JBRA Assist. Reprod. 2001;05(03):98-98
EDITORIAL
doi: 10.5935/1518-0557.2001.5.3.01
Não foi fácil, mas afinal acabamos classificados para a Copa da Coréia/Japão após uma série de derrotas que nunca imaginaríamos que pudessem acontecer. Da mesma forma, em Reprodução Assistida não suporíamos que uma tênue possibilidade de clonagem humana fosse tão discutida pela imprensa. Muitas vezes fico pensando qual seria nossa chance na Copa se os adversários da fase classificatória (China, Turquia, Costa Rica) fossem outros. Hoje, diluiu-se um pouco o pessimismo que pairava no ar, porém as preocupações continuam por diversas razões (o Felipão não tem estratégia definida, sempre foi retranqueiro como técnico, a geração de jogadores atuais carece de craques, etc) e acho que ainda são poucos os brasileiros que acreditam numa performance excelente (chegar na final da Copa) da seleção.
Hoje,a pesquisa animal tem mostrado discreta melhora nas taxas de implantação de embriões clonados, especialmente de bovinos porém os riscos ainda são elevados de aborto e malformações congênitas.
Supondo que o Felipão como por milagre descida por um esquema com líbero (3-4-3) ou o ousado (4-2-4), um período adequado de treinamento fosse executado religiosamente, isso tudo associado com excelentes atuações nesses jogos preparatórios definidos parainício de 2002, ficaria difícil imaginar que algum brasileiro não iria acordar antes das 6 horas para assistir a Copa (tempo jogo + possível comemoração de aproximadamente 1 hora), e consequentemente, o horário para a coleta de óvulos no Centro teria que ser modificado.
Por outro lado, supondo que realmente o desenvolvimento das pesquisas sobre clonagem humana criasse a idéia que seria uma tecnologia segura e com riscos aceitáveis para o concepto, a clonagem poderia ter indicação médica para pacientes que não possuíssem gametas. Entretanto, nem sempre sua aceitação seria fácil, pois imagine uma mulher (sem problema reprodutivo) tendo que doar seus óvulos que seriam desnucleados (retirado seu DNA) e onde o núcleo da célula somática do parceiro (com o problema reprodutivo) seria depositado e ativado, dando origem a embriões que transferidos para o útero dessa esposa ou companheira (cujo nome poderia ser Amélia), gestaria um concepto com o mesmo patrimônio genético do marido. Excluiu-se o patrimônio genético de alguém que foi punida por ser sadia, ora se o problema é ter um filho porque não usar um banco de esperma (tecnologia de alta segurança). Na situação inversa, em que o homem (sem problema reprodutivo) assiste alguém doar óvulos (terceira parte / DNA mitocondrial) para que o núcleo da célula somática da sua esposa seja introduzido formando embriões que gerariam filhos sem seu patrimônio genético. Novamente, impõe-se uma tecnologia para alguém que poderia simplesmente ser mãe com uma tradicional doação de óvulos, excluindo-se o parceiro sadio do processo reprodutivoo
Esperança e tecnologia andam juntas, porém fica mais fácil acreditar que o Brasil será pentacampeão do que a clonagem humana por indicação médicapossa ter algum espaço terapêutico (excluir haploidização desse raciocínio).
Feliz 2002
Franco Junior