JBRA Assist. Reprod. 2005;09(3):20-48
POSTERES

doi: 10.5935/1518-0557.2005.9.3.03

POSTERES

 


 

Impacto dos Anticorpos Antiespermatozóides nos Resultados da ICSI

Autores: Danielle T. Schneider, Sidney Verza Junior e Sandro Esteves

ANDROFERT - Centro de Referência em Infertilidade Masculina, Campinas, SP

INTRODUÇÃO:

Anticorpos antiespermatozóides podem causar diminuição na fertilidade, devido a redução da motilidade dos espermatozóides por aglutinação ou imobilização, inibição da migração dos mesmos pelo trato genital da mulher, além da alteração da capacitação e da reação acrossômica, bloqueando a interação do espermatozóide com o óvulo.

OBJETIVO:

O objetivo deste estudo foi avaliar a influência dos anticorpos antiespermatozóides presentes na superfície dos espermatozóides nos resultados da injeção intracitoplasmática do espermatozóide no óvulo (ICSI).

MATERIAL E MÉTODOS:

Estudo retrospectivo onde foram analisados 261 ciclos de ICSI, realizados de janeiro de 2000 a dezembro de 2004, nos quais havia investigação prévia de AAE no sêmen. Para a detecção de anticorpos foi utilizado o teste de immunobeads direto (H+L, Irvine Scientific, EUA), determinando-se a porcentagem de espermatozóides com anticorpos ligados à sua superfície. Os casos foram divididos em quatro grupos, de acordo com o percentual de anticorpos: Grupo I (n = 140): 0 a 10% de AAE; Grupo II (n = 85): 11 a 20%; Grupo III (n = 22): 21 a 50%; e Grupo IV (n = 14): 51 a 100%. A análise comparativa foi realizada tanto entre os quatro grupos quanto apenas entre os grupos positivo e negativo (grupo 1 + 2 = negativo, e grupo 3 + 4= positivo). A análise comparativa entre os grupos foi realizada de duas maneiras diferentes: por ciclo e por paciente. A técnica utilizada para o processamento seminal foi o gradiente descontínuo coloidal. Os resultados da ICSI foram avaliados em relação a taxas de fertilização normal (2 PN), velocidade de clivagem, taxa de clivagem, qualidade embrionária no dia da transferência, taxa de gravidez clínica e taxa de aborto. Foram utilizados os testes para dados não-paramétricos Kruskal-Wallis ANOVA e Mann-Whitney, com nível de significância 0,05 para comparar os resultados entre os grupos.

RESULTADOS:

Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa em nenhum dos parâmetros analisados entre os quatros grupos avaliados, tanto quando comparados os resultados por ciclo de ICSI (p = NS, Tabela 1), quanto quando comparados os resultados cumulativos por paciente, nem tampouco entre os grupos positivo e negativo.

CONCLUSÃO:

Este estudo demonstrou, portanto, que a técnica de ICSI é eficaz no tratamento da infertilidade imunológica masculina, de forma que estes indivíduos portadores de anticorpos antiespermatozóides podem ter as mesmas chances de sucesso do tratamento e gravidez dos demais indivíduos submetidos à ICSI.

 

Table 1
Tabela 1. Análise descritiva e comparativa dos parâmetros clínicos e laboratoriais entre os grupos 1-4 comparados por ciclo . Valores em mediana e percentis 25-75%

 


 

Técnica de Isolamento Celular do Testículo de Ratos para Transplante Utilizando Tripsinização a 4º C

Autores: Terraciano, PB; Paz, AHR; Horn, MM;Fritsch, M; Passos, EP; Cirne-Lima, EO

Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento em Reprodução - Centro de Pesquisas do HCPA

O transplante de espermatogônias pode ser empregado com sucesso, a fim de restabelecer a espermatogênese de animais inférteis, sendo esta uma técnica plausível de ser aplicada em humanos, nos casos onde a espermatogênese tenha sido afetada por agentes químicos, como nos tratamentos para alguns tipos de câncer. Nestes casos, a coleta e a criopreservação de material testicular representam uma possibilidade de restabelecer a fertilidade. Desta forma, é necessário estabelecer a execução das técnicas, de forma rotineira, de isolamento de células, manipulação in vitro e transferência das espermatogônias para outros indivíduos.

As células testiculares apresentam características peculiares: podem ser colhidas do testículo de um doador, mantidas in vitro e transferidas para um testículo receptor, onde podem recolonizar o tecido lesado, estabelecer espermatogênese e produzir espermatozóides maduros com o haplótipo do doador. Durante o processo de isolamento e transferência, a recolonização espermática dá-se de forma fiel à reconstrução de uma complexa associação celular, encontrada na espermatogênese normal.

Os protocolos usuais para dissociar células testiculares fazem uso de colagenase, hialuronidase e tripsina, que, apesar de eficazes, tornam o custo da técnica elevado.

O experimento realizado fez uso de um reagente disponível, a tripsina, que apresenta desvantagem por poder causar danos às proteínas de membrana das células, devido à sua ação indiscriminada sobre proteínas em geral. Com a intenção de reduzir tais danos, utilizamos um protocolo onde a incubação com tripsina 0,25% é realizada a 4º C, diminuindo a ação da enzima, uma vez que a temperatura ótima de ação da tripsina localiza-se próxima aos 37º C. A utilização da tripsina em baixas temperaturas para as técnicas de dissociação de células visa reduzir custos da técnica e produzir uma diminuição nos danos causados nas proteínas de membrana plasmática das células tratadas, o que leva a um aumento da viabilidade celular. A implementação do protocolo de dissociação de células testiculares em solução de tripsina a 4º C demonstra que a técnica em questão é bastante eficaz e produz uma suspensão isolada de células viáveis. As células, dissociadas do testículo, foram quantificadas através da técnica de exclusão de azul de trypan, onde a viabilidade celular foi mensurada em 90%, comprovando que este método é uma excelente alternativa para isolar células viáveis. Desta maneira, com o presente trabalho foi possível estabelecermos uma alternativa metodológica mais simples e prática, que será utilizada nas etapas subseqüentes dos experimentos de transferência de células testiculares de um animal doador para outro receptor.

 


 

Resultados Preliminares da Análise Morfológica de Sêmen dos Pacientes Submetidos a Reprodução Assistida no HCPA

Autores: Terraciano, PB; Paz, AHR; Miquelito, L; Baptista, LC; Horn, MM; Fritsch, M; Facin, AC; Cirne-Lima, EO; Passos, EP

Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento em Reprodução - Centro de Pesquisas do HCPA

A infertilidade ocorre em cerca de 20% dos casais. Em 40% deles, os fatores determinantes da esterilidade são masculinos e estão ligados à produção dos espermatozóides. As alterações podem estar relacionadas com a ausência dos espermatozóides, a diminuição do seu número ou, ainda, com alteração na forma, na capacidade de movimento ou no vigor.

Além das alterações relacionadas com a concentração de espermatozóides, outras patologias espermáticas podem ocorrer, como, por exemplo, defeitos de cabeça, de peça intermediária ou de cauda, que parecem interferir negativamente na fertilidade destes pacientes. Com a concretização de que a infertilidade masculina é um importante fator no potencial conceptivo de um casal, o estabelecimento do potencial de fertilidade do homem intensificou o interesse das pesquisas sobre o assunto. Isto inclui a avaliação de parâmetros espermáticos convencionais e a utilização de ensaios funcionais para distinguir entre homens férteis e inférteis, e correlacionando estes parâmetros com resultados da concepção in vivo, fertilização in vitro (FIV), implantação e gestação.

O presente trabalho visa avaliar a morfologia espermática do sêmen coletado de pacientes do Setor de Reprodução Assistida do HCPA, através de técnicas de citologia e microscopia óptica com contraste de fase. Para a realização preliminar da análise morfológica foram feitas lâminas com esfregaço da amostra do sêmen dos pacientes, posteriormente coradas pelo método Panótico Rápido.

As lâminas foram analisadas em microscópio óptico com aumento de 400 x, foram contados 200 espermatozóides/lâmina e identificaram-se as seguintes anomalias morfológicas, de acordo com o manual da OMS: cabeça dupla; cauda pendente, a cauda forma um ângulo de aproximadamente 90° com o eixo maior da cabeça; cabeça grande; cabeça em forma de alfinete; gota proximal, gota distal e cauda dupla.

Em um total de 27 lâminas analisadas, foram encontrados 7,85% de espermatozóides anômalos. As anomalias mais freqüentes foram: cabeça grande, 30%; cabeça em forma de alfinete, 26,34%; e cauda pendente, 18,53%. Os resultados preliminares encontrados estão dentro do padrão da OMS de até 30% de formas normais.

 


 

Implantação da Certificação da ONA (Organização Nacional de Acreditação) em um Serviço de Reprodução Humana

Autores: Ribeiro, GF; Nanni, EN; Ribeiro, MA; Hassun, PF; Kotecki, JA; Motta, E; Serafini, P

Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana

OBJETIVO:

Avaliar a implantação de um sistema de melhoria contínuo da qualidade do serviço pela certificação ONA, visando aprimorar o atendimento ao cliente, a qualidade dos procedimentos e o funcionamento administrativo do serviço.

METODOLOGIA:

Elaboração de um manual padronizando de todos os procedimentos realizados no Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana e o seu funcionamento. Este manual está disponível para consulta a todos os funcionários da clínica. Nele estão descritos os seguintes itens:

• atribuições da equipe médica, embriologia e enfermagem, horários de funcionamento e critérios de limpeza;
• utilização e descrição do uso dos equipamentos de proteção individual (EPI);
• definição detalhada dos procedimentos realizados no Centro de Reprodução Humana;
• elaboração das normas do laboratório;
• realização de contratos de manutenção preventiva para preservar a integridade dos equipamentos da clínica;
• check list diário dos equipamentos visando o controle de qualidade dos procedimentos;
• elaboração dos termos de consentimento para os pacientes em tratamento em todos os procedimentos;
• obrigatoriedade de cursos de aperfeiçoamento contínuo para todos os funcionários;
• realização de pesquisas para avaliar o grau de satisfação do cliente;
• elaboração de indicadores de desempenho, qualidade e produtividade, com o objetivo de acompanhar os procedimentos realizados na clínica e, se necessário, intervir, corrigindo ou atuando nas suas diferentes etapas.

CONCLUSÃO:

Após a implementação dos conceitos da Organização Nacional de Acreditação no Centro de Reprodução Humana do Hospital Maternidade Santa Joana, observou-se a viabilização de um processo de melhoria contínua, em decorrência do aprimoramento da qualidade e produtividade tanto do setor administrativo quanto da rotina dos procedimentos. Tal experiência nos estimula a disseminar a certificação ONA a todos os grupos que atuam na área de Reprodução Humana Assistida.

 


 

Estudo Comparativo Usando Gonadotrofinas Recombinantes na Estimulação Ovariana no Tratamento de FIV

Autores: Nanni, EN; Ribeiro, GF; Ribeiro, MA; Hassun, PF; Kotecki, JA; Motta, E; Serafini, P

Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana

OBJETIVO:

Avaliar se o número de oócitos recuperados e a taxa de gravidez são influenciados pelo tipo de estimulação ovariana em pacientes submetidas ao tratamento de FIV.

MATERIAL E MÉTODO:

De janeiro de 2003 a dezembro de 2004, 341 ciclos de FIV foram analisados retrospectivamente, de acordo com o tipo de estimulação ovariana utilizada. Estes ciclos foram separados em dois grupos: estimulação apenas com FSH recombinante (n = 136) e FSH recombinante com adição de HMG (n = 205). Para inibição da ovulação espontânea precoce, foram utilizados tanto agonistas quanto antagonistas do GnRH em ambos os grupos. Os dados obtidos foram analisados de acordo com número de oócitos recuperados, taxa de maturação oocitária, taxa de fertilização, número de embriões transferidos e taxa de gravidez. Os dados foram analisados pelos testes ANOVA e χ2, sendo p < 0,05.

RESULTADOS:

Nas amostras de ambos os grupos não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (p > 0,05) entre taxas de recrutamento folicular, maturação oocitária, fertilização, gravidez e número de embriões transferidos (Tabela1).

 

Table 2
Tabela 1. Características dos ciclosr

 

CONCLUSÃO:

Nossos resultados demonstram que uso de apenas FSH recombinante foi tão eficiente quanto com adição de HMG, muito embora tenha sido utilizada uma dose total menor de gonadotrofinas. Desse modo, a estimulação ovariana utilizando somente FSH recombinante é satisfatória para o tratamento de fertilização in vitro.

 


 

Estudo Transcultural em Reprodução Assistida

Autores: Eduardo Pandolfi Passos; Daniela Knauth; Jose Roberto Goldim; Suzana de Azevedo Záchia

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS

INTRODUÇÃO:

A partir de 1990, vários países estabeleceram diretrizes éticas e legislação para tecnologias reprodutivas. O papel do médico nas decisões reprodutivas não é baseado estritamente em critérios técnicos, mas também influenciado pelos valores da sociedade. Pesquisas comparativas nesta área devem ser desenvolvidas a fim de avaliar o uso de tecnologia de reprodução assistida em diferentes países, considerando as diferenças éticas e socioculturais que influenciam na decisão do profissional. O presente trabalho busca analisar os fatores priorizados pelos profissionais em suas decisões sobre casos de reprodução assistida, buscando compreender as diferenças culturais entre os países.

MATERIAL E MÉTODO:

Estudo transversal realizado com 226 profissionais da saúde que trabalham com reprodução assistida no Brasil e em países da União Européia (Alemanha, Grécia e Itália). Criado site com dados cadastrais dos profissionais e respectivos e-mails, obtidos através da filiação a sociedades de reprodução assistida dos respectivos países (ESHRE - European Society of Human Reproduction and Embriology e SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida). Fatores em estudo: variáveis sócio-demográficas, aspectos técnicos, valores morais e legais considerados nas decisões. O desfecho em análise é a decisão do profissional em realizar o procedimento. Instrumento de coleta de dados contemplou análise e decisão sobre quatro casos envolvendo questões de reprodução assistida. Dados foram comparados através de análises simples utilizando testes Qui-quadrado e Fisher.

RESULTADOS:

A maioria dos profissionais (79,3%) é da área médica, sendo 18,3% com pós-doutorado; a idade média é de 45 anos, 83% vivendo com companheiro e 76% têm filhos; 12% deles trabalham há 15 anos na área de reprodução e a maioria (72%) em centro privado. No que se refere às decisões que envolvem paciente sem companheiro que deseja fazer inseminação artificial, mais da metade (55,1%) não faria procedimento nesta mulher, independente de seu estado conjugal, entretanto observa-se que entre países há diferenças na realização; em casos que envolvam orientação homossexual, 78% não fariam procedimento e a maioria baseou sua decisão em aspectos morais e legais. Quanto à solicitação de casal que envolva risco de contaminação pelo HIV, 63% fariam procedimento considerando aspectos técnicos e legais. Naqueles casos que contemplem escolha de sexo, 76% não fariam procedimento por questões legais; no entanto, quanto a aspectos morais há diferença significativa entre países.

CONCLUSÃO:

Percebem-se diferenças entre países: o Brasil é o país que mais leva em conta aspectos técnicos na realização dos procedimentos, tendendo a ser mais tolerante em não restringir tecnologia em relação a estado conjugal e infecção por HIV. O estudo é relevante à medida que propõe maior discussão das questões sociais, culturais e éticas com os profissionais que trabalham na área.

 


 

Efeito do Ácido Hialurônico na Transferência Embrionária em Pacientes com Idade Avançada

Autores: Mariana Saikoski Faller; Taísa Mattiazzi Ferreira; Isabel Cristina Amaral de Almeida; Paulo Augusto Peres Fagundes; Eduardo Pandolfi Passos

SEGIR - Serviço de Ecografia, Genética e Reprodução Humana

A idade avançada é um fator relevante no processo reprodutivo e está associada, em mulheres, à redução da fertilidade tanto in vivo quanto in vitro. Em procedimentos de reprodução assistida, as taxas de gestação e implantação decrescem a partir dos 35 anos. A utilização de um meio mais apropriado para os embriões no momento da transferência embrionária pode oferecer vantagens no processo de implantação. Estudos demonstraram que a presença de um mucopolissacarídeo natural em alta concentração, ácido hialurônico, torna-o um candidato prospectivo para aumentar a viscosidade do meio de cultura e proporcionar o aumento das taxas de implantação. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da utilização de um meio específico para transferência embrionária, contendo ácido hialurônico e albumina humana recombinante, nas taxas de gestação e implantação em pacientes com idade avançada submetidas aos processos de fertilização in vitro. Foram incluídas 76 pacientes da Clínica SEGIR com idade ≥ 35 anos, submetidas a fertilização in vitro e transferência embrionária. Todos os embriões foram cultivados em IVF (Vitrolife) e a transferência embrionária realizada no segundo dia após a punção. As pacientes foram divididas em dois grupos, A e B, sendo os embriões transferidos em A com IVF e em B com meio contendo ácido hialurônico e albumina humana recombinante, equilibrados por 10 minutos antes da transferência intra-uterina. Os principais resultados avaliados foram taxa de gravidez e taxa de implantação. As médias de idade das pacientes nos grupos A e B foram, respectivamente, 38,9 ± 2,88 anos e 38,6 ± 3,01 anos. Foram transferidos 97 embriões no grupo A e 91 embriões no grupo B, sendo as médias de embriões transferidos por paciente de 2,5 ± 1,2 e 2,4 ± 1,3, respectivamente. Dentre as pacientes, 16 obtiveram gestação clínica no grupo A e 18 no grupo B, sendo as taxas de gestação e implantação, respectivamente, de 42,1 e 17,5% no grupo A, 47,4 e 29,7% no grupo B. O meio suplementado com ácido hialurônico e albumina humana recombinante utilizado no momento da transferência embrionária demonstrou aumento nas taxas de gestação e implantação em pacientes de idade avançada.

 


 

Avaliação dos Índices de Apostose e Necrose de Espermatozóides de Homens Férteis por Citometria de Fluxo

Autores: Aranha, AV; Monteiro, RAC; Moraes, AAFS; França, JP de; Hallak, J; Ogliari, KS; Athayde, KS; Ferreira, AT; Aguilar, MO

Departamento de Biofísica da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina e Centro de Reprodução Humana Governador Mário Covas do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

INTRODUÇÃO:

Fertilidade é a capacidade de gestar determinada espécie. Um casal com fertilidade normal têm a probabilidade de gravidez de 20% por ciclo, ou seja, 93% por ano, o que mostra uma baixa fertilidade, quando comparada a outras espécies de classe Mamália. Cerca de 12 a 15% das mulheres da população mundial precisam do auxílio de um Centro de Reprodução Humana Assistida. A viabilidade e a apoptose celular são alguns dos fatores que podem interferir na fertilidade e na qualidade seminal. As análises seminais hoje aplicadas fornecem informações a respeito de atividade do epitélio germinativo, função do epidídimo e condição das glândulas acessórias, onde muitas vezes não se observam diferenças significativas nos parâmetros espermáticos dos pacientes férteis e inférteis, de forma que os testes tradicionais nos propiciam apenas uma análise introspectiva e não apresentam precisão para avaliar a fisiopatologia de espermatozóides viáveis de serem utilizados em um procedimento assistido.

OBJETIVO:

Analisar os índices apoptóticos dos espermatozóides viáveis presentes no líquido seminal ejaculado de homens férteis.

MATERIAL E MÉTODOS:

Foram selecionadas amostras de 10 pacientes que possuíam mais de dois filhos e iriam ser submetidos à vasectomia. Uma alíquota do sêmen total ejaculado, colhido via masturbação, foi fixada com formol 0,4% em PBS (mM): NaCl (140); NaH2PO4.H2O (2,6) e Na2HPO4 (10), e posteriormente submetida à marcação por iodeto de propídeo (PI) e Anexina - V, para posterior análise por citometria de fluxo, identificando os valores médios considerando o erro padrão.

RESULTADOS:

Para cada 10.000 células viáveis foram identificados os percentuais de 42% ± 6 de espermatozóides do grupo controle em fase inicial de apoptose (marcadas para Anexina-V), inviáveis 67% ± 4 (marcadas com iodeto de propídeo - PI) e em 43% ± 4 necrose (marcadas com PI e Anexina-V), N = 7, conforme pode ser observado nas Figuras 1 e 2.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO:

Mesmo com os parâmetros normais de acordo a OMS, que incluem a presença de células redondas, o sêmen de pacientes férteis possui alta concentração de espermatozóides em fase inicial de apoptose e necrose, o que evidencia a importância de melhores técnicas, como a citometria de fluxo pela Anexina-V, para garantir a melhor qualidade espermática a ser utilizada nos centros de Reprodução Humana Assistida.

 

Figure 1
Figura 1. Gráfico representativo da análise dos espermatozóides por citometria de fluxo. N = 7.
A) 1: Dot plot de tamanho (FSC) por complexidade (SSC); 2: Dot plot da região dos espermatozóides, eixo x da fluorescência no canal de FL1 e eixo y no canal de FL2 (sem marcação); 3: Histograma característico da intensidade de fluorescência dos espermatozóides sem marcação.
B) 1: Dot plot de tamanho (FSC) por complexidade (SSC); 2: Dot plot da região dos espermatozóides, eixo y fluorescência no canal de FL1 das células positivas para Anexina VFITC; 3: Histograma característico da intensidade de fluorescência das células marcadas com Anexina-V.
C) 1: Dot plot de tamanho (FSC) por complexidade (SSC); 2: Dot plot da região dos espermatozóides, eixo y fluorescência no canal de FL2 (iodeto de propídeo); 3: Histograma característico da intensidade de fluorescência do PI.
D) 1: Dot plot de tamanho (FSC) por complexidade (SSC); 2: Dot plot da região dos espermatozóides, eixo x das células positivas para Anexina-V no canal de FL1 e no eixo y fluorescência das células positivas para Anexina-V e PI; 3: Histograma característico da intensidade de fluorescência do PI.

 

 

Figure 2
Figura 2. Para cada 10.000 células foram identificados o percentual de espermatozóides do grupo controle em apoptose (marcadas para Anexina-V), inviáveis (marcadas com iodeto de propídeo - PI) e em necrose (marcadas com PI e Anexina- V), N = 7. Os valores como média ± erro padrão. A análise estatística dos resultados foi realizada usando-se o teste de Anova, seguido pelo teste de Newman Keuls para múltiplas comparações. A significância estatística foi dada por p < 0,05.

 


 

Embriões de Clivagem Precoce e Embriões com Fusão Precoce de Blastômeros são Equivalentes?

Autores: Gerta N. Frantz, Norma B. Oliveira, Marcelo F. Oliveira, Adriana Bos-Mikich, Nilo Frantz

INTRODUÇÃO:

Estudos anteriores demonstraram a eficácia da seleção de embriões humanos para transferência pela observação da clivagem precoce ao estagio de 2-células. Quando pelo menos um embrião precoce é adicionado ao grupo de transferência, têm-se taxas de gestação em torno de 60%. Por outro lado, a presença de embriões com blastômeros fusionados precocemente, no dia-3, quando em 6-8 células é um achado relativamente regular no grupo de embriões em cultura. Faltam, entretanto, informações sobre seu potencial gestacional.

OBJETIVO:

Verificar a possibilidade de que os embriões de fusão adiantada dos blastômeros correspondam aos embriões de clivagem precoce ao estágio de 2-células, em termos de potencial gestacional.

MÉTODO:

Foram analisados retrospectivamente 113 ciclos de FIV e ICSI, sendo os embriões classificados em quatro categorias: “P”, precoces de 2-células às 27 horas pós-inseminação, “F”, com fusão dos blastômeros no estágio de 6-8 células, “PF”, precoces de 2-células que subseqüentemente fundiram os blastômeros às 6-8 células, e “N”, que não apresentaram qualquer destes comportamentos.

RESULTADOS E CONCLUSÕES:

Foram detectados 268 embriões “P” em aproximadamente 50% dos ciclos (60), e, destes, 25 (9%) tornaram-se embriões com fusão precoce às 6-8 células, ditos “PF”. Nossos resultados demonstram que sempre que o grupo de transferência contém pelo menos um embrião “P” (60 ciclos), sendo os demais “N”, “PF” ou “F”, as taxas de gestação oscilam entre 67 e 88%. Dentre as transferências com todos os embriões “N” (47 ciclos) a taxa de gestação é de 20%, e nos seis ciclos em que foram transferidos apenas embriões “F” ou “F” + “N” não obtivemos qualquer gestação. Estes resultados demonstram a importância da seleção dos embriões precoces de 2-células e sugerem que os embriões com fusão adiantada dos blastômeros não correspondem em potencial gestacional àqueles precoces de 2-células, visto que sua inclusão nos grupos de transferência com embriões “N” ou apenas embriões “F” não resultou em qualquer gestação. Estes resultados são preliminares, obtidos a partir de um grupo limitado de ciclos, mas sugerem que embriões que apresentam fusão precoce de blastômeros não são embriões com maior potencial gestacional, representando possivelmente embriões poliplóides ou mosaicos que deveriam ser eliminados dos grupos de transferência. Estes dados representam a base para uma investigação mais profunda sobre a ploidia destes embriões e o significado da fusão precoce dos blastômeros em embriões humanos mantidos in vitro.

 


 

Efeito da Criopreservação na Estrutura Cortical e Estroma Ovariano

Autores: Adriana Bos-Mikich, Marcelo Ferreira, Gerta Frantz, Norma Oliveira, Nilo Frantz

INTRODUÇÃO:

As diferentes metodologias de criopreservação de fragmentos ovarianos têm procurado desenvolver protocolos que ofereçam viabilidade folicular e gamética pós-descongelamento. Entretanto, o epitélio superficial e as fibras colágenas do estroma cortical ovariano têm papel fundamental no processo de ovulação, manutenção folicular e neovascularização pósretransplante.

OBJETIVO:

Verificar, através de técnicas de colorações histológicas específicas, o efeito da criopreservação sobre a organização das fibras colágenas da córtex ovariana, a integridade do epitélio de revestimento e da membrana basal folicular.

MÉTODO:

Fragmentos ovarianos bovinos medindo 10 x 3 x 2 mm ou 10 x 3 x 4 mm foram congelados utilizando protocolo de congelamento lento com propanodiol e sacarose. Após o descongelamento, os fragmentos foram fixados em Boiun e encaminhados às técnicas histológicas. Os tecidos foram emblocados e cortados com 6 μm de espessura, para serem então submetidos às técnicas de hematoxilina e eosina (H&E) para controle de qualidade dos cortes, hematoxilina fosfomolibdica de Mallory para fibras colágenas, e ácido periódico de Schifft (PAS) para glicossacarídeos.

RESULTADOS E CONCLUSÕES:

Os controles corados pela técnica de H&E apresentaram o epitélio cúbico superficial contínuo em grande parte de sua extensão, núcleos dos fibroblastos arredondados e um estroma contínuo entre as estruturas foliculares. A técnica de Mallory demonstrou a composição fibrosa da túnica albugínea como feixes de colágeno contínuos e paralelos ou oblíquos à superfície ovariana Nos fragmentos congelados, o epitélio apresentou diversas falhas na superfície ovariana e a técnica de Mallory demonstrou que as fibras colágenas apresentaram grandes espaços entre si, dando um aspecto reticular ao estroma superficial particularmente à túnica albugínea. Os núcleos dos fibroblastos apresentaram-se condensados e picnóticos. Estes achados foram mais acentuados nos fragmentos mais espessos (10 x 3 x 4 mm). O método PAS demonstrou que a membrana basal folicular está desprendida do estroma na maioria dos folículos primários e primordiais retraídos em fragmentos criopreservados. Estes resultados sugerem que, para o funcionamento ovariano normal pós-criopreservação e transplante, atenção especial deve ser dada também aos elementos do revestimento epitelial e do estroma ovariano, talvez pela adição de polímeros ao meio de criopreservação como ficoll ou polivinilpirrolidona (PVP).

 


 

Avaliação das Taxas de Fertilização de Oócitos Imaturos e seu Respectivo Desenvolvimento Embrionário

Autores: Lino, KMR; Fonseca, LL; Lopes, FJ; Falleiros, AJO; Franco; GRR, Franco, ACC

CLINIMATER - Centro de Reprodução Humana, Santos, SP

INTRODUÇÃO:

Atualmente a injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI) representa um dos maiores avanços em medicina reprodutiva, por conseguir solucionar casos de alta complexidade em infertilidade. Esta técnica consiste em injetar um único espermatozóide no citoplasma de um oócito maduro (MII - metafase II) obtido por aspiração folicular após hiperestímulo ovariano controlado (HOC). Ocorre que, ao momento das aspirações foliculares alguns oócitos ainda encontram-se em estágios imaturos, apresentando-se em prófase I e metafase I. Como tentativa de otimizar as chances de se obter um número maior de pré-embriões, injetam-se estes oócitos MI, mesmo tendo conhecimento da impossibilidade de um posicionamento ideal para a ICSI, podendo vir a prejudicar o spindle oocitário.

OBJETIVO:

O presente estudo tem por objetivo avaliar o potencial de fertilização de oócitos MI, bem como o respectivo desenvolvimento embrionário.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram analisados 299 ciclos de ICSI, resultando num total de 326 oócitos imaturos (MI). Estes foram injetados e cultivados separadamente dos oócitos maduros em meio de cultura específico para pré-embriões. Após cerca de 18 a 20 horas da ICSI, foi observada a fertilização pela presença dos dois pró-núcleos, e 48 horas pós- ICSI foi checada a taxa de clivagem dos pré-embriões.

RESULTADOS:

De um total de 326 oócitos MI injetados, 105 fertilizaram (32%) e destes, foram obtidos 44 pré-embriões (42%) com número de células superior a dois e 35 pré-embriões (33%) com número de células maior que quatro.

CONCLUSÃO:

A taxa de fertilização de oócitos MI e o respectivo número de pré-embriões clivados, apesar de baixos, são expressivos. Portanto, esta é uma técnica que deve ser utilizada nos casos onde um número grande de oócitos imaturos for recrutado, ou ainda, em pacientes com baixo número total de oócitos.

 


 

Congelamento Lento de Embriões: Um Estudo Comparativo entre as Fases de Pró-núcleo (PN), 48 horas e 72 horas de Desenvolvimento

Autores: Lino, KMR; Fonseca, LL; Lopes, FJ; Falleiros, AJO; Franco, GRR; Franco, ACC

CLINIMATER - Centro de Reprodução Humana, Santos, SP

INTRODUÇÃO:

Com o advento da criopreservação de pré-embriões, foi possível solucionar a incógnita dos pré-embriões excedentes das transferências e não anular o ciclo de pacientes com risco de síndrome de hiperestímulo ovariano (SHO), podendo dar continuidade ao mesmo sem a real necessidade de transferência contígua a este ciclo.

OBJETIVO:

Apresentar os resultados de congelamento lento, comparando qual é a melhor fase para se congelar pré-embriões, baseando-se na taxa de sobrevida e no desenvolvimento embrionário pós-descongelamento.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram analisados retrospectivamente 64 ciclos de criopreservação, onde os parâmetros de sobrevivência e clivagem posterior foram observados. A idade média das pacientes foi de 36 anos. O total de pré-embriões criopreservados foi de 390, sendo divididos em três grupos, a saber: GRUPO A (286 préembriões em estágio de PN), GRUPO B (57 pré-embriões com 48 horas de desenvolvimento) e GRUPO C (47 pré-embriões com 72 horas de desenvolvimento). O congelamento foi realizado pela técnica lenta com os meios de criopreservação específicos (Freeze Kit1 - Vitrolife®) em máquina Bio Cool®, com rampa iniciada em 18º C com queda de -2º C por minuto até -7º C, em que realizou-se o seeding seguido de uma queda de -0,3º C por minuto até atingir -35º C e ser submerso em nitrogênio líquido. Após o descongelamento com meio específico (Thaw Kit1 - Vitrolife®) foram observadas características indicativas de sobrevivência celular e a ocorrência da clivagem.

RESULTADOS:

No GRUPO A, do total de pré-embriões descongelados, foram observadas taxa de sobrevida de 52% e clivagem de 86%. No GRUPO B, os resultados encontrados foram de 51% de sobrevida e 74% de taxa de clivagem. Já no GRUPO C, as taxas de sobrevida e clivagem foram de 62 e 63%, respectivamente.

CONCLUSÃO:

Nos GRUPOS A e B não houve diferença significativa em relação à taxa de sobrevida dos pré-embriões descongelados. Já no GRUPO C, observou-se aumento na taxa de sobrevida em relação aos demais grupos, o que poderia ser explicado pelo maior número de células presentes em pré-embriões nesta fase de desenvolvimento. Em contraste, as taxas de clivagem, significativamente maiores nos GRUPOS A e B demonstraram melhor resposta fisiológica-funcional dos pré-embriões, sendo este um fator preditivo na escolha destas fases para a realização do procedimento de criopreservação.

 


 

Viabilidade Espermática Após 16 Anos de Congelamento Seminal

Autores: Antonio Mourthe Filho 1,2; Antonio Rafael Lemos Faria 1; Paulo Franco Taitson 1,2; Ubiratan Barros de Melo 1,2

Trabalho realizado no Laboratório de Análise de Sêmen e Criobiologia do Instituto de Reprodução Humana (IRH) de Belo Horizonte, MG; 1 Instituto de Reprodução Humana de Belo Horizonte; 2 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

A qualidade inicial da amostra, o número de espermatozóides móveis após o descongelamento e os parâmetros da motilidade espermática, avaliados através de análise pormenorizada, são preditivos do potencial fértil do sêmen congelado. A redução do potencial fértil dos espermatozóides após o descongelamento é um dos principais fatores limitantes do sucesso da inseminação intra-uterina e da fertilização in vitro convencional envolvendo sêmen criopreservado. A redução da atividade espermática pós-descongelamento pode variar de 25-75%. Importância maior é dada às alterações de motilidade, morfologia e porcentagem de espermatozóides vivos. No presente estudo, paciente com 28 anos, portador de seminoma testicular bilateral, procurou o serviço em 1989 com o intuito de congelar sêmen, tendo em vista indicação de orquiectomia bilateral mais radioterapia. Ao exame inicial, a concentração espermática era de 1 x 106, a atividade de 34%, a motilidade predominante C e D, com raros espermatozóides do tipo A e 35% de formas ovais. Após 16 anos, o paciente solicitou avaliação do sêmen tendo em vista a necessidade de estabelecimento de uma prole. O material foi descongelado em 10/06/2005, apresentando 100% de espermatozóides do tipo D. Foram observadas 16% de formas ovais na amostra. Observou-se redução de 54% na atividade espermática pósdescongelamento. Desta forma, a criopreservação de sêmen representa uma prevenção, uma opção concomitante aos pacientes oncológicos que necessitam de uma oportunidade de manter suas habilidades reprodutivas. Não existe grande volume de informação científica sobre o tempo de armazenamento do sêmen congelado. Sabe-se, hoje, que parâmetros seminais humanos, como motilidade e atividade, tendem a decrescer com o tempo. Passados 50 anos, a habilidade de congelar espermatozóides tem causado profundo impacto na ciência reprodutiva. A melhoria da qualidade dos crioprotetores, a forma de acondicionamento do sêmen e o maquinário utilizado propiciam melhora significativa na viabilidade dos espermatozóides após o descongelamento. Novos modelos de biologia molecular, bioquímica analítica, físico-química e biologia reprodutiva são preditivos ao avanço da reprodução humana masculina.

 


 

Obtenção de Espermatozóides pela Técnica de Aspiração Percutânea no Epidídimo (PESA): Análise de 265 Casos

Autores: Antonio Mourthe Filho 1,2; Antonio Rafael Lemos Faria 1; Paulo Franco Taitson 1,2; Ubiratan Barros de Melo 1,2

Trabalho realizado no Laboratório de Análise de Sêmen e Criobiologia do IRH Belo Horizonte; 1 IRH; 2 PUC/MG

A técnica de aspiração percutânea de espermatozóides no epidídimo (PESA) tem sido discutida amplamente na literatura. A necessidade de melhor definir as indicações para esta técnica leva-nos, cada vez mais, a rever os conceitos sobre fisiologia epididimária. Foram avaliados 265 indivíduos submetidos à técnica de PESA em nível ambulatorial com anestesia local. Paralelamente, realizou-se estudo clinico para caracterização da etiologia da infertilidade e análise dos dados obtidos em laboratório. A azoospermia obstrutiva esteve presente em 229 indivíduos (86,4%), dentre os quais o perfil de pós-vasectomia apresentou maior incidência. A azoospermia secretora esteve presente com 21 casos (7,9%). O trauma raquimedular apresentou 10 casos (3,8%) e a síndrome de Kartagener apresentou cinco casos (1,9%). A concentração de espermatozóides variou consideravelmente em cada etiologia pesquisada, sendo os maiores índices encontrados nos casos de trauma raquimedular e azoospermia obstrutiva. Os achados de azoospermia secretora propiciaram as amostras mais pobres em nível de concentração e motilidade espermáticas. A literatura tem mostrado que alguns indivíduos, mesmo com variação na dosagem de FSH, podem apresentar espermatozóides ao nível do epidídimo. Conclui-se, assim, que o aperfeiçoamento da técnica de PESA, bem como a sua adequada indicação aliada ao conhecimento da fisiologia do epidídimo possibilitam maiores sucessos na aquisição do espermatozóide no trato genital masculino.

 


 

O Papel do Laboratório de Andrologia nos Centros de Reprodução Humana

Autores: Ubiratan Barros de Melo 1,2; Antonio Mourthe Filho 1,2; Antonio Rafael Lemos Faria 1; Paulo Franco Taitson 1,2

Trabalho realizado no IRH de Belo Horizonte; 1 IRH; 2 PUC/MG

O caráter multidisciplinar dos centros de reprodução humana tem se destacado a cada dia. O papel do médico ginecologista fundamenta-se como responsável técnico pelos procedimentos de reprodução humana, como a indução da ovulação e o monitoramento da paciente, e como desencadeador da técnica de reprodução assistida proposta. O biólogo tem marcado seu campo de atuação nos laboratórios de andrologia, criobiologia, embriologia e reprodução humana em geral, bem como na avaliação genética dos casais. Muito se tem discutido sobre o papel do médico urologista/andrologista nestes centros. Acredita-se que o seu desempenho não deva ficar restrito à consulta e à propedêutica andrológica e à atuação em procedimentos como PESA e TESE. Por outro lado, em muitos momentos de indicação da técnica de reprodução assistida sendo o homem normospérmico, faz-se necessário o acompanhamento deste paciente no dia da realização do procedimento assistido. Tem sido observado um número crescente de homens que não conseguem obter sêmen por automanipulação no dia da coleta dos óvulos. O que fazer? Aqui a participação do andrologista é fundamental para orientação do paciente, sugerindo, em alguns casos, a utilização de drogas orais facilitadoras da ereção (como os inibidores da PDE5) ou o uso de drogas vasoativas intracavernosas (conjugado de prostaglandina, histamina etc). Assim, o laboratório de andrologia pode, a nosso ver, colaborar, e muito, na condução dos procedimentos de reprodução assistida.

 


 

Comparação entre Dois Meios de Cultura para Criopresenvação de Sêmen Humano

Autores: Paulo Franco Taitson 1; Luiza Alves Romano 2; Antonio Mourthe Filho 1

1 Pesquisadores do Laboratório de Anatomia Humana da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC/MG; 2 Aluna de graduação da PUC/MG

A escolha do meio de criopreservação para o sêmen deve ser dirigida para a melhoria da capacidade de manter a integração e a função celular durante o processo de congelamento e descongelamento. De uma maneira geral, podemos agrupar os crioprotetores em dois grandes grupos, os permeáveis (que apresentam proteção intracelular) e os impermeáveis (que propiciam proteção externa à célula). O primeiro grupo é composto por glicerol, dimetilsulfóxido (DMSO), metanol, propanediol e etilenoglicol, entre os mais conhecidos. Os crioprotetores impermeáveis de maior utilização são gema de ovo de galinha, leite em pó, açúcares, água de coco e glicose. O crioprotetor permeável deve proporcionar diminuição da taxa de difusão da água da célula, diminuição do ponto de congelamento e diminuição da taxa de crescimento de cristais de gelo. Sêmens de 20 indivíduos foram avaliados em instante inicial com o intuito de determinar os parâmetros seminais segundo a OMS. Em seguida, a amostra de cada indivíduo, foi dividida em duas frações iguais, uma recebendo TYB (Test yolk Buffer, Irvine Scientific, EUA) e a outra Sperm Freezing Medium (Medicult, Dinamarca). As alíquotas foram homogeneizadas por cinco minutos e criopreservadas em nitrogênio líquido. Após 48 horas, as amostras foram descongeladas a temperatura ambiente e foram avaliados os parâmetros de motilidade e atividade. Os resultados mostraram que a motilidade pós-descongelamento no TYB foi de 19,1 ± 21,9% e no Sperm Freezing Médium, de 18,2 ± 23,4%, não se observando diferença significativa (P > 0,05). Quanto à atividade, foi utilizado o meio hipoosmótico de swelling para caracterização, mostrando não existir diferença significativa entre os meios pesquisados. Assim, observa-se a relevância de ambos os meios para utilização rotineira em serviços de criopreservação de sêmen. Ambos têm a peculiaridade de penetrar na membrana espermática durante o congelamento e sair dessa membrana durante o descongelamento, causando baixo dano celular. A eficácia dos agentes crioprotetores pode ser medida comparando-se os parâmetros pré-congelamento com os obtidos no pós-descongelamento.

 


 

Caracterização Citogenética de Casais Submetidos a Reprodução Assistida

Autores: Luciana Caricati da Silva Veiga, Mariana Antunes Ribeiro, Thaís Fagnani Machado, Silvio Avelino dos Santos, Lucimar Aparecida F. Laureano, Rosana Aparecida Reis, Rui Alberto Ferriani,Lucia Martelli

Departamento de Genética, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Um casal é considerado infértil quando não obteve gravidez após 12 ciclos de relacionamento sexual sem o uso de qualquer método de anticoncepção.

As aberrações estruturais são as principais alterações cromossômicas detectadas em sangue periférico de casais com diagnóstico de infertilidade, principalmente as translocações recíprocas balanceadas, seguidas pelas translocações robertsonianas, inversões e, mais raramente, a presença de cromossomo marcador. Entre as aneuploidias, o achado mais freqüente é a presença de mosaicismo de cromossomos sexuais em diferentes porcentagens.

Apesar de a etiologia cromossômica ser considerada a principal causa de falhas recorrentes de implantação embrionária, no Brasil a investigação citogenética não está incluída como etapa obrigatória do protocolo de investigação de infertilidade.

Neste trabalho realizamos investigação citogenética de 123 casais atendidos nos ambulatórios de Reprodução e de Genética Médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP, sendo 88 com história de abortos recorrentes e 35 com indicação de técnica específica de reprodução assistida (ART). As amostras de sangue periférico foram coletadas entre 1999 e 2004. Foram realizados cultura temporária de linfócitos e posterior análise citogenética convencional, bandamento GTG e FISH para validação quando necessário.

Dos 88 casais que apresentaram aborto recorrente, 20 (22,72%) apresentaram cariótipos anômalos, sendo 7,94% polimorfismos do cromossomo 9; 1,14% apresentaram translocação recíproca balanceada; 2,27% translocação robertsoniana; e 3,4% cariótipo 47,XXX. Dos 20 casais com alterações cromossômicas, 65% eram de origem materna.

No grupo dos 70 indivíduos encaminhados à reprodução assistida, seis (8,6%) apresentaram anormalidades cromossômicas, sendo quatro homens e duas mulheres. Dentre essas alterações, três eram aneuploidias de cromossomos sexuais (mosaicismo), uma deleção na região heterocromática Yq, uma inversão do cromossomo 17 e um polimorfismo da região heterocromática 16q.

Neste trabalho, sugerimos uma associação entre inversão pericêntrica do cromossomo 9 e aborto espontâneo recorrente. Concluímos que a análise cromossômica deve ser realizada em ambos os parceiros com história de dois ou mais abortamentos de repetição, com ou sem gestações a termo. Nossos resultados demonstram também que o exame citogenético deve ser incluído no protocolo de investigação de rotina para casais inférteis antes da indicação de ART.

 


 

Fototropismo Espermático, um Parâmetro Importante para a Avaliação Seminal?

Autores: Norma P. Oliveira, Gerta N. Frantz, Adriana Bos-Mikich, Marcelo F. Oliveira, Nilo Frantz

INTRODUÇÃO:

A avaliação de amostras seminais de pacientes encaminhados à reprodução assistida segue os critérios definidos pela Organização Mundial da Saúde, sendo geralmente analisados o volume, a concentração, a motilidade e a morfologia espermática. A observação da porcentagem de espermatozóides que apresentam boa motilidade 24 horas pós-capacitação do ejaculado, dita “sobrevida”, é também um bom indicador da viabilidade de uma amostra seminal, a qual poucos laboratórios utilizam como análise de rotina. Uma observação adicional freqüente durante nossos exames seminais é o fototropismo positivo apresentado pelos espermatozóides na câmara de Makler, poucos minutos após a colocação da amostra seminal para análise microscópica.

OBJETIVOS:

Verificar a possível relação entre o fototropismo positivo e o índice de sobrevida dos espermatozóides 24 horas pós-capacitação de uma amostra seminal.

MÉTODOS:

Amostras seminais de pacientes encaminhados a técnicas de reprodução assistida durante os anos de 2004 e 2005 foram analisadas quanto aos critérios de volume, viscosidade, pH, concentração, motilidade e morfologia, sendo as mesmas capacitadas pelo gradiente de Percoll ou Swim-up. Após a colocação de uma amostra de sêmen na câmara de Makler para contagem dos espermatozóides e avaliação da motilidade, deixou-se a câmara na platina do microscópio óptico com a luz acesa por cerca de 15 minutos para observação do fototropismo. Para análise da sobrevida, o tubo de centrífuga contendo 0,5 ml de meio P1 e a amostra de espermatozóides capacitados foram deixados a temperatura ambiente em cima da bancada do laboratório por 24 horas. Análise foi feita em câmara de Makler como anteriormente.

RESULTADOS E CONCLUSÕES:

Foram analisadas 46 amostras seminais, dentre as quais 11 (24%) apresentaram fototropismo positivo de seus espermatozóides. A análise da porcentagem de espermatozóides que apresentaram movimento direcional 24 horas pós-capacitação das amostras com fototropismo positivo ou negativo mostrou exatamente o mesmo valor de sobrevida para os dois grupos (51%). Também foi muito semelhante o valor da concentração espermática média entre o grupo fototropismo positivo (75 x 106/ml) ou negativo (76 x 106/ml). Entretanto, a média de espermatozóides com motilidade direcional (a + b) foi maior nas amostras com fototropismo negativo (38,8 x 106/ml) do que naquelas com fototropismo positivo (24,2 x 106/ml), uma diferença estatisticamente não significativa. Estes resultados demonstram que o fototropismo positivo dos espermatozóides não está, a princípio, relacionado com a concentração, a sobrevida e/ou a motilidade inicial da amostra seminal.

 


 

Estudo Comparativo entre Pacientes com Azoospermia Obstrutiva e Secretora Submetidos à Técnica de Injeção Intra-citoplasmática de Esermatózoide (ICSI)

Autores: Lino, KMR; Fonseca, LL; Lopes, FJ; Falleiros, AJO; Franco; GRR, Franco, ACC

CLINIMATER - Centro de Reprodução Humana, Santos, SP

INTRODUÇÃO:

A azoospermia caracteriza-se pela ausência de espermatozóides no líquido seminal ejaculado e pode ocorrer em função de fatores obstrutivos ou devido a uma espermiogênese disfuncional. Em ambos os casos é possível obter espermatozóides através das técnicas de punção epidídimo-testicular ou biópsia testicular.

OBJETIVO:

Este estudo avaliará as taxas de fertilização, clivagem e gestação comparativamente em pacientes com azoospermia submetidos à ICSI.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foi realizado um estudo, entre janeiro de 2000 e dezembro de 2004, em 31 ciclos com o diagnóstico único de azoospermia, divididos em dois grupos: GRUPO I, pacientes com azoospermia obstrutiva; GRUPO II, portadores de azoospermia secretora. As pacientes com idade entre 26 e 39 anos foram submetidas a hiperestímulo ovariano controlado (HOC) através de protocolo longo, utilizando-se agonistas do GnRH e de rFSH. O material espermático foi obtido através das técnicas de aspiração epidídimo-testicular ou biópsia testicular e processado pela técnica de sperm wash com meio de cultura específico para gametas. Foi injetado um total de 328 oócitos maduros. Cerca de 18 a 20 horas pós-ICSI foi observada a fertilização pela presença de dois pró-núcleos, e após 48 horas do ICSI foi checada a taxa de clivagem dos pré-embriões. Foi transferido um número máximo de quatro pré-embriões por paciente.

RESULTADOS:

No Grupo I foram injetados 306 oócitos MII, obtendo-se 64% de fertilização, 95% de clivagem e taxa de gestação de 41%. Já no Grupo II, de um total de 40 oócitos injetados, a fertilização foi observada em 40% e a taxa de clivagem foi de 73%, obtendo-se 25% de gestação.

CONCLUSÃO:

Pode-se concluir que as taxas de fertilização, clivagem e gestação avaliadas neste estudo são significativamente maiores em pacientes portadores de azoospermia obstrutiva, quando comparadas às dos pacientes com azoospermia secretora, reafirmando os dados já descritos na literatura. Porém, os resultados encontrados para azoospermia secretora, apesar de baixos, são encorajadores, pois comprovam a possibilidade de obtenção de gestação sem a necessidade de se recorrer a um banco de sêmen de doador.

 


 

Qualidade Embrionária Após Maturação In Vitro Oocitária

Autores: Alessandro Schuffner, Flavya Freitas, Lídio Centa

ANDROLAB - Clínica de Reprodução Humana

Este estudo foi realizado na ANDROLAB - Clínica de Reprodução Humana, onde foram selecionadas 78 pacientes que se submeteram a superovulação para realização de fertilização in vitro (ICSI), em que oócitos imaturos foram mantidos em cultura. O objetivo foi verificar a taxa de maturação in vitro de oócitos em vesícula germinal após 24 h, e subseqüente avaliação da taxa de fertilização e formação de embriões classe I e II. Destas, obteve-se um total de 194 oócitos imaturos, que foram incubados no meio HTF suplementado com 15% de substituto sintético do soro durante 24 horas. Após este tempo, se era observada a presença de corpúsculo polar, esses oócitos eram considerados maduros ou em metáfase II. A taxa de maturação foi de 37,6%, taxa de fertilização de 49,3% e taxa de embriões classe I e II de 38,8%. No entanto, se considerarmos a taxa de embriões de boa qualidade (I e II) resultante do número total de oócitos imaturos iniciais ou de MII póscultura, esta taxa será de 7,2 e 19,1%, respectivamente. A taxa de gravidez com estes embriões não foi avaliada por não termos tido transferência embrionária com uso exclusivo destes. Apesar de uma boa taxa de maturação de oócitos in vitro, concluímos que a taxa de formação de embriões de boa qualidade, resultante destes embriões, é baixa.

 


 

Torção Ovariana Recorrente Após Fertilização In Vitro: Peculiaridades de um Caso

Autores: Alfonso Massaguer, Georges Fassolas, Sebastião Zanforlin, Ricardo A. Mendes, Eduardo Motta, Paulo Serafini

HUNTINGTON - Centro de Medicina Reprodutiva

INTRODUÇÃO:

O aumento do volume ovariano causado pelos agentes indutores da ovulação predispõe à torção ovariana (TO). A hiperestimulação ovariana (HO) acentua este risco, e o exercício físico pode desencadear a rotação ovariana. O diagnóstico preciso é difícil, não possuindo achados laboratoriais ou de imagem patognomônicos. O tratamento varia desde observação a ooforectomia. Recorrência de TO após cirurgia laparoscópica com fixação ovariana é extremamente rara. São descritos fatores de risco e peculiaridades em uma segunda intervenção cirúrgica, um mês após o evento inicial.

CASO:

Paciente de 29 anos submetida a ICSI por fator masculino. Captados 18 ovócitos, 13 embriões, sendo dois embriões transferidos no terceiro dia. Dez dias após a transferência, a paciente apresentou ovários aumentados e ascite leve, caracterizando HO moderado. ?hCG= 161 mU/ml; 20 dias após, a paciente queixou-se de dor abdominal súbita após ginástica. Ao ultra-som: ovários aumentados com diâmetro médio de 8 cm e dopplerfluxometria com fluxos normais; dois sacos gestacionais intra-uterinos, tuba direita edemaciada e torcida. Aumento da resistência ovariana direita ocorria apenas em posição de agudização álgica. Internada com hipótese de torção ovariana direita. Realizada laparoscopia. Ovários direito (OD) e esquerdo (OE) tinham dimensões aumentadas e coloração enegrecida, principalmente OD, com torção de pedículos vasculares sobre seus eixos. Procedeu-se distorção dos ovários e pexia destes nas goteiras ovarianas. Após um mês, houve novo episódio de dor abdominal súbita. Realizou-se nova laparoscopia que sinalizou OE normal e OD sem evidência da pexia e torcido. Procedeu-se distorção de OD, nova pexia do órgão, bem como redução do ligamento ovariano e punção dos cistos presentes, diminuindo o volume e a mobilidade do ovário. Paciente evoluiu bem, tendo parto de termo.

DISCUSSÃO:

A TO é condição de difícil diagnóstico. O quadro clínico e a USG são inespecíficos e devem ser lembrados em pacientes com ovários aumentados e dor abdominal súbita. A dopplerfluxometria evidencia fluxo sangüíneo normal em 80% dos casos. O exame durante o período e a posição de maior dor pode evidenciar alteração não presente durante menor sintomatologia. A cirurgia não deve ser postergada, para evitar necrose e perda dos ovários, buscando sempre correção da torção e reavaliação do aspecto do órgão, mesmo naqueles com aspecto e viabilidade duvidosa. A laparoscopia é segura e eficaz em gestantes quando realizada com pCO2 abaixo de 12 mmHg, reduzindo o risco de hipercapnia materna e acidose fetal. Contra-indicar exercícios físicos enquanto ovários aumentados auxiliarão na prevenção da TO. Como opções para diminuir a recidiva temos: aspiração de cistos ovarianos quando presentes, pexia destes órgãos e encurtamento ligamentar.

 


 

Circlagem Istmo-cervical Laparoscópica Pré-gestacional: Caso Clínico

Autores: Alfonso Massaguer, Ricardo A. Mendes Pereira, Georges Fassolas, Eduardo L.A. Motta, Paulo Serafini

HUNTINGTON - Centro de Medicina Reprodutiva

INTRODUÇÃO:

A incompetência istmo-cervical apresenta como tratamento a circlagem cervical, que convencionalmente é realizada por via vaginal. Em casos em que a via vaginal não foi possível ou ineficaz, indicamos a circlagem istmo-cervical abdominal, convencionalmente feita por laparotomia. A via laparoscópica é menos invasiva, associada com menos dor e melhor recuperação. O procedimento pode ser realizado previamente à gestação em casos em que há indicação cirúrgica para outro procedimento e há indícios de incompetência cervical. Descrevemos caso de paciente com duas perdas fetais de segundo trimestre, e que em laparoscopia para exérese de focos endometrióticos realizamos circlagem cervical.

CASO CLÍNICO:

Paciente de 39 anos com quadro de dor pélvica crônica e dispareunia de profundidade há quatro anos. Secundigesta com duas perdas fetais de 19 e 16 semanas de gestação, sendo a última havia um ano, após realização de circlagem cervical por via vaginal. Ambos os fetos com análise morfológica e genética normais. Exame físico e imagem ultra-sonográfica compatíveis com endometriose de septo retovaginal. Para tratamento da endometriose indicamos laparoscopia e em mesmo tempo circlagem cervical, em virtude do quadro sugestivo de incompetência istmo-cervical e desejo de gestação. Em ato cirúrgico foi constatada a fácil passagem da vela de Hegar 8 por colo uterino, sendo mantida a número 4 como “guia”. A cirurgia transcorreu sem complicações, com exérese das lesões endometrióticas, dissecção dos vasos uterinos e ligamentos largos bilateralmente, passagem de fita cardíaca ao redor do istmo, sendo o grau de tensão na sutura controlado através do dilatador mantido intracervical. A paciente evoluiu bem, tendo alta no primeiro dia pós-operatório.

DISCUSSÃO:

Neste caso, a incompetência cervical está demonstrada pelo antecedente obstétrico e pela passagem da vela de Hegar 8 “facilmente” por colo uterino. Estaria clara a realização de circlagem, porém temos nova perda fetal de segundo trimestre, mesmo após o procedimento por via vaginal. Tal “falha” aventaria a realização de nova intervenção cirúrgica, por outra técnica ou via abdominal, a ser realizada em nova gestação. A realização de circlagem anterior a concepção não se justifica como procedimento isolado, visto que sua realização no início do segundo trimestre ocorre com considerável segurança e eficiência. Visto que temos indicação de laparoscopia devido a endometriose, a realização conjunta da circlagem torna-se alternativa interessante, visto que temos baixo índice de complicação com boa eficácia.

 


 

Achados Clínicos na Realização do Exame Físico em Homens com Azoospermia

Autores: Fabio F. Pasqualotto, Claúdia C. Viero, Marcia Garcez, Karolyn S. Ogliari, Martina Frietsch, Eleonora B. Pasqualotto

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade de Caxias do Sul, RS, e CONCEPTION - Centro de Reprodução Humana, Caxias do Sul, RS

INTRODUÇÃO:

Estima-se que, em aproximadamente 30% das causas da infertilidade, a realização de uma boa anamnese permite o diagnóstico da causa da infertilidade masculina. Além disso, em até 60% das causas o exame físico faz-se de fundamental importância. Em apenas pouco mais de 6% das vezes, a infertilidade masculina pode ser detectada na análise seminal apenas. Por outro lado, as alterações detectadas na análise seminal não estão diretamente relacionadas com a gravidade das afecções. O objetivo do nosso estudo foi avaliar os dados de exame físico em pacientes encaminhados com azoospermia.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram avaliados retrospectivamente 42 prontuários consecutivos de pacientes encaminhados para avaliação da infertilidade quando do diagnóstico de azoospermia, no período de março de 2003 a junho de 2005.

RESULTADOS:

Foram encontrados oito casos de ausência congênita bilateral dos vasos deferentes (CBAVD), 15 casos de testículos atróficos, cinco casos de espessamento bilateral dos epidídimos, quatro casos de vasectomia, um caso de aumento do volume das vesículas seminais detectadas ao exame de toque retal, e oito casos de exame físico. Desta forma, pelo menos 18 casos do nosso estudo podem engravidar ou com tratamento cirúrgico (vasoepididimostomia, vasovasostomia ou desobstrução dos ductos ejaculadores) ou fertilização in vitro (CBAVD) com seu próprio material genético, visto que todo paciente com CBAVD apresenta produção testicular normal de espermatozóides.

CONCLUSÕES:

Estes achados demonstram que a realização do exame físico é de extrema importância para o diagnóstico da etiologia da infertilidade masculina, para que não sugiramos tratamento com sêmen de doador em pacientes que podem estabelecer gravidez com o seu próprio material genético.

 


 

Ciclos Estimulados Sem Bloqueio Hipofisário em Fertilizações In Vitro (FIV) no Programa Universitário de Reprodução Assistida de Baixo Custo da Universidade Federal de Goiás (UFG): Influência da Dose Total de Gonadotrofinas no Índice de Gravidez

Autores: Rodopiano de S. Florêncio; Denes Ribeiro de Oliveira; Gustavo de Paula Andriolo; Anna Cecília Andriolo; Waldemar Naves do Amaral; Mario Silva Approbato

Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás

INTRODUÇÃO:

O Programa Universitário de Reprodução Assistida de Baixo Custo (PURAB), do Laboratório de Reprodução Humana (LRH) do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FM/UFG, objetiva propiciar tratamento de reprodução humana assistida de baixo custo a um segmento da população necessitada do mesmo. Os tratamentos são custeados pelos pacientes, o que motiva a busca por métodos baratos. Este trabalho mostra a experiência de fertilização in vitro (FIV) com ciclos estimulados sem bloqueio hipofisário (CESB), em dois grupos de pacientes com dose total média de gonadotrofinas (DTMG) com diferença significativa.

OBJETIVO:

Determinar a influência da DTMG sobre o índice de gravidez e outros dados de menor relevância.

MATERIAL E MÉTODOS:

No período de fevereiro de 2003 a dezembro de 2004, 177 pacientes foram programadas para realizar FIV. Destas, excluímos as pacientes com ciclo natural, uso exclusivo de clomifene, uso de antagonistas ou agonistas de GNRH e pacientes cujos parceiros apresentavam menos de 2,5 x 106 espermatozóides móveis/ml pós swim-up. Após as exclusões, restaram 110 pacientes, que foram estimuladas com cinco esquemas diferentes de indução com gonadotrofina humana menopausal (HMG) ou recombinante (recb) em CESB. Agrupamos os esquemas 1,2 e 3 como grupo 1 (G1), que trabalhou com DTMG de 888,9 unidades, e grupo 2 (G2), que trabalhou com DTMG de 1.570,45 unidades. Idade média, ausência de resposta ovulatória, porcentagem de escape e porcentagem de pacientes coletadas foram avaliadas. Além disso, avaliaramse as pacientes coletadas no tocante ao percentual com ausência de óvulos, ausência total de fertilização e transferência de embriões. As gravidezes e respectivas evoluções nos dois grupos também foram estudadas. A análise de significância ficou estabelecida em p < 0,05.

RESULTADOS:

Os primeiros aspectos comparados mostram que a idade média foi maior em G2 (34,30/33,74 anos), sem diferença estatística. A ausência de resposta folicular e o percentual de escape foram semelhantes. Portanto, 84,41% (G1) e 84,85% (G2) das pacientes foram coletadas. Destas, 65 pacientes em G1 e 28 em G2, excluídas aquelas com ausência de óvulos e ausência de fertilização, restaram 63,63% em G1 e 54,54% em G2, que tiveram embriões transferidos. Finalmente, G1 apresentou índice de gravidez química de 18,37% contra 16,67% em G2.

CONCLUSÕES:

Os resultados iniciais deste programa sugerem a possibilidade de continuarmos trabalhando com DTMG baixas para que possamos, dentro de poucos anos, analisar a real utilidade destes esquemas.

 


 

Administração de Gonadotrofina Coriônica Alfa (HCG REC) no 1º dia da Menstruação, para Induzir a Atresia Folicular Antes da Indução da Ovulação para FIV

Autores: Yadid, I 1; Coslovsky, M 1; Smith, GD 3; Ribeiro, CV 1; Motta, E 2 ; Serafini, P 2

1 HUNTINGTON - Centro de Medicina Reprodutiva do Rio de Janeiro, RJ; 2 HUNTINGTON - Centro de Medicina Reprodutiva de São Paulo, SP; 3 University of Michigan

OBJETIVOS:

O conhecimento dos mecanismos regulatórios que governam o desenvolvimento folicular e a atresia são complexos e ainda não estão claros. Visto que o HCG promove a atresia dos pequenos folículos pré-antrais, investigamos a possibilidade de usar o HCG para estimular a atresia dos folículos menos viáveis presentes no período da menstruação de mulheres com grande reserva ovariana, antes de iniciar o protocolo com antagonista para a indução da ovulação.

PACIENTES E MÉTODOS:

Dezenove mulheres com idades entre 29-42 anos (33.2 ± 0,7) concordaram em participar desse estudo e assinaram termos de esclarecimento e consentimento. As pacientes são normovulatórias, eutiroidéas e normoprolactinêmicas. No primeiro dia da menstruação foram administrados 250 UG de HCG recombinante (Ovidrel) sc. No terceiro dia as pacientes foram avaliadas por ultra-sonografia transvaginal e níveis séricos de FSH, P4, HCG,E2 e LH, e iniciou-se a indução da ovulação com doses diárias de r-FSH que variaram de 75 a 300 UI, com base na idade da paciente (30 anos = 75 UI; 31-35 anos = 150 UI; e ≥ 36 anos = 225-300 UI). O GnRH antagonista (Cetrotide; CTD) a 0,25 mg foi iniciado quando os folículos apresentaram medida de 13-14 mm e mantido até o final da maturação folicular. Foram avaliados número de oócitos coletados, MII, fertilizados normalmente (2 PN), a qualidade embrionária e a gravidez clínica.

RESULTADOS:

A média de dose inicial de r-FSH foi de 107,1 ± 33,2 UI, e a soma total das drogas foi de 1.894,0 ± 146,9 UI. Foi usado CTD durante 3,6 ± 0,2 dias. O nível hormonal sangüíneo está descrito na Tabela. A média de número de oócitos coletados foi 9,3 ± 1,1, dos quais 7,2 ± 0,8 estavam maduros e 5,9 ± 0,7 foram fertilizados normalmente (2 PN). A média da qualidade embrionária avaliada foi grau 1,3 ± 0,3 por paciente, e 3,1 ± 0,2 dos embriões foram transferidos no dia 3. A média da espessura endometrial foi de 10,2 ± 2,1 mm, com 90% mostrando-se trilaminares. Sessenta por cento das transferências resultaram em gravidez clínica (13/19). Nenhum caso de hiperestímulo ovariano.

 

Table 3

 

CONCLUSÃO:

A estimulação ovariana foi bem-sucedida em 19 mulheres que receberam HCG rec no primeiro dia da menstruação; dois dias antes de iniciarem com o FSH rec. Alcançaram níveis séricos de HCG de 118,0 ± 15,9 mUI/ml, o que não aparentou alterar os esteróides e secreções peptídicas nem desordenou resposta ovariana ao FSH rec. Foram notados adequados desenvolvimento folicular e maturação endometrial, resultando em um número satisfatório de oócitos maduros e fertilizados. O índice de gravidez clínica sustenta esse efeito prematuro para drogas promotoras de atresia folicular sem prejudicar o desenvolvimento folicular.

 


 

Estudo Epidemológico da População Leiga Sobre Aspectos Relacionados à Reprodução Humana

Autores: Lia Mara Rossi 1,2,3; Tatiana Carvalho de Souza Bonetti 1,2; Lia Pontes Morais 1,2; Assumpto Iaconelli Júnior 1,2; Edson Borges Júnior 1,2

1 FERTILITY - Centro de Fertilização Assistida; 2 Associação Instituto Sapientiae; 3 Faculdade de Medicina de Jundiaí

A infertilidade afeta aproximadamente um em cada cinco casais e a incidência no Brasil chega a cinco milhões de casais inférteis. Por intermédio das técnicas de reprodução humana assistida (RHA), tem aumentado consideravelmente o número de gestações múltiplas, aumentado o risco inerente a esta condição. Através deste estudo, procuramos demonstrar o quanto a população tem conhecimento de fatores relacionados a estas condições.

Questionários auto-aplicáveis foram distribuídos à população leiga durante a segunda e a terceira campanha “Preserve sua Fertilidade”, promovida por nossa instituição em São Paulo em junho de 2004 e 2005. Aspectos relacionados a definição de infertilidade, idade ideal para engravidar, taxa de gestação múltipla após tratamento com RHA e riscos inerentes à técnica e à ocorrência de gestação múltipla foram abordados.

Duzentos e setenta e nove questionários (51% homens e 49% mulheres) foram analisados, e destes, 206 (74%) apresentaram-se corretamente preenchidos. A idade média da população analisada no estudo foi de 38,1 ± 14,2 (14-84 anos). Em relação ao grau de instrução, 77% possuíam ensino superior completo. Ao analisar as respostas obtidas, observamos que 66,1% da população avaliada desconhecem que a OMS reconhece a infertilidade como doença. Quanto à definição de casal infértil, 48% dos indivíduos avaliados acreditam que um casal é considerado infértil após, pelo menos, dois anos de tentativas de gestação sem utilização de contraceptivos. Em relação à idade da mulher, 74,2% consideram como gestante idosa a mulher com idade superior a 40 anos. No total, 85,6% das pessoas analisadas tentariam o tratamento por RHA frente ao diagnóstico de infertilidade, e, destas, 51% submeterse-iam ao tratamento quantas vezes fossem necessárias. Do total, 74,4% têm consciência sobre o declínio da fertilidade após os 35 anos. Dezesseis por cento da população avaliada, apesar de terem consciência dos riscos inerentes à gemelaridade - como maiores taxas de mortalidade pré e pós-parto para os bebês; maiores taxas de lesões morfológicas; maiores taxas de abortamento; maiores riscos de prematuridade com baixo peso ao nascimento e necessidade mais freqüente de terapia intensiva neonatal - referem o desejo para terem preferencialmente gêmeos ou trigêmeos após RHA.

A população leiga avaliada não acredita que a infertilidade é uma doença e que pode ser evitada. Além disso, este estudo descritivo demonstra que o público-alvo desta campanha não está consciente sobre as questões relacionadas a RHA, fertilidade feminina e riscos reais sobre gestações múltiplas. Campanhas de caráter informativo representam uma boa opção para conscientizar a população como um todo.

 


 

Doação Relacionada de Gametas: Uma Prática Aceitável?

Autores: Deborah Ciocci 1, Antonio Luis Chaves Camargo 1, Sergio S. Schecaira 1, Edson Borges Júnior 2

1 Universidade de São Paulo; 2 FERTILITY - Centro de Fertilização Assistida

A doação de gametas e embriões in vitro, assim como a cessão temporária de útero são ferramentas aceitas no tratamento da infertilidade. Entretanto, para a licitude, no Brasil destaca-se que gametas, pré-embriões e o útero para gestação de substituição encontram-se, por questões de Moral, Ética e Direito, fora do comércio.

A gratuidade desses bens, que compõem a personalidade, é pressuposto da dignidade humana, sendo possível seu ingresso na circulação jurídica, tal qual o sangue e o leite materno, somente para fins humanitários.

Há estreita relação com os princípios da Bioética. Com justiça, para não haver negócio lucrativo. Com beneficência, para impedir a degradação humana de venda óvulos ou aluguel de ventre para entrega do filho por dinheiro. Com autonomia, para garantir o livre decidir, que a transação impediria. É a orientação do Conselho Federal de Medicina.

Nosso Direito Constitucional também impõe a proibição de qualquer tipo de comercialização em torno de órgãos, tecidos e substâncias humanas, sangue e derivados.

A lei civil considera o corpo humano objeto fora do comércio e, assim, ilícito qualquer contrato oneroso a respeito de óvulos, espermatozóides, pré-embriões e empréstimo de útero. Em conseqüência, é inaceitável a prática conhecida como doação relacionada de óvulos em que uma paciente, que objetiva um tratamento de reprodução humana assistida, doa parte de seus óvulos para aquela que o custeará no todo ou em parte (quando só há pagamento da medicação). A prática contraria a dignidade, pois permite desvios em razão da figura de um intermediário, o médico.

A necessidade de proibição de qualquer tipo de transação com o corpo humano e seus elementos é orientação mundial, tanto que o Genoma Humano é considerado Patrimônio da Humanidade. A Declaração Universal do Genoma Humano dispõe que “o genoma humano em seu estado natural não deve ser objeto de transações financeira”.

No mesmo sentido segue a Lei Brasileira de Propriedade Industrial, não sendo o corpo humano e seus elementos, em estado natural, considerados invenções patenteáveis.

O artigo 15 da Lei nº 9.434/97 estabelece que comprar ou vender tecidos, órgãos ou partes do corpo humano é crime, com pena mínima de três anos de reclusão, mesma pena para quem promove, intermedeia, facilita ou aufere qualquer vantagem com a transação.

Ainda que não se possa dizer que há crime nas doações relacionadas, por não haver crime por analogia, extrai-se a ilicitude, para proteger a sociedade da afronta à dignidade humana.

 


 

Fatores que Comprometem a Saúde Reprodutiva em Mulheres Jovens

Autores: Tatiana Carvalho de Souza Bonetti 1,2; Lia Mara Rossi 1,2,3; Lia Pontes Morais 1,2; Assumpto Iaconelli Júnior 1,2; Edson Borges Júnior 1,2

1 FERTILITY - Centro de Fertilização Assistida; 2 Associação Instituto Sapientiae; 3 Faculdade de Medicina de Jundiaí

Por três anos consecutivos temos realizado campanhas de utilidade pública em parques da cidade de São Paulo, com o objetivo de conscientizar a população adulta jovem de que a infertilidade é uma doença que pode ser prevenida através da mudança de hábitos rotineiros. A campanha inclui orientação ao público leigo sobre os fatores que prejudicam a saúde reprodutiva, com a distribuição de livretos contendo “os 10 mandamentos para preservar a fertilidade”. Através deste trabalho, objetivamos demonstrar nossa experiência nesta atividade e salientar os principais fatores que estão comprometendo a fertilidade de mulheres jovens, com idade inferior ou igual a 30 anos. No total, 1.465 questionários foram aplicados a 537 homens e 928 mulheres. Vinte e um aspectos relacionados a ingestão de álcool, nível de estresse, consumo de cafeína, drogas e cigarro, prática de atividade física, distúrbios de peso e dietas alimentares, ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis e alguns aspectos clínicos relevantes foram pesquisados. Para cada questionário respondido, foi atribuída uma nota (0 a 210) a fim de classificar o indivíduo em categorias, relacionadas à preservação da sua fertilidade: 0-42 = parabéns você está preservando sua fertilidade; 43-126 = Fique atento e mude seus hábitos; 127-210 = Cuidado, sua fertilidade está sendo prejudicada. Entre todas as mulheres avaliadas, 482 com idade inferior a 30 anos foram selecionadas (14-30 anos) e analisadas neste estudo. A nota média obtida para este grupo de indivíduos foi 44,13, variando de 0 a 193. Interessantemente, 101 mulheres entrevistadas (20,9%) relataram estar tentando a gestação havia mais de um ano. A Tabela 1 mostra os aspectos mais relevantes observados nesta população. Foi possível notar que 20,9% das mulheres analisadas poderiam ser consideradas como inférteis por estarem tentando a gestação havia mais de um ano. Níveis alterados de estresse associados à ingestão de cafeína e de álcool estiveram presentes em mais da metade da população analisada. Este estudo reforça o conceito de que hábitos rotineiros adotados pelas pessoas que buscam a gravidez parecem prejudicar a saúde do sistema reprodutor e dificultar a ocorrência da gestação.

 

Table 4

 


 

Doação de Embriões para Pesquisa: Interferência da Mídia na Decisão do Casal

Autores: Edson Borges Júnior 1,2, Lia Mara Rossi 1,2,3, Tatiana Carvalho de Souza Bonetti 1,2, Lia Pontes Morais 1,2, Luiz Guilherme L. Maldonado 1,2, Mauro Bibancos de Rosa 1,2, Wagner C. P. Busato 1,2, Assumpto Iaconelli Júnior 1,2

1 FERTILITY - Centro de Fertilização Assistida; 2 Associação Instituto Sapientiae; 3 Faculdade de Medicina de Jundiaí

Apesar de todo o conhecimento científico da equipe que trata do casal infértil, não cabe a ela a decisão sobre o destino dos gametas e embriões. Neste caso, o casal que se submete ao tratamento via reprodução assistida (RA) é soberano, e o papel da equipe restringe-se a informação e auxílio na compreensão dos fatos, riscos e procedimentos. No entanto, outros fatores parecem influenciar suas decisões. Entre os anos de 2001 e 2002, foi exibida no Brasil a novela “O Clone”, que suscitou vários debates sobre o polêmico assunto da clonagem de seres humanos. Dentro desse contexto, este estudo teve por objetivo avaliar o impacto da mídia, mais pontualmente da referida novela, na decisão dos casais sobre o destino dos embriões excedentes.

Entre 1999 e 2004, foram analisados 1.325 consentimentos informados de 1.205 casais submetidos às técnicas de alta complexidade, com o intuito de analisar o destino dos embriões excedentes frescos ou armazenados pós-criopreservação. O grupo A formou-se por 721 pacientes submetidos a FIV/ICSI no período entre 1999 a 2002 (antes da novela), e o grupo B constituiu-se por 484 casais tratados entre 2003 e 2004 (após a novela).

Não houve diferença estatística entre a idade materna quando os grupos foram comparados (34,8 ± 5,8 versus 35,0 ± 4,9; Grupo A e B, respectivamente, P > 0,05). Os resultados obtidos estão demonstrados na Tabela 1. Dos 101 casais do grupo A, que foram submetidos a dois ou mais ciclos de ICSI, 60 (59,4%) mudaram de opinião em relação à doação de embriões para estudo. Deste total, 37 casais (62%), que no primeiro procedimento consentiram em doar embriões para estudo, não permitiram em ciclos subseqüentes. No grupo B, 76 casais foram submetidos a mais de um ciclo; destes, em 34,2% (26 casais) houve mudança de opinião (15 casais que optaram pela doação dos embriões para estudo mudaram de idéia no segundo momento).

Nossos resultados demonstram que, até 2002 (grupo A), um maior número de casais concordava com a doação de embriões para pesquisa. No entanto, o perfil dos casais inférteis mudou drasticamente após a apresentação da novela. A concretização da clonagem humana apresentada na novela teve impacto negativo sobre o destino dos embriões excedentes obtidos por técnicas de fertilização in vitro. Nossos resultados enfatizam a importância e influência da mídia na opinião das pessoas e mostram-nos que a população precisa ser mais bem informada a respeito das técnicas disponíveis e factíveis em RA.

 

Table 5

 


 

Limites da Proteção Legal da Vida e as Técnicas de Reprodução Assistida

Autores: Deborah Ciocci 1, Antonio Luis Chaves Camargo 1, Sergio S. Schecaira 1, Edson Borges Júnior 2

1 Universidade de São Paulo; 2 FERTILITY - Centro de Fertilização Assistida

Reprodução humana assistida parece ter pouca afinidade com Direito. Contudo, embora ciências distintas, têm zonas de interpenetração. Uma delas é a questão da vida e sua proteção. O conceito de vida não é e nem pode ser universal. Deve-se entendê-la como um processo contínuo e buscar um critério legal para a sua proteção no estágio inicial. Que o embrião in vitro, pelo fato de poder originar um ser humano, merece proteção do Direito, não há dúvida, mas não há razão para impedir seu descarte ou utilização para pesquisa. É inegável a existência de um escalonamento no valor vida humana. O embrião in vitro não tem o mesmo status que a pessoa já nascida, não tem autonomia, nem direitos, tampouco obrigações. Normas, nacionais e internacionais, quando proíbem o aborto, ressalvam a possibilidade de sua realização para salvar a vida da gestante, dando ao já nascido maior proteção que ao feto. A situação também é clara quando a maioria das leis não considera cadáver e não dá direito a enterramento ao produto de abortamento com peso inferior a 500 g, caso do Brasil, da Alemanha e outros países. Outro fator é o critério legal de morte cerebral, que impede proteção penal ao embrião antes da formação da placa pré-cordal e do início dos rudimentos do sistema nervoso central. Deve haver coerência, especialmente quando se permitem contraceptivos que impedem a implantação do embrião no útero. Não são possíveis limitações de ordem moral. O mesmo ocorre quando detectadas anomalias nos embriões antes da implantação, através dos diagnósticos genéticos. A Lei da Biossegurança (Lei 11.105/2005) colocou uma pá de cal na questão, ao mencionar a possibilidade de pesquisa em embriões inviáveis, o que autoriza inequivocamente os diagnósticos e o descarte. Não se trata de apologia à eugenia, até porque a imperfeição é uma característica da humanidade, mas a lei ressalvou que deve prevalecer a vontade dos pacientes, não sendo correto nem legítimo impor a transferência ao útero materno. A Lei 11.105/2005 é expressa ao permitir, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados, embriões inviáveis ou congelados há três anos ou mais, a contar de 24 de março de 2004. Ora se são legítimas as pesquisas pessoais, cujo status moral é maior do que o do embrião in vitro, não teria mesmo sentido proibi-las como regra.

 


 

O uso do Café está Relacionado com a Motilidade Espermática e Níveis de Antioxidantes nos Homens Inférteis: Estudo Prospectivo

Autores: Fabio F. Pasqualotto, Fernanda Medeiros Umezu, Márcia Garcez, Mirian Salvador, Eleonora Bedin Pasqualotto

Instituto de Biotecnologia, Universidade de Caxias do Sul, RS

INTRODUÇÃO:

Está estabelecido que a motilidade espermática é superior em homens que ingerem café, comparada a homens que não ingerem; entretanto, o(s) mecanismo(s) pelo(s) qual(is) a cafeína melhora a motilidade espermática não está bem estabelecido. Os objetivos do nosso estudo foram avaliar e comparar a atividade enzimática (SOD e catalase) entre homens inférteis que ingerem diariamente café.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Todos os pacientes assinaram o consentimento informado e o estudo foi aceito pelo comitê de ética da Universidade. Dez homens férteis e 112 pacientes inférteis foram incluídos no estudo. Os pacientes foram avaliados com relação à quantidade de café (ml) ingerida diariamente. Análise seminal foi realizada de acordo com o critério da Organização Mundial da Saúde e a morfologia de acordo com o critério Tygerberg. Níveis enzimáticos da SOD e catalase foram avaliados com o espectrofotômetro.

RESULTADOS:

Uma diferença significativa foi detectada entre a quantidade de café ingerida diariamente entre os homens inférteis (200,96 ml ± 46,8) e férteis (360 ml ± 34,5; p = 0,043). Níveis significativamente inferiores de SOD (14,67 ± 12,27 e 38,03 ± 21,65) e catalase (14,87 ± 16,95 e 34,03 ± 20,65) foram vistos em pacientes inférteis comparado ao grupo controle (P < 0,0001). Uma correlação direta entre catalase e SOD foi detectada (r = 0,461, P = 0,0001). A morfologia espermática pelo critério estrito de Tygerberg apresentou correlação direta com os níveis de SOD (r = 0,412, P = 0,0001) e catalase (r = 0,315, P = 0,001). Os níveis de catalase apresentaram correlação direta com a motilidade espermática (r = 0,231, P = 0,042). O uso de café apresentou correlação direta com os níveis de catalase (r = 0,212, P = 0,027), mas não com os níveis de SOD (r = 0,173, P = 0,058). Os pacientes que ingeriam mais de 250 ml de café diariamente tinham níveis superiores de catalase (39,2 ± 16,2), comparados aos que ingeriam menos de 250 ml de café (17,6 ± 9,2; p = 0,03).

CONCLUSÕES:

Diminuição da atividade enzimática antioxidante está associada com infertilidade. A correlação direta entre os níveis de catalase, motilidade espermática e ingesta de café diariamente pode sugerir um possível mecanismo pelo qual a cafeína aumenta a motilidade espermática em homens que ingerem café.

 


 

Resultados de Laudos de Biópsias de Testículos e Correlação com Etiologia em Eacientes com Infertilidade Masculina nos Últimos Três Anos

Autores: Gustavo Friedler, Celso Piccoli Coelho, Eduardo Pretto Serafini, Eleonora Bedin Pasqualotto, Fabio Firmbach Pasqualotto

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade de Caxias do Sul, RS, Brasil

INTRODUÇÃO:

O estudo da biópsia de testículo na infertilidade masculina pode fornecer elementos importantes quanto à causa, ou pode, em associação com os dados clínicos e laboratoriais, complementar a investigação, permitindo o seu diagnóstico final. Em um estudo prévio avaliando pacientes submetidos a biópsia para investigação da infertilidade, a histologia foi normal em 23% dos casos. Em 65,4% foram encontrados graus variados de atrofia germinal. O objetivo do nosso estudo foi avaliar laudos de biópsia de testículos realizadas nos últimos três anos para pesquisa da infertilidade e comparar com a etiologia da infertilidade nestes pacientes.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram avaliados, retrospectivamente, 78 laudos de biópsias de testículo consecutivos, realizadas no período de junho 2002 a junho de 2005. Todos os pacientes avaliados foram submetidos a biópsia para investigação da infertilidade. Os diagnósticos clínicos foram: criptorquidia, torção de testículo prévia, azoospermia com níveis de hormônio folículo-estimulante (FSH) elevados, azoospermia com níveis normais de FSH e varicocele com oligo/azoospermia.

RESULTADOS:

Dos 78 laudos, 51 apresentaram aplasia de células germinativas, cinco parada de maturação, seis hipoespermatogênese e 26 espermatogênese completa. A etiologia da infertilidade foi: criptorquidia (n = 15), torção de testículo (n = 12), azoospermia com níveis de aumentados de FSH (n = 27), azoospermia com níveis normais de FSH (n = 17), varicocele (n = 7). Dos 15 pacientes com criptorquidia, 13 apresentavam aplasia de células germinativas, um hipoespermatogênese e um espermatogênese completa. Todos os pacientes com torção de testículo apresentaram aplasia de células germinativas. Dos 17 pacientes com azoospermia e FSH aumentado, oito apresentaram aplasia de células germinativas, um parada de maturação e oito espermatogênese completa. Dos 17 pacientes com azoospermia e FSH normal, oito apresentaram aplasia de células germinativa, um apresentava parada de maturação, três hipoespermatogênese e cinco espermatogênese completa. Dos pacientes com varicocele e oligozoospermia, dois tinham parada de maturação, três hipoespermatogênese e dois espermatogênese completa.

CONCLUSÕES:

A presença de criptorquidia como causadora da infertilidade não descarta espermatogênese completa. Mais de 50% dos pacientes com azoospermia e níveis elevados de FSH apresentaram hipoespermatogênese ou espermatogênese ou completa. Além disso, mais de 50% dos pacientes com azoospermia e níveis normais de FSH apresentaram aplasia de células germinativas. A presença ou não de FSH aumentado não descarta espermatogênese completa.

 


 

Relação Entre Cigarro e Níveis de Antioxidantes e Leucócitos no Homem Infértil: Estudo Prospectivo

Autores: Fabio F Pasqualotto, Fernanda Medeiros Umezu, Márcia Esteves Garcez, Mirian Salvador, Eleonora Bedin Pasqualotto

Instituto de Biotecnologia, Universidade de Caxias do Sul, RS

INTRODUÇÃO:

O cigarro é um conhecido carcinógeno e adversamente pode afetar a saúde reprodutiva masculina. Muito embora estudos tenham mostrado efeitos deletérios do cigarro na qualidade espermática, vários estudos não demonstraram qualquer associação entre cigarro e função espermática ou dano no DNA nuclear dos espermatozóides. A superóxido dismutase (SOD) e a catalase são importantes enzimas antioxidantes que se ligam aos radicais livres, como o ânion superóxido e o peróxido de hidrogênio, respectivamente. O objetivo do nosso estudo foi avaliar e correlacionar a atividade enzimática de dois conhecidos antioxidantes (SOD e catalase) entre homens férteis e inférteis que fumam cigarros.

MÉTODOS:

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e todos os pacientes assinaram o consentimento informado. Dez homens férteis e 112 pacientes inférteis foram incluídos no estudo. Análise seminal foi realizada de acordo com o critério da Organização Mundial da Saúde e a morfologia de acordo com o critério Tygerberg. Níveis enzimáticos da SOD e catalase foram avaliados com o espectrofotômetro.

RESULTADOS:

Uma diferença significativa foi detectada entre o número de cigarros fumados por dia entre os homens férteis (4,8 ± 0,9) e inférteis (1,5 ± 0,5; p = 0,03). Níveis inferiores de SOD (14,67 ± 12,27 e 38,03 ± 21,65) e catalase (14,87 ± 16,95 e 34,03 ± 20,65) foram vistos nos pacientes inférteis, comparados ao grupo controle (P < 0,0001). Uma correlação direta entre catalase e SOD foi observada (r = 0,461, P = 0,0001). Os níveis de SOD apresentaram correlação direta com concentração espermática (r = 0,204, P = 0,034) e negativa com leucospermia (r = -0,228, P = 0,021). O cigarro apresentou correlação inversa com os níveis de SOD (r = - 0,251, P = 0,01), mas não com a catalase (r = - 0,147, P = 0,130).

CONCLUSÕES:

Diminuição da atividade enzimática antioxidante está associada com infertilidade masculina. Os efeitos deletérios do uso de cigarro na motilidade espermática e nos níveis de antioxidantes (correlação negativa com a SOD) talvez sejam um possível mecanismo fisiopatológico da infertilidade em homens que fumam cigarros. Devido ao fato de que baixos níveis de antioxidantes estão ligados à diminuição da fertilidade, os profissionais ligados à área da saúde devem aconselhar seus pacientes a pararem de fumar.

 


 

Relação Entre níveis de Antioxidantes e Períodos de Abstinência Sexual: Estudo Prospectivo

Autores: Fabio F Pasqualotto, Fernanda Medeiros Umezu, Márcia Esteves Garcez, Mirian Salvador, Eleonora Bedin Pasqualotto

Instituto de Biotecnologia, Universidade de Caxias do Sul, RS

INTRODUÇÃO:

Está estabelecido que o período de abstinência sexual pode influenciar a qualidade seminal. Tanto a superóxido dismutase (SOD) quanto a catalase são importantes enzimas antioxidantes que se ligam aos radicais livres como ânio superóxido e peróxido de hidrogênio, respectivamente. O objetivo do nosso estudo foi avaliar e comparar a atividade enzimática antioxidante (níveis de SOD e catalase) entre homens férteis e inférteis de acordo com diferentes períodos de abstinência sexual.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Dez homens férteis e 112 pacientes inférteis foram incluídos no estudo. O período de abstinência sexual variou de dois a cinco dias e os pacientes foram divididos em quatro grupos: dois dias de abstinência (n = 18), três dias (n = 42), quatro dias (n = 34), e cinco dias (n = 18). A análise seminal foi realizada de acordo com o critério da Organização Mundial da Saúde e a morfologia de acordo com o critério Tygerberg. A atividade da SOD foi baseada na concentração do adrenocromo, resultante da oxidação da adrenalina pelo radical superóxido. A atividade da catalase foi determinada pela velocidade do consumo do peróxido de hidrogênio. Foram utilizados ANOVA e correlação de Spearman para análise estatística.

RESULTADOS:

Uma diferença significativa foi detectada entre o número de cigarros fumados por dia entre os homens inférteis (4,8 ± 0,9) e inférteis (1,5 ± 0,5; p = 0,03). Níveis inferiores de SOD (14,67 ± 12,27 e 38,03 ± 21,65) e catalase (14,87 ± 16,95 e 34,03 ± 20,65) foram vistos nos pacientes inférteis, comparados ao grupo controle (P < 0,0001). Uma correlação direta entre catalase e SOD foi observada (r = 0,461, P = 0,0001). SOD (r = 0,03; p = 0,81) e catalase (r = 0,21; p = 0,64) não apresentaram correlação com o período de abstinência no grupo de homens férteis. Entretanto, apesar dos níveis de SOD não apresentarem correlação com o período de abstinência sexual (r = 0,32, p = 0,07), os níveis de catalase apresentaram correlação com o período de abstinência sexual (r = 0,413, p = 0,02) nos homens inférteis.

CONCLUSÃO:

Homens inférteis apresentam níveis inferiores de antioxidantes comparados aos homens férteis. Aumento na duração do período de abstinência talvez reduza o estresse oxidativo em homens inférteis. Nossos dados sugerem que o intervalo de abstinência talvez possa ser aumentado (> cinco dias) em pacientes que procuram tratamento para infertilidade masculina.

 


 

Turismo Reprodutivo: Uma Nova Tendência?

Autores: Souza MCB*, Henriques CA, Cardoso FFO; Pritsivelis C; Souza MM, Marcondes ACS, Rocha CA, Mancebo ACA

G&O Ginecologia e Obstetrícia da Barra, Rio de Janeiro, RJ

INTRODUÇÃO:

A globalização, a internet, a facilidade de comunicação e movimentação das pessoas trazem hoje novos rumos à assistência médica. Na reprodução assistida, chama nossa atenção o fato de que as solicitações de casais de fora da nossa cidade estão aumentando. Que motivos levam pessoas a trocar sua cidade, país ou mesmo continente na busca de um flho?

MATERIAL E MÉTODOS:

De janeiro a dezembro de 2004, 31 casais que vivem fora do Rio de Janeiro iniciaram 40 ciclos de FIV/ICSI, resultando em 10 gestações. As taxas de gravidez foram: por transferência, 38,4% (10/26); por ciclo iniciado, 25% (10/40); e por paciente, 32,2% (10/31). Revisamos os prontuários tentando entender as motivações: 22 vieram de outras cidades do Estado do Rio de Janeiro (100 a 400 km de distância); cinco de outros Estados brasileiros até 3.500 km e quatro de outros países (Portugal, Angola, Trinidad-Tobago e EUA).

RESULTADOS:

Torna-se claro que há uma combinação de motivos. A região Sudeste do Brasil concentra a maior parte das clínicas de RA e esta é certamente a razão de buscar um centro terciário. Vinte e oito clientes vieram ao centro por primeira opção, enquanto três tinham experiência prévia em outro local. A indicação de seu ginecologista foi determinante para 23 casais, dois foram recomendados por outras clientes e dois nada informaram. Parentes vivendo na cidade é fator importante, pois significa hospedagem durante o tratamento. Os casais dos EUA e Trinidad vieram por indicação de clientes anteriores, ressaltando que a atenção médica recebida, os custos menores, o clima e o Carnaval foram determinantes para a escolha. A internet e a língua portuguesa trouxeram o casal angolano, enquanto o português tem família aqui.

CONCLUSÕES:

Estes tratamentos além-fronteiras merecem atenção, na medida que vêm tendo demanda crescente. O pluralismo cultural dentro e fora do Brasil leva a novos dilemas morais e éticos que se refletem frente às novas terapias genéticas em discussão. Embora a internet permita uma discussão inicial, sempre haverá padrões de prática clínica a serem definidos no que diz respeito a segurança, paternidade responsável e aos interesses da criança por vir.

 


 

Criopreservação de Sêmen: Alternativa para Preservação da Fertilidade em Caso de Câncer. Experiência da G&O Barra - RJ

Autores: Rocha CA*, Mancebo ACA, Souza MCB, Henriques CA, Cardoso FFO, Pritsivelis C, Souza MM, Marcondes ACS.

G&O Ginecologia e Obstetrícia da Barra, Rio de Janeiro, RJ

INTRODUÇÃO:

Avanços nas técnicas de diagnóstico do câncer permitem hoje detecção precoce. O uso de drogas mais eficazes e o desenvolvimento de equipamentos modernos de radioterapia oferecem melhores opções de tratamento, refletindo em aumento da sobrevida. Estimativas do INCA/2005 indicam que dos 229.610 novos casos de câncer em homens, cerca de 60% sobreviverão à doença. Estudos mostram que 50% dos homens submetidos a tratamento de câncer tornam-se azoospérmicos ou oligospérmicos, resultando em novo grupo de pacientes jovens inférteis/subférteis, conseqüentemente ao tratamento realizado. A criopreservação de sêmen prévia ao tratamento é alternativa eficaz para preservar a fertilidade, permitindo, no futuro, utilização do sêmen em procedimentos de reprodução assistida.

MATERIAL E MÉTODO:

De 1995 a 2005, 36 pacientes foram encaminhados à G&O Barra para congelamento de sêmen prévio ao tratamento de câncer. Foi realizada análise do sêmen quanto a volume, concentração e motilidade, seguida da adição do crioprotetor na proporção 1:1 (v/v); o material foi acondicionado em tubos criogênicos, expostos ao vapor de nitrogênio líquido (-70º C) durante 10’ e imersos em nitrogênio líquido (-196º C). Uma alíquota foi descongelada para análise da sobrevida. Paralelamente, tivemos como objetivo comparar os dados obtidos com os do levantamento prévio realizado em 2002.

RESULTADOS:

Em oito anos (1995 a 2002), 18 pacientes procuraram a G&O buscando congelamento de sêmen, enquanto de 2003 a 2005 (três anos) tivemos mais 18 pacientes, totalizando 36. Até 2002, 45% dos pacientes foram referenciados pelo oncologista, versus 56% até 2005. Dos 36 pacientes, 61% tinham concentração inicial de espermatozóides e motilidade normais segundo a OMS (concentração ≥ 20 x 10 6/ml; motilidade ≥ 50%), e 39%, parâmetros abaixo destes valores. Análise de sobrevida mostrou que 47% dos pacientes tinham concentração de espermatozóides ≥ 10 x 106, sinalizando a possibilidade de realização de inseminação artificial, enquanto em 53% o sêmen congelado permitiria a realização de fertilização in vitro. Mais da metade dos pacientes (56%) eram solteiros com idade média de 31 anos. Até o momento, cinco pacientes solicitaram descarte do sêmen e três retornaram para reavaliação: o primeiro apresentou espermograma normal; o segundo, concentração de 1,20 x 106, 59% de motilidade; e o terceiro, azoospermia. Dois pacientes recorreram à reprodução assistida sem sucesso

CONCLUSÃO:

Observamos crescente procura por congelamento de sêmen de pacientes referenciados pelo oncologista, sinalizando aumento da conscientização da necessidade em referenciar o paciente para o programa antes do início do tratamento, quer seja cirúrgico ou quimio/radioterápico.

 


 

Avaliação da Percepção de Qualidade de Vida e do Estado de Saúde Auto-referido em Mulheres Inférteis

Autores: Juliana Luzardo Rigol, Eduardo Pandolfi Passos, Daniela Knauth

Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

INTRODUÇÃO:

Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento médico da infertilidade, esta incapacidade permanece como um estigma social. Em geral, a dificuldade dos casais em gerar filhos tem caráter psicológico e comportamental. Historicamente, casos inexplicados de infertilidade eram atribuídos à condição emocional feminina. Atualmente, sabe-se que fatores masculinos e femininos contribuem para a infertilidade. Notase, entre os pesquisadores direcionados à área de infertilidade, uma preocupação com questões de pesquisa relacionadas a patologias físicas e psíquicas associadas à ou desencadeadas pela infertilidade. Torna-se importante detectar não somente a presença de sintomas, mas também de constructos relacionados aos fatores de saúde, dentre os quais se destaca a investigação de qualidade de vida (QOL). Esta abordagem de pesquisa, com crescente interesse acadêmico, tem sido amplamente utilizada em diferentes contextos médicos para a detecção do impacto de condições clínicas nos distintos domínios de qualidade de vida, ampliando o conhecimento para além da sintomatologia e da morbidade.

OBJETIVOS:

Investigar as características sociodemográficas e do estado de saúde auto-referido das mulheres que procuram atendimento no Ambulatório de Infertilidade do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e identificar o impacto da infertilidade na qualidade de vida de tal população.

MÉTODOS:

A amostra foi composta por conveniência. Mulheres atendidas no Setor de Reprodução Assistida do HCPA foram arroladas no estudo. Aplicaram-se um questionário de características sociodemográficas e de dados referentes à infertilidade, um instrumento genérico de aferição de QOL (WHOQOL-BREF, OMS) e um instrumento de aferição de QOL relacionado à doença (SF-36).

RESULTADOS:

Foram entrevistadas 178 mulheres, com idade média de 31,46 anos (DP 4,96), tempo médio tentando engravidar de 4,79 anos (DP 3,25), e escolaridade de, no mínimo, ensino médio incompleto (69,1%). A idade das mulheres apresentou associação significativa com o domínio de saúde mental do SF-36 (faixa 28-32a < faixa 36a ou mais) e com o domínio de aspectos emocionais (faixa 28-32a < faixa 32-36a). Em relação às tentativas prévias de fertilização, houve associação entre o domínio de relações sociais e a presença ou ausência de tentativas prévias (o grupo sem tentativas prévias apresentou desempenho superior ao do grupo que apresentou uma tentativa, mas não houve diferenças significativas entre os grupos com uma ou mais tentativas). Não houve associação significativa entre nenhum domínio de QOL dos dois instrumentos e o tempo tentando engravidar.

CONCLUSÃO:

Destaca-se o impacto da infertilidade nos aspectos sociais e emocionais, mas não nos físicos. Tais achados preliminares necessitam de estudos mais aprofundados, que estão sendo conduzidos no momento.

 


 

Correlação entre Níveis de Leucospemia, PH e Mortalidade Espermática em Homens Inférteis

Autores: Claúdia C. Viero, Eleonora B. Pasqualotto, Karolyn S. Ogliari, Martina Frietsch, Fabio F. Pasqualotto

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade de Caxias do Sul, e CONCEPTION - Centro de Reprodução Humana, Caxias do Sul, RS

INTRODUÇÃO:

Estima-se que de 8 a 23% dos homens com infertilidade apresentam infecção seminal. Quando de uma infecção seminal, um dos parâmetros seminais que pode estar alterado é o pH seminal. Além disso, a motilidade espermática é uma das variáveis mais comumente encontradas alteradas na análise seminal de homens inférteis. O objetivo do nosso estudo foi correlacionar os níveis de leucospermia com pH e motilidade espermática em homens inférteis.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram avaliados, retrospectivamente, 367 prontuários consecutivos de pacientes que foram encaminhados para avaliação da infertilidade no período de setembro de 2003 a maio de 2005. A idade média dos homens foi de 38,6 ± 4,9 anos. Foram utilizados os testes T de Student e correlação de Pearson para avaliar a correlação entre leucospermia, pH e motilidade espermática em homens inférteis.

RESULTADOS:

Em homens com níveis de leucospermia inferior a 1 x 106/ml, a motilidade espermática foi de 52,43 ± 22,8; entre 1-2 x 106/ ml, a motilidade foi de 46,2 ± 21,23; e > 2 x 106/ml, a motilidade foi de 46,34 ± 20,5 (p = 0,241). Entretanto, em homens com níveis de leucospermia inferior a 1 x 106/ml, o pH foi de 8,02 ± 0,2; entre 1-2 x 106/ml o pH foi de 8,28 ± 0,45; e > 2 x 106/ml o pH foi de 8,59 ± 0,62 (p = < 0,001).

CONCLUSÕES:

Apesar de não ser estatisticamente significativa, houve tendência de diminuição da motilidade espermática com o aumento dos níveis de leucócitos seminais. A leucospermia apresentou correlação direta com os valores de pH.

 


 

Correlação entre Volume Seminal e Concentração Espermática

Autores: Claúdia C. Viero, Eleonora B. Pasqualotto, Karolyn S. Ogliari, Martina Frietsch, Fabio F. Pasqualotto

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade de Caxias do Sul, e CONCEPTION - Centro de Reprodução Humana, Caxias do Sul, RS

INTRODUÇÃO:

O espermograma é a pedra fundamental da avaliação do homem infértil; porém, não pode ser considerado um teste de fertilidade. Em até 25% dos casos de infertilidade, o espermograma é considerado normal e os testes de função espermática estão alterados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os valores de normalidade do volume de sêmen chegam até 5 ml. Valores superiores a estes podem estar relacionados com infertilidade. O objetivo do nosso estudo foi correlacionar os valores de volume seminal com a concentração espermática.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram avaliados, retrospectivamente, 367 prontuários consecutivos de pacientes que foram encaminhados para avaliação da infertilidade no período de setembro de 2003 a maio de 2005. A idade média dos homens foi de 38,6 ± 4,9 anos. Os pacientes foram divididos em três grupos: < 2 ml (n = 65); 2-5 ml (n = 260), e > 5 ml (n = 48). Foram utilizados os testes T de Student e correlação de Pearson para avaliar a correlação entre volume seminal e concentração de espermatozóides.

RESULTADOS:

Os volumes de sêmen foram de 3,27 ± 1,51 ml e a concentração de espermatozóides, de 44,43 ± 50,54 milhões/ml. Foi detectada uma correlação negativa entre volume seminal e concentração espermática (r = - 0,158; p = 0,02). Em homens com < 2 ml de sêmen, a concentração de espermatozóides foi de 57,3 ± 86,8; entre 2-5 ml, de 40,86 ± 42,3; e superiores a 5 ml, de 42,1 ± 53,3 ml. Não houve diferença estatística entre os diferentes grupos de pacientes avaliados (p = 0,056).

CONCLUSÕES:

Pacientes com volume seminal aumentado apresentam níveis de concentração espermática/ml inferiores aos pacientes com volume seminal normal. O volume seminal é um parâmetro que deve ser sempre avaliado e comparado com a concentração espermática.

 


 

Análise das Variáveis Seminais em uma População de Homens Inférteis

Autores: Claúdia C. Viero, Eleonora B. Pasqualotto, Karolyn S. Ogliari, Martina Frietsch, Fabio F. Pasqualotto

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade de Caxias do Sul, e CONCEPTION - Centro de Reprodução Humana, Caxias do Sul, RS

INTRODUÇÃO:

O espermograma é a pedra fundamental da avaliação do homem infértil; porém, não pode ser considerado um teste de fertilidade. Entretanto, em até 25% dos casos de infertilidade, o espermograma é considerado normal e os testes de função espermática estão alterados. Acredita-se que a morfologia espermática seja a característica seminal que apresenta o maior valor preditivo de gravidez. O objetivo do nosso estudo foi avaliar 373 análises seminais realizadas com relação às principais características seminais (concentração, motilidade e morfologia espermática) segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) em homens submetidos à investigação da infertilidade masculina, no período de setembro de 2002 a maio de 2005.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram avaliados, retrospectivamente, 373 prontuários consecutivos de pacientes que foram encaminhados para avaliação da infertilidade no período de setembro de 2003 a maio de 2005. A idade média dos homens foi de 38,6 ± 4,9 anos. As variáveis seminais foram avaliadas de acordo com o critério da OMS. Os pacientes foram divididos em nove grupos: azoospermia, oligoastenoteratozoospermia, astenoteratozoospermia, oligoteratozoospermia, teratozoospermia, oligoastenozoospermia, astenozoospermia, oligozoospermia e normozoospermia.

RESULTADOS:

Foram encontrados: azoospermia (n = 36, 9,65%), oligoastenoteratozoospermia (n = 61, 16,35%), astenoteratozoospermia (n = 55, 14,74%), oligoteratozoospermia (n = 25, 6,7%), teratozoospermia (n = 62, 16,62%), oligoastenozoospermia (n = 9, 2,4%), astenozoospermia (n = 15, 4,02%), oligozoospermia (n = 13, 3,5%), e normozoospermia (n = 93, 24,93%). Desta forma, 54,41% dos pacientes (n = 203) apresentam diminuição do número de espermatozóides normais, 28,95% (n = 108) pacientes apresentaram diminuição na concentração de espermatozóides; e 37,51% dos pacientes (n = 140) apresentaram diminuição da motilidade espermática.

CONCLUSÕES:

Este estudo demonstra que o critério isolado que mais está alterado é a morfologia espermática. Além disso, um quarto dos pacientes infértil apresenta análise seminal normal, demonstrando que provavelmente, nestes casos de normozoospermia, as alterações ocorram apenas na função dos espermatozóides.

 


 

Estudo Comparativo entre Três Crioprotetores Comercialmente Disponíveis para Criopreservação de Espermatozóides Humanos

Autores: Sidney Verza Junior, Cinthia M. Feijó e Sandro Esteves

ANDROFERT - Centro de Referência em Infertilidade Masculina, Campinas, SP

INTRODUÇÃO:

A criopreservação de espermatozóides humanos está indicada nas situações de risco para a fertilidade, e mais recentemente associada às técnicas de reprodução assistida e extração de espermatozóides do testículo e epidídimo. Desde o seu surgimento, refinamentos nas técnicas de congelamento e nos meios crioprotetores têm sido realizados visando otimizar a recuperação destes espermatozóides após o descongelamento.

OBJETIVO:

O objetivo deste trabalho foi comparar três crioprotetores comercialmente disponíveis para criopreservação de espermatozóides quanto a recuperação espermática pós-descongelamento.

MATERIAL E MÉTODOS:

Estudo prospectivo realizado no período de fevereiro a junho de 2005, no qual amostras de sêmen de 23 indivíduos foram obtidas por masturbação; após liquefação, cada amostra foi dividida em três alíquotas iguais de 200 microlitros, sendo cada uma criopreservada com um crioprotetor: 1. TEST yolk buffer com glycerol - Irvine Scientific; 2. Sperm Freezing Medium, Medicult; 3. Sperm Freezing Medium, LifeGlobal. O congelamento foi realizado pela técnica de vapor de nitrogênio líquido com fases estáticas. Após um período de 48 a 72 horas, foi realizado o descongelamento, no qual as amostras foram retiradas do nitrogênio líquido, permanecendo por cinco minutos a temperatura ambiente e 20 minutos a 37° C. Após homogeneização, uma alíquota de cada amostra foi removida, para a análise da motilidade total e progressiva e perda percentual espermática. Para análise estatística foi utilizado o teste Wilcoxon signed-Rank, com nível de significância de 0,05.

RESULTADOS:

Houve diminuição estatisticamente significativa da motilidade espermática total e progressiva entre antes e depois da criopreservação para os três crioprotetores testados (p < 0,01; Tabela 1). No entanto, foi observada uma motilidade média maior dos espermatozóides após o descongelamento quando utilizados os crioprotetores 2 e 3, comparados ao 1 (P < 0,05, Tabela 1), confirmada por uma perda percentual menor destes dois grupos.

CONCLUSÃO:

Os três crioprotetores avaliados mostraram-se eficientes para proteção e recuperação de espermatozóides submetidos a criopreservação em nitrogênio líquido, com uma taxa de recuperação espermática maior para os crioprotetores 2 e 3 em comparação ao 1.

 

Table 6
Tabela 1. Comparação entre a motilidade espermática pré e pós-criopreservação e a perda percentual de motilidade utilizando-se três crioprotetores disponíveis comercialmente.Valores em média ± DP (n = 23)

 


 

A Espessura Endomentrial no Dia da Transferência de Embriões: Um Novo Fator Preditivo Para Ciclos de FIV/ ICSI Com antagonistas de GNRH?

Autores: Cardoso FFO, Souza MM, Pritsivelis C, Souza MCB, Henriques CA, Mancebo ACA, Rocha CA, Marcondes ACS

G&O Ginecologia e Obstetrícia da Barra, Rio de Janeiro, RJ

INTRODUÇÃO:

Torna-se cada vez maior a busca de aspectos que possam influenciar os resultados nos ciclos de FIV/ICSI. O uso dos antagonistas nos protocolos trouxe maior facilidade ao manuseio e menor quantidade no uso das gonadotrofinas, mas restam diferenças entre taxas de gravidez e implantação em relação aos agonistas. Uma das possibilidades é de que não se atingiu o “melhor” de sua utilização. A otimização passa pela busca de melhores índices preditivos, que “refinem” os protocolos.

OBJETIVO:

Este estudo objetivou correlacionar a espessura do endométrio no dia da transferência de embriões (TE) com as taxas de gravidez e implantação obtidas.

MATERIAL E MÉTODO:

Foram estudadas prospectivamente 51 clientes (maio de 2004/ maio de 2005). Para limitar a influência de variáveis de confusão, apenas incluímos as mulheres com idade ≤ 37 anos, em seu primeiro ciclo de FIV/ICSI, submetidas a protocolo de r-FSH (Gonal®) com antagonista de GnRH (Cetrotide®), com uso de r-hCG (Ovidrel® 250 μg) e TE guiada por ultra-sonografia (US). No segundo dia da menstruação realizou-se US transvaginal, e neste dia foi iniciado estímulo com gonadotrofinas. Quando da presença de pelo menos um folículo com 14 mm foi acrescido o antagonista, que se manteve até o dia do r-hCG. O critério de administração do r-hCG foi a observação de pelo menos um folículo ≥18 mm e dois ≥16 mm. De 34 a 36 horas depois foi realizada a aspiração dos oócitos, por via vaginal, guiada por US. No terceiro dia após a aspiração foi realizada a TE e medida a espessura do endométrio por US abdominal. As pacientes foram estratificadas em dois grupos. O Grupo 1 incluiu as pacientes com espessura endometrial < 10 mm e o grupo 2 aquelas com espessura ≥ 10 mm.

RESULTADOS:

Não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos quanto a duração do estímulo, dose total de gonadotrofina, dia de início e número de ampolas do antagonista de GnRH, número de oócitos metáfase II obtidos e número de embriões Grau 1 e 2 transferidos. Em relação à idade, o grupo 2 teve média significativamente menor. As taxas de gestação clínica foram de 45% versus 21% entre os grupos 1 e 2, com diferença quase significativa pelo teste de Fisher (p = 0,0742). As taxas de implantação foram de 20 e 8%, respectivamente (Tabela 1).

 

Table 7

 

CONCLUSÃO:

Os resultados preliminares apresentados neste estudo demonstram que, embora sem significado estatístico, há uma tendência de melhores taxas de gestação e implantação quando o endométrio apresenta espessura < 10 mm no momento da transferência de embriões.

 


 

Más-formações Congênitas em Crianças Nascidas após FIV/ICSI. Instituto Verhum-Video Endoscopia e Reprodução Humana

Autores: Natália Ivet Zavattiero T. Cabral; Vinicius Medina Lopes,Tatiana Coelho Café, Temízio Rodrigues Pereira; Jean Pierre Barguil Brasileiro, Rosaly Rulli Costa, Maria das Dores Medina-Lopes

Instituto Verhum-Vídeo

INTRODUÇÃO:

Durante o processo de fertilização in vitro (FIV) convencional ou com injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI), gametas e embriões são expostos a manipulação laboratorial e contato com produtos químicos que, teoricamente, podem aumentar o risco de más-formações. Além disso, é crescente o número de fertilizações realizadas em mulheres com idade avançada e em homens com patologias seminais graves, aumentando ainda mais esta preocupação.

OBJETIVO:

Obter o risco relativo de más-formações congênitas em crianças nascidas por FIV/ICSI no Instituo Verhum em relação à população do Distrito Federal (DF).

METODOLOGIA:

Os dados das crianças nascidas no Instituto Verhum foram obtidos por contato telefônico com as mães. O grupo controle foi representado por todas as crianças nascidas no DF no mesmo período, a partir de dados obtidos na Secretaria de Saúde local. Para cálculo estatístico foram utilizados o risco relativo e o Teste exato de Fisher.

RESULTADOS:

Foram avaliadas 268 crianças nascidas por FIV/ICSI no período de 1999 a 2003. Seis apresentaram malformação (2,23%). Nasceram 193.057 crianças no DF no mesmo período, sendo que 542 apresentaram alguma má-formação (0,28%). A análise estatística mostrou odds ratio de 8,13 (3,26 < OR < 18,97), risco relativo (RR) de 7,97 (3,6 < RR < 17,67) com intervalo de confiança de 95%, e p = 0,0001312.

DISCUSSÃO:

Sabe-se que toda mulher que engravida, independente de faixa etária, etnia ou hábitos, corre o risco global de 2 a 3% de gerar um bebê com qualquer tipo de má-formação congênita.

Assim, as crianças geradas por FIV/ICSI no material examinado apresentaram o risco esperado de más-formações (2,23%). Pode ter ocorrido subnotificação dos casos na Secretaria de Saúde, já que a incidência de más-formações (0,28%) foi menor que a da literatura mundial, o que poderia explicar o RR de 7,97. Além disso, há vários fatores relacionados com másformações que não foram avaliados neste estudo, tais como idade materna, paridade e etnicidade.

CONCLUSÃO:

As pacientes que realizaram FIV/ICSI apresentaram um risco 7,97 vezes maior para má-formação fetal do que o notificado pela Secretaria de Saúde do DF para os partos ocorridos no mesmo período, porém o percentual de má-formação em crianças nascidas após FIV/ICSI no Instituto Verhum foi compatível com o da população mundial (2,23%).

 


 

Doze Anos do Programa de Doação Compartilhada de Óvulos

Autores: Vinicius Medina Lopes; Jean Pierre Barguil Brasileiro; Tatiana Coêlho Café; Frederico José Silva Corrêa; Maria das Dores Medina Lopes; Temízio Rodrigues Pereira; Daniela Cruz Nunes de Carvalho; Joaquim Roberto Costa Lopes

CENAFERT/Instituto Verhum, Brasília, DF

INTRODUÇÃO:

O modelo de doação compartilhada de óvulos foi criado no CENAFERT, em Brasília/DF. O primeiro ciclo envolvendo o estímulo de uma doadora com divisão dos ovócitos obtidos com uma receptora, de modo compartilhado, foi realizado em 1993, e a técnica foi publicada pela primeira vez na literatura mundial em 1995 (Reprodução & Climatério, 10:148-150). Essa alternativa visa criar uma solução para a escassez de óvulos a serem doados para receptoras, o que representa, nos dias de hoje, uma dificuldade crescente em todos serviços de Reprodução Assistida (RA). Por outro lado, permite que duas famílias rateiem os custos do processo e com isso o tornem acessível a um maior número de casais.

METODOLOGIA:

Os autores analisaram os aspectos históricos e éticos da doação compartilhada de óvulos e o parecer de aprovação pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) do DF. Foram revistos os resultados de 184 ciclos de estímulo com doação de ovócitos em 133 doadoras, no período de janeiro de 1993 a dezembro de 2004.

RESULTADOS:

Neste período, realizaram-se transferências de embriões frescos em 179 doadoras e 192 receptoras. Isso permitiu obterem-se 112 gestações clínicas subseqüentes a 184 captações, o que resultou em índices de gravidez por transferência de: 35,19% entre as doadoras e de 37,07% entre as receptoras. Considerando que alguns ciclos de estímulo geraram simultaneamente duas gravidezes, constatamos que, somadas todas as gestações obtidas (doadoras e receptoras) em relação ao número de ciclos com captação, o índice de gravidez por captação ovular com essa técnica atingiu um percentual de 60,86% no material apresentado.

CONCLUSÃO:

A doação compartilhada de óvulos, que completa 12 anos, representa um modelo de reprodução assistida de elevado aproveitamento por coleta ovular e, permite que, de modo ético e legitimado pelo CRM, com apenas um ciclo de estímulo ofereça-se, simultaneamente, a possibilidade de solução da infertilidade para dois casais.

 


 

Utilização de Células-tronco Embrionárias para a Reprodução de Tecido Cardíaco

Autores: Paz, AHR; Terraciano, PB; Ayala-Lugo, A; Passos, EP; Cirne-Lima, EO

Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento em Reprodução, Centro de Terapia Gênica, Centro de Pesquisas do HCPA

Células-tronco embrionárias são as células precursoras dos organismos; a partir delas ocorre a gênese de todos os tipos de tecidos formadores do corpo. Possuem enorme plasticidade, podendo gerar tecidos da endoderme, mesoderme e ectoderme. São obtidas da camada central de células do embrião no estágio de blastocisto, fato que explica sua pluripotência e não sua totipotência, já que as células da camada central não podem formar os anexos embrionários, e, conseqüentemente, nunca formarão um novo indivíduo completo. Dentre as principais características das células-tronco podese destacar a alta capacidade de proliferação e a possibilidade de diferenciação em células mais especializadas. Este fenômeno pode ser reproduzido in vitro, fato que faz as célulastronco se tornarem uma grande promessa no campo de terapias de tratamento para inúmeras patologias. Antes da indução de diferenciação, as células devem ser agrupadas em massas celulares, denominadas corpúsculos embrionários. Utilizamos para isso a técnica de “hanging drops” (Wobus et al., 1991) ou “gotas suspensas”, que consiste basicamente em agregar um número conhecido de células-tronco em gotas suspensas de 20 μl de meio de cultura, a fim de induzir a formação de corpúsculos embrionários. Depois de formar os corpúsculos embrionários, as células seguem uma seqüência de desenvolvimento, em que, inicialmente, assumem características de endoderme, seguidas do desenvolvimento da ectoderme e da formação da mesoderme em torno do quarto dia de cultura. Após quatro a sete dias, em cultura de suspensão, os corpúsculos embrionários são plaqueados em frascos de cultura de células aderentes, e diferenciam-se em tipos celulares especializados, assumindo não só características morfológicas, mas também atividades funcionais típicas dos diferentes tipos celulares. No caso das células cardíacas, pode-se verificar até mesmo as contrações características do tecido nas células diferenciadas. Neste trabalho, relatamos o estabelecimento do protocolo de diferenciação in vitro de células-tronco embrionárias em células cardíacas por nosso grupo de pesquisa. As análises de diferenciação basearam-se na morfologia celular e na expressão de genes específicos do tecido cardíaco por RT-PCR.

 


 

Estudo Comparativo entre o uso de Agonistas e Antagonista do GNRH em Ciclos de Fertilização In Vitro

Autores: Pedro Augusto Araujo Monteleone, Sergio Pereira Gonçalves, Andrea Cristina Farkas Crepaldi, Pedro Paulo Roque Monteleone, Nilson Roberto de Melo, Domingos Auricchio Petti

Centro de Reprodução Humana Monteleone - São Paulo - SP

INTRODUÇÃO:

No final dos anos 1990, os antagonistas do GnRH começaram a ser usados em medicina reprodutiva com o objetivo de inibir a função hipofisária e, assim, evitar a lutenização e a ovulação precoce. Diferentemente dos agonistas, que exercem um efeito inicial de estimulação sobre a secreção de gonadotrofinas (conhecido como “flare-up”), os antagonistas atuam por inibição competitiva do receptor, resultando em supressão imediata e reversível da liberação das gonadotrofinas hipofisárias. A eficácia e a segurança dos agonistas e antagonistas do GnRH foram comparadas em vários estudos, com resultados equivalentes. Estudos relatam, ainda, menor incidência de síndrome de hiperestimulação ovariana em ciclos com antagonistas.

MÉTODO:

Analisamos retrospectivamente os dados de 81 ciclos em pacientes com idade inferior a 40 anos, divididas em dois grupos: I) antagonista: início do estímulo com r-FSH no segundo dia do ciclo menstrual e introdução de 0,25 mg de cetrorelix na vigência de um ou mais folículos com diâmetro médio de 15 mm; II) grupo agonista: protocolo longo de dessensibilização com leuprolide iniciado na fase lútea do ciclo anterior, seguida de estímulo com r-FSH a partir do segundo ou terceiro dia do sangramento. A maturação oocitária em ambos os grupos foi induzida com r-HCG e a captação oocitária foi realizada 35 horas após. Os resultados foram analisados pelos testes de Mann-Whitney e exato de Fisher, com nível de significância de p < 0,05.

RESULTADOS:

Estão apresentados na Tabela 1. Ocorreram quatro casos de hiperestimulação ovariana entre as 47 pacientes submetidas ao protocolo de agonista, enquanto nenhum caso foi diagnosticado nos ciclos com antagonista do GnRH.

CONCLUSÕES:

Nossos resultados estão de acordo com os estudos publicados até hoje em relação ao uso do antagonista do GnRH. Não houve diferença quanto ao número de oócitos aspirados e a taxa de maturação dos mesmos. Obtivemos taxas de gravidez equivalentes em ambos os grupos. Mesmo com uma aparente tendência de maior número de gestações gemelares no grupo “antagonista”, o número de casos é pequeno para qualquer inferência a este respeito. Nossos dados mostram que a dessensibilização hipofisária promovida pelo análogo do GnRH exige maior tempo de estímulo ovariano e maior utilização de gonadotrofinas para que seja obtida a mesma resposta observada nos ciclos com antagonista. Nenhum caso de hiperestimulação ovariana foi observado em pacientes do grupo “antagonista”. Portanto, nossos dados reforçam ainda mais a eficácia e a segurança dos antagonistas de GnRH para bloqueio hipofisário em tratamentos de reprodução assistida.

 


 

Efeitos do Tamanho do Fragmento na Criopreservação de Tecido Ovariano

Autores: Marcelo Ferreira, Adriana Bos-Mikich, Gerta Frantz, Norma Oliveira, Nilo Frantz

Centro de Reprodução Humana Nilo Frantz

INTRODUÇÃO:

A criopreservação de tecido ovariano geralmente envolve a utilização de pequenos fragmentos, com pelo menos uma das medidas entre 1 e 2 mm. Porém, o manuseio e o retransplante do tecido seriam facilitados com o uso de fragmentos maiores, que teriam ainda a vantagem de possuir densidade folicular maior.

OBJETIVO:

Investigar a influência do tamanho dos fragmentos ovarianos na preservação dos folículos primordiais e primários pós-congelamento.

MÉTODO:

Experimento laboratorial controlado. Foram realizados análises histológicas comparativas em grupos controle e pós-congelamento de fragmentos de ovários bovinos. No grupo dos fragmentos menores, a menor das medidas era de 2 mm (2 x 3 x 10 mm), e no grupo dos fragmentos maiores todas as medidas eram maiores que 2 mm (4 x 3 x 10 mm). Cada grupo teve seu controle (fragmentos frescos) próprio. Um ovário bovino foi obtido em abatedouro, transportado ao laboratório em solução salina a 4o C e seccionado três horas após o abate. Esses fragmentos foram postos em tubos contendo a solução de congelamento preparada com meio M199 acrescido de propanediol 1,5 M, sacarose 0,1 M e 0,4% de albumina sérica bovina. Após equilíbrio a temperatura ambiente por 20 minutos, o material foi congelado com protocolo de congelamento lento, a velocidade de -0.3o C até -30o C, com seeding a -7o C. Os tubos foram armazenados em nitrogênio líquido por três semanas. Para descongelamento, os tubos foram expostos ao ar por 30 segundos e imersos em banho-maria a 38o C até derretimento do gelo. Os tecidos foram lavados (cinco minutos) por soluções de M199 contendo 0,75 M e 0,375 M de crioprotetor e M199 puro. Depois os fragmentos foram fixados em Boiun, encaminhados à histologia e corados com hematoxilina e eosina.

RESULTADOS:

Nos fragmentos congelados com medida de 2 mm e maiores que 2 mm, a porcentagem de folículos normais foi de 56 e 34%, respectivamente. O risco relativo para a manutenção dos folículos normais pós-congelamento nos fragmentos com 2 mm e maiores que 2 mm foi de 0,63 e de 0,47, respectivamente. A comparação desse dois riscos relativos mostrou, de forma significativa (qui-quadrado de heterogeneidade p = 0,022), que o impacto do congelamento na redução das taxas de sucesso foi maior nos fragmentos com espessuras maiores que 2 mm.

CONCLUSÕES:

Este estudo mostrou que há um comprometimento maior na preservação folicular em fragmentos ovarianos criopreservados com espessuras maiores que 2 mm.

 


 

Pesquisa em Células-tronco Embrionárias: Possibilidades e Algumas Conseqüências Trazidas pela Nova Lei de Biossegurança

Curso de Direito

Centro Universitário Newton Paiva - Belo Horizonte, MG

A nova legislação de biossegurança, Lei 11.105, de 2005, trouxe a possibilidade de pesquisa em células-tronco obtidas de embriões produzidos através de FIV e não utilizados (art. 5º, caput), desde que sejam embriões inviáveis (art. 5º, I) e que estejam congelados há três anos, a partir da data da publicação legislativa, ou que sejam congelados, após a publicação, por três anos, iniciando-se tal prazo a partir da data de congelamento (art. 5º, II). Mesmo não sendo o motivo primordial da Lei, essa possibilidade traz, para todos os envolvidos, a esperança e a abertura para um mundo em início de expansão. A liberação das pesquisas em células-tronco no Brasil traz conseqüências, apontadas em estágio inicial. A primeira conseqüência é objeto de uma ação direita de inconstitucionalidade, ADIN nº 3510, proposta pelo Procurador Geral da República, que fundamentou o pedido de inconstitucionalidade do artigo 5º da Lei sob o argumento de que as pesquisas em células-tronco embrionárias são uma agressão ao direito à vida, preceito fundamental do artigo 5º da Constituição, posto que a vida, segundo o parquet, se inicia com a concepção, e a liberação da pesquisa viola este direito, já que os embriões são destruídos após a retirada das células-tronco. Outra conseqüência é o prazo de congelamento de três anos para que os embriões possam ser disponibilizados para as pesquisas. A polêmica, novamente, orbita em torno da questão do início da vida humana, mesmo que os embriões sejam inviáveis para a reprodução. De outra parte, a definição de um prazo resolveria um problema preexistente à Resolução 1.358/92, do CFM, que proíbe o descarte de embriões excedentes da FIV: os milhares de embriões estocados nas clínicas. Mesmo resistindo a proibição administrativa do descarte, a possibilidade da pesquisa existe e embriões estocados e tutelados por casais que cumpriram seu projeto parental podem ser doados. A última conseqüência a ser apontada, sem esgotar a coexistência de outras, é a dúvida de como serão as pesquisas. Por se tratar de legislação nova, a novidade causou grande impacto social e trouxe esperança, mas a sua forma de realização é um mistério. A comercialização de embriões, a engenharia genética em célula geminal, zigoto e embriões humanos, e a clonagem humana são proibidas e tipificadas na Lei e demais legislações como crime. Mas os obstáculos sociais, científicos, tecnológicos, culturais, religiosos e jurídicos pairam sobre a nova legislação.

 


 

Avaliação do Número de Folículos Antrais como Fator Preditivo do Número de Oócitos Metafase II (MII) Aspirados

Autores: Souza MM*, Souza MCB, Cardoso FFO, Pritsivelis C, Henriques CA, Mancebo ACA, Rocha CA, Marcondes ACS.

G&O Ginecologia e Obstetrícia da Barra, Rio de Janeiro, RJ

INTRODUÇÃO:

A avaliação da reserva ovariana tem sido foco de inúmeras pesquisas clínicas nos últimos anos. Muitos testes têm sido propostos com objetivo de predizer o resultado de ciclos de estimulação ovariana. A identificação correta de pacientes que apresentam risco de baixa resposta pode ajudar a individualizar os protocolos de estimulação, além de permitir que as pacientes decidam se serão submetidas ao tratamento de infertilidade. Vários trabalhos têm sido publicados recentemente, avaliando a contagem de folículos antrais como indicativo de resposta em tratamento de reprodução assistida. A finalidade deste estudo foi determinar se o número de folículos antrais contribui para uma resposta satisfatória em tratamento de fertilização in vitro.

MATERIAL E MÉTODO:

Estudo prospectivo que incluiu 73 ciclos FIV/ICSI em pacientes com idade ≤ 45 anos. Todas as pacientes foram submetidas a protocolo de r-FSH com antagonista de GnRH e uso de r-hCG. No segundo dia da menstruação realizou-se ultra-sonografia transvaginal com contagem do número de folículos antrais. Neste dia foi iniciado estímulo com gonadotrofinas. Quando da presença de pelo menos um folículo ≥ 14 mm, foi acrescido o antagonista até o dia do r-hCG. O critério de administração do r-hCG foi a observação de pelo menos um folículo ≥ 18 mm e dois ≥ 16 mm. De 34 a 36 horas após, foi realizada aspiração dos oócitos, por ultrasonografia transvaginal. O objetivo principal foi correlacionar o número de folículos antrais com o número de oócitos MII aspirados. As pacientes foram divididas em dois grupos, de acordo com o número de folículos antrais: grupo 1, ≥ 5 folículos; grupo 2, < 5 folículos.

RESULTADOS:

Foram realizados 35 ciclos no grupo 1 e 38 no grupo 2. O primeiro grupo apresentou número médio de folículos antrais igual a 6,8 e o segundo grupo, 3,9. A média de idade foi de 33,6 anos no grupo 1, e 36,2 no grupo 2 (p = 0,02). O número médio de oócitos em MII foi sete no primeiro grupo e quatro no segundo (p = 0,001). Houve diferença no total de doses de r-FSH utilizadas (2.135 UI x 2.557 UI, p = 0,006), FSH basal (p = 0,0012) e estradiol (p = 0,003). (Tabela 1).

 

Table 8

 

CONCLUSÃO:

O número de folículos antrais parece ser bom indicador preditivo do número de oócitos MII em ciclos de FIV/ICSI. Pacientes com número de folículos antrais 3 5 apresentaram maior número de oócitos MII no momento da aspiração.

 


 

Desempenho Sexual de Mulheres de Casais Inférteis e Mulheres que Desejam se Submenter a Esterelização Cirúrgica

INTRODUÇÃO:

Oitenta por cento dos casais não apresentam dificuldade para conceber, e a relação sexual não é investigada do ponto de vista da satisfação dos envolvidos (Passos, 2001). Mulheres com problemas de fertilidade, durante os procedimentos de fertilização podem apresentar maior prevalência de emoções negativas do que os controles, e a sexualidade está negativamente afetada. A infertilidade é também responsável por distúrbios sexuais relevantes (Fassino, 2002). Há mulheres, entretanto, que não querem mais gestar. Já têm os filhos planejados, não estão satisfeitas nem seguras quanto ao método anticonceptivo utilizado e querem submeter-se à esterilização cirúrgica através da ligadura tubária (LT).

OBJETIVOS:

1. Avaliar o comportamento sexual e o perfil social de mulheres de casais inférteis que desejam engravidar e de mulheres que desejam se submeter à esterilização cirúrgica. 2. Comparar os resultados obtidos.

MATERIAL E MÉTODO:

Foi utilizado o instrumento Female Sexual Function Index - FSFI (Rosen, Brown et al., 2000) que conta com 19 questões que avaliam o comportamento sexual de mulheres em seis domínios: desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e desconforto/dor. O questionário foi aplicado em pacientes que desejavam engravidar e naquelas que pretendiam se submeter à ligadura tubária. Foi avaliado também o perfil social. A amostra foi constituída de pacientes do Setor de Fertilização Assistida do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Serviço de Orientação e Planejamento Familiar (SERPLAN) da cidade.

RESULTADOS:

Foram entrevistadas 96 mulheres que desejavam engravidar e 119 pacientes desejando LT. A média da idade foi de 31,49 ± 5,76 anos e 34,45 ± 6,03 anos, respectivamente; a escolaridade, 9,51 ± 4,23 e 8,34 ± 3,73 anos; a média da idade do parceiro era de 34,25 ± 6,72 e 38,86 ± 8,76 anos, e o tempo de vida em comum, de 3,94 ± 2,95 e 4,55 ± 3,15 anos. Os escores para desconforto/dor foram menores nas mulheres que desejavam engravidar. Desejo, excitação, lubrificação, orgasmo e satisfação apresentaram correlação positiva entre si (p < 0,05) nos dois grupos. A correlação entre dor/ desconforto e desejo e dor/desconforto e satisfação não teve significância estatística no grupo de pacientes que queria gestar.

CONCLUSÕES:

Estes dados sugerem bom desempenho sexual tanto entre as mulheres que desejam engravidar como entre aquelas que desejam ligadura de trompas. Nestas últimas, o desempenho sexual é ligeiramente inferior, embora não tenha sido encontrada diferença estatística.

 


 

Efeito da Restrição Alimentar Durante o Primeiro Terço da Gestação no Peso da Placenta e do Feto em Ratas (Rattus norvegicus)

Autores: Giovanny Camacho Mazzarotto, Rafael Alonso Salvador, Vera Lúcia Lângaro Amaral, Matina Cordini, Marcel Frajblat1

Universidade do Vale do Itajaí, UNIVALI - Laboratório de Biotecnologia da Reprodução. Biotério Central (1frajblat@univali.br)

A hiperemese gravídica (HG) é um fenômeno que ocorre em quase 70% das mulheres durante o primeiro trimestre da gestação e a sua causa está associada aos níveis plasmáticos de hCG, progesterona e tiroxina. Estudos demonstram que a ocorrência da HG foi inversamente associada com a taxa de aborto espontâneo durante o primeiro trimestre e aumento do peso da placenta ao nascimento no homem. Portanto, o objetivo deste estudo foi desenvolver um protocolo em ratos onde o efeito da HG no peso da placenta pôde ser investigado. Dezoito ratas foram divididas em dois grupos, controle (n = 8) e restrição alimentar (n = 10) e colocadas para cruzamento com machos da mesma linhagem. A presença do tampão vaginal foi considerada o primeiro dia da gestação (dia 1). Animais do grupo controle receberam ração ad libitum do dia 1 até o dia 19 da gestação. O grupo restrição recebeu 32% da ração consumida pelo grupo controle durante os primeiros oito dias da gestação. A partir do dia 9 até o dia 19, os animais do grupo restrição receberam ração ad libitum. No dia 19, todos os animais foram mortos e o peso do feto e da placenta registrados. Durante o período de restrição alimentar houve perda significativa de peso corporal no grupo restrição, comparado ao controle (P < 0,05). Porém, do dia 9 até o dia 19 os animais do grupo restrição recuperaram o peso e não houve diferença entre o peso dos grupos no dia da coleta dos órgãos (P > 0,08). Um total de 182 fetos e suas respectivas placentas foram coletados (81 do controle e 101 da restrição). Não houve diferença no número de fetos por fêmea entre os dois grupos (P > 0,9). Não foram observadas diferenças no peso da placenta entre os dois grupos (0,380 ± 0,05 e 0,384 ± 0,06 g para o grupo controle e restrição, respectivamente, P > 0,7). Foi observado aumento no peso dos fetos no dia 19 da gestação no grupo com restrição alimentar (1,37 ± 0,21 e 1,48 ± 0,20 g para o grupo controle e restrição, respectivamente, P < 0,001). Portanto, este protocolo de restrição alimentar durante o primeiro terço da gestação de ratas não foi capaz de alterar o número de filhotes por fêmeas e o peso da placenta no dia 19. Porém, o peso do feto foi significativamente maior nos animais que tiveram restrição alimentar no início da gestação.