JBRA Assist. Reprod. 1997;01(03):126-126
OPINIÃO

doi: 10.5935/1518-0557.1997.1.3.08

Comentários sobre o 53rd Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva

Renzo Antonini Filho

Correspondência:
Dr Renzo Antonini Filho
R. Carangola, 371 apt 201
Belo Horizonte - MG, CEP 30330-240

Atendendo ao convite do editor do JBRA, escrevi o que não pretende ser uma resenha e, sim, a maneira que eu percebi o 53º Congresso da ASRM (American Society of Reproductive Medicine), onde estiveram presentes 28 brasileiros!

A procura e o anseio de se produzirem blastocistos que, seguramente, por seleção ou melhor ambiente uterino, aumentam as taxas de gravidez por transferência, continua viva. Entre as duas opções existentes (co-cultura e modificações nos meios de cultura), os trabalhos apresentados, em número e qualidade, parecem pender em direção dos novos meios em 2 estágios (um para os dois primeiros dias de cultivo e outro para os dias restantes). O trabalho de Gardner, neste sentido, foi, inclusive, premiado pelo Congresso e os seus meios, G1 e G2, logo estarão disponíveis. Já se encontram à venda os meios fornecidos pela Irvine (P1 e Blastocistos) e pela IVF Scandinavian (S1 e S2). Embora as taxas de gravidez por transferência tenham aumentado sensivelmente (acima de 50%!), o mesmo índice, por ciclo iniciado, não parece ainda ser compensador. A grande crítica, com o aumento do número de cancelamentos de transferência, seria que embriões com possibilidades de se implantarem no 3º dia não atingem o estágio de blastocisto. No nível atual desta discussão, pareceria boa indicação para este tema o seu emprego em pacientes jovens, no sentido de evitar gravidez múltipla.

A introdução dos meios sem glicose e sem fosfato com substituto de soro parece que vai deslocar os meios tradicionais para cultivo de embriões no 2º ou 3º dias. Vários trabalhos mostraram ganho de 10% a 15%, a mais quando comparados com os meios comumente empregados.

A transferência de embriões vem merecendo maior atenção. Houve retomada do estudo dos diferentes tipos de catéteres empregados, uso auxiliar de ultra-sonografia e a diferença entre os profissionais que realizam o procedimento.

Parece ser compensador o emprego do catéter do tipo Wallace (coaxial com catéter para embriões de material liso e muito delicado), na melhoria dos resultados.

O congelamento de zigotos, na fase de pronúcleo, parece oferecer melhor resultado; no entanto, a difícil decisão no primeiro dia de cultura faz deixar esta opção para pacientes em que não se vai transferir (superestímulo) ou pacientes muito jovens. Afora estas indicações, a opção do 3º dia parece prevaceler entre os principais centros. A escolha do 3º dia permite boa seleção dos embriões a serem transferidos a fresco e, para os congelados, boa sobrevivência, com taxas de 15 a 20% de gravidez. Esta taxa pode ser elevada (J. Cohen e cols. - Saint Barnabas) com “Assisted Hatching” e retirada dos blastômeros fragmentados.

A propósito do “hatching”, nota-se retomada da técnica por alguns grupos nas suas indicações tradicionais: pacientes acima de 38 anos, zona espessa (>15mm), embriões de má qualidade ou após descongelamento. Esta atitude, no entanto, continua restrita a praticamente os mesmos centros que sempre praticaram o “hatching”, não se observando a rápida difusão como a que aconteceu com o surgimento da ICSI.

O fenômeno da implantação mereceu destaque em vários trabalhos durante o congresso. Neste segmento, observa-se a grande dificuldade da transposição dos conhecimentos gerados em nível básico para a prática clínica. A descrição de vários marcadores endometriais, com destaque para as integrinas e fatores de crescimento, sugere a complexidade do mecanismo de seus múltiplos agentes, sendo pouco provável que um deles, ou mesmo um grupo deles, vá orientar o clínico para a melhor condição da transferência. Alguns dados clínicos parecem consolidar-se: a baixa capacidade de discriminação do estudo histológico e a espessura endometrial menor que 7 mm e maior que 14 mm para a ocorrência da gravidez.