JBRA Assist. Reprod. 2005;09(2):6-6
EDITORIAL

doi: 10.5935/1518-0557.2005.9.2.01

Saúde Ambiental

Ana Cristina Allemand Mancebo

Maria do Carmo Borges de Souza

Todos os que estivemos em Copenhague, por ocasião do ESHRE, nos surpreendemos com a alta incidência de fator masculino na Dinamarca, onde cerca de 6% da população são hoje nascidos de técnicas de reprodução assistida de alta complexidade. Aliás, toda a Europa vê as questões da fertilidade como uma crise, e acredita-se que o número de casais que necessitam de tratamento especializado vá dobrar na próxima década.

Há muito se fala na possibilidade de que contaminantes ambientais possam causar alterações no comportamento reprodutivo, contribuir para a subfecundidade, infertilidade, aborto e retardo no crescimento intra-útero, e mesmo causar falência ovariana. São dados a serem considerados, ao lado de fatores sociais como postergação de maternidade, exposição a DST e problemas como obesidade, drogas ou alcoolismo.

Estudos em animais indicam que a correlação ambiental existe. Na saúde reprodutiva humana, entretanto, é de difícil comprovação, e os estudos em geral apresentam resultados controversos ou fracas evidências. Dados surgem em diferentes populações do hemisfério, sempre ligadas a problemas aparentemente locais.

Este fato, por si só, faz que esta área do conhecimento mereça atenção maior por parte da comunidade científica, no sentido de estudar mais profundamente o assunto.

A idade da mulher é um limite para o sucesso na obtenção da gravidez. Os oócitos fisiologicamente se reduzem em número ao longo do tempo, mas também estão expostos a dano do DNA nuclear, estresse oxidativo e outros por efeitos adversos. A exposição pode ser ocupacional, como, por exemplo, uma pessoa que trabalha manipulando quimioterápicos; pode ser pelo estilo de vida, por fumo, álcool, drogas ou exposição involuntária, que nós todos sofremos pela presença dos contaminantes no ar, nos alimentos e na água que consumimos.

Precisamos buscar evidências dos riscos reprodutivos que os fatores ambientais podem causar na saúde reprodutiva. Trata-se de investigar simultaneamente todo um estilo de vida, urbano e/ou rural, buscando dados que nos permitam ações maiores, em termos de saúde coletiva.

 

Ana Cristina Allemand Mancebo
Maria do Carmo Borges de Souza