JBRA Assist. Reprod. 2003; 07(03):38-39
OPINIÃO
doi: 10.5935/1518-0557.2003.7.3.08
No passado recente tivemos a oportunidade de galgar cargos da SBRH até chegar à sua presidência. Trabalhando fundamentalmente em clínica de fertilidade conjugal particular e em hospital-escola desde 1966, e na SBRH, pudemos desenvolver cursos teóricos e principalmente “tutoriais”, inclusive itinerantes para várias capitais, ensinando na prática: endoscopia, microcirurgia, laboratório de consultório e imageologia relativa aos procedimentos clínico e cirúrgicos em reprodução humana.
A SBRH, que também antecedeu, quando da sua criação, a FEBRASGO, nos deu a oportunidade, nesta última, de chefiar a Comissão Nacional de Reprodução Assistida, e atualmente a Comissão Nacional de Endoscopia, sempre prestigiando cursos menores e congressos (os mais práticos possíveis), introduzindo cada vez mais ginecologistas generalistas na reprodução humana, especificamente infertilidade conjugal.
Dentro daquelas funções, também tive o privilégio de presidir a FLASEF (Federação Latino-americana de Esterilidade e Fertilidade). Destaco com grande júbilo que a SBRH e a FLASEF fizeram, por influência de nossos Serviços, obviamente com muitos outros departamentos de Ginecologia e Obstetrícia, os maiores eventos na área. E, recentemente, consensos de endoscopia, de procedimentos em reprodução humana e a imageologia, sempre incluindo oportunidades para todos na clínica de infertilidade, em igualdade de condições. Democraticamente, em nossos eventos convidamos todos os profissionais da área que tiveram participações importantes.
Assim, a SBRH, depois a FEBRASGO no Brasil e a FLASEF na América Latina, satisfaziam os “púlpitos” (no meu entendimento) da subespecialidade.
Dificuldades para organizar congressos e cursos maiores e menores sempre nos levaram a criticar a “miríade” de sociedades que se formavam frente ao compreensível esforço de grupos, neste grande Brasil, que desejam também organizar e presidir entidades, a despeito das comissões e eventos daquelas “sociedades mães”, FEBRASGO e SBRH.
As dificuldades relatadas eram principalmente devidas a agendamentos conflitantes e divisão de parcos apoios dos laboratórios que propiciam cursos e congressos.
Por isso condenei a nível latino-americano a REDE, tendo chamado o Dr. Fernando Zeghers, do Chile, que a estava organizando, para incluí-lo na FLASEF, pedido que foi negado. Também a SBRA sofreu minhas críticas. Tínhamos e temos, como disse, púlpitos suficientes, sem a REDE e/ou a SBRA, para os eventos regionais e nacionais. Veja-se que na prática, as “sociedades mães” continuam a ser as detentoras dos maiores eventos, mesmo nas subespecialidades.
É óbvio que nas grandes sociedades e nas pequenas, são os mesmos médicos generalistas ou especialistas que se envolvem!!!
Mas a SBRA surgiu e vingou. Não poderia ser diferente, pelas diretorias que tem tido.
Espero que a SBRA consulte, na organização de seus eventos, também os pioneiros na área que processa!!!
No livro da “Roca, Reprodução Humana I”, sob os auspícios da FEBRASGO, registramos os sete primeiros FIVs com sucesso no Brasil. Fácil de observar também nas bibliografias de vários capítulos de outros livros, e em periódicos de 1975 em diante. Parece-me que esses fatos não foram relevantes no último evento da SBRA em Salvador.
Faço algumas sugestões à SBRA:
1) Não elitizar os procedimentos da “ART”, erro fácil de ser cometido, incluindo a mídia faminta nas promoções que acabam sendo elitistas quando divulgam métodos que atendem à minoria dos casais inférteis.
2) Precisamos ensinar a imageologia e outros tipos de exames diagnósticos para indicar a ART como alternativa na falha dos tratamentos convencionais.
3) Promover, ao lado dos procedimentos de FIV, outras condutas simultâneas ou não, que também propiciem gestações. Temos dobrado o número final de gestações em um ano associando laparoscopia e FIV no mesmo ato (em publicação).
4) Todos fazemos as micromanipulações e as propagamos, mas divulga-se muito pouco a necessidade de laboratórios comunitários. Na ausência desses cuidados, serão os grandes laboratórios de análises clínicas e hospitais, além das escolas médicas, que reterão os doentes particulares, particularizados e/ou realmente pobres, mas que precisam ou procuram os métodos da “ART” à “ bon marché”.
5) Quanto às sociedades que funcionam, eventos aglutinando-as seriam demonstrações de bom senso, evitando grandes dispêndios e incluindo mais profissionais, sem pletoras e proximidades de congressos.