JBRA Assist. Reprod. 2004; 08(03):33-34
RESUMO DE TESE
doi: 10.5935/1518-0557.2004.8.3.08
Resumo da tese de doutorado submetida ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de doutor em Antropología Social.
Resumo
Novas tecnologias reprodutivas ou reprodução assistida são um conjunto de procedimentos da Medicina de reprodução humana que permite a concepção sem o ato sexual, contornando empecilhos clínicos ou sociais para a gravidez. Este trabalho analisa as teorias da concepção, as noções de pessoa e as de parentesco nas representações da reprodução assistida e da clonagem, presentes no discurso nativo de mulheres usuárias de serviços de fertilidade e de profissionais atuantes nesses serviços, bem como nas representações presentes nos discursos eruditos de diversos saberes que enfocam as novas tecnologias reprodutivas (além da mídia em geral). Concepção, pessoa e parentesco são representados como fatos pertencentes ao âmbito da natureza, enquanto tais tecnologias de procriação são vistas como áreas de tecnologia de ponta na biomedicina, com tal contradição entre natureza e cultura sendo objeto de análise. O desenvolvimento das tecnologias de procriação e outras questões chave do campo da Medicina de reprodução humana fazem parte desta investigação. É analisada a experiência da infertilidade e do seu tratamento a partir da vivência das usuárias e do ponto de vista clínico, considerando questões de risco e eficácia. A pesquisa inclui um retrospecto histórico das instituições de parentesco de sangue no Ocidente e das teorias sobre concepção e hereditariedade, além de material etnográfico de outras culturas no tocante à reprodução humana, com o objetivo de colocar em perspectiva os valores e categorias da cosmovisão ocidental moderna.
Palavras-chave: novas tecnologias reprodutivas, clonagem, parentesco, pessoa, teorias da concepção, embrião.
Abstract
New reproductive technologies or assisted reproduction are procedures of human reproductive medicine that allow conception without intercourse, getting around clinica! or social impediments to pregnancy. This paperanalyzes conception theories, ideas of personhood and notions of kinship in representations of assisted reproduction and cloning that are present in the native discourse of women engaged in fertility treatment and professionals that work in this area, as well as representations from different types of erudite knowledge and mass media that focus new reproductive technologies. Conception, personhood and kinship are represented as facts from the natural realm, while such technologies of procreation are regarded high advanced technology in biomedicine. This contradiction between nature and culture is analyzed. This research focuses the development of these procreation technologies and other key questions within the field of human reproduction medicine. The paper analyses women's experience regarding infertility and its treatment, as well as the clinical point of view, considering issues of risk and efficacy. This research includes a historical retrospect of the institutions of blood kinship in the Occident, and of theories of conception and heredity, besides ethnographic material about human reproduction from other cultures, aiming to put in perspective the values and categories of modern occidental cosmovision.
Key words: new reproductive technologies, cloning, kinship, personhood, conception theories, embryo.