JBRA Assist. Reprod. 2002;06(01):10-11
ARTIGO ORIGINAL

doi: 10.5935/1518-0557.2002.6.1.03

Acompanhamento do posicionamento intrauterino da gota embrionária logo após transferência e esvaziamento vesical da paciente

Follow-up of embryo drop's intrauterine position right after embryo transfer and emptying of the patient's bladder

J. S. Teixeira, B. A. Teixeira, F.C. Sodré, C. Maranhão

Accepted November, 2001

Correspondência para:
Dr. Sebastião Teixeira
CIGO - Centro de Fertilização In Vitro
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Resumo
A conduta da manter a bexiga cheia para facilitar a visualização ultrasonográfica durante a transferência embrionária poderia trazer alguns questionamentos, especialmente como a movimentação precoce para urinar. Desde que isto seria logo após a transferência embrionária, quais seriam as conseqüências deste esforço sobre o posicionamento intrauterino dos embriões. Um estudo controlado de ultra-sonografia abdominal durante um total de 30 transferências embrionárias comprovou que a gota do material da transferência intrauterina não se deslocava em direção ao orifíciointerno do colo uterino. Dessa forma, a movimentação precoce da paciente e o esvaziamento vesical poderiam não alterar os resultados em fertilização Hin vitro".

Unitermos: transferência de embriões, ultra-sonografia abdominal, bexiga cheia.

Abstract
Tile procedure ofkeeping a full bladder in ordertoease ultrasnographic visualization during embryo transfer could give rise to some questioning,especially regarding early movement leadingtourination.Since this would accur soon after embryo transfer, what would the consequenses of this effort on intrauterine positioning of the embryo be?Acontrolled abdominal ultrassonographic study following a total of30 embryos transfers confirmed that the drop of material of the intrauterine transfer was not displaced in the direction of the internal orifice of the uterine neck. Therefore, early movement and bladder emptying by the patient maynot after the results of"invitro" fertilization procedures.

Key words: embryotransfer, embryodrop, ultrasonogrnphic visualization, fullbladder.

Introdução
A literatura apresenta diversos trabalhos sobre a importância da técnica de transferência embrionária (TE) como fator determinante no sucesso do tratamento (Heams-Stokes et al., 2000, Abdelmassih et al., 2001, Berger et al., 2001). Recentemente, melhores índices de gestação são relatados quando a TE é feita sob visualização ultra-sonográfica transabdominal.(Strickler et al., 1985, Dias Jr et al., 2001, Sassy et al,2001). Em nosso centro, durante muitos anos a paciente permanecia em repouso absoluto por3 horas após a TE, e o enchimento da bexiga era obrigatório emcaso do útero na posição de anteversoflexão.
O objetivo deste trabalho foi estudar por via ultra-sonográfica a gota do material da TE, no momento da transferência, após o esvaziamento da bexiga e com a movimentação da paciente.

Materiais e Métodos
Um total de30 TE foram feitas realizadas na CIOO, entre Fevereiro de 2001 e Julho de 2001 sob visualização por ultra-sonografia abdominal. Do estudo foram excluídas aquelas pacientes que precisaram do uso da pinça de Po:zziparatraçãodo colo, ou aquelas que preferiram não entrar no estudo por dúvidas quanto aspectos ligados ao processo de TE atual.
No protocolo para transferência embrionária, os cuidados com a esterilização do médico foram os de rotina (luvas, afastar o talco das luvas, etc), emseguida o colo uterinofoi lavadocom solução salina estéril e o excesso de muco cervical foi retirado. Antes daTE, o endométrio foi bem visualizado,paraverificara existênciade alguma imagem quepudes confundir-se com a gota embrionária. Na ausência deste artefato, prosseguia-se com a colocaçãodo cateter de Frydman, prenchido com 20 microlitros HIF (Medium Irvine-9962) com soro matemo (75%/25%), e a seguir os embriões e mais 20 microlitros do HIF com soro matemona mesmaconcentraçã:>.O volume total foi de aproximadamente 50μl.
Aextremidadedo cateter de Frydman ficava distando aproximadamente um centímetro do fundo uterino. Lentamente, os embriões eram despositados e a "gota embrionária", a qual ficava nitidamente visível como uma pequena área hiperrefringente, era fotografada.
O cateter era lentamente retirado e examinado pela embriologista, pam verificarse algum embrião teria voltado no mesmo (fato que não aconteceu durante este estudo). Retirado o espéculo vaginal, a paciente era liberada, de imediato, para ir, andando até o banheiro localizado ao lado da sala de transferência, e voltar assim que possível.

 

Figure 1

 

Após uma média de cinco minutos a paciente retomava à sala de transferência, para uma ultra-sonografia pélvica endovaginal quando a área de hiperremngência, acima descrita, foi identificada e fotografada.

Resultados
Não houve nenhum caso de desaparecimento da gota embrionária, o que poderia sugerir expulsão dos embriões, nem mesmo qualquer deslocamento apreciável, caudalmente, da mesma em direção ao orifício cervical interno.
Nas 30 TE não tivemos qualquer indício de que a locomoção da paciente, logo após a transferência embrionária, bem como após o esvaziamento vesical, modificasse o posicionamento da gota embrionária intrauterina. As nossas transferências tiveram como preocupação primordial, a ausência de traumaao útero.
Nada encontramos que justificasse a persistência de dúvidas quanto a existência de qualquer contra-indicação para que as pacientes, pós-transferência embrionária, executem um esvaziamento vesical, ou seja, o repouso não afetava a posição da gota embrionária.

Discussão
Como é do conhecimento de todos que praticam a fertilização assistida, a transferência embrionária é uma das fases mais importantes de todo o processo (Abdelmassih Y.G et al, 2001 Heams-Stokes R.M. et al, 2000). Com o advento do uso da ultra-sonografia para auxílio deste processo, trazendo aumento dos Índices de gestação (Dias Jr.J.A. et al, 2000 e Strickler R.c. et al, 1985), houve uma tendência geral de adotar-se, também, esta rotina. Restava responder à questão da possibilidade da expulsão embrionária, por ocasião do esvaziamento vesical da paciente, quando não o conseguisse de outra maneira e que viria implicar em cateterismos vesicais (mesmo com os riscos de infecção inerentes ao mesmo) com o intuito de acabar com esta "expulsão" e "tentar melhorar" ainda maisos resultados.Este aspecto ainda não o fora diretamente abordado de maneira a permitir com que ficássemos tranqüilos e pudéssemos tranqüilizar nossas pacientes.
Apesar do número pequeno de ciclos não houve evidencias quanto a moditicações na gota embrionária, não havendo necessidade da paciente passar pelo intenso desconforto de controlar uma bexigacheia, muito menos fazer uma cateterização vesical. Achamos também que já podemos transmitir-lhe a informação de que estudos iniciais não tem mostrado qualquer efeito deletério desta conduta no posicionamento dos embriões no útero. Como a característica mais comum entre nossas transferências foi a inexistência de qualquer agressão ao útero, e não termos visto qualquer tendência de deslocamento da "gota embrionária" para o orifício interno do colo, questionamos os trabalhos onde este deslocamento foi mencionado (Zeynelogly et al, 2001). Talvez as contrações uterinas descritas poderiam ter advindo de algum contato da extremidade do cateter com o fundo uterino, ou qualquer outro manuseio do colo. Nesse trabalho não foi mencionado o uso ou não de tração do colo uterino, etc.
Após esses resultados iniciais, apenas recomendamos que as pacientes devem ter os mesmos cuidados que solicitamos de qualquer "gestante" no primeiro trimestre, evitando qualquer esforço físico além o de andar normalmente acrescentando apenas, que evitem relações sexuais por um período de oito dias, período estimado para que a implantação embrionária estaria definitivamente completa.

Referências
Abdelmassih Y.G, Abelmassih S.T., Nagy Z.P., Abelmassih R., Balmaceda 1. - Tech effect of ultrasound (US) guided embryo transfer (ET) and the choice of catheter on the outcome of lVF. Fertil.Steril.76:S 88-S 90, 2001.

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Zeynelogly H.B., Duran H.E., Ballaci V. and Batioglu S.A.: Ultrasonographic observation of the direction of embryo droplet displacement by uterine contractions ( UC ) at the time of embryo transer ( ET ) may predict the pregnancy outcome. Fertil.Steril.76:S1-S2, 2001.