem alterar significantemente as taxas de gravidez múltipla e de aborto. No entanto, essas conclusões ficam limitadas às mulheres com falhas prévias, faltando ainda maior número de casos avaliando o efeito da injúria endometrial em mulheres não selecionadas ou outras condições, como embriões criopreservados, inseminação intra-uterina ou indução da ovulação e coito natural.
Bonavita, M.B.1; Barros, B.C.2; Negrão, P.M.2; Tanada, M.1; Motta, E.L.A.2; Serafini, P.2
1Hospital e Maternidade Santa Joana; 2Huntington - Medicina Reprodutiva
OBJETIVO: O presente estudo comparou as taxas de gestação de embriões excedentes criopreservados em dia 3 (D3) em programa de FIV, pela técnica da vitrificação, entre transferência imediata após aquecimento ou cultivo estendido até o estágio de blastocisto (D5). MÉTODOS: Entre janeiro de 2010 e abril de 2011, ciclos de transferência de embriões vitrificados em D3, com no mínimo 06 células e menos de 20% de fragmentação, foram avaliados em 02 grupos: vitrificados no D3, aquecidos e transferidos no mesmo dia (V3T3); ou vitrificados em D3, aquecidos e mantidos em cultivo estendido até o estágio de blastocisto com posterior transferência ao útero (V3T5). Para o cultivo estendido, utilizou-se sistema triplo gás (90%N2/5%O2/5%CO2). Independente do grupo, todos os embriões foram submetidos a Hatching Assistido (HA) por sistema de laser. O teste Z foi utilizado para a comparação entre os grupos. Utilizou-se a regressão logística binária para o cálculo das chances de gestação em cada grupo. A análise variância foi utilizada para a avaliação do efeito dos grupos sobre o número de embriões transferidos e as taxas de implantação. Correção de Bonferroni foi utilizada para a comparação múltipla, sendo a significância considerado com p<0,05. RESULTADOS: Foram avaliados de forma retrospectiva 324 ciclos, sendo 261 em V3T3 (80%) e 63 ciclos em V3T5 (20%). Observou-se maior número embriões transferidos no grupo V3T3 quando comparado ao V3T5 (2,8±0,9 vs 2,4±0,8 respectivamente; p<0,0001). As taxas de implantação e gestação foram maiores para o grupo V3T5 (21,3% e 50,8%), quando comparado ao V3T3 (10,9% e 30,3%; p=0,0007 e 0,0021, respectivamente). Nas pacientes em que o embrião era mantido em cultivo estendido até o estágio de blastocisto (V3T5), a chance de gestação foi 2,5 vezes maior que o transferido logo após o aquecimento (V3T3; odds ratio=2,5; 95%CI=1,4-4,4;p=0.001). Não houve casos de cancelamento de transferência após o aquecimento embrionário em ambos os grupos CONCLUSÃO: Os resultados encontrados sugerem que os embriões excedentes criopreservados pela técnica de vitrificação em D3, devem ser aquecidos e mantidos em cultivo estendido até o estágio de blastocisto, pois aumentam as taxas de gestação e minimizam a gravidez múltipla, proporcionando ao casal uma expectativa mais realista em ciclos de embriões criopreservados.
Dorfman, L.E.1; Sanseverino, M.A.1; Okada, L.1; Azambuja, R.1; Badalotti, M.1; Petracco, A.1
1FERTILITATCENTRO DE MEDICINA REPRODUTIVA
INTRODUÇÃO: As translocações recíprocas são as alterações estruturais cromossômicas humanas mais comuns. Portadores deste tipo de translocação têm alto risco de gerar embriões cromossomicamente anormais devido à desbalanços cromossômicos gerados durante a meiose, ocasionando assim, abortos recorrentes e nascimento de crianças afetadas. DESCRIÇÃO DO CASO: Casal não consangüíneo busca tratamento em clínica de Reprodução Assistida com indicação de Fertilização in vitro (FIV) com diagnóstico genético pré-implantacional (PGD). Paciente de 30 anos, portadora de cariótipo com translocação balanceada, envolvendo os cromossomos 15 e 16, com histórico de duas gestações prévias, as quais resultaram em dois abortos. Esposo com cariótipo e parâmetros seminais normais. A paciente possui uma irmã com trissomia parcial do cromossomo 15, com atraso no desenvolvimento, na linguagem e escoliose severa. Foram realizados dois ciclos de FIV com PGD, nos quais biopsiaram-se nove embriões em cada ciclo. A biópsia foi realizada no terceiro dia após a injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), retirou-se de 1 a 2 blastômeros de cada embrião. Os blastômeros foram fixados em lâminas e enviados para análise genética. Além dos cromossomos envolvidos na translocação, foram analisados por hibridização fluorescente in situ (FISH) os cromossomos 13, 18, 21, X e Y. Na primeira tentativa apenas um dos embriões não possuía a translocação, este porém, apresentou trissomia para o cromossomo 18; na segunda tentativa, novamente um embrião sem a translocação e com trissomia para o cromossomo 13. Não houve transferência em nenhum dos ciclos. COMENTÁRIOS: A segregação cromossômica neste caso, não ocorreu conforme o esperado, no qual cerca de 33% dos embriões biopsiados deveriam ser normais ou balanceados. Em ambos os ciclos apenas 11% dos embriões não eram afetados para a translocação. Acredita-se que mulheres portadoras de translocações envolvendo cromossomos acrocêntricos possuem uma maior tendência a um tipo de segregação mais rara, a qual gerará gametas afetados. Além das alterações ocasionadas pela translocação, podem ser encontradas monossomias e trissomias em qualquer outro cromossomo. É importante deixar claro ao casal, logo no início do tratamento, quais são as reais chances de obter embriões normais. Neste tipo de alteração talvez seja mais indicado uma análise de hibridização genômica comparativa (CGH), que avalia todos os cromossomos.
Fujihara, L.S.1; Maruyama, L.K.2; Marcondes, C.3; Ceschin, A.P.4; Almodin, C.G.5; Nakano, R.E.1
1Ferticlin - Clínica de Fertilidade Humana; 2Ferticlin; 32. Núcleo Santista de Reprodução Humana, Santos - SP; 43. Feliccitá - Centro Médico da Mulher, Curitiba -PR; 5Materbaby - Maringá - PR
OBJETIVO: O propósito deste trabalho é analisar os resultados obtidos de todas as pacientes com menos de 40 anos, que fizeram a fertilização in vitro e que optaram pela vitrificação dos oócitos excedentes. MÉTODOS: O presente estudo seguiu um protocolo multicêntrico, com dados coletados em apenas um dos centros integrados, onde foi realizado um estudo retrospectivo de fevereiro de 2007 a Maio de 2011, em pacientes submetidas aos tratamentos de fertilização assistida. Nesta análise, avaliamos a taxa de sobrevida, fertilização, qualidade embrionária e gestação de 83 pacientes, com idade média de 33,6 anos, que tiveram todos os seus oócitos excedentes vitrificados e aquecidos através da técnica Vitri-Ingá. Todas as pacientes com menos de 40 anos que tiveram mais de 8 oócitos em metáfase II, vitrificaram os oócitos. Não foram inclusos pacientes que vitrificaram oócitos e pré-embriões e pacientes com 40 anos ou mais. A vitrificação foi realizada após cultivo oocitário de 2 a 3 horas pós aspiração folicular. Após aquecimento, todos os oócitos que mantiveram sua estrutura íntegra após duas horas de cultivo, em incubadora a 5% CO2 e 37 ºC, foram injetados. A avaliação da fertilização foi realizada entre 16 a 18 horas após a ICSI e a qualidade embrionária avaliada entre 48 e/ou 72 horas. RESULTADOS: Um total de 329 oócitos foram aquecidos, média de 3,9 oócitos por paciente e 276 (83,8%) sobreviveram após a vitrificação. A ICSI foi realizada em todos os oócitos recuperados, e 225 fertilizaram (81,5%). Foram transferidos 211 pré-embriões (2,5 por paciente), onde 143 eram de grau I e II (67,8%) e 68 de grau III e IV (32,2%). A taxa de gravidez total foi de 33,7% (28 gestações), com 20 bebês nascidos e 4 gestações em andamento. CONCLUSÃO: Os resultados obtidos são similares aos da literatura, quando comparadas as taxas de sobrevida, fertilização, qualidade embrionária e gestação após o aquecimento.
Ueno J.1; Schor E.2; Bonetti T.C.S.3; Tomioka, R.B.4; Mizumoto J.K.4; Carvalho F.M.5
1GERA - Instituto de Medicina Reprodutiva / Hospital Sirio Libanes - Setor de Histeroscopia; 2GERA - Instituto de Medicina Reprodutiva / Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESPEPM) departamento de Ginecologia; 3GERA - Instituto de Medicina Reprodutiva / Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESPEPM) Departamento de Ginecologia; 4GERA - Institute de Medicina Reprodutiva / Universidade de São Paulo - Faculdade de Medicina (FMUSP) Divisão de Clínica Ginecológica; 5Universidade de São Paulo - Faculdade de Medicina (FMUSP) Departamento de Patologia
OBJETIVO: O sucesso da implantação após a transferência de embriões de alta qualidade em ciclos de fertilização in vitro (FIV) depende, dentre outros fatores, das condições do endométrio. A biopsia endometrial é um procedimento minimamente invasivo e de baixo custo que permite o diagnostico de diversas alterações benignas, cuja correção poderia melhorar as taxas de gestação. O objetivo deste estudo foi determinar a prevalência de alterações histopatológicas endometriais de pacientes inférteis e avaliar a correção das possíveis alterações após tratamento. MÉTODOS: Este estudo incluiu 269 biopsias endometriais de 211 pacientes. As biopsias foram realizadas entre 2009 e 2010 após histeroscopia diagnóstica e avaliadas pelo mesmo patologista. O critério para diagnóstico de endometrite foi a presença de plasmócitos estromais ou outras células inflamatórias em numero significante, associada a alterações epiteliais ou de vasos. Pólipos foram definidos como a presença de pelo menos duas de três destas alterações: vasos com paredes espessadas, estroma fibroso e glândulas irregulares. Pacientes apresentando endometrite receberam antibioticoterapia com vibramicina, e 21 pacientes realizaram uma ou mais biopsias pós-tratamento para verificar a remissão do processo inflamatório. RESULTADOS: As pacientes tinham 36.0±4.8 anos de idade e 33.2% haviam realizado pelo menos um ciclo de FIV anterior. As análises das primeiras biopsias das pacientes revelaram que 59.6% apresentavam alguma alteração histológica benigna: pólipos (23.2%), endometrite (14.1%), endometrite e pólipos associados (7.1%), anormalidades vasculares (7.6%), infiltrado inflamatório (5.6%) e outros (2.0%). As 41 pacientes que apresentaram endometrite receberam antibioticoterapia com vibramicina e entre estas, 21 realizaram uma segunda biopsia. Houve remissão do processo inflamatório em 72.4% das pacientes que realizaram a 2ª biopsia após tratamento. CONCLUSÕES: Observamos uma alta prevalência de alterações endometriais benignas nas pacientes inférteis. Por outro lado a antiobioticoterapia foi efetiva em tratar as alterações inflamatórias na maioria das pacientes. Estes achados demonstram que a biopsia endometrial pode ser indicada na investigação de pacientes inférteis, e que a antibioticoterapia pode ser utilizada para correção de alterações inflamatórias benignas que possivelmente podem ser causa de falha de implantação.
Pozzer, M.A.1; Peruzzato, F.S.1; Sartori, N.C.2; Correa, C.M.1; Link, C.A.1
1CENTRO DE FERTILIDADE E REPRODUÇÃO ASSISTIDA PROGEST; 2CENTRO DE FERTILIDADE E REPRODUÇÃO ASSISTIDA PROGEST
OBJETIVOS: O presente trabalho tem por objetivo analisar e comparar as taxas de gravidez de ciclos de ICSI após transferência de embriões no quinto dia com transferência de embriões no terceiro dia. MÉTODOS: Participaram do estudo 70 mulheres submetidas a ciclos de ICSI de janeiro a maio de 2011. Estas pacientes foram divididas em dois grupos, ou seja, aquelas que transferiram embriões no terceiro dia (n=31), 6-8 células, e aquelas que transferiram no quinto dia, blastocisto (n=39). Foi considerado gravidez quando um ou mais sacos gestacionais foram identificados. Gravidez bioquímica foi considerada resultado negativo. As taxas de gravidez foram comparadas pelo teste exato de Fisher, considerando um p < 0,05 como significativo, utilizando-se o programa WinPepi 11.10. RESULTADOS: A média de idade entre os dois grupos foi semelhante, e as taxas de fecundação e clivagem não foram significativamente diferentes em ambos os grupos, o que permitiu a comparação entre eles. Das 31 pacientes que transferiram embriões no estágio de 6-8 células, 11 pacientes ficaram grávidas, o que corresponde a uma taxa de 35%. No grupo que transferiu em estágio de blastocisto, 19 das 39 pacientes tiveram resultado positivo para gravidez, indicando uma taxa de 49%. Apesar de maior, a taxa de gravidez no grupo que transferiu em estágio de blastocisto não foi estatisticamente significativa em relação à taxa do grupo que transferiu embriões de 3° dia, com p = 0.334. CONCLUSÕES: Muito se tem discutido a respeito do melhor dia para a transferência de embriões ao final de ciclos de ICSI. Há trabalhos que defendem o prolongamento do cultivo destes embriões in vitro como uma maneira de selecionar aqueles com maior potencial genético para que se implantem e cresçam, além de aumentar a concentração de fatores de crescimento no meio que iriam atuar de forma tanto autócrina como parácrina no desenvolvimento embrionário e na sua implantação. Além disso, embriões em estágio de blastocisto apresentam-se em maior sincronia com a fisiologia do endométrio, o que aumentaria, talvez, as chances de implantação.
Verza Jr, S.1; Schneider, D.T.1; Esteves, S.C.1;
1ANDROFERT;
OBJETIVO: Estudo prospectivo controlado que comparou as taxas de sucesso de recuperação de espermatozóides usando a extração de espermatozóide testicular por microcirurgia (micro-TESE) e a extração convencional de espermatozóides do testículo (TESE) em homens com azoospermia não obstrutiva (ANO). MÉTODOS: Sessenta homens com ANO foram incluídos neste estudo e cada paciente serviu como seu próprio controle. Para TESE convencional, dois grandes fragmentos de parênquima testicular (6x6x6 mm) foram obtidos aleatoriamente. Um fragmento foi enviado para exame histopatológico e classificados de acordo com o padrão histológico predominante (”Sertoli cell only” [SCO], parada de maturação [PM] e hipoespermatogênese [HIPO]), enquanto o outro fragmento foi enviado para o laboratório de embriologia (LE) para dissecção e avaliação quanto a presença de espermatozóides. Na seqüência, microdissecção testicular foi realizada conforme descrito por Schlegel (1998), com pequenas modificações e os túbulos seminíferos obtidos enviados para o LE para a pesquisa de espermatozóides. Taxas de recuperação de espermatozóides (TRE) geral e estratificada por categoria histológica foram comparadas entre os grupos TESE convencional e micro-TESE. RESULTADOS: De forma geral, TRE foram significativamente maiores utilizando micro-TESE (27/60, 45%) em comparação à TESE (15/60, 25%, p = 0,02). Presença de espermatozóides na TESE sempre estava associada à presença de espermatozóides na micro-TESE. As TRE de acordo com a histologia testicular foram de 92,9% (13/14), 63,6% (11/07) e 20,0% (7 / 35) nos subgrupos de HIPO, PM e SCO, respectivamente. Foi observado também que as TRE na micro-TESE em comparação à TESE foram significativamente superiores em todas as categorias de histologia testicular: HIPO (92,9% micro-TESE; 64,3% TESE), PM (63,6% micro-TESE; 9,1% TESE) e SCO (20% micro -TESE; 5,7% TESE); (p <0,01).
CONCLUSÕES: Micro-TESE mostrou-se um método mais eficaz para recuperar espermatozóides de homens com ANO do que a TESE convencional com biópsia única. As TRE em ANO, seja por micro-TESE ou TESE, estão correlacionadas com os resultados da histologia testicular, porém, independentemente da histologia predominante, as TRE na micro-TESE foram superiores às da TESE.
Taitson, P.F.1; Ribeiro, A.S.1; Paz, D.S.1; Jacome D.C.1; Oliveira, E.N.G.1; Mourthe Filho, A.1
1PUC Minas
OBJETIVOS: Identificar a viabilidade de sêmen congelado apósdezanosdecriopreservação,atravésdatécnicadenitrogênio líquido. Enumerar as limitações da criopreservação. MATERIAL E MÉTODOS: Paciente com idade de 25 anos procurou serviço de reprodução humana em 1990 desejando congelar sêmen. Tal motivo se define pelo diagnóstico de seminoma testicular bilateral em estádio inicial. O mesmo seria orquiectomizado bilateralmente. Para congelamento utilizou-se o meio TYB da Irvine Cientific® misturado vol:vol com o sêmen disponibilizado. Á fresco observou-se concentração espermática/mL (2.106), motilidade predominante (D), atividade (42%), morfologia oval de 4%. Após dez anos com o sêmen congelado, o paciente retornou ao serviço, alegando ser um bom momento para se tentar uma gravidez. RESULTADOS: Após 11 anos, fração do material foi descongelado a temperatura ambiente, observando-se 1.106 de espermatozóides, atividade de 18% e 2% de morfologia oval. CONCLUSÕES: O congelamento seminal através da técnica de nitrogênio líquido por mais de uma década, quando o sêmen é processado adequadamente, mostra viabilidade para paciente que apresentaram quadros graves de comprometimento da fertilidade.
Lucca, J.A.1; Rosa, V.B.1; Peixoto, A.P.1; Schuffner, A.1
1Conceber Medicina Reprodutiva
OBJETIVO: Apresentar um estudo epidemiológico relacionando a dose hormonal utilizada com o número de oócitos aspirados, em pacientes de três faixas etárias. MÉTODO: Foi realizado um estudo retrospectivo com 70 casais que se submeteram a ciclos de FIV na Clínica Conceber, no primeiro quadrimestre de 2011. Ciclos com ovodoação, oócitos e embriões criopreservados não foram relacionados nesse estudo. As pacientes foram dividias nos seguintes grupos: até 34 anos; de 35 a 39 anos; 40 anos ou mais. Foram avaliadas as doses hormonais utilizadas (U.I.) e o número de oócitos aspirados. A análise estatística foi feita por Kruskall-Wallis, seguida pelo teste de Dunn’s. RESULTADOS: Dose hormonal (média ± EPM): ≤ 34 anos 1.669 ± 91,4; de 35 a 39 anos 2.179,6 ± 129,2; ≥ 40 anos 2.030,4 ± 179,5. A análise estatística apontou diferença significante entre os grupos “≤ 34 anos” e “de 35 a 39 anos” (p<0,01). Número de oócitos aspirados (média ± EPM): ≤ 34 anos 8,9 ± 1,3; de 35 a 39 anos 6,6 ± 0,9; ≥ 40 anos 4,3 ± 0,9. Houve diferença significante entre os grupos “≤ 34 anos” e “≥ 40 anos” (p<0,05). DISCUSSÃO: A dose hormonal utilizada no grupo “de 35 a 39 anos” foi significativamente maior que a utilizada no grupo “≤ 34 anos” uma vez que a resposta ovariana tende a cair com o aumento da idade da paciente. Contudo após os 39 anos atingimos um platô, onde esta correlação deixa de ser verdadeira, ou seja, o aumento da dose hormonal administrada não resultará em melhor crescimento folicular. Por esta razão podemos notar que a dose média empregada nas pacientes com mais de 40 anos foi ligeiramente menor que nas pacientes entre 35 e 39 anos (2.030,4 U.I. vs 2.179,6 U.I.). Ao avaliarmos o número de oócitos obtidos em cada faixa etária podemos confirmar esta afirmação, pois não houve diferença significativa entre os grupos “de 35 a 39 anos” e “≥ 40 anos”. Entretanto estes grupos obtiveram significativamente menos oócitos que o grupo “≤ 34 anos”. Com isto então, concluímos ser desnecessário aumentarmos a dose de gonadotrofina no grupo “≥ 40 anos”, minimizando assim custos do tratamento, bem como efeitos indesejados destes medicamentos.
Carvalho B.R.1; Cabral I.O.1; Ribeiro L.M.1; Braun L.R.1; Silva A.A.1; Nakagava H.M.1
1GENESIS - Centro de Assistência em Reprodução Humana, Brasília, Distrito Federal
OBJETIVOS: Comparar resultados em ciclos para transferência de embriões obtidos por fertilização in vitro (FIV) com ou sem injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) transferidos no segundo (D2) ou terceiro dia (D3) de evolução, a fresco ou após criopreservação. METODOLOGIA: Analisaram-se retrospectivamente os ciclos para transferência de embriões próprios obtidos por FIV/ICSI em laboratório ISO 5, realizados no GENESIS - Centro de Assistência em Reprodução Humana, entre janeiro de 2008 e dezembro de 2010. Como critério de inclusão, tanto criopreservação quanto a transferência deveriam ter ocorrido em D2 ou D3, totalizando 436 ciclos. Alocaram-se ciclos com embriões criopreservados e transferidos em D2 ou D3 (n=42) no grupo CRIO, e ciclos para transferência de embriões a fresco em D2 ou D3 (n=394) no grupo FRESH, em pacientes com 35,02 ± 6,58 e 35,54 ± 4,7 anos, respectivamente (p=0,5681, teste de Mann-Whitney). Avaliaram-se as taxas de gravidez, implantação e abortamento, e o percentual de ciclos com ao menos um nascido vivo para ambos os grupos. As análises estatísticas foram realizadas pelo teste exato de Fisher, considerando-se estatisticamente significativo p < 0,05. RESULTADOS: Não houve diferenças significativas entra as taxas de gravidez (CRIO=35,71 vs FRESH=44,67; p=0,3268), de implantação (CRIO=16,13 vs FRESH=23,49; p=0,1194) e de abortamento (perdas gestacionais completas/testes gestacionais positivos) (CRIO=46,67 vs FRESH=31,79; p=0,2604). Para avaliação dos ciclos com ao menos um nascido vivo, foram excluídos 11 ciclos, cujas gestações encontravamse em andamento; novamente, não houve diferenças significativas entre os grupos estudados (CRIO=16,67 vs FRESH=28,16). CONCLUSÕES: Embora as taxas de gravidez, implantação e abortamento, e o percentual de ciclos com ao menos um nascido vivo sejam maiores em ciclos com transferência de embriões a fresco em D2 ou D3, não se demonstraram nesta amostra diferenças significativas quando se comparam a ciclos com embriões criopreservados e transferidos em estadio similar de evolução.
Maldonado, L.G.1; Setti, A.S.2; Braga, D.P.A.F.3; Azevedo, M.C.1; Iaconelli Jr., A.3; Borges Jr., E.3
1Fertility - Centro de Fertilização Assistida; 2Instituto Sapientiae; 3Fertility - Centro de Fertilização Assistida e Instituto Sapientiae
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi comparar os resultados de ciclos de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI) em que a supressão pituitária foi obtida através do agonista de GnRH curto em dias alternados com os resultados de ciclos bloqueados através de protocolo com antagonista de GnRH diário. MÉTODOS: Este estudo prospectivo randomizado incluiu 65 casais submetidos a ciclos de ICSI no período de Julho de 2009 a Outubro de 2010. Os critérios de inclusão foram: idade feminina ≤ 35 ano, índice de massa corporal ≤ 30 kg / m 2; FSH basal <10 mUI / mL; ciclos eumenorréicos e ausência de endometriose estágio III / IV. As pacientes foram aleatoriamente alocados para receber um dos dois protocolos de bloqueio hipofisário: agonista de GnRH curto (triptorelina) em dias alternados (grupo GnRHag, n= 33) ou antagonista diário (acetato de cetrorelix, grupo GnRHant, n= 32). Os resultados laboratoriais e clínicos foram comparados entre os grupos. As variáveis categóricas foram analisadas através da realização de qui-quadrado ou teste de Fisher. Os testes t-Student ou Mann-Whitney foram utilizados para as variáveis numéricas e os resultados foram expressos como média ± DP. Valores de p < 0,05 foram considerados significativos. RESULTADOS: Não houve diferenças significativas entre os grupos GnRHag e GnRHant quanto à idade materna (30,3 ± 2,7 vs 29,8 ± 3,2; p= 0,4372), dose total de FSH administrada (1316IU ± 229,7 vs 1440 ± 316,0; p= 0,0940), número de folículos (21,4 ± 15,8 vs 19,2 ± 10,9; p= 0,5205), taxa de fertilização (82,6 vs 72,6%; p= 0,1197), taxa de implantação (26,4 vs 24,2%; p= 0,8512), taxa de gestação (44,8 vs 42,4%; p= 0,8490 ) e taxa de abortamento (23,1 vs 14,3%; p= 0,6483). O número de oócitos recuperados foi significativamente maior no grupo GnRHag (74,5 vs 66,2%; p= 0,0478). O custo total da supressão foi significativamente menor no grupo GnRHag em comparação com GnRHant (R$ 200,6 ± 22,4 vs R$ 970,4 ± 164,2; p< 0.0001). CONCLUSÕES: O tratamento com agonista de GnRH em dias alternados mostrou-se tão eficaz quanto ao com antagonista de GnRH, resultando em taxas de implantação e gestação semelhantes. Ademais, o tratamento com agonista de GnRH é significativamente menos custoso do que o tratamento antagonista. O tratamento com agonista de GnRH em dias alternados permite que os custos, a eficácia e o conforto caminhem juntos.
Moresco, T.C.1; Andreoli, C.G.1; Genro, V.K.1; Souza, C.A.B.2; Schmitz, C.R.1; Cunha-Filho, J.S.3
1UFRGS; 2HCPA; 3UFGRS
OBJETIVO: Os distúrbios ovulatórios são responsáveis por 15% dos casos de infertilidade feminina, sendo a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) a principal causa de anovulação. O citrato de clomifeno é considerado o agente farmacológico de escolha para o tratamento de mulheres com infertilidade e SOP. Recentemente, a metformina isolada ou combinada com citrato de clomifeno tem sido utilizada nestas pacientes. Entretanto, não existem evidências suficientes para recomendar o uso de metformina no tratamento inicial de mulheres inférteis com SOP. O objetivo desse trabalho é definir o tratamento de primeira linha para infertilidade em mulheres com SOP baseado nas melhores evidências científicas. MÉTODOS: Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados (ECRs) e duplo-cegos disponíveis na literatura. Após avaliação de 170 artigos, apenas 3 ECRs de qualidade (cegamento, randomização e gestação como desfecho principal) foram incluídos na análise. Dois tipos de intervenções foram estudadas: metformina isolada vs. citrato de clomifeno isolado ou metformina isolada vs. metformina associada ao citrato de clomifeno. Como desfecho primário foi considerado taxas de gestação. Para a análise estatística, foi utilizado o softaware Review Manager 5.1 e realizado teste de heterogeneidade, sendo considerado significativo P< 5%. RESULTADOS: O uso de citrato de clomifeno isolado aumentou em 57% as taxas de gestação em relação à metformina isolada (OR = 0,43; IC 95% 0,27 - 0,69). Não houve diferença significativa nas taxas de gestação quando a metformina foi associada ao citrato de clomifeno (OR = 1,13; IC 95% 0,83 - 1,53). CONCLUSÕES: A terapia com metformina isolada ou combinada não mostrou superioridade ao citrato de clomifeno. De acordo com os resultados do estudo e com os dados disponíveis na literatura até o momento, o emprego da monoterapia com metformina ou a adição desta droga ao tratamento com citrato de clomifeno não deve ser recomendado em mulheres com SOP que desejam engravidar.
Alcoba, D.D.1; Braga B.L.R.1; Sandi-Monroy, N.L.S.1; Lopes R.F.F.2; Oliveira A.T.D.1;
1Laboratório de Biologia Celular - DCBS/UFCSPA; 2Laboratório de Biotecnologia Animal Aplicada - DCM- ICBS/UFRGS
OBJETIVO: Avaliar a taxa retomada de meiose e de maturação nuclear de oócitos de Rattus norvegicus destinados à maturação in vitro (MIV) selecionados através da coloração com Azul Cresil Brilhante (BCB) após exposição por 30, 60 ou 90 minutos ao BCB (26µM). MÉTODOS: Ovários de 32 ratas sexualmente maduras no diestro foram removidos e os complexos cumulus-oócito (CCO) foram recuperados através da escarificação da córtex ovariana (total de 424 oócitos). Os CCOs foram divididos em quatro grupos, de acordo com o tempo de exposição ao BCB: controle (sem exposição), BCB30min, BCB60min e BCB90min. Após o tempo de exposição ao corante, os CCOs foram classificados em positivos (corados) ou negativos (incolores) e, então, transferidos para o meio de cultivo. Vinte e quatro horas após a MIV, foram avaliadas as taxas de retomada de meiose e de maturação nuclear através da coloração com Hoechst. Foram avaliados os valores dos testes diagnósticos (sensibilidade, especificidade, valores preditivos positivo e negativo e acurácia) para cada protocolo utilizado. Para comparar os resultados obtidos foi utilizado o teste qui-quadrado, complementado pela análise dos resíduos ajustados (p≤0,05). RESULTADO: As taxas de retomada de meiose foram de 77,77% no grupo controle; 57,58% no grupo BCB(+)30; 37,93% no grupo BCB(-)30; 57,37% no grupo BCB(+)60; 7,32% no grupo BCB(-)60; 41,77% no grupo BCB(+)90; e 18,96% no grupo BCB(-)90. Ao avaliar a maturação nuclear os valores encontrados foram de 33,66% no grupo controle; 24,24% no grupo BCB(+)30; 13,79% no grupo BCB(-) 30; 22,95% no grupo BCB(+)60; 0,0% no grupo BCB(-)60; 27,84% no grupo BCB(+)90; e 6,89% no grupo BCB(-)90. Os resultados mais satisfatórios dos testes diagnósticos foram encontrados no grupo exposto por 60 minutos ao corante. CONCLUSÃO: A seleção dos gametas quando expostos por 60 minutos ao BCB foi a mais adequada, pois as taxas de retomada de meiose no grupo BCB(+) foram as mais próximas ao grupo controle e superiores estatisticamente ao grupo BCB(-). Adicionalmente, os CCOs expostos por 60 minutos apresentaram melhores resultados na avaliação dos testes diagnósticos. No entanto, observamos que a taxa de MIV não foi estatisticamente diferente entre os gametas classificados como positivos e o grupo controle.
Lima, A.M.1; Torquato Filho, S.E.1; S.A., E.G.1; Freitas, T.A.1; Paiva, M.A.B.1
1BIOS - CENTRO DE MEDICINA REPRODUTIVA DO CEARÁ
OBJETIVO: A fragmentação de DNA espermático pode ocorrer durante o empacotamento da cromatina na espermatogênese, por apoptose antes da ejaculação ou stress oxidativo após a ejaculação e exposição a fatores ambientais. Dados clínicos mostram que homens inférteis apresentam maior dano ao DNA do que homens férteis, assim nosso estudo correlaciona a taxa de fragmentação de DNA com parâmetros seminais. MÉTODO: Foram avaliadas retrospectivamente 38 amostras seminais no Centro de Medicina Reprodutiva BIOS, entre janeiro e abril de 2010. Para avaliação do DNA espermático utilizamos a técnica de Dispersão da Cromatina Espermática (SCD). As lâminas resultantes da técnica foram observadas em microscópio óptico comum, onde foram contadas 200 células espermáticas e as que apresentavam fita de DNA integra, mostravam halo médio ou grande, consideradas normais e com DNA fragmentado, halo periférico pequeno ou ausente. Considerou-se grupo 1, espermatozóides com DNA fragmentado entre 0-29% e grupo 2, amostras com >30% de dano no DNA. Parâmetros seminais avaliados foram volume do ejaculado, pH, concentração/mL, mobilidade total e morfologia segundo parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). Para análises estatísticas foram utilizados os testes t-Student e Mann-Whitney quando apropriados a um nível de significância p<0.05. RESULTADOS: Idade média, volume do ejaculado, pH, concentração/mL, mobilidade total e morfologia espermática não foram estatisticamente diferente entre os grupos (p=0.31; p=0.63; p=0.87; p=0.16; p=0.41; p=0.28), respectivamente (Tabela 1). CONCLUSÕES: O grau de fragmentação de DNA reflete a integridade do material genético dos gametas, porém nossos resultados não mostraram associação com os parâmetros seminais avaliados.
Crepaldi, A.C.F.1; Rodrigues, R.J.M.1; Gonçalves, S.P.1; Gomes, M.N.1; Gomes, A.P.1; Gomes, F.G.1; Monteleone, P.A.A.1
1Centro de Reprodução Humana Monteleone;
INTRODUÇÃO: Com as melhorias das técnicas de criobiologia na Reprodução Assistida, em especial com o desenvolvimento da técnica de vitrificação, tornou-se possível a criopreservação de oócitos, pré-embriões em estágio de clivagem e blastocistos. Desta maneira, podemos utilizar um número limitado de oócitos em um ciclo fresco e criopreservar oócitos e pré-embriões excedentes. Todo este esforço propicia uma redução no número de embriões transferidos, diminuição nas taxas de gravidez múltiplas e aumento nas taxas de gestação cumulativa. DESCRIÇÃO DO CASO: Paciente de 34 anos com infertilidade primária há 1 ano por fator masculino foi submetida a ciclo de fertilização “in vitro” com ICSI em Outubro de 2010. Foram aspirados 10 oócitos, sendo 7 em estágio M2 e 3 em estágio de vesícula germinativa. Dos óvulos maduros, 4 foram submetidos a ICSI. Os óvulos excedentes (3 M2 e 3 VGs maturados in vitro a M2) foram criopreservados. Após 5 dias de cultivo embrionário, foram transferidos dois blastocistos. O teste de gravidez resultou positivo (58 UI/mL), entretanto, não foi visualizado saco gestacional á ultrassonografia, resultando em abortamento bioquímico. Em Fevereiro de 2011, os 6 oócitos criopreservados foram submetidos a desvitrificação, com 100% de sobrevida, e consequentemente submetidos a ICSI. Após 120 horas de cultivo, foram transferidos 4 embriões, dois blastocistos provenientes dos oócitos maturados “in vitro” e dois blastocistos jovens provenientes dos oócitos previamente maduros. Os dois embriões excedentes foram vitrificados, um blastocisto jovem e outro em estágio de mórula cavitando. O teste de gravidez resultou negativo. Em Maio de 2011, a paciente retornou para a transferência dos blastocistos excedentes criopreservados. Neste ciclo, os 2 blastocistos foram desvitrificados e transferidos. O teste de gravidez resultou positivo ( 197mUI/ml) 9 dias após a transferência. Com 6 semanas, evidenciou-se a presença de dois sacos gestacionais tópicos com batimento cardíaco embrionário presentes. Atualmente a paciente encontra-se em seguimento prénatal com 12 semanas de gestação gemelar dicoriônica. CONCLUSÃO: As novas técnicas de criopreservação de gametas e embriões permitem uma redução do número de óvulos manipulados, com controle da quantidade de embriões formados, com menos embriões excedentes e com potencial benefício para redução nas taxas de gestação múltipla.
Cuzzi, J.F.1; Vulcani-Freitas, T.M.2; Motta, P.C.R.2; Harutunian, A.3; Hughes, M.3; Hassun, P.A.2;
1Grenesis Genetics Brasil; 2GENESIS GENETICS BRASIL;
3Genesis Genetics Institute
OBJETIVO: Indivíduos portadores de translocação cromossômica apresentam maior risc o de infertilidade, perdas gestacionais recorrentes ou de gerarem uma criança portadora de uma alteração cromossômica (aneuploidia). As translocações intereferem no processo meiótico, reduzindo as chances do paciente portador de produzir gametas normais (4/16 nas translocações robertsonianas e 4/32 nas translocações equilibradas). O diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) com o uso de sondas específicas tem sido amplamente indicado para estes casais, no entanto, muitos estudos tem sugerido que a presença da translocação pode causar não apenas aneuploidias dos cromossomos diretamente envolvidos na translocação, mas também interferir na divisão meiótica como um todo, resultando na formação de gametas alterados para quaisquer cromossomos. Este fenômeno é chamado de efeito interchromosomal. O objetivo deste estudo foi aplicar a técnica de Hibridação Genômica Comparativa (CGH-array) para a realização do PGD em embriões gerados in vitro por casais portadores de translocação. MATERIAL E MÉTODOS: Foram analisados 36 embriões gerados por 4 casais em que a esposa era portadora de translocação recíproca equilibrada. A idade materna variou de 29 a 37 anos. Os embriões foram biopsiados no terceiro dia do desenvolvimento e o blastômero removido foi submetido à técnica de CGH-array para a análise de todos os cromossomos. RESULTADOS: Todos os embriões biopsiados apresentaram resultado de CGH. Apenas 5 embriões foram diagnosticados como normais para todos os cromossomos, sendo que 50% dos embriões alterados apresentavam aneuploidias de cromossomos não envolvidos na translocação. Dez embriões (27,7%) teriam sido considerados normais e, consequentemente transferidos, se o PGD fosse realizado por meio de sondas específicas. As 2 pacientes com embriões normais engravidaram. CONCLUSÕES: Este trabalho sugere que a técnica de CGH-array é uma metodologia valiosa no PGD de casais portadores de translocação tanto por não apresentar os aterfatos técnicos pernimentes a fixação do blastômero, quanto por ser capaz de detectar alterações de todos os cromossomos, inlusive as deleções e duplicações cromossômicas parciais.
Scaranari, C.A.1; Reis, R.M.1; Martins, W.P.1;
1FMRP-USP
CONTExTO: A alteração funcional das tubas uterinas é uma das mais freqüentes causas de infertilidade, presente em aproximadamente 25% dos casais inférteis. Das alterações tubáreas, a mais facilmente identificável pela ultrassonografia é a hidrossalpinge, que é freqüentemente uma conseqüência de infecções tubáreas, comumente por clamídia. Relatamos aqui um caso de hidrossalpinge que se desenvolveu durante a estimulação ovariana. O crescimento de hidrossalpinge neste período, apesar de raro, já foi relatado previamente, mas no presente caso, a utilização de ultrassonografia tridimensional, e do software Sono- AVC, facilitou o diagnóstico. Este relato de caso não foi submetido à avaliação do comitê de ética, uma vez que não fazia parte de um projeto de pesquisa, porém houve consentimento para relatar do caso. RELATO DE CASO: Mulher com 40 anos, nuligesta, acompanhada em nosso serviço por infertilidade primária (marido com vasectomia prévia), tendo sido diagnosticada baixa reserva ovariana: FSH = 16UI/mL e contagem de folículos antrais (CFA) = 4. Como antecedente a mesma havia sido submetida a 4 ciclos de reprodução assistida sem sucesso. Na avaliação inicial, antes da estimulação ovariana foram identificados 4 folículos antrais (2 em cada ovário) sem nenhuma outra alteração e iniciada indução da ovulação com FSHr 150UI/dia associado à hMG 150UI/dia, sendo que o bloqueio seria realizado com antagonista. Nas avaliações ultrassonográficas subseqüentes, durante a indução da ovulação, foi observado o aparecimento e crescimento de imagens com conteúdo anecóico e contornos discretamente irregulares que se confundiam com folículos em desenvolvimento nos dois ovários. No décimo dia da indução da ovulação, o uso do SonoAVC permitiu a avaliação tridimensional dessa estrutura, reforçando a impressão diagnóstica de se tratar de hidrossalpinges, evitando erros na prescrição tanto do antagonista quanto do hCG para indução final da ovulação e a captação de óvulos, uma vez que as maiores estrutura anecóicas dos ovários eram as hidrossalpinges. O sonoAVC permitiu também o diagnóstico de apenas 1 folículo em cada ovário maior que (16mm cada). A dosagem de estradiol de 334 realizada nesse mesmo dia corroborava com o diagnóstico realizado com auxílio do sono AVC de apenas 2 folículos. Após a indução final com hCG recombinante, foi aspirado um oócito MII que foi vitrificado, pois seria necessário procedimento invasivo para obtenção de espermatozóides.
Ferreira, F.P.1; Bueno, M.B.1; Maia Filho, V.O.A.1; Lopes, L.1; Serafini, P.C.1; Motta, E.L.A.1
1Huntington Medicina Reprodutiva
OBJETIVO: Verificar prospectivamente se a injúria local ao endométrio na fase lútea média, janela de implantação, do ciclo menstrual anterior à FIV, elevaria a chance da gestação. MÉTODOS: Pacientes com indicação para FIV, previamente informados, assinaram termo de consentimento aprovado por CEP e alocados dois grupos: Grupo Biópsia (GB), caso tivessem sido submetidos ä biópsia endometrial (BE) com cateter Pipelle durante a fase lútea média no ciclo menstrual anterior; ou grupo controle (GC), caso fossem submetidos FIV sem a BE. Foram comparados os dados relativos à estimulação ovariana, número e maturação oocitária, qualidade e transferência embrionária e dados de gestação. Os testes de Mann-Whitney e t de Student foram utilizados para dados não-paramétricos e paramétricos, respectivamente. Taxas de gestação foram analisadas através do Teste Z para duas proporções e regressão logística. RESULTADOS: 98 pacientes (idade=33±3 anos) foram incluídos no GC e 49 pacientes (33±4anos) submetidos a biópsia endometrial prévia. Níveis semelhantes de FSH basal foram encontrados entre GC e GB (2,0 e 1,6 UI/mL;p=0,2). Da mesma forma, não foram encontradas diferenças entre os grupos em relação a dose total de gonadotrofina (GC=1800 [900-3600]UI e GB=1800 [600-3000]UI; p=0,28), ao número de oócitos recuperados (GC=10; 02-29 oócitos, GB=11; 02-30 oócitos,p=0,39), as taxas de fertilização (GC=79,8±14,2, GB=82,7±15,5, p=0,24), ao número de blastômeros em D3 (GC=7±1, GB=8±1, p=0,21), ao grau de fragmentação (GC=1.4±0.5, GB=1.4±0.7, p=0,85), ao número de embriões > 6 células em D3 (GC=2±1,GB=2±1,p=0,7) e ao número de embriões transferidos (GC=2±1,GB=2±1,p=0,86). No entanto, as taxas de implantação foram maiores no GB quando comparadas ao GC (GB=37,6% e GC=24,56%; p=0<0,05); bem como as taxas de gestação (GB 63.2%; GC 43.8%,p=0.02). Além disto, as pacientes do GB apresentaram chances 2,2 vezes maiores de gestação quando comparados as pacientes do GC (odds ratio:2,2; 95% IC=1,09-4,46, p=0,02).
CONCLUSÃO: O estudo revela que mulheres submetidas à biopsia endometrial, na janela de implantação do ciclo anterior à FIV, apresentaram maiores chances de gestação se comparadas ao grupo controle. As razões para estes resultados ainda não são conhecidas; no entanto, a injúria local e conseqüente processo de cicatrização poderiam aumentar a expressão de citocinas locais, relevantes no mecanismo de implantação. Contudo, estudos complementares são necessários.
Araujo, E.A.1; Araujo, E.A.1; Araujo, E.A.1; Araujo, E.A.1; Araujo, E.A.1
1Centro de Reprodução Humana de São José do Rio Preto
OBJETIVO: Esse trabalho visa avaliar as duas técnicas mais consagradas de preparo de sêmen para IIU (isolate e swim up) dando ênfase à super morfologia e analisando se o preparo seminal aumenta ou diminui a taxa de vacuolização dos espermatozóides nas duas técnicas em questão. MÉTODO: Esse é um estudo prospectivo de 180 amostras seminais submetidas a preparo para IIU pelas técnicas de Swim Up e Isolate de abril de 2009 a dezembro de 2010. Todas as amostras seminais eram normais segundo os critérios da OMS. Uma alíquota de 20 mcl de cada amostra seminal foi analisada pré e pós preparo (isolate ou swim up ). A amostra seminal foi avaliada no PVP a 10% com aumento de 8500X e 200 espermatozóides avaliados. Nosso critério para super morfologia foi: A) % (total) de espermatozóides com vacúolos no citoplasma; A1) % de espermatozóides com vacúolos gdes (> 50% do citoplasma do espermatozóide); A2) vacúolopeq. ( < com que do abstinência sem menor foi multi-vacúolos e vacúolos grandes espermatozóides de (%) A citoplasmáticos. a diminuir ajudaram RA para utilizados mais seminais preparos Os CONCLUSÕES: ; 0.008 significante( gdes % à quanto dia 2º o IIU 1º pré sêmen entre comparação novamente. colhiam eles quando após hs 24 coleta primeiro no indivíduo mesmo pré-preparo morfologia super comparamos dupla, onde amostras 80 Em . (p=”0.000002)” múlti ocorreu O preparo pós estatisticamente Isolate grupo total peqs avaliamos preparo. UP Swim ISOLATE. por preparadas 130 SWIMUPe realizado cujo 50 RESULTADOS: p
Sasaki, R.S.A.1; Freire, M.C.M.2; Silva, T.M.2; Arruda, J.T.3
1UFG/NESC; 2UFG; 3UFG/CAPES
OBJETIVOS: avaliar os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar - PeNSE, 2009, com estudantes de 13 a 19 anos, estudantes do 9. ano escolar em relação aos dados de presença de relação sexual nas escolas públicas e privadas, na cidade de Goiânia-GO. METODOLOGIA: estudo transversal (PeNSE) em 2009 com recorte na cidade de Goiânia-GO, avaliando as razões proporcionais do fator: ter tido alguma relação sexual, tanto nas escolas públicas quanto privadas. RESULTADOS: Com base nos dados correspondentes a Goiânia observamos que 42,1% dos estudantes do sexo masculino referiram ter tido relação sexual pelo menos uma vez na vida, enquanto que somente 17,8% das do sexo feminino referiram ter tido relação sexual. Estes dados demonstram uma predominância do início da relação sexual entre os estudantes do sexo masculino na série estudada. Quanto à dependência administrativa da escola, se pública ou particular, observamos que a porcentagem dos estudantes de ambos os sexos que tiveram relação sexual foi maior naqueles que estudavam em escolas públicas (32,90%) do que naqueles que estudavam em escola privada (22.2%). CONCLUSÕES: os estudantes do sexo masculino apresentaram maior proporção de relação sexual que as do sexo feminino e os estudantes de escolas públicas apresentaram maior proporção de relação sexual que os de escola privada. Com base nos resultados, sugerimos políticas direcionadas á orientação à saúde focadas nos estudantes de sexo masculino em relação à iniciação sexual e, principalmente aqueles estudantes em escolas públicas.
Borges, A.S.A.1; Costa, A.L.E.1; Pinheiro, R.C.1; Sousa, M.A.1; Borges, M.L.S.A.1
1FERTVIDA - REPRODUÇÃO E GENÉTICA HUMANA
INTRODUÇÃO: Dor pélvica crônica (DPC) é uma condição debilitante que causa impacto na vida de mulheres e serviços de saúde no mundo, gerando gastos substanciais. Nos EUA estima-se uma prevalência da DPC em torno de 14,7%, enquanto no Reino Unido este valor é de 24%, contudo não existe um dado exato de sua prevalência na população em geral. Muitas são as patologias ligadas à DPC, uma das mais incomuns é a presença de material ossificado intrauterino. Em 80% dos casos a presença de material ósseo intrauterino surge após casos de gravidez não havendo consenso de sua etiologia, surgindo por uma metaplasia óssea ou mais raramente pela retenção intrauterina de osso fetal. Somente cerca de 80 casos retenção óssea fetal são descritos na literatura mundial. A associação de DPC, infertilidade secundária e retenção óssea fetal é uma condição rara. Neste estudo relatamos um caso de uma paciente submetida à curetagem uterina por aborto cursando com DPC e infertilidade por 01 ano e 04 meses até diagnóstico de retenção intrauterina de osso fetal sendo submetida a tratamento de sucesso por via histeroscópica. Descrição do caso: Paciente 31 anos procura nosso serviço de RA com histórico de infertilidade secundária e DPC. Relatou abortamento espontâneo, no curso da 14ª semana de gestação há 02 anos, sendo submetida à curetagem uterina na cidade de Porto-Portugal. Após 08 meses do procedimento suspendeu uso de contraceptivo, evoluindo com DPC e dismenorréia. US transvaginal evidenciou material linear ecogênico com sombra posterior sugestivo de “corpo estranho intracavitário”. A histeroscopia diagnóstica revelou um corpo estranho semelhante a fragmento ósseo medindo 1,0 cm fixo em parede posterior. A histeroscopia cirúrgica foi realizada e o fragmento ósseo foi identificado e removido do endométrio. A histologia revelou: Trabéculas ósseas maduras-Fragmento de osso maduro. Dois meses após cessou-se os sintomas de DPC e quatro meses após o tratamento houve gravidez espontânea. Comentários: Usualmente define-se a DPC baseando-se na duração e na natureza da dor sendo 03 tipos: Dismenorréia, dispareunia profunda e dor pélvica não cíclica. O material ósseo fetal causa irritação endometrial com aumento dos níveis de prostaglandinas resultando assim em DPC. Da mesma forma a presença física do material é responsável pela infertilidade atuando como um DIU. A histeroscopia permitiu o diagnóstico e a ressecção cirúrgica levou à remissão dos sintomas álgicos e retorno da fertilidade.
Link, C.A.1; Pozzer. M.A.1; Sartori, N.C.1; Peruzzato, F.S.1
1CENTRO DE FERTILIDADE E REPRODUÇÃO ASSISTIDA PROGEST
OBJETIVO: O objetivo do trabalho foi analisar a qualidade embrionária e conseqüentemente os resultados de gestação em pacientes que receberam hormônio de crescimento (HC) durante a estimulação ovariana. MÉTODOS: Foram estudados 38 ciclos de ICSI de 19 mulheres, as quais tiveram uma má qualidade embrionária no ciclo anterior, sendo que nenhuma engravidou. A seguir, estas 19 pacientes receberam HC em doses estabelecidas na literatura, junto com FSH e HMG. Cada paciente foi seu próprio controle. Ciclos com HC ocorreram entre março/2010 a maio/2011. As transferências ocorreram no 3º ou 5° dia, um ou dois embriões por paciente, quando a qualidade embrionária foi registrada, conforme critérios clássicos. A taxa de gravidez em ciclos com HC foi comparada com a taxa em ciclos sem HC através do teste exato de Fisher, com nível de significância p<0,05, utilizando-se o programa WinPepi 11.10. RESULTADOS: A média de idade entre as pacientes foi de 38,5 nos ciclos onde não receberam HC, e 39 quando receberam o HC. As causas de infertilidade foram: endometriose (n=4), má respondedora (n= 4), fator tubário (n=8) e fator masculino (n=3). O número de oócitos em MII, zigotos e embriões para transferência, foi semelhante para ciclos sem e com HC de cada paciente. Entretanto, nos ciclos com HC a qualidade dos embriões no dia da transferência foi superior, especialmente no numero de blastômeros. Nos ciclos com HC, todas as pacientes receberam pelo menos um embrião de 7-8 células, grau 1 no 3º dia e, no 5º dia, blastocistos expandidos. No ciclo anterior, as mesmas pacientes haviam recebido embriões de 6 a 8 células, de grau 2 ou 3, no 3º dia, e as transferências de blastocistos envolveram blastocistos iniciais. Nos ciclos onde foi empregado o uso de HC, 8 das 19 pacientes ficaram grávidas, o que corresponde a uma taxa de 42% de gravidez. Este resultado mostra-se estatisticamente significativo em relação à taxa de gravidez nos ciclos sem utilização de HC (0%), com p=0,003. Destas 8 pacientes, quatro gestações já chegaram a termo, sendo duas gemelares, três pacientes abortaram, e uma está em andamento. CONCLUSÃO: Estes resultados sugerem que o emprego do HC durante a estimulação ovariana em pacientes com baixa qualidade embrionária potencializa suas chances de gestação, por uma melhora no desenvolvimento e qualidade embrionária, ou ainda atuando na receptividade deste embrião no útero. Este efeito parece ser independente da etiologia da infertilidade.
Silva, B.M.1; Macedo, Y.A.1; Sousa, V.E.T.1; Correa, F.J.S.1; Barbosa, A.H.1; Rulli-Costa, R.1
1CEPRA/HRAS-DF
OBJETIVO: Avaliar a influência da aspiração do muco cervical pós-captação oocitária na taxa de gestação em ciclos de fertilização in vitro convencional (FIV) e com injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI) seguidos de transferência embrionária (TE). MÉTODOS: Foram avaliados 37 ciclos de FIV/ICSI/TE com aspiração de muco cervical imediatamente após a captação (Grupo A) e 61 ciclos sem aspiração do muco (Grupo B) realizados entre 2009 e 2011 no Centro de Ensino e Pesquisa em Reprodução Assistida do Hospital Regional da Asa Sul (CEPRA/ HRAS), Brasília-DF. A média de idade das pacientes avaliadas no grupo A é 34,6 ± 4,16 e no grupo B é 34,91 ±4,27 anos. Em todos os ciclos, até três embriões Grau I ou Grau II no 2º ou 3º dia de desenvolvimento foram transferidos. No grupo A, a aspiração do muco cervical foi feita por meio da inserção do conector luer lock de seringa de 20ml no canal cervical imediatamente após a captação oocitária. No dia da TE, os grupos A e B, receberam igual assepsia no canal cervical com gaze, jato de meio de cultivo embrionário e swab no orifício externo. RESULTADOS: A taxa de gestação do grupo A foi de 27,0% e do grupo B foi de 32,7%. A ausência de dados na literatura sobre este procedimento, e os escassos estudos envolvendo aspiração do muco cervical no dia da TE também não constataram influência do procedimento avaliado na taxa de sucesso de ciclos de FIV/ICSI. CONCLUSÕES: A taxa de gestação não variou significativamente entre os dois grupos estudados. A taxa de sucesso parece não ser influenciada pela aspiração de muco cervical após captação de oócitos. No entanto, pesquisas adicionais com uma casuística maior serão necessárias para melhor elucidar esta relação.
Cavalcanti, MAT1; Machulis, FM2; Fracasso, Adriana3; Mateus, P4
1Clínica Reprodução Dr. Marco Cavalcanti; 2Clínica Reprodução Dr. MArco Cavalcanti; 3Clínica Nascer; 4Clínica Gerar
INTRODUÇÃO: Em 1978, o primeiro bebê de proveta, enquanto óvulo, viajou 200 milhas na Inglaterra. Muitos casais ficam à margem de tratamentos devido ao custo ou por não conseguir migrar para grandes centros. Montar um centro de reprodução humana é inviável para a maioria dos profissionais. Um centro de referência poderia dar suporte a outros de coleta com estrutura mínima nas próprias cidades. Quanto maior o número de técnicas realizadas, mais barato ficará. O embrião humano é sensível à variação de temperatura e pH. Seu transporte a fresco possui custo elevado pela necessidade de uma incubadora CO2 portátil, além de riscos inerentes ao seu desenvolvimento, sendo preferível congelar em nitrogênio, o que agrega mais custo e diminui o potencial do embrião. Acredita-se que o transporte de óvulo a fresco também exige uma incubadora CO2 portátil. Este trabalho teve como objetivo apresentar os primeiros resultados de bebes concebidos através do transporte de óvulos entre longas distâncias utilizando uma ferramenta de baixo custo. MÉTODOS: Foram realizadas 2 simulações em incubadora adaptada (caixa de isopor e placas de gel preaquecidas). As temperaturas interna e externa foram auferidas a cada 1hr durante 5 e 9 hr. 4 pacientes foram submetidas à estimulação ovariana e quando um ou mais folículos atingiram diâmetro médio igual ou superior a 17mm foi aplicado HCG 5.000 UI. Após 35h e meia (±0,5) foi realizada aspiração. 2h (±0,5) pós aspiração os óvulos foram transportados em de meio HTF HEPES e 10% SSS. Foram anotadas a hora e temperatura de saída e chegada. ICSI foi realizada após média de 9hr (±1). Embriões foram cultivados até blastocisto e transferidos com cateter Sidney. RESULTADO: Nas simulações, tomando como temperatura inicial interna 38,5ºC, atingiuse um índice padrão de 37,5 ºC, chegando a 35,2ºC após cinco a seis horas. Quanto aos transportes de óvulos, a viagem teve duração de 5h (±0,5), e a temperatura interna média de chegada foi 36,5ºC (±0,5). A taxa de gestação foi de 75%. CONCLUSÃO: Em uma incubadora adaptada, transportar óvulos em meio tamponado é seguro e possui baixo custo. A permanência em meio tamponado, por até 6h, com variação da temperatura entre 38,5 e 35,2ºC, não impactou negativamente na qualidade oocitária, fertilização e desenvolvimento embrionário até blastocisto. Tal como a denudação e ICSI após 9 a 11h da coleta; A técnica gera a possibilidade de aumentar o acesso e diminuir o déficit de atendimentos em reprodução assistida.
Cortes L.S.1; Cabral I.O.1; Nakagava H.M.1; Carvalho B.R.1; Barbosa A.C.P.1; Silva A.A.1;
1GENESIS - Centro de Assistência em Reprodução Humana, Brasília, Distrito Federal
OBJETIVOS: Descrever a incidência de anomalias congênitas em crianças concebidas por fertilização in vitro (FIV), com ou sem injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI). MÉTODOS: Analisaram-se retrospectivamente 592 nascidos vivos concebidos por FIV/ICSI realizadas no GENESIS - Centro de Assistência em Reprodução Humana, entre julho de 1995 e dezembro de 2009. RESULTADOS: Foram identificados casos únicos (incidência de 0,17%) para as seguintes anomalias: hipospádia, hemi-vértebra, agenesia renal unilateral, hérnia inguinal, meningomielocele, ausência congênita da mão e hérnia de disco. A trissomia do cromossomo 21 foi identificada em três casos (0,51%) e três casos (0,51%) apresentavam múltiplas anomalias, tendo sido classificados como portadores de síndromes não identificadas. Houve três casos (0,51%) de cardiopatia funcional. CONCLUSÕES: Não está claro que o uso de técnica de Reprodução Assistida aumenta o risco de aparecimento de malformações e nem como ocorre o seu aparecimento. Sabe-se que a prevalência de malformações congênitas não parece estar aumentada em crianças concebidas por ICSI, mas os casais que submeter-se-ão a essas técnicas devem ser informados do potencial risco e benefícios.
Arruda, J.T.1; Approbato, M.A.2; Silva, T.M.2; Maia, M.C.S.2; Florencio, R.S.2
1UFG/CAPES; 2UFG
OBJETIVOS: o número de procedimentos para reprodução assistida realizados pela mesma equipe deve ser observado para boas práticas do laboratório. Assim, avaliou-se a taxa de fertilização para os dias com 1 ou mais procedimentos realizados no mesmo dia. MÉTO- DOS: verificaram-se os ciclos de FIV/ICSI realizados no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010. Os procedimentos foram divididos nos grupos: G1- único procedimento, G2- dois procedimentos e G3- três ou mais procedimentos realizados no mesmo dia. Para taxa de fertilização as amostras foram divididas ≤70% e ≥71%. RESULTADOS: os grupos são homogêneos para média de idade e número de oócitos coletados. Os grupos foram caracterizados em: G1- 75 (51%), G2- 60 (40,8%) e G3-12 (8,2%) procedimentos. Em 2009 foram observados 78 procedimentos de FIV/ICSI, sendo G1-41 (67,2%), G2- 19 (31,1%) e G3- 1 (1,7%). Em 2010 foram 63 procedimentos; destes no G1-34 (70,8%), G2-11 (22,9%) e G3- 3 (6,3%). A taxa de fertilização ≥71% foi de 41,7%, 32,7% e 25,6% para G1, G2, e G3 respectivamente, não havendo diferenças significativas (p=0,0524), mas sugerindo uma tendência ao decréscimo da taxa nos dias em que houve mais procedimentos realizados. Conclusões: As condições laboratoriais para a produção de embriões in vitro devem seguir requisitos básicos de segurança para manter as características necessárias para esterilidade do campo de trabalho, manutenção da temperatura dos equipamentos e tempo exato para realização dos procedimentos. O número de procedimentos realizados por dia pela mesma equipe pode influenciar na taxa de fertilização.
Antunes, R.A.1; Souza, M.C.B.1; Mancebo, A.C.A.1; Areas, P.C.F.1; Souza, M.M.1; Henriques, C.A.1
1G&O GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA DA BARRA
INTRODUÇÃO: O aumento da sobrevida em pacientes oncológicos em idade reprodutiva leva à discussão dos métodos para preservação da fertilidade. Os mais empregados utilizam um estímulo controlado para congelamento de embriões e/ou oócitos. Nos protocolos tradicionais o estímulo ovariano se inicia no D2 do ciclo menstrual, podendo determinar atraso de até 50 dias para o início de quimio ou radioterapia. Este caso mostra protocolo alternativo que possibilita estímulo ovariano a partir de qualquer fase do ciclo menstrual com resposta adequada de oócitos captados. CASO CLÍNICO: Paciente de 32 anos submetida em 27/04/11 a quadrantectomia de mama direita, com laudo histopatológico de Carcinoma Ductal Infiltrante grau 2 sem invasão vascular, receptores positivos para estrogênio, progesterona e HER-2 e biópsia do linfonodo sentinela negativa. A paciente procurou nosso centro em 17/05/11, referindo ser casada há 16 anos, sem filhos. Menarca aos 10 anos, ciclos regulares e última menstruação em 11/05/11. Antecedente de TVP após escleroterapia para varizes de MMII há 10 anos. Exame físico com hirsutismo moderado e IMC 26,44. Sorologias e exames laboratoriais normais. USTV na primeira consulta detectou endométrio 6,5 mm e ovários micropolicísticos (OD 29 folículos OE 30 folículos todos < 6 mm). Iniciou estímulo em 18/05/11, no D7 do ciclo, com 150UI de rFSH + 75UI de HMG + 40mg Tamoxifeno diários. Dosagens hormonais no D0: FSH 5,0; E2 121; LH 12,6; progesterona 541. Em 23/05/11 iniciou 0,25mg⁄dia de antagonista e repetiu dosagens no D6 de estímulo (FSH 16; E2 2611; LH 12,2; progesterona 2210). No D8 desencadeou a ovulação com rhCG 250 µg (dosagens hormonais: FSH 7,1; E2 8016; LH 1,2; progesterona 20480). Na punção ovariana em 35h resultaram 12 oócitos (7MII /2MI/ 3VG) e o casal optou por congelar embriões, (vitrificados 8 embriões, no D3 póscaptação). A paciente evoluiu com síndrome de hiperestímulo moderada e tromboflebite superficial em veia basílica D, controladas ambulatorialmente. Iniciou a QT em 10/06/2011. COMENTÁRIOS: O protocolo iniciado em qualquer momento do ciclo é eficaz na produção de oócitos MII e embriões. As complicações no caso em questão possivelmente ocorreriam mesmo nos protocolos tradicionais, pois havia fatores de risco importantes para SHO e tromboses. A ressaltar que o protocolo permitiu o inicio da QT em 22 dias, enquanto protocolos tradicionais levariam mais que o dobro do tempo para dar continuidade ao tratamento oncológico.
Telles de Souza, I.D.1; Telles, A.P.P.1; Nascimento, V.C.P.S.1; Freitas, D.P.1; Abud, P.D.N.1; Araujo, A.A.S.2;
1Fertilità Medicina Reprodutiva; 2Universidade Federal de Sergipe
OBJETIVO: Determinar se fatores psicológicos como estresse e a ansiedade, que são muito frequentes durante tratamentos reprodutivos, podem alterar de forma significativa parâmetros do TPS. MÉTODOS: Estudo de caso-controle, realizado de setembro de 2010 a março de 2011, que analisa e compara parâmentros do TPS de 78 pacientes submetidos a ICSI (grupo1) com os do TPS realizado na investigação (grupo 2). RESULTADOS: O grupo 1 e o grupo 2 apresentatam concentracões (em milhões) semelhantes quanto a total de espermatozóides: 63,5 x 54,8(p=0,15); quanto aos espermatozóides tipo A: 2,2 x 2,0 (p= 0,67); C: 5,8 x 6,3 (p=0,16) e D: 15,7 x 17,1 (p=0,81). Houve aumento significativo da concentração de espermatozóides do tipo B no grupo 1: 39,9 x 29,1 (p=0,038). CONCLUSÃO: O fator psicológico parece não interferir na maioria dos parâmetros do TPS, podendo levar até a aumentar alguns parâmentros. Há a necessidade de controlar algumas varíaveis como uso de anti-oxidantes e melhora da qualidade de vida para confirmar tais achados.
Ribeiro, K.1; Cerqueira, M.1; Cerqueira, G.1; Perez, V.1
1CLINIFERT
INTRODUÇÃO: Um dos grandes desafios em fertilização in vitro é a identificação de embriões com alto potencial de implantação, para se conseguir altas taxas de gestação sem aumentar as de gestação múltipla.. A clivagem precoce parece ser um parâmetro de fácil aplicação e efetivo na seleção embrionária. OBJETIVOS: Avaliar o potencial de desenvolvimento dos embriões com clivagem precoce e o seu impacto nas taxas de gestação. MÉTODOS: Estudo retrospectivo realizado entre janeiro de 2007 a dezembro 2010, incluiu 262 ciclos de ICSI com total de 1215 embriões que foram analisados quanto à clivagem precoce 25-27hs pós-inseminação e desenvolvimento de embriões de excelente qualidade (TOP) em D3. 111 ciclos formaram o grupo clivagem precoce (EC) e 151 ciclos o grupo controle (NEC). O critério de inclusão do grupo EC foi transferência de pelo menos um embrião com clivagem precoce. O NEC foi composto por ciclos em que não houve nenhum embrião clivado precocemente. Foram utilizados testes t Student e X2 com correção de Yates para comparar as diferenças estatísticas entre os grupos. RESULTADO: A clivagem precoce ocorreu em 21,5% (262/1215) dos embriões estudados. Observou-se uma taxa maior de embriões de excelente qualidade no D3 dentre os que tiveram clivagem precoce quando comparados aos que não tiveram (67,9% vs 37.05%). No grupo EC houve uma proporção significativamente maior na taxa de gravidez clinica comparada com o grupo NEC (42,34% vs 29,14%, P<0,02). A transferência de apenas um embrião com clivagem precoce resultou em 35% de gravidez clínica, com baixa taxa de gestação múltipla (4.8%). Não houve diferenças entre os grupos quanto à idade das pacientes, taxa de fertilização, número de embriões transferidos e taxa de implantação. CONCLUSÃO: Clivagem precoce pode ser considerada um efetivo indicador de qualidade embrionária e constituir um critério adicional na seleção embrionária com a finalidade de aumentar a taxa de gravidez e reduzir a taxa de gravidez múltipla.
Telles de Souza, I.D.1; Telles, A.P.P.1; Nascimento, V.C.P.S.1; Freitas, D.P.1; Abud, P.D.N.1; Araujo, A.A.S.2
1Fertilità Medicina Reprodutiva; 2Universidade Federal de Sergipe
OBJETIVO: Correlacionar, em uma clínica de reprodução humana de Sergipe, varicocele com alterações seminais: hipospermia, oligospermia severa, astenozoospermia e teratozoospermia. MÉTODOS: Estudo tipo caso-controle, por meio da análise de questionário respondido por 263 homens de casais inférteis que se submeteram ao espermograma e relataram histórico de varicocele ou varicocelectomia. RESULTADOS: Na população estudada, foi significante a ocorrência de varicocele nas seguintes alterações seminais: Oligospermia severa 17,39% (p=0,0043), Astenozoospermia 36,11% (p=0,0021), Teratozoospermia 26,61% (p=0,0019), quando comparado a todos os outros dados abordados no questionário (idade, IMC, uso de medicamentos, tabaco, alcool, drogas, esteróides, DST`s, caxumba, exposição a raio-x, agrotóxicos, pesticidas, elevadas temperaturas, roupas apertadas, exercícios físicos, padrão alimentar, disfunções sexuais). CONCLUSÃO: Desta maneira, varicocele é a principal causa de alterações seminais significativa em homens de casais inférteis que se submeteram ao espermograma, em uma clínica de reprodução humana de Sergipe. Varicocele não se relaciona com hipospermia, nesta população.
Cerqueira, G.1; Cerqueira, C.2; Cerqueira, M.1; Ribeiro, K.1
1CLINIFERT; 2UFPR
OBJETIVO: Revisão bibliográfica para avaliar as evidências dos efeitos da acupuntura auricular (AA) em reprodução asssistida (RA). MÉTODO: revisão de literatura quanto aos efeitos da AA em RA. REVISÃO DOS EfEITOS: A estimulação por AA de pontos específicos-Shen Men, Simpático, Tálamo, Endócrino promove elevações de beta-endorfina e meta-encefalinas (OLESON, 2002), produção de 17-hidrocorticosterona, monoaminoxidade, secreções do lobo posterior da hipófise e catecolaminas, que confirmam benefícios da AA às técnicas de RA. Um dos pontos mais referidos em AA para desordens do aparelho reprodutor feminino é o do útero. Usado com sucesso como também o ponto Shen Men em muitos protocolos de acupuntura para infertilidade, produzindo equilíbrio fisiológico. É usado em estresse, tensão, ansiedade, depressão, estados emocionais frequentes nas pacientes submetidas a RA (OLESON, 2002;NATA- RAJAN, 2004). Outro ponto auricular com benefícios é o autonômico ou simpático, que regula o sistema nervoso autonômico e promove a circulação sanguínea por produzir vasodilatação e aumentar o fluxo sanguíneo uterino, sendo usado antes e após transferência embrionária (BENSON,2006; SMITH,2006; DOMAR,2009). Também exercem função de neuro-modulação e endócrina os pontos Tálamo e Endócrino, representam a glândula hipófise, ativando-a e controlando liberações de hormônios de outras glândulas endócrinas. O ponto Tálamo representa conexões nervosas ao córtex cerebral, regulação hipotalâmica (DIETERLE, 2006). Estimulação elétrica à AA teve resultados positivos nas taxas gestacionais com a FIV (SATOR- KATZENSCHLAGER,2006). CONCLUSÃO: A Acupuntura auricular apresenta efeitos em reprodução assistida no SNC, Sistema Neurovegetativo e vias humorais. Em acupuntura há uma complexidade onde todas vias devem ser consideradas.
Valle, M.1; Cavagnoli, M.1; Alvarez, A.1; Teixeira, P.1; Sampaio, M.1; Geber, S.1
1ORIGEN
OBJETIVOS: Comparar os níveis de beta HCG após transferência de embriões à fresco e desvitrificados, considerando um mesmo intervalo de tempo entre a transferência e a data do teste de gravidez. MÉTODOS: Foram comparados dois grupos: pacientes para as quais foram transferidos embriões a fresco apos ciclo de fertilização in vitro com ICSI (grupo fresco); pacientes para as quais foram transferidos embriões desvitrificados após preparo endometrial com 2,5 mg de 17beta estradiol iniciado no segundo dia do ciclo (grupo vitri). A data do teste de gravidez foi marcada para 12 dias após a transferência de embriões em dia +2 e 11 dias após a transferência de embriões em dia +3. Para suporte de fase lútea iniciamos o uso de progesterona via vaginal no dia da punção dos óvulos (grupo fresco) e dois ou três dias antes da transferência dos embriões desvitrificados, respectivamente para aqueles transferidos no dia +2 ou +3. Todas as pacientes usaram o mesmo protocolo de indução e o mesmo suporte de fase lútea RESULTADOS: Um total de 202 pacientes que apresentaram beta hCG positivo foram incluídas no estudo. Em 30 casos não foram identificados saco gestacional ou batimento cardíaco, sendo considerados então abortamento ou gestação bioquímica. A diferença entre os grupos não foi significativa, no grupo fresco foram 14,1% e no grupo vitri, 18,8%. Analisamos comparativamente 146 gestações apos transferência de embriões a fresco e 26 após desvitrificação. A idade media no grupo fresco foi de 35,1 e no grupo vitri foi de 34,9 (p=0,8). O numero de embriões implantados foi semelhante em ambos os grupos (p=0,4). Quando comparamos os níveis de beta HCG encontrados em ambos os grupos, observamos uma diferença significativamente com níveis superiores no grupo vitri (263,6) comparados ao observado no grupo freso (156,2) (p<0.003). CONCLUSÕES: nosso resultados demonstram que embriões implantados após vitrificação/desvitrificação produzem níveis mais elevados de beta hCG do que embriões implantados em ciclo fresco.
Florencio, R.S.1; Rocha, J.P.1; Borges, M.R.1; Zanatta, L.1
1HUMANA medicina reprodutiva
OBJETIVO: Avaliar três faixas de dosagens séricas de gonadotrofina corionica(hCG) e sua relação com gravidez. Métodos. Estudamos três faixas de hCG, dosadas 7-8 dias pós inseminação artificial e que utilizaram esquema indutor sequencial(comifene+ gonadotrofina humana recombinante á partir do 6 dia do ciclo). As faixas foram constituidas: A- 74 pacientes com b.hCG igual ou < de 2 mui/ml; B- 34 pacientes com b.hCG > 2 mui/ml; C- 16 pacientes com dosagem maior 5 mui/ml. Identificamos o número de pacientes com gravidez 14 dias pós inseminação em cada grupo(dosagens de bhCG igual ou maior de 25 mui/ ml). Calculos estatisticos com significancia para p<0,05. Resultados. A média de bhCG em grávidas de não grávidas foi 4,36 versus 1,31 mui/ml,p=0,03. No grupo A, ocorreram 12 gravidezes(16,21%); grupo B, 17 gravidezes(50%) e no grupo C, 09 gravidezes(56,25%) com diferença significativa entre A e B/C, p=0.0027. CONCLUSÕES: Concentrações séricas de bhCG maiores de 2 mui/ml 7-8 dias pós inseminação artificial, têm alta chance de gravidez.
Dias, M.L.C.M.1; Cavalcante, M.B.1; Rocha, M.P.1; Rocha, M.G.1; Viana, I.G.R.1; Souza, D.O.A.1
1Centro de Reprodução Assistida do Ceará
OBJETIVOS: Avaliar a influência da idade das mulheres em relação à procura por clínicas de Reprodução Assistida, em busca de sucesso gestacional. METODOLOGIA: Estudo retrospectivo de pacientes mulheres indicadas ao procedimento de Reprodução Assistida e submetidas ao tratamento de fertilização in vitro na Clínica Conceptus, durante os anos de 1998 a 2008. As pacientes investigadas tinham idade variável de <25 a >37 anos. As pacientes foram divididas em 05 grupos de acordo com a idade: Grupo 1 (<25 anos), Grupo 2 (25 a 30 anos), Grupo 3 (31 a 34 anos), Grupo 4 (35 a 37 anos) e Grupo 5 com idade maior do que 37 anos. De acordo com a idade, foi avaliada a percentagem de pacientes que procuram a clínica de reprodução e taxa de sucesso gestacional. Durante 10 anos, observou-se um aumento da porcentagem de pacientes acima de 35 anos em procura de clínicas de reprodução assistida (Figura 1). Na figura 2, pode ser observado que houve um aumento no percentual de pacientes pertencentes aos grupos 4 e 5 para a procura em clínicas de reprodução. Esse aumento foi visível, porém não está associado a taxa de gestação pois na figura 3, pode ser observado que a taxa gestacional em todos os grupos de idade é de aproximadamente 43%, enquanto as pacientes com idade até 35 anos têm uma taxa de sucesso gestacional maior que 71%. CONCLUSÕES: É evidente que com o passar dos anos houve um aumento percentual de pacientes acima de 35 anos que procuraram uma clínica de reproduçăo, justificando-se devido ŕ estrutura sócio-econômica atual. Ressaltando-se que apesar de ter havido esse aumento, o sucesso de taxa gestacional ainda é influenciado pela idade feminina. Sendo evidenciado que há um melhor sucesso gestacional em pacientes com idade inferior a 35 anos.
Aranha, A.V.1 1UAÇ CUSC
A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida - SBRA (1996) é uma importante comunidade científica que atua na atualização técnico-científica de embriologistas e infertileutas em âmbito nacional e internacional e recentemente tem participado ativamente das tomadas de decisões no Brasil, como por exemplo, na normatização das Tecnologias Reprodutivas Assistidas - TRAs, emitida pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução nº 1.957/10). Com o intuito de verificar o envolvimento em trabalhos reflexivos dos pesquisadores que publicam seus artigos no Jornal Brasileiro de Reprodução Assistidos (JBRA), este trabalho levantou as publicações de artigos do período de 2005 a 2011 na revista em questão, pois este é o período que compreende desde a criação da Lei de Biossegurança até a ultima normatização do CFM. Foram analisadas a frequencia de reflexões Bioética e os principais temas abordados. Dos 195 artigos analisados, cerca de 15% abordavam de forma reflexiva temas polêmicos das TRAs. Destes, apenas 6% utilizavam o termo bioética e 8% o termo ética. 79% dos artigos eram classificados como de Opinião, 7% de Revisão, 7% de Relato de Caso e 7% de artigos originais. Alguns dos artigos abordavam mais de uma temática. Os temas mais abordados foram: Ciclos de Recepção de Oócitos (21%), Doação de Embriões, Normatização das TRAs (17%) e Importância na coleta/publicação de dados (14%). 10% dos artigos referiam-se à Transferência Eletiva de Embriões, Reprodução de Homossexuais, Gravidez Múltipla e a Importância da Formação na área de Ciências Humanas. 7% tratavam sobre Impacto da Mídia, Redução dos Números de Embriões Produzidos, Células-tronco Embrionárias, Ciclo de Recepção de Espermatozóides e as Barreiras Sociais. 3% abordavam Reprodução Póstuma e Maturação Oocitária. Dos trabalhos reflexivos 72% utilizam uma abordagem mais técnicocientífica e faziam apenas uma referência do termo ética, 28% dos trabalhos faziam uma reflexão no contexto de bioética(s), sendo os princípios biéticios referendados em 3% das publicações. Esses dados evidenciam a necessidade da participação mais ativa de profissionais como psicólogos, juristas, filósofos, cientistas sociais, bioeticistas e outros, tanto na formação da comunidade das TRAs, quanto nas publicações de trabalhos científicos no JBRA, a fim de que a reflexão acerca das biotecnologias não se restrinja aos aspectos técnicos-científicos, mas que se amplie cada vez mais para o aspecto ético e jurídico.
Telles de Souza, I.D.1; Telles, A.P.P.1; Araujo, A.A.S.2; Abud, P.D.N.1; Freitas, D.P.1; Nascimento, V.C.P.S.1
1Fertilità Medicina Reprodutiva; 2Universidade Federal de Sergipe
OBJETIVO: Determinar a importância clínica da contagem de folículos antrais (CFA) antes da hiperestimulação ovariana controlada em ciclos de ICSI. MÉTODOS: Estudo coorte retrospectivo, que avaliou 112 paciente de ciclos de ICSI, de outubro de 2009 a março de 2011 (15 ciclos). A contagem dos folículos antrais (3-10 mm), foi realizada no 2º ou 3º dia do ciclo, por meio de ultrassonografia transvaginal, pelo mesmo examinador. Os pacientes foram divididos de acordo com CFA: grupo 1: 0-5 folículos antrais (FA), grupo 2: 6-10 FA, grupo 3: 11-15 FA; grupo 4: FA > 15. Avaliou-se nestes grupos a dose de gonadotrofinas, os dias de estimulação, o número de oócitos M2, M2/ ampola (75ui), M2x1000/total de gonadotrofinas, taxas de implantação, de gestação e de abortamento. RESULTADOS: Nos grupos 1 e 2 há a necessidade de utilização de maior quantidade de gonadotrofinas (p< 0,001). O total de dias de estimulação foi semelhante entre os grupos. A quantidade de oócitos M2 captados foi significativamente menor no grupo 1 e maior no grupo 4 (p< 0,001). O uso de maior quantidade de gonadotrofinas no grupo 2 permitiu ter a mesma quantidade de M2 captados que o grupo 3 (p< 0,001). A quantidade de M2/ ampola e de M2x1000/total de gonadotrofinas foi maior no grupo 4 e menor no grupo 1 (p< 0,001). Não houve diferença entre as taxas de implantação e abortamento. A taxa de gestação foi maior no grupo 4 (61,36%), semelhante nos grupos 2 e 3 (44,83% x 43,48%) e menor no grupo 1 (25%) (p=0,101). CONCLUSÃO: A CFA antes da hiperestimulação permite adequar a dose de gonadotrofinas e otimizar a resposta ovariana, principalmente em mulheres com mais de 5 FA. A CFA não é determinante do resultado reprodutivo.
Rodrigues, R.J.M.1; Gonçalves, S.P.1; Gomes, M.1; Crepaldi, A.C.F.1; Gomes, F.G.1; Monteleone, P.A.A.1
1Centro de Reprodução Humana Monteleone
OBJETIVO: Diversos protocolos de estimulação ovariana têm sido propostos para se otimizar a resposta em pacientes más-respondedoras, visando menor taxa de cancelamento de ciclo e consequente aumento nas taxas de gravidez. O bloqueio hipofisário, etapa fundamental no processo de indução da ovulação, para exercer efeito direto no sucesso do tratamento. METODOLOGIA: Estudo retrospectivo, comparativo de ciclos de tratamento de fertilização in vitro em pacientes más-respondedoras. Foram definidas como más-respondedoras aquelas pacientes com história de cancelamento de ciclo de fertilização in vitro prévio por baixa resposta, ou que produziram menos de 4 folículos em ciclo anterior mesmo com adequada estimulação ovariana, ou que apresentavam sinais clínicos, laboratoriais e/ou ultrassonográficos de diminuição de reserva ovariana. Essas pacientes foram divididas em dois grupos: Grupo A (n=54), submetidas a protocolo longo com agonista do GnRH e Grupo B (n=77), submetidas a bloqueio hipofisário com antagonista do GnRH. Foram excluídos os casos de ovodoação. As análises estatísticas foram realizadas com teste “t” e teste de Fisher. RESULTADOS: As médias de idade nos Grupos A e B foram, respectivamente, 39,06 e 39,10 anos (p=0,9502).. No Grupo A, dos 54 ciclos iniciados, 28 culminaram com transferência embrionária (51,85%) enquanto no Grupo B, 47 de 77 ciclos tiverem transferência de embrião (38,96%) p=0,1028. A média de óvulos aspirados foi de 2,17 Grupo A e 1,92 Grupo B (p=0,4455). A média de embriões transferidos foi de 1,79 Grupo A e 1,73 Grupo B (p=0,7736). Respectivamente, os Grupos A e B apresentaram taxa de gestação clínica de 21,43% e 21,28% (p=0,2281); taxa de gestação evolutiva de 17,86% e 10,64% (p=0,1818) e taxa de abortamento de 28,57% e 57,14% (p=0,1787), não demonstrando diferença estatisticamente significante. CONCLUSÕES: Assim, apesar de protocolos com antagonista do GnRH demonstrarem uma tendência menor ao cancelamento de ciclo em pacientes más respondedoras, não houve diferença estatisticamente significante nas taxas de gravidez entre os dois grupos estudados. A escolha do tipo de bloqueio hipofisário deve ser individualizada para cada caso podendo, assim, beneficiar isoladamente cada casal.
Rodrigues, R.J.M1; Gonçalves, S.P.1; Crepaldi, A.C.F.1; Gomes, M.1; Gomes, F.G.1; Monteleone, P.A.A.1
1Centro de Reprodução Humana Monteleone
OBJETIVO: Diversas medidas preventivas têm sido adotadas para a prevenção da síndrome da hiperestimulação ovariana, considerada a principal e potencialmente mais grave complicação do tratamento de FIV. Entretanto, a medida preventiva de maior impacto em relação a SHO tardia é o congelamento eletivo dos embriões que pode acarretar prejuízo direto nas taxas de gravidez. METODOLOGIA: Estudo retrospectivo de ciclos de tratamento de fertilização in vitro em pacientes com risco de síndrome de hiperestimulação ovariana, submetidas a congelamento eletivo de embriões, de 2005 a 2011. O risco de desenvolvimento da SHO foi definido em pacientes até 38 anos de idade, com mais de 15 óvulos aspirados e sinais clínicos e/ou ultrassonográficos de SHO precoce após a captação folicular. RESULTADOS: Num total de 56 ciclos, a média de idade foi de 31,62 anos (DP=4,32), a média de óvulos aspirados foi de 27,14 e a dose média de gonadotrofina utilizada foi de 1620 U. Foram realizadas 74 transferências de embriões (56 em primeiro ciclo de descongelamento e 18 em segundo ciclo de descongelamento). A média de embriões transferidos foi de 1,90 por transferência. Foram obtidas 27 gestações clínicas das 74 transferências realizadas, sendo 20 do primeiro ciclo de descongelamento (taxa de 35,71%) e 7 do segundo ciclo (taxa de 38,88%), com taxa de gestação clínica por ciclo iniciado de 48,21%. A taxa de gestação ongoing por ciclo iniciado foi de 37,50%, correspondente a 17 gestações no primeiro ciclo de descongelamento (30,36%) e 4 no segundo (22,22%). CONCLUSÕES: Assim, o congelamento eletivo de embriões em SHO atua na prevenção da sua forma tardia, mantendo-se excelentes taxas de gravidez no descongelamento embrionário.
Monteleone, P.A.A.1; Gonçalves, S.P.1; Mirissola, R.J.1; Crepaldi, A.F.1; Gomes, A.P.1; Gomes, M.N.1
1Centro de Reprodução Humana Monteleone
INTRODUÇÃO: Desde a década de 70, as taxas de gestações gemelares têm aumentado, por causa dos tratamentos de reprodução assistida. A gemelaridade associa-se a maior incidência de complicações neonatais a longo prazo, tais como sequelas neurológicas. A transferência seletiva de um embrião é uma opção visando à diminuição das taxas de gestação múltipla. Apresentamos um protocolo de transferência de eletiva de 1 embrião no primeiro ciclo de tratamento em mulheres de até 38 anos, comparando-se com a transferência eletiva de dois embriões. MÉTODO: estimulação ovariana controlada e bloqueio hipofisário com agonista ou antagonista do GnRH. Transferência seletiva de 1 embrião ( grupo 1): 66 pacientes de até 38 anos, em primeiro ciclo de FIV, com pelo menos 3 embriões viáveis formados. Transferência de 2 embriões (grupo 2): mesmas características, mas não concordância do casal com a transferência de um embrião. RESULTADOS: Grupo 1 e 2, respectivamente: gestação: 28,13% e 48,17%; abortamento: 16,67% e 14,56%; implantação: 30,14% e 26,47%; gemelaridade (grupo 2): 29,63%; gravidez cumulativa (englobando ciclos de descongelamento embrionário): 42,27% e 56,12. DISCUSSÃO: Sabe-se que não é possível estimar com exatidão as chances de implantação embrionária com base apenas nas características morfológicas dos embriões. Em primeiros ciclos de FIV, a subestimativa do potencial de implantação tem resultado em excessiva porcentagem de gestações múltiplas. Em geral, a análise dos resultados de tratamento não considera as taxas cumulativas de sucesso. O avanço das técnicas de criopresevação de embriões faculta-nos a reduzir o número de embriões por transferência sem alterar as taxas cumulativas de nascidos vivos, que devem sempre ser usadas como indicadores de sucesso dos tratamentos de reprodução assistida. Aceitação do casal a necessidade e o benefício de se transferir um menor número de embriões pode não ser tarefa fácil. Alguns podem ter dificuldade em olhar não para as taxas de gestação, mas as taxas cumulativas de nascidos vivos como uma forma de medir o sucesso do tratamento.
Evangelista, A.1; Erthal, M.C.1; Gallo, P.1; Cardoso, M.C.1; Sartorio, C.A.1; Aguiar, A.P.S.1
1Vida Centro de Fertilidade
OBJETIVO: Avaliar o efeito de diferentes tipos de bloqueio hipofisário em ciclos de fertilização in vitro na resposta ovariana de pacientes com endometriose. MÉTODOS: Análise retrospectiva dos ciclos de FIV/ICSI, no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010, de todas as pacientes com diagnóstico de endometriose pélvica. Sessenta e cinco pacientes foram divididas em 3 grupos, de acordo com o tipo de bloqueio utilizado: Grupo I - Leuprolida, Grupo II - Gosserelina e Grupo III - Ganirelix. A avaliação da reserva ovariana foi feita através da dosagem de FSH basal e contagem de folículos antrais. Os protocolos de estimulação ovariana foram individualizados, utilizando-se FSH (hormônio folículo-estimulante) recombinante associado ao LH (hormônio luteinizante) recombinante, hMG (menotropina) ou hCG (gonadotrofina coriônica humana). Para análise estatística, utilizou-se ANOVA ou teste de Kruskal-Wallis, com o auxílio do programa R (Foundation for Statistical Computing, Viena, Áustria). Valor de P menores que 0,05 foram considerados estatisticamente significantes. RESULTADOS: A média de idade das pacientes do Grupo I foi de 34,7 ± 2,7 anos, do grupo II de 33,0 ± 3,88 anos e no grupo III de 36,2 ± 3,7, havendo diferença significativa entre os grupos II e III (p=0,01). Não houve diferença significativa entre as variáveis paridade e tentativas anteriores de FIV. A dosagem de FSH basal foi de 5,9, 4,5 e 9,0, respectivamente, nos grupos I, II e III, havendo diferença significativa entre os grupos II e III (p=0,01). A contagem de folículos antrais foi, em média, de 8,9, 9,1 e 8,8, nos grupos I, II e III, respectivamente (p=0,93). Não houve diferença significativa entre o número de dias de estímulo ovariano e total de folículos produzidos. Foram captados, em média, 10,7, 10,9 e 8,31 oócitos, nos grupos I, II e III, respectivamente (p=0,31). Não houve diferença significativa entre as variáveis taxas de fertilização e número de embriões transferidos. A taxa de gravidez foi de 29%, 33% e 38%, nos grupos I, II e III, respectivamente, não havendo diferença estatística entre eles (p=0,78). CONCLUSÕES: Não houve diferenças na resposta ovariana ao estímulo controlado e na taxa de gravidez em ciclos de FIV/ICSI utilizando-se análogos de GnRH agonistas ou antagonistas. De acordo com os resultados deste estudo, não foi possível definir o melhor tipo de bloqueio hipofisário a ser utilizado em pacientes com endometriose.
Valle, M.1; Cavagnoli, M.2; Vitorino, R.2; Bettiol, A.2; Sampaio, M.2; Geber, S.2
1ORIGEN - Centro de Medicina Reprodutiva; 2ORIGEN
OBJETIVOS: Comparar as taxas de gravidez clinica com diferentes protocolos de preparo endometrial para transferência de embriões desvitrificados. MÉTODOS: Foram analisados 333 ciclos de tratamento com transferências de embriões vitrificados/desvitrificados pela mesma técnica, utilizando três protocolos para preparo endometrial: uso de 17beta estradiol 2,5 mg a partir do segundo dia do ciclo menstrual (Grupo 1), ciclos naturais (grupo 2) e uso de GnRH seguido de valerato de estradiol (grupo 3). RESULTADOS: No grupo 1 (n= 135) a idade média das pacientes foi 32,8 anos (26-43 anos), no grupo2 (n=149) foi 33,9 anos (21-44 anos) e no grupo 3 (n=49) foi 33,4 anos (24-45 anos). A diferença entre os grupos não foi significativa. Com relação ao numero de embriões transferidos, o primeiro grupo teve um numero significativamente menor (p=0,002), sendo transferidos 2,73 embriões no grupo 1, 3,18 no grupo 2 e 3,21 no grupo 3. Quando comparamos o tempo de preparo endometrial também não observamos diferença entre os grupos sendo necessários 13,72 dias para o grupo 1, 13,81 dias para o grupo 2 e 12,84 dias para o grupo 3. Em todos eles o endométrio alcançou a medida considerada mínima (8mm). Quando comparamos a taxa de gravidezclínica, observamos que no grupo 1 foi 37% (50/135), no grupo 2 foi 41,6% (62/149) e no grupo 3 foi 44,8% (22/49). Observamos uma menor taxa de gravidez no grupo 1, entretanto a diferença não se mostrou significativa quando comparada ao grupo 2 (p=0,43) ou ao grupo 3 (p=0,33). Quando comparamos os grupos 2 e 3 a diferença também não foi significativa (p=0,68). CONCLUSÕES: Nosso estudo demonstrou que quando utilizamos diferentes métodos para preparo endometrial em pacientes que serão submetidas a transferência de embriões desvitrificados não observamos diferenças significativas nas taxas de gravidez clínica. Como o preparo endometrial feito com ciclo natural é mais simples e fácil para a paciente, sugerimos que seja utilizado como primeira escolha para mulheres com ciclos ovulatórios. As demais alternativas podem ser consideradas em casos de mulheres com ciclos anovulatórios.
Artuso, S.1; Kormann, J.1; Amaral, V.L.L2; Frajblat, M.1 1UNIVALI; 2PROCRIAR; UNIVALI
Na reprodução humana assistida, a criopreservação de espermatozóides é uma técnica amplamente utilizada. O excedente não utilizado das amostras descongeladas é descartado. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficiência de um segundo congelamento, para um possível reaproveitamento destas amostras. Ejaculados de diferentes doadores (n=6) previamente avaliados foram criopreservados na proporção 1:1 com o meio comercial (Yolk Buffer Freezing Medium - Irvine Scientific®). As amostras foram envasadas em palhetas de 0,5ml e permaneceram 30 minutos a 4°C, 10 minutos no vapor de nitrogênio e imediatamente imersas em nitrogênio líquido (NL2). Para o descongelamento, as palhetas foram retiradas do NL2 e mantidas a 37C° por 20 min. As amostras foram homogeneizadas em HTF-Modificado (Irvine®) suplementado com 10% de SSS (Irvine®) e centrifugadas por 6 minutos. O pellet foi ressuspendido em 0,5 mL de HTF-Modificado (Irvine®). A seguir, os parâmetros motilidade progressiva e vitalidade foram avaliados, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2010). Novamente as amostras foram criopreservadas, aquecidas e avaliadas com a mesma metodologia. A motilidade das amostras seminais pré-congelamento foi de 57,3 ± 2,4%. Após o primeiro congelamento esta motilidade passou para 41,8 ± 5,0%. A motilidade após o segundo congelamento ficou em 18,5 ± 4,2%. A vitalidade pré-congelamento foi de 79,7 ± 4,3%. Foi observada uma queda na vitalidade após o primeiro e segundo congelamento (54,7 ± 4,6% e 38,0 ± 3,5%, respectivamente). O resultado deste estudo sugere que o sêmen humano pode ser recuperado após um segundo congelamento com condições de ser utilizado na prática de reprodução assistida.
Travain, A.S.A.1; Tardin, R.M.M.1; Lucca, J.A.1; Schuffner, A.1
1Conceber - Medicina Reprodutiva
Após 3 anos do início da Clínica Conceber, surgiu a necessidade de complementar ao trabalho médico um olhar diferenciado para as intensas questões emocionais trazidas. Pensou-se na criação de um “Serviço de Psicologia”, cujo principal objetivo seria de acolher os casais no todo do seu sofrimento, ou seja, podendo atender as demandas físicas e psíquicas que envolvem este trabalho, permitindo uma condição mais favorável para que eles passassem pelo tratamento. Acostumados a conviverem com a solidão e com o estigma social, esta população vive seu sofrimento de forma reservada. Lutar contra a infertilidade desperta muitos sentimentos, que se intensificam ainda mais com o passar do tempo, quando a espera torna-se um obstáculo cada vez maior. Por serem pessoas em busca exclusivamente de um tratamento médico, com enfoque dirigido para o corpo, as demais questões são evitadas a princípio. Deparamo-nos então com uma população de difícil acesso, onde muitas vezes a dor narcísica do não conseguir gerar imobiliza a todos a sua volta e cria resistências. A partir deste quadro pensamos e elaborando estratégias de trabalho, respeitando o íntimo de cada um, mas não deixando de apresentar a psicologia como mais um recurso para enfrentar este momento. A experiência favoreceu o enriquecimento de algumas idéias e possibilidades de atuação. Inicialmente foram utilizados questionários e um ciclo de palestras, com temas específicos, relacionados à infertilidade. Também se criou um trabalho multidisciplinar com toda a equipe, para trocas, reflexão, assim como a elaboração de textos referentes a questões amplas do ser humano, que são enviados quinzenalmente, com o intuito de “tocar” as pacientes, criando uma abertura para se aproximar de algumas questões, como: culpa, ressentimentos, fantasias do não poder engravidar, sentimentos que envolvem a infertilidade, isolamento social, entre outros. O trabalho mais próximo tem ocorrido através de um contato chamado “entrevistas com um psicólogo”. Através de uma entrevista semi-dirigida propomos um aproximar e acolher o casal, e estar disponível para atender suas questões. Se há motivação para a continuidade deste trabalho, damos início a psicoterapia. Este é um trabalho que é construído dia a dia, enriquecido pela troca de médicos e psicólogos e pela experiência e reflexão constante, do que é possível e de qual a melhor forma de ajudarmos estes casais.
Carvalho B.R.1; Cabral I.O.1; Gomes Sobrinho D.B.1; Silva A.A.1; Barbosa A.C.P.1; Nakagava H.M.1
1GENESIS - CENTRO DE ASSISTÊNCIA EM REPRODUÇÃO HUMANA
OBJETIVOS: Investigar a existência de diferenças entre as taxas de gravidez e implantação embrionária em ciclos de fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) com transferência de embriões ao segundo (D2) e ao terceiro dia (D3) de cultivo. MÉTODOS: Analisaram-se retrospectivamente todos os ciclos finalizados de ICSI realizados no Centro de Assistência em Reprodução Humana GENESIS, entre janeiro de 2006 e dezembro de 2010. Foram incluídos no estudo ciclos realizados: em mulheres com até 38 anos de idade; com protocolo longo de estimulação (agonista do GnRH); com espermatozóides do parceiro, obtidos de ejaculado e não criopreservados; com ao menos um embrião grau I/II em dois ou três embriões transferidos, em D2 ou D3; os ciclos subseqüentes de uma mesma paciente e aqueles em que houve biopsia embrionária ou assisted hatching foram excluídos. A casuística foi de 194 ciclos, sendo 83 com transferência em D2 e 98 com transferência em D3. Variáveis não paramétricas foram analisadas pelo teste de Mann-Whitney e as qualitativas, pelo teste exato de Fisher; p < 0,05 foi considerado significativo. RESULTADOS: Não houve diferenças significativas entre as idades das pacientes nos grupos (D2 = 33,02 ± 3,57 vs D3 = 33,73 ± 2,82; p > 0,05), ou entre as taxas de gravidez (D2 = 60,2% vs D3 = 50,45%; p > 0,05). A taxa de implantação foi significativamente superior quando a transferência embrionária foi realizada precocemente (D2 = 34,54% vs D3 = 24,71%; p = 0,0281). CONCLUSÕES: Em mulheres com até 38 anos de idade, submetidas a protocolo longo com agonista do GnRH para ICSI com espermatozóides do parceiro, a transferência de dois ou três embriões não parece interferir sobre os resultados. Embora a escolha de D2 ou D3 para transferência não pareça interferir sobre a taxa de gravidez, o procedimento em D2 resultou em taxas significativamente superiores de implantação embrionária no grupo estudado.
Taitson, P.F.1; Rocha, D.F.2; Lima, E.C.S.1; Pereira, E.F.1; Teodoro, G.M.D.1; Nazaré, M.N.1
1PUC Minas; 2PUC MInas
OBJETIVOS: Investigar, em periódicos de oncologia, contidos no guideline da American Society of Oncology, se há a preocupação em preservar a fertilidade através dos bancos de sêmen quando se constata manifestação ocorrência de neoplasia em homens com idade reprodutiva. Assim, busca-se observar a existência de preocupação em informar aos indivíduos a necessidade da criopreservação antes do tratamento. MATERIAL E MÉTODOS: Serão abordados os dez periódicos de maior impacto na área de oncologia contidos no guideline da American Society of Oncology e postados nas bases de dados do MEDLINE nos anos de 2005 a 2011. Deverão ser consideradas as seguintes palavras-chaves: preservation of sêmen, neoplasia and sperm banking, sperm banking and cancer. Estudos analisando o valor do congelamento seminal pré tratamento de câncer serão considerados. Os estudos que preencherem o critério predeterminado, serão submetidos a uma meta-análise utilizando o Software RevMan 5. RESULTADOS: Em 17,% (CI: 0,17 - 0,83) dos artigos encontrados observou-se a existência de preocupação em informar aos indivíduos com câncer a necessidade da criopreservação antes do tratamento. Tal tratamento se define por práticas de quimioterapia, radioterapia e/ou cirurgias pélvicas. CONCLUSÕES: Sabedores da relevância em se congelar o sêmen antes de tratamento oncológico, nota-se uma maior necessidade de preocupar e informar aos indivíduos com câncer a necessidade da criopreservação antes do tratamento. Tal preocupação já se reverte, em alguns casos, em ações civis por parte de pacientes que tiveram a sua fertilidade comprometida de maneira significativa.
Cornel,C.A.1; Mansur, A.L.2; Munoz, P.3; Cequinel, M.G.3
1Embryo Centro de Rep. Hum.: UFPR; 2Embryo Centro de Rep.Hum.; 3Embryo Centro de Rep. Hum.
A evolução das técnicas laboratoriais e conhecimento da fisiologia ovariana proporcionaram um aumento nos índices de implantação embrionária e gravidez evolutiva nos procedimentos de reprodução assistida. Como consequência, um numero maior de embriões viáveis necessitam ser preservados. Dentre os procedimentos de criopreservação, a vitrificaçao tem se mostrado como de mais baixo custo e resultados satisfatórios. OBJETIVO: Este trabalho procurou avaliar os índices de sobrevivência dos blastômeros apos o processo de reaquecimento embrionário e os índices de gravidez obtidos através da técnica de vitrificação. MATERIAL E MÉTODOS: Dentre os ciclos de ICSI realizados no Embryo Centro de Reprodução Assistida, no período entre novembro de 2009 e abril de 2011, em 65 ciclos obteve-se embriões excedentes viáveis, que foram criopreservados através da técnica de vitrificação. A indução da ovulação foi realizada com protocolo longo com análogo do GnrH/ gonadotrofinas em 35 ciclos(53,8%)e curto com antagonista do GnRH/gonadotrofinas em 30 ciclos (46,2%). A preparação endometrial para a transferência dos embriões descongelados foi realizada com a administração de estradiol (Estrofem 2mg) e progesterona (Utrogestan 200 mg). Para bloqueio da ovulação espontânea, quando necessário, foi utilizado o análogo do GnRH ou antagonista do GnRH. Utilizou-se os meios Vitrification Solution (Irvine®) e Thawing Solution (Irvine®) para vitrificação/ desvitrificação. A transferência embrionária foi realizada utilizando-se o cateter Syney (Cook®). RESULTADOS: 33 pacientes (idade média = 32 anos) foram preparadas para a transferência de embriões descongelados. 43 ciclos de descongelamento foram realizados e 38 transferências foram realizadas(88%).125 embriões foram descongelados e 104 embriões foram transferidos (taxa de sobrevivência de 83,2%). Obteve-se 11 gestações evolutivas (28,9%) sendo 4 gemelar (40%). A taxa de implantação foi de 13,4 % para as gestações evolutivas. CONCLUSÃO: A vitrificação demonstrou ser um técnica eficaz com altos índices de recuperação embrionária e gravidez, quando embriões de boa qualidade são criopreservados. Devido ao baixo custo e o satisfatório índice de recuperação embrionária e gestação, consideramos ser esta uma das técnicas mais adequadas para a criopreservação embrionária nos laboratórios de RA em ciclos de FIV/ICSI.
Silva, T.M.1; Approbato, M.S.1; Arruda, J.T.2; Maia, M.C.S.1; Approbato, F.C.1
1UFG; 2UFG/CAPES
OBJETIVO: Observar durante o período de 2008 a 2010, num total de 197 ciclos de FIV e ICSI realizados, as taxas de fertilização obtidas segundo faixa etária das pacientes e o número de oócitos que foram coletados. MÉTODOS: Dividimos as pacientes incluídas no estudo em dois grupos, de acordo com a faixa etária: ≤ 35 anos e ≥ 36 anos. Através do BioStat 5.0 avaliamos se havia associação estatística entre as taxas de fertilização obtidas nesses grupos. Para comparar o número de oócitos coletados com as taxas de fertilização obtidas, dividimos também essas pacientes em dois grupos: ≤ 6 e ≥ 7 oócitos captados. RESULTADOS: Verificamos que 120 pacientes (60,9%) pertenciam ao grupo de menor faixa etária e 77 (39,1%) apresentavam idade ≥ 36 anos. Aplicamos o qui-quadrado e verificamos que no intervalo de tempo estudado não havia diferença estatisticamente significante (p= 0,3810). O mesmo teste foi aplicado para avaliar se houve diferença estatística nas taxas de fertilização desses dois grupos. Observamos que em 2008 e 2009 não foi significante (p= 0,7844 e p=0,1115; respectivamente). Porém, em 2010 o resultado foi significativo tanto para o qui-quadrado (p= 0,0352) quanto para o teste Exato de Fisher (p= 0,0244). Quanto ao número de oócitos captados, observamos que houve associação estatística com as taxas de fertilização no ano de 2008 (p= 0,0212). Entretanto, o mesmo não ocorreu nos anos de 2009 (p= 0,0922) e 2010 (p= 0,02892). CONCLUSÕES: Não houve diferença estatística entre a quantidade de pacientes que pertenciam aos grupos de menor e maior faixa etária no estudo. Na literatura há inúmeros relatos de decréscimo na fertilidade das mulheres a partir dos 35 anos de idade, o que foi observado nesse estudo no ano de 2010. Corroborando também com dados da literatura, pacientes mais jovens obtiveram maiores taxas de fertilização. Quase não há publicações comparando a quantidade de oócitos captados e as taxas de fertilização obtidas. Nesse trabalho verificamos que em 2008, pacientes com maior número de oócitos captados tiveram maiores taxas de fertilização. Porém, em 2009 e 2010 ocorreu o contrário.
Lucca Neto, J.A.1; Rosa, V.B.1; Peixoto, A.P.B.M.L.1; Schuffner, A.1
1Conceber Medicina Reprodutiva
INTRODUÇÃO: A zona pelúcida (ZP) é uma estrutura importante do oócito, responsável por evitar a poliespermia, estabelecer um limite físico aos blastômeros e aumentar aderência entre estes. Em ciclos de reprodução assistida algumas vezes são encontrados embriões com ausência da ZP ou por se perderem durante a manipulação ou por algum motivo se rompem durante o desenvolvimento e apresentam desenvolvimento anormal. DESCRIÇÃO DO CASO: A paciente com 35 anos e o esposo com 41 anos procuraram a Clínica Conceber relatando dificuldade para estabelecer gravidez. Foi diagnosticado fator feminino de infertilidade e o casal foi submetido a um ciclo de FIV. Após a estimulação ovariana foram coletados 5 oócitos, que após denudados apresentavam estágio de maturação metáfase 2 (MII). Os 5 oócitos foram submetidos a um procedimento de ICSI. No momento em que os oócitos foram transferidos da placa de ICSI para a placa de cultivo houve o rompimento da ZP. Na avaliação em D+1 constatou-se que 4/5 oócitos apresentavam 2PN, incluindo o oócito desprovido ZP. O embrião em questão apresentou desenvolvimento semelhante aos demais; 4 células em D+2, 9 células em D+3, mórula em D+4 e blastocisto em D+5. Após avaliação dos embriões para Transferência de Embrião (TE), este não foi escolhido devido as condições excelentes dos demais embriões que também se encontravam em estágio de blastocisto expandido. Logo após o procedimento procedemos com a vitrificação dos embriões excedentes. A paciente apresentou βhCG positivo e encontra-se com gestação de 5 semanas em andamento, apresentando 2 sacos gestacionais, até o momento. COMENTÁRIOS: A ZP possui uma série de funções que possibilitam a fertilização normal de oócitos em ciclos naturais. Em embriões cultivados in vitro sua principal função é proporcionar uma barreira física aos blastômeros durante sua clivagem e aumentar a área de contato entre os blastômeros para a compactação. O relato acima mostra que é possível cultivar embriões com ausência de ZP desde o início de seu desenvolvimento sem comprometer as clivagens, compactação e cavitação. Considerando que foi utilizada técnica padronizada em todos os oócitos, desde a captação oocitária até a ICSI, concluímos que o rompimento se deu pela característica do oócito. É notória a fragilidade de embriões cultivados na ausência da ZP, assim recomenda-se que o cuidado durante a sua manipulação e transferência deva ser ainda maior, visando a integridade embrionária.
Tanada, M1; Negrão, PM2; Alegretti, JR2; Cuzzi, J3; Motta, ELA2; Serafini, P2
1Hospital e Maternidade Santa Joana; 2Huntington - Medicina Reprodutiva; 3Genesis Genetics Brasil
OBJETIVO: Avaliar retrospectivamente os resultados de gestação e implantação de pacientes com idade materna superior a 37 anos e submetidos a ciclos de Fertilização In Vitro (FIV) com Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (DPI) em dia 3 que utilizaram técnicas de Hibridação In Situ por Fluorescência (DPI-FISH) ou Hibridação Genômica Comparativa por microarranjos (DPI-CGH).MÉTODOS: Foram incluídos nesta análise observacional retrospectiva, pacientes submetidas a DPI-FISH entre outubro de 2009 e outubro de 2010 e, pacientes submetidas a DPI-CGH entre outubro de 2010 e maio de 2011. Na análise de DPI-FISH, foram avaliados 9 cromossomos (13, 15, 16, 17 18, 21, 22, X e Y). Foram considerados embriões aptos a biópsia todos os embriões que apresentaram > 6 células em dia 3. Apenas os embriões que obedeceram aos critérios de normalidade foram transferidos. O teste Z foi utilizado. Significância foi considerada com p<0,05. RESULTADOS: Foram analisados um total de 121 ciclos de DPI, sendo 85 ciclos de DPI-FISH e 36 ciclos de DPI-CGH. De um total de 550 embriões avaliados, 438 embriões foram avaliados pela técnica de FISH e 112 pela técnica de CGH. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas taxas de cancelamento de ciclos e normalidade embrionária após a avaliação por ambas as técnicas. Contudo, foi observada diferença estatisticamente significativa entre os grupos DPI-FISH e DPI-CGH nas taxas de gestação (34,2% e 73,3%, respectivamente) e implantação (22,5% e 61,5%, respectivamente). CONCLUSÃO: Os resultados obtidos neste estudo indicam que a utilização do DPI-CGH foi significativamente mais eficiente que a técnica de DPI-FISH nas taxas de gestação e implantação em mulheres com idade superior a 37 anos, evidenciando que a presença de embriões euplóides é fator determinante para o aumento do índice de sucesso. Assim, o estudo sugere que tecnologia de CGH deve sempre escolhida como melhor opção de análise embrionária para o grupo estudado
Taitson, P.F.1; Valentim, A.M.1; Costa, E.G.1; Ferreira, I.P.F.1; Ribeiro, J.C.1; Marques, L.K.R.1
1PUC Minas
OBJETIVO: Avaliar a segurança do método de lavagem espermática para casais soro discordante onde o homem é o portador do vírus do HIV. MÉTODOS: Para a revisão de literatura foram utilizados bancos de dados MEDLINE com as seguintes palavras-chaves: AIDS and human reproduction, HIV and human reproduction. Os 21 artigos que foram selecionados seguiam os critérios de inclusão como a avaliação do método de lavagem espermática em casais soro discordantes cujo homem é o portador da síndrome do HIV e a limitação temporal do período de seleção de publicação de 2005 a 2011. Uma meta-análise destes estudos foi realizada. RESULTADOS: Nesse contexto, ocorreu uma diferença significativa quanto a confiabilidade e a não confiabilidade do uso da técnica de lavagem espermática no sêmen onde o homem é o infectado pelo vírus do HIV. gerar um filho não infectado (CI: 0,87 - 0,13). CONCLUSÃO: Ainda que o número de estudos incluídos seja pequeno e suas características sejam variáveis os resultados obtidos a partir da meta-análise proposta justificam a indicação clínica da técnica de lavagem espermática como uma etapa, mas não a única na seleção de espermatozóides para ICSI em casais onde o homem é soro discordante.
Lucca Neto, J.A.1; Rosa, V.B.1; Peixoto, A.P.B.M.L.1; Schuffner, A.1;
1Conceber Medicina Reprodutiva;
OBJETIVO: Apresentar um estudo epidemiológico apontando as principais características dos casais que buscaram o serviço de reprodução assistida no primeiro quadrimestre de 2011. MÉTODO: Foi realizado estudo retrospectivo com 81 casais que se submeteram a ciclos de FIV na Clínica Conceber, no primeiro quadrimestre de 2011. Foram avaliadas as seguintes características: faixa etária; tipo de procedimento; causa de infertilidade; protocolos de estimulação utilizados. RESULTADOS: Faixa etária: ≤ 34 anos 35,8%; 35 a 39 anos 37,0%; ≥ 40 anos 27,2%; 7 receptoras de oócitos com idade média de 41 anos. Tipo de ciclo: fresco 93,8%, embrião criopreservado 2,5%, oócito criopreservado 3,7%, sendo 7,4% ciclos com doação de oócitos Causa de Infertilidade: causas múltiplas 15,5%, sem causa aparente 10,3%, só feminino 37,9%, só masculino 24,1%, só tubário 12,1%. Protocolo utilizado: agonista do GnRH (AG) 13,2%, sendo AG+rFSH 4,4%, AG+HMG 5,9%, AG+HMG+rFSH 2,9%; antagonista do GnRH (ANTA) 85,3%, sendo ANTA+rFSH 36,8%, ANTA+HMG 33,8%, ANTA+HMG+rFSH 14,7%; NATURAL 1,5%. A idade média dos protocolos com AG e ANTA foi respectivamente: 32,4±1,2 e 35,9±0,65 anos. A idade média das pacientes que utilizaram protocolo com antagonista foi estatisticamente maior que as que utilizaram agonista (p=0,02). DISCUSSÃO: A maior parte de nossas pacientes tinha entre 35-39 anos (41,1%). Salientamos que apenas 2,7% dos ciclos realizados foram de embriões criopreservados, possivelmente isto ocorre pois a maioria de nossos embriões é criopreservado em estágio de blastocisto. Como causa de infertilidade, o fator “só feminino” foi o mais comum (37,9%) e o “sem causa aparente”, o menos prevalente (10,3%). Neste período, 85,3% dos ciclos foram realizados utilizando o protocolo com antagonista do GnRH. Em 1,5% dos casos foi realizado com ciclo natural, optado em pacientes com baixa resposta ovariana em ciclo prévio de estimulação.
Ribeiro, K.1; Cerqueira, M.1; Cerqueira, G.1; Perez, V.1; Novotny, C.1
1CLINIFERT
INTRODUÇÃO: Embora seja uma causa relativamente rara de infertilidade, a ejaculação retrógrada é a causa mais comum de disfunção ejaculatória. É uma condição em que o liquido seminal flui total ou parcialmente de modo retrógrado para a bexiga no momento do orgasmo, em vez de ser impelido para uretra. Representa 0,3-2% dos casos de infertilidade masculina. DESCRIÇÃO: Casal com infertilidade primária de 4 anos. Marido, 51 anos, submetido a Ressecção Transuretral de Próstata há 2 anos devido Hiperplasia Benigna de Próstata evoluiu com ejaculação retrógrada total. Função erétil e sensação de orgasmo preservada. Ultrassom de Bolsa Escrotal e exames hormonais normais. Esposa, 37 anos, apresentava propedêutica feminina normal. Exame prévio de urina pós-ejaculatória mostrou boa recuperação de espermatozóides com morfologia alterada. Considerando-se a idade do casal, tempo de infertilidade e resultado do exame optou-se por ICSI. O paciente foi instruído a ingerir bicarbonato de sódio 1g/dia por 3 dias consecutivos antes do procedimento e no dia da coleta de óvulos, procedeu-se a coleta de urina pósejaculação. As amostras de urina foram divididas em alíquotas de 15ml e centrifugadas por 10 min. a 1600rpm em temperatura ambiente. Realizou-se sperm-wash dos pellets, resuspensão em 1ml de HTFMod. com 10% de HSA e incubação a 37ºC por 1 hora. Apesar do pH final de 7.0, a amostra de sêmen obtida apresentou boa concentração (22.000.000/ml) e motilidade intermediária A(0%), B(21%), C(14%) e D(65%). Foi utilizado protocolo longo com GnRHa e estimulação ovariana com FSHr e hCGr quando 1 ou mais folículos atingiram 18mm de diâmetro médio. A aspiração folicular foi feita 36hs após, obtendo-se 13 oócitos, dos quais 9 fertilizaram. Dois embriões blastocistos foram transferidos no dia 5 e 2 blastocistos foram criopreservados. Suporte da fase lútea foi feito com progesterona micronizada. No 14° dia pós-transferência foi confirmado B-hCG positivo e no 30° dia constatada a presença de 2 sacos gestacionais com batimentos cardíacos. CONSIDERAÇÕES: A infertilidade masculina devido ejaculação retrógrada pode ser tratada com sucesso através de fertilização in vitro e ICSI, principalmente em casais de idade avançada. Método simples e não invasivo de alcalinização da urina permite adequada recuperação do sêmen para tratamento de reprodução assistida.
Avelar, C.C.1; Cota, A.M.M.1; Marinho, R.M.1; Caetano, J.P.C.1
1CLÍNICA PRÓ CRIAR
OBJETIVO: Avaliar e compreender os significados construídos por casais inférteis frente a um tratamento de fertilização in vitro (FIV), e comparar as diferenças e semelhanças de gênero destes significados. PACIENTES E MÉTODOS: Pesquisa qualitativa, dentro da abordagem da Psicologia Social, onde foram utilizados como instrumentos a entrevista individual e grupal. Participaram da pesquisa 10 casais inférteis de baixa renda financeira que estavam realizando o seu primeiro tratamento de FIV, dentro de um programa social desenvolvido pelo Centro Pró-Criar em Belo Horizonte/Minas Gerais, no período de junho a julho de 2009. RESULTADOS: Verificou-se neste estudo que o estado emocional do marido e da esposa oscilou consideravelmente no decorrer do tratamento, porém de forma distinta. No início do tratamento, a superestimação das chances de êxito foi sintoma por excelencia, observado no relato de 90% dos casais. Com relação às demandas técnicas do tratamento, 90% das mulheres relataram ansiedade e estresse, sendo que 60% dos homens relataram os mesmos sentimentos. No período da punção folicular, a ansiedade e tensão relacionada às demandas foram relatadas por 9 mulheres (medo da punção, hospitalização e anestesia). 50% dos homens disseram que ocultaram seus sentimentos de ansiedade e preocupação com o objetivo de apoiar as esposas. Na coleta do sêmen, 50% dos homens ficaram preocupados com receio de não ser suficiente para prosseguimento do tratamento. Já na transferência embrionária, os 10 casais relataram felicidade com o procedimento técnico final; porém 6 casais vivenciaram angústia de não terem tido embriões congelados. Durante a espera pelo resultado, 90% das mulheres apresentaram ansiedade e expectativa, sendo que 60% dos homens tiveram as mesmas sensações. Quatro homens e uma mulher relataram que tinham ciência de que o resultado independia deles. CONCLUSÃO: Observou-se que os casais apresentam sentimentos distintos durante a FIV, evidenciando no relato da mulheres sentimentos mais intensos de ansiedade e estresse do que nos homens. Este fato deve ser entendido e reconhecido para que se ofereça um apoio adequado e individualizado a cada um dos cônjuges.
Santos, M.J.B.1; Souza, M.C.B.1
1UFRJ
INTRODUÇÃO: A exposição intra-útero ao dietilestibestrol (DES), tem impacto negativo sobre a prole das pacientes submetidas a este tratamento, incluindo infertilidade, prenhez ectópica, abortamento espontâneo, parto prematuro e câncer. Estea efeitos desapareceram? OBJETIVO: demonstrar que ainda hoje temos pacientes com os efeitos da exposição intra-uterina ao DES, com diferentes quadros patológicos. As ultimas filhas de pacientes expostas ao DES durante a sua vida intra-uterina tem hoje de 30 a 40 anos. Devemos estar preparados para o seu aconselhamento. MATERIAL E MÉTODO: descrevemos 3 casos clínicos: no primeiro a paciente, de 33anos, com infertilidade primária e na HSG observou-se o útero T-shaped, segmento inferior longo e cavidade hipoplásica. No segundo, paciente de 24 anos com quadro de NIC II + SIL de Alto grau em colpocitologia de rotina e cirurgia de alta freqüência (CAF) com laudo histopatológico de adenocarcinoma de endocervice com limite superior comprometido. Cone clássico posterior permitiu margens livres. E o terceiro caso corresponde a paciente de 32 anos com atraso menstrual e diagnóstico de prenhez ectópica. Avaliação posterior mostrou “útero em estrela” e áreas brancas na cúpula vaginal. DISCUSSÃO: A paciente 1 refere que a mãe usou medicação importada na gravidez, para ajudar a “segurar o bebe”. Na evolução acompanhamos uma perda espontânea de 10 semanas e tem uma gestação em curso, cerclada, no 3ºtrimestre. Nos casos como o 2, anormalidades envolvendo a função e estrutura das tubas após a exposição ao DES durante a gestação estão documentadas por De Cherney et al, 1981. A laparoscopia observa mudança na anatomia tubária com ausencia de ou minimo tecido fimbrial, Além dos casos de câncer, hoje também há registros de irregularidade menstrual (Titus et al., 2006) e câncer de ovário,(Bllat et al.,2003) em netas DES-ex, aumento de hipospádia em netos DES-ex, Brouwers et al.,2006), modificações através das gerações são consistentes com mudanças previamente registradas em ratos expostos ao DES (Newbold, 2000,1998). Isto sugere que a exposição materna a uma substância DES- like pode afetar a saúde de outras gerações. CONCLUSÃO: A atenção clínica deve estar voltada para estes efeitos que caracterizam uma disrupção endócrina, Embora não se entenda completamente o mecanismo envolvido na transmissão de uma geração para outra, provavelmente envolve mudanças persistentes, epigenéticas.
Arruda, J.T.1; Approbato, M.S.2; Silva, T.M.2; Maia, M.C.S.2; Florencio, R.S.2
1UFG/CAPES; 2UFG
OBJETIVOS: avaliar a frequência das causas de infertilidade de pacientes que procuram o serviço do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. MÉTODOS: foram analisados os prontuários dos pacientes que utilizaram o serviço entre os anos de 2008 a 2010. As indicações para reprodução assistida foram: fator masculino (exame seminal alterado ou outras causas), fatores femininos: ovulatório, tubário, imunológico, uterino e outras causas. Utilizou-se o pacote BioEstat 5.0 para realizar a análise estatística com nível de significância de p=0,05. RESULTADOS: foram analisados 547 prontuários e a prevalência das causas foram: imunológicas 1,1% (5); fatores uterinos 9,8% (54); ovulatórios 14% (77); tubários 22,3% (122); masculinos 25,2%(138) e outras causas 27,6% (151). Houve diferença significativa entre os anos de 2008/2009 (p=0,0137) e entre 2009/2010 (p=0,0480) em relação ao número de casos com fator masculino para infertilidade. Quanto aos fatores femininos o mais frequente foi o tubário (p=0,0109). O fator ovulatório mostrou diferença significativa entre os anos de 2008/2010 (p=0,0050) e entre 2009/2010 (p=0,0480) em relação ao número de casos. O fator uterino foi o terceiro mais frequente (p=0,0389), e outras causas foi a mais frequente para infertilidade com diferença significativa entre os anos de 2008/2010 (p=0,0090) e entre 2009/2010 (p=0,0111) em relação ao número de casos. CONCLUSÕES: as preocupações sobre a interferência de fatores ambientais sobre a fertilidade humana têm aumentado, tais como drogas (lícitas e ilícitas), medicamentos, infecções, além de poluição e estresse. A alta prevalência dos fatores masculinos sugere que a produção seminal esta sendo afetada por fatores externos, como descrito na literatura. Quanto aos fatores femininos, a prevalência elevada de fatores tubários esta relacionada à grande procura por reanastomose tubária ou por infecções por Chlamydia trachomatis. Ao fator ovulatório observa-se pacientes com anovulação. Aos fatores uterinos esta a endometriose e aos poucos casos encontrados com fator imunológico, observouse como causa adenoma hipofisário ou artrite reumatóide. A infertilidade causa impacto negativo na vida conjugal e social do casal, os quais procuram tratamento especializado para infertilidade tardiamente, devido a fatores culturais ou financeiros. Portanto, há necessidade de oferta de diagnóstico e tratamento da infertilidade na rede pública de saúde.
Arruda, J.T.1; Approbato, M.S.2; Silva, T.M.2; Maia, M.C.S.2; Florencio, R.S.2
1UFG/CAPES; 2UFG
OBJETIVOS: Pacientes acima de 35 anos apresentam baixa reserva ovariana, necessitando de doses elevadas de FSH-recombinante (FSH-r) em ciclos de FIV/ICSI com taxas de sucesso reduzidas. Estudos mostram que doses menores de FSH-r podem selecionar oócitos com melhor potencial de desenvolvimento e proporcionam maiores chances de implantação e menor dano ao endométrio. Este estudo avalia a eficácia da estimulação da ovulação controlada (EOC) seguindo um protocolo com baixa dose de FSH-r em pacientes ≥35 anos. METODOLOGIA: Foram incluídos 143 ciclos de FIV/ICSI em pacientes de 35 a 46 anos de idades entre os anos de 2008 a 2010. A EOC foi conduzida segundo padrões da rotina utilizando agonista ou antagonista do GnRH para bloqueio hipofisário, FSH-r para estimulação ovariana e hCG-recombinante para induzir a maturação folicular final. Dois grupos de estudo foram estabelecidos de acordo com a dose total de FSH-r administrada: G1- baixadose com 61 pacientes que receberam no máximo 1600UI (1233UI; ±8,5); G2- dose-convencional com 82 pacientes que receberam acima de 1600UI (2185UI; ±12,9). RESULTADOS: a média de idade para o G1 foi de 38,8 anos (±3,2) e para o G2 foi de 37,9 anos (±2,2). O número de oócitos coletados foi de 2,4 (±2,6) vs 3,2 (2,8) respectivamente, (p=0,518). Em relação ao número de oócitos fertilizados por ano, houve diferença significativa apenas entre os anos de 2008 e 2009 (p<0,01), o que não foi observado quando comparado os outros anos (p=0,272). CONCLUSÕES: Além da redução dos custos, o protocolo com baixa-dose de FSH-r apresentou-se eficaz em pacientes acima de 35 anos. Não houve diferenças nos resultados clínicos comparado a pacientes que receberam protocolo com dose convencional de FSH-r. Estes resultados sugerem que o protocolo com baixa-dose de FSH-r é capaz de selecionar oócitos de qualidade, diminuindo os efeitos prejudiciais das altas doses e diminui os custos do tratamento.
Barros, B.C.1; Miranda, R.1; Rossi, A.L.S.1; Alegretti, J.R.1; Nichi, M.1; Motta, E.L.A.1
1Huntington - Medicina Reprodutiva
OBJETIVO: Este estudo foi realizado com o objetivo de avaliar a eficiência nas taxas de gestação de embriões transferidos em estágio de clivagem (terceiro dia de vida extracorpórea, [D3]) com os que evoluíram ao estágio de blastocisto em dia 5 (D5) que resultaram de óvulos provenientes de tratamentos de ovodoação. MÉTODOS: No período entre agosto de 2010 e abril de 2011 foram avaliados retrospectivamente 65 ciclos de ovodoação. As pacientes foram divididas em dois grupos de acordo com dia da transferência embrionária (TE): dia 3 (TED3) e dia 5 (TED5). Foram incluídos no estudo pacientes que apresentaram pelo menos 3 embriões de boa qualidade morfológica (BQM) em D3 (6 a 10 células com até 10% de fragmentação celular). O teste Z foi utilizado para a comparação de taxas entre os grupos. Os testes de t de Student´s e Mann Whitney foram utilizados para variáveis contínuas paramétricas e não paramétricas respectivamente. Significância foi considerada com p<0,05. RESULTADOS: Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) entre os grupos TED3 e T5D5 quando considerado fatores como idade materna das receptoras (41±5 e 43±6 anos, respectivamente), número de ovócitos recebidos (9,8±4 e 11,7±4, respectivamente), número de ovócitos maduros (9,6±3,3 e 11,1±3,4 respectivamente) e número de embriões fertilizados (8,1±3,0 e 9,3±3,6 embriões, respectivamente). Também não foi observada diferença significativa entre os grupos TED3 e TED5 na taxa de fertilização (83,9% e 84,7%, respectivamente; p=0,8) e taxa de embriões de BQM formados em D3 (64,5% e 68,1%, respectivamente; p=0,4). Foi observada diferença estatística em relação ao número de embriões transferidos entre os grupos TED3 e TED5 (2,8±0,5 e 2,3±0,6 respectivamente). Também verificou-se diferença entre TED3 em comparação ao TED5 nas taxas de gestação (70% e 92%, respectivamente; p=0,01) e implantação (38,3% e 56,9%, respectivamente, p=0,01). CONCLUSÃO: Os resultados do estudo mostram maiores taxas de gestação e implantação em embriões transferidos em estágio de blastocisto em relação aos transferidos em estágio de clivagem para ciclos de ovodoação. Salienta-se que o número de embriões transferidos no D5 foi menor daqueles do D3. Deste modo, as TE em estágio de blastocisto devem ser indicadas por oferecer melhores resultados de gestação e implantação com um menor número de embriões transferidos, conseqüentemente, diminuindo a incidência de gestações múltiplas.
Franco,G.R.1; Franco, A.C.C.2
1Embryolife Instituto de Medicina reprodutiva; 2Embryolife Instituto de Medicina Reprodutiva
OBJETIVO: Com a finalidade de melhorar as taxas de implantação e gravidez nos procedimentos de fertilização in vitro (FIV) em nosso serviço, a técnica Assisted Hatching Laser (AHL) foi empregada precedendo a transferência embrionária. O presente estudo, visa relatar dados sobre os nossos resultados,correlacionando-os com informes retrospectivos de outros centros, em casos que apresentavam indicações ao método. MÉTODOS: Os critérios de indicação dos pacientes à técnica AHL foram: (I) Idade Reprodutiva Avançada (≥37 anos); (II) Zona Pelúcida (ZP) espessa em relação ao tamanho total do embrião; (III) Transferência de embriões criopreservados; (IV) Falência Ovariana Precoce (FOP); (V) Falhas consecutivas de ciclos de FIV. O adelgaçamento da ZP foi realizado em ¼ da sua extensão. RESULTADOS: Foi observada taxa de gravidez de 35,2%, nos casos os quais o AHL foi aplicado, obedecidas as indicações do método. CONCLUSÃO: Aspectos éticos e técnicos precisam ser avaliados e discutidos antes da utilização rotineira do AHL na prática laboratorial. Qualquer procedimento de FIV que se comprove eficaz, deve ser empregado dentro das suas devidas indicações. A AHL oferece muitas vantagens sobre outros métodos convencionais (mecânico ou químico), numa situação clínica onde a ZP precisa ser aberta. Os resultados do presente estudo vem corroborar com trabalhos científicos anteriores, demonstrando que a técnica contribui para sucessos em FIV. Além deste dado, e concordando com o protocolo da nossa clínica, pesquisas científicas afirmam que o presente artifício realizado em embriões humanos com 48 horas a partir do dia 0, aumenta significativamente as taxas de implantação e gravidez.
Martinhago, C.D.1; Andari, V.C.M.1; Angelozzi, M.1; Melo, A.V.1; Fariello, R.M.1; Oliveira, R.M.1
1RDO Diagnósticos Médicos
O diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) representa uma opção aos casais que possuem doenças genéticas hereditárias específicas a fim de se evitar a transferência de embriões afetados para o útero. A biópsia embrionária é realizada através de uma abertura na zona pelúcida do embrião e, dependendo do método utilizado, o material celular pode ser proveniente do corpúsculo polar, de blastômeros ou de células do trofoblasto. Diferentes ferramentas moleculares são aplicadas para a detecção de anomalias cromossômicas e gênicas. Nosso centro oferece PGD desde 2005 para doenças monogênicas. Portanto, temos como objetivo detalhar nossa experiência clínica e laboratorial, destacando os problemas encontrados e os resultados obtidos. Para o diagnóstico de doenças monogênicas, o DNA da célula biopsiada é amplificado pela reação da cadeia da polimerase (PCR) e testado para determinar se o embrião é afetado por determinada doença. A PCR é uma técnica eficiente de detecção específica de alelos mutados em embriões humanos. No entanto, observamos que existem possibilidades de erro de diagnóstico por contaminação exógena de DNA e principalmente por falha na amplificação de um dos alelos, conhecida como allele drop-out. Esse erro ocorre pela amplificação ineficiente de um dos alelos de indivíduos heterozigotos, gerando a falsa impressão de homozigose. Realizamos o PGD para dezessete doenças: Anemia Falciforme, X-frágil, Fibrose Cística, CDG 1H, Marfan, SCA2, SCA3, Beta-talassemia, Doença de Huntington, Adrenoleucodistrofia-X, Hemofilia tipo A, Surdez genética congênita, Hiperplasia congênita adrenal, Epidermólise bolhosa simples, FOXP3, HLA e SMA1. No Brasil, os grandes centros de reprodução humana assistida possuem tecnologia de ponta para a realização dos procedimentos de FIV. Inicialmente a realização do PGD agregava um valor muito alto às técnicas de reprodução assistida, porém, atualmente o procedimento está mais acessível e fornece uma chance real para casais afetados de gerarem filhos saudáveis para as doenças testadas.
Florencio, R.S.1; Castro, E.C.1; Finoti, M.F.1; Rocha Camarço, M.N.C.1
1Humana medicina reprodutiva
OBJETIVO: Determinar as concentração média de estradiol(E2) em grávidas(G) e não grávidas(NG) na fase lútea média (+7-8 pós inseminação) e chance de gravidez com concentrações baixas de estradiol. MÉTODOS: Estudamos retrospectivamente 108 ciclos de inseminações artificiais, nos quais avaliamos as concentrações de E2 em G e NG, além da idade média, média de foliculos bons no dia do hCG e percentagem de gravidez em pacientes com E2<100 pg/ml, nos grupos. Calculos estatisticos com diferença significativa para p<0,05. RESULTADOS: Do total estudado, 79 ciclos de NG e 29 de G. No grupo NG, a idade média, o número de foliculos bons no dia do hCG, a média de E2, e a percentagem de E2<100 pg/ml foram respectivamente, 33,76; 2,67; 470,44; 16,45% versus 31,96; 3,42; 827,29; 3,44% no grupo G e respectivos p=0,1612; 0,0102; 0,00053; 0,0108. CONCLUSÕES: O grupo G não foi diferente de NG, apenas na idade média e diferente na média de foliculos bons,média de E2 e percentagem de pacientes ccom concentração de E2<100 pg/ml.
Vieira, Gabriella1; Carvalho, Rosa1; Colucci Coelho, Francisco1
1Centro de Infertilidade e Medicina Fetal NF
OBJETIVO: Avaliar o nível de stress nas pacientes submetidas ao tratamento de reprodução assistida, comparando as que utilizaram a técnica de fertilização in vitro (FIV) convencional com o dispositivo INVO, permitindo uma reflexão sobre o impacto psicológico. MÉTODOS: Foram estudadas 40 mulheres submetidas a FIV no Serviço de Reprodução Humana do Hospital Escola Álvaro Alvim-Centro de Infertilidade e Medicina Fetal do Norte Fluminense, entre janeiro a abril de 2011, que consentiram na participação.Divididas em dois grupos: Grupo 1(G1) com 20 submetidas a FIV convencional e o Grupo 2(G2) com 20 submetidas a FIV com o dispositivo INVO. A todas foi aplicado individualmente o ISSL-Inventário de Sintomas de Stress de LIPP- verificando a possibilidade de stress,Sem-stress e as fases: Alerta, Resistência Quase-Exaustão e Exaustão. RESULTADOS: A idade variaram entre 29 a 43 anos(média=36). No G1 45% não apresentaram Stress (Sem-Stress n=9), 10% na fase alerta F1 (n=2), 20% fase Resistência F2 (n=4), 25% Fase Exaustão F3 (n=3). No G2 60% não apresentaram stress (n=12), 15% fase alerta F1 (n=3),20% fase resistência(n=4),5%fase exaustão(n=1).Observa-se que o stress está presente nas pacientes, porém comparando as técnicas, compreende-se que uma quantidade significativa (60%) que utilizaram o INVO não apresentaram stress neste estudo, e, das que apresentaram stress, 15% estavam na fase alerta (considerada a fase positiva do stress). No G2 10% estiveram na fase alerta e não houve diferença significativa quanto à fase de resistência. Não houve nenhum caso de quase-exaustão. Na fase de exaustão (que é considerada a mais negativa e patológica) o G2 obteve 25% e o G1 apenas 5%. CONCLUSÃO: O stress é uma reação não específica do organismo diante de uma situação interpretada como ameaçadora. O estudo mostrou que apesar do stress estar presente nas pacientes que vivenciam tratamento de infertilidade, pode-se sugerir que o dispositivo INVO, enquanto estressor, comparado a FIV obteve melhores resultados no sentido de não desencadear stress, e com relação às fases das pacientes que apresentaram stress o método FIV convencional obteve maiores resultados no stress negativo, que em excesso é prejudicial e esgota a capacidade de adaptação.Além de revelar a importância da psicologia na abordagem relacionada ao stress das pacientes em tratamento de infertilidade, mostrou que as pacientes que utilizaram o dispositivo INVO apresentaram melhor adaptação e adesão ao tratamento proposto.
Mazetto, R.1; Silveira, CF1. 1Instituto Sapientiae
OBJETIVO: Relacionar obesidade com infertilidade masculina quanto aos efeitos nos hormônios sexuais e parâmetros seminais. MÉTODOS: Revisão bibliográfica (2000-2010). RESULTADOS: Em 31 artigos analisados, encontrou-se: 17 estudos que relacionaram IMC com os hormônios sexuais: Testosterona: 16 trabalhos-15 apresentaram relação negativa entre IMC x hormônio; 1 apresentou relação positiva. Sex hormone-binding globulin (SHBG): 9 estudos- todos mostraram relação negativa do hormônio e IMC. LH: 6 artigos-2 tiveram relação negativa com o IMC; 1 relação positiva; 2 não apresentaram resultados significativos; 1 o nível do hormônio estava inalterado. FSH: 4 trabalhos-2 se relacionaram negativamente ao IMC; 2 não obtiveram resultados significativos. Inibina B: 6 estudos-todos observaram a diminuição dos níveis do hormônio quando o IMC era elevado. Estradiol: 9 estudos - 6 mostraram uma relação positiva entre o estradiol e IMC; 3 não apresentaram resultados significativos. Leptina: 2 artigos-ambos mostraram que o aumento do IMC pode estar relacionado com o aumento dos níveis de leptina. 14 estudos que analisaram parâmetros seminais em relação ao IMC: Volume seminal: 6 estudos-1 apresentou associação negativa com IMC; 5 não apresentaram relação significativa. Concentração espermática/ml: 11 trabalhos-7 mostraram que a elevação do IMC está relacionada com a diminuição da concentração; 4 não apresentaram resultados significativo. Concentração Total: 9 trabalhos-5 relacionaram o parâmetro negativamente com o IMC; 4 não apresentaram resultados significativos. Motilidade: 10 artigos-4 mostraram uma relação negativa com o IMC; 6 estudos não apresentaram resultados significativos. Morfologia espermática: 7 estudos - 2 mostraram que a elevação do IMC leva a uma diminuição dos espermatozóides de morfologia normal; 5 estudos não apresentaram resultado significativo. Fragmentação de DNA: 3 trabalhos-2 mostraram uma relação positiva com o IMC; 1 não mostrou resultado significativo. CONCLUSÃO: A revisão encontrou forte evidência de uma relação negativa entre IMC e testosterona, inibina B e SHBG, além de alguns parâmetros seminais como concentração espermática/ml e total e fragmentação do DNA. A maioria dos trabalhos relacionou obesidade e doenças ligadas ao excesso de peso com a melhora na fertilidade masculina após a perda de peso, apresentando resultados promissores no restabelecimento da fertilidade e normalização nos níveis hormonais e parâmetros seminais.
Silva, T.M.1; Approbato, M.S.1; Maia, M.C.S.1; Arruda, J.T.2; Approbato, F.C.1
1UFG; 2UFG/CAPES
OBJETIVO: Avaliar os resultados de exame seminal de pacientes submetidos a procedimentos de alta complexidade em reprodução assistida e verificar qual alteração teve maior prevalência. MÉTODOS: 248 swim-up de pacientes submetidos à FIV ou ICSI, nos anos de 2007 a 2010 foram avaliados segundo os critérios da OMS (1999): oligozoospermia, astenozoospermia, teratozoospermia e azoospermia. RESULTADOS: Em 2007 realizamos 65 ciclos de FIV/ ICSI. 37 homens (56,9%) apresentavam alterações na análise seminal. 3(4,6%) oligozoospérmicos, 2(3,1%) astenozoospérmicos, 11(17%) teratozoospérmicos. Não houve casos de azoospermia. Dois tipos de alterações: oligoastenozoospermia 1 caso(1,5%), oligoteratozoospermia 7 casos(10,8%), astenoteratozoospermia 1 um caso(1,5%). Em 12(18,5%) havia os três tipos de alterações. Em 2008 totalizamos 73 ciclos. 46 indivíduos (63%) tinham alterações. Oligozoospermia 3 casos(4,1%), astenozoospermia 1 caso(1,4%), teratozoospermia 15 casos(20,5%) e azoospermia 2 casos(2,7%). Oligoastenozoospermia 4 casos(5,5%), oligoteratozoospermia 6 casos(8,2%) e astenoteratozoospermia 5 casos(6,8%). 10 pacientes(13,7%) com as três alterações. Em 2009, 58 casais foram submetidos à FIV/ICSI, 37 homens (63,8%) apresentaram alterações. Oligozoospermia 5 casos(8,6%), astenozoospermia 1(1,7%), teratozoospermia 14(24,3%) e azoospermia 4 casos(6,9)%. Duas alterações: oligoastenozoospermia 1 caso(1,7%), oligoteratozoospermia 2 casos(3,4%), astenoteratozoospermia 2 casos(3,4%). 8 pacientes(13,8%) apresentavam três alterações. Em 2010, entre 52 ciclos realizados, 27 homens (52%) tinham alteração, sendo 3(5,8%) com oligozoospermia, 1(2,0%) astenozoospermia, 6(11,5%) teratozoospermia e 3(5,8%) azoospérmicos. 5(9,7%) com oligoteratozoospermia e 6(11,5%) com astenoteratozoospermia. Não houve casos de oligoastenozoospermia e 3 casos(5,6%) com três alterações. CONCLUSÕES: Causas mais freqüentes de subfertilidade masculina são: varicocele, obstruções, criptorquidia, infecções, gonadotoxinas, disfunção ejaculatória, falência testicular, causas genéticas e fatores ambientais como o fumo e álcool. Verificamos que entre os casais submetidos a ciclos de FIV/ICSI há altas taxas de exame do sêmen alterado no dia do procedimento. A menor taxa encontrada foi de 52%, em 2010 e a maior de 63,8% em 2009. A principal anormalidade verificada no período estudado foi na morfologia dos espermatozóides (teratozoospermia) que tem sido correlacionada clinicamente com varicocele e tabagismo.
Araujo, E.A.1; Araujo, E.A.1; Araujo, E.A.2; Araujo, E.A.1; Araujo, E.A.1
1Centro de Reprodução Humana de São José do Rio Preto;
2Centro de Reprodução Humna de São José do Rio Preto
RELATO DO CASO: Paciente com 28 anos, casada, com diagnóstico de SMRKH. O ultrassom (US) evidenciou a presença dos dois ovários, útero rudimentar. Os ovários não eram visíveis por via vaginal, mas facilmente visualizados por via abdominal, próximos à parede abdominal. A paciente apresentava exame físico normal mas só o terço inferior da vagina. Dosagens hormonais todas normais (FSH, LH, estradiol, TSH, PRL). Cariótipo: 46XX.A receptora tinha 33 anos,era irmã da paciente em questão e tinha 01 filho. As dosagens hormonais eram normais. O ultrassom mostrou útero e anexos normais. Realizamos dosagens de progesterona (P4) e estradiol (E2) semanais e com a queda dos dois iniciamos o anticoncepcional (AO) contínuo. A receptora (irmã) também foi colocada no AO. Acetato de leuprolide foi iniciado 10 dias antes de parar o AO. A receptora ao menstruar iniciou no dia 2 do ciclo estradiol 2mg de 8 /8 hs até o primeiro US no 8º dia, mantendo essa dose até a transferência de embriões. A paciente com SMRKH ao parar o AO iniciou 300 UI de Gonal F por 3 dias, 225 UI no 4o dia e 150 UI no 5o, 6o e 7o dias de estimulação. US no 8º dia: receptora: US endovaginal: endométrio de 9 mm , padrão trilaminar (TL). A irmã apresentava 08 folículos dominantes de 12 a 16 mm em (OD) e 04 folículos dominantes variando de 12 a 15 mm em (OE) ao US abdominal. Seguimos com Gonal F, 150 UI/dia e US em ambas. No 12º dia os folículos da doadora atingiram 18 a 20 mm de diâmetro e o endométrio da irmã: 12 mm (TL). HCG, 10 000 UI (IM) foi administrado à paciente no mesmo dia e a aspiração folicular realizada 36 hs após, guiada por ultrassom ABDOMINAL e a irmã começou a progesterona natural, 1000 mg/d e manteve o estradiol na mesma dose. Seis ovócitos maduros (MII) foram identificados. A fertilização produziu 04 embriões que foram transferidos para a irmã (receptora). O Beta HCG 14 dias após : 450.0 mUI. Ultrassom 14 dias após o teste: gestação gemelar. Parto cesáreo com 33 semanas: duas meninas com 1720 g e 42 cm e 1840 g e 44 cm, saudáveis! DISCUSSÃO: A utilização da via vaginal para coleta dos ovócitos é prática comum mesmo em mulheres com a síndrome SMRKH e o acesso laparoscópico é utilizado quando da impossibilidade do acesso vaginal, porém esse é mais agressivo e de maior custo para a paciente. Esse caso demonstra a possibilidade de se utilizar a punção percutânea transabdominal guiada por ultrassom como mais uma forma de coleta de ovócitos em casos selecionados de SMRKH.