JBRA Assist. Reprod. 2000;04(03):110-110
EDITORIAL
doi: 10.5935/1518-0557.2000.4.3.01
As técnicas de Reprodução Assistida (TRA) conseguiram solucionar inúmeros problemas de infertilidade nos últimos anos, entretanto sua eficiência ainda é baixa e uma boa política para atingir o sucesso será compreender o fenômeno da repetição do procedimento, ou seja, preparar o casal infértil também para o insucesso.
Sabe-se, que a ansiedade gerada pela dificuldade em obter filhos, inicia-se de uma forma natural, porém a medida que os insucessos aparecem com as diferentes formas de tratamento, podem surgir sensações negativas de uma ansiedade patológica ou tóxica que em algumas ocasiões caminhará rapidamente para uma depressão ou um comportamento agressivo, ou até mesmo sintomas de compulsão, ou obsessão.
A síndrome de estresse provocada pelas TRA (SERA) é uma realidade, podendo atingir em menor ou maior grau o casal infértil. Dessa forma, no processo de repetição ou de nova tentativa os pacientes com SERA deverão ser identificados e uma abordagem dirigida poderá evitar dificuldades no relacionamento da equipe médica com os pacientes. Clinicamente, observa-se que além do habitual estresse provocado pela ausência da maternidade ou paternidade, surgem novos agentes estressantes como: 1. falta de dinheiro para repetir o procedimento; 2. coleta de óvulos em número reduzido ou qualidade baixa; 3. Número de embriões formados em cultura reduzido ou de qualidade baixa; 4. o teste negativo para a gravidez e suas cicatrizes, etc.
Do ponto de vista prático, não existem sistemas de avaliação de estresse adaptado para a realidade do casal infértil brasileiro que possui características culturais e sócio-econômicas distintas dos europeus ou americanos.
Essa linha de investigação não requer grandes investimentos, entretanto nessa área a falta de trabalhos em nosso meio é assustadora.
J. G. Franco Júnior