JBRA Assist. Reprod. 2005;09(3):11-19
TEMA LIVRE - APRESENTAÇÕES ORAIS
doi: 10.5935/1518-0557.2005.9.3.02
Autores: Ricardo Azambuja, Mariangela Badalotti, Lilian Okada, João Michelon, Fernando Badalotti, Adriana Arent, Alvaro Petracco
FERTILITAT - Centro de Medicina Reprodutiva, Porto Alegre, RS
OBJETIVO:
Verificar a taxa de gestação clínica com uso de óvulos congelados em meio de cultivo à base de colina, em um programa de fertilização in vitro (FIV).
MATERIAL E MÉTODOS:
Foram avaliados 32 ciclos de FIV com oócitos congelados, realizados no Fertilitat - Centro de Medicina Reprodutiva. O congelamento dos óvulos foi realizado por opção dos casais como uma alternativa ao congelamento embrionário, após extensiva orientação e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. A estimulação ovariana foi realizada com gonadotrofinas após dessensibilização hipofisária com acetato de leuprolide. A captação oocitária foi realizada por ecografia pélvica transvaginal 34 ± 2 horas após a administração de gonadotrofina coriônica humana. As amostras seminais foram preparadas com PureSperm®. Após a aspiração folicular, os oócitos foram separados em dois grupos. O primeiro grupo foi utilizado no primeiro ciclo, a fresco. O segundo grupo, constituído pelos óvulos excedentes, foi congelado seguindo o protocolo de Stachecki et al. (Biology of Reproduction. 59:396-400, 1998). Nestes 32 casos, nos quais não ocorreu gestação, aproximadamente após dois meses iniciava-se o preparo endometrial utilizando estradiol oral (Estrofen®, Medley, Brasil) com dose inicial de 2 mg/dia, a partir do terceiro dia do ciclo menstrual, e a dose máxima utilizada era de 6 mg/dia até que o endométrio atingisse espessura de 10 mm no controle ecográfico, quando se iniciava o uso de 90 mg/ dia de progesterona, sob forma de gel, para aplicação intravaginal (Crinone 8%â, Serono, Brasil). No dia seguinte, os oócítos eram descongelados seguindo o protocolo de Stachecki et al. (Biology of Reproduction. 59:396-400, 1998). Após o descongelamento, os oócitos eram inseminados através da injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI), e após dois dias de cultivo realizava-se a transferência embrionária.
RESULTADOS:
A Tabela mostra os resultados dos ciclos com uso de oócitos congelados.
CONCLUSÃO:
Estes resultados demonstram a boa possibilidade de se obterem gestações clínicas com o uso de óvulos congelados em meio de cultivo com colina. Esta técnica é uma alternativa ao congelamento embrionário que resolve o problema ético no caso de embriões excedentes. Uma vez que os resultados iniciais são promissores, o congelamento dos oócitos excedentes deve ser considerado nos ciclos de FIV e nos casos em que há necessidade de preservar a fertilidade, como no câncer e no adiamento da maternidade.
Autores: Mariana Kefalás Oliveira Gomes*, Carolina Sales Vieira, Marcos Dias de Moura, Luiz Alberto Manetta, Stael Porto Leite, Rosana Maria dos Reis, Rui Alberto Ferriani
Setor de Reprodução Humana do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
OBJETIVO:
Avaliar se o LH, sob forma de baixa dose de gonadotrofina coriônica humana (hCG), é similar à gonadotrofina menopausal humana (hMG) e ao FSH recombinante na fase folicular tardia de pacientes em hiper-estimulação ovariana controlada (HOC).
PACIENTES E MÉTODO:
Através de um ensaio controlado, 51 pacientes mulheres normovulatórias com indicação de ICSI foram aleatoriamente direcionadas a três diferentes protocolos de HOC (17 em cada). Todas as pacientes foram suprimidas com análogos do GnRH e receberam FSH recombinante (200 UI/d) até que se obtivessem folículos com 13 mm de diâmetro médio. A partir de então, constituíram-se os grupos: HOC com hCG (200 UI/d) (grupo hCG, n = 17), hMG (225 UI/d) (grupo hMG, n = 17) ou FSHr (200 UI/d) (grupo FSH, n = 17) até que os parâmetros para administração do hCG pré-ovulatório fossem atingidos. A monitoração foi realizada através de ultra-sonografia transvaginal e dosagem sérica de estradiol, progesterona e testosterona.
RESULTADOS:
O número de folículos menores que 10, de 10 a 14 e maiores que 14 mm e o tempo de HOC (em dias) foram similares em todos os grupos. O nível sérico de progesterona no dia do hCG pré-ovulatório foi significativamente maior no grupo hCG que nos grupos hMG e FSHr (Tabela 1). As taxas de gravidez clínica foram semelhantes nos três grupos. O custo total do tratamento por paciente no grupo hCG foi significativamente inferior que nos grupos hMG e FSHr (R$ 1.949,00 ± 292,40 vs R$ 2.363,00 ± 409,70, e R$ 2.655,00 ± 822,00, respectivamente; p 0,0019) (Tabela 2).
CONCLUSÕES:
LH na forma de baixa dose de hCG na fase folicular tardia apresentou o mesmo padrão de desenvolvimento folicular que o hMG e o FSHr na mesma fase. O protocolo utilizando hCG produziu taxa de gestação similar àquela evidenciada pela HOC com hMG e FSHr na fase folicular tardia, mesmo apresentando níveis séricos elevados de progesterona no dia do hCG pré-ovulatório.

Tabela 1. Resultados clínicos e hormonais da hiperestimulação ovariana controlada nos três grupos de estudo

Tabela 2. Resultados do processo de fertilização dos três grupos de pacientes submetidas a hiperestímulo ovariano controlado e ICSI
Autores: Danielle T. Schneider, Alecsandra do Prado Gomes, Sidney Verza Junior, Sandro Esteves
ANDROFERT - Centro de Referência em Infertilidade Masculina, Campinas, SP
INTRODUÇÃO:
Nas técnicas de Reprodução Assistida envolvendo injeção intracitoplasmática de espermatozóide no óvulo (ICSI), é rotina a denudação química e mecânica dos oócitos após sua identificação, procedimento realizado em aproximadamente duas horas. Após este período, não existe um consenso na literatura quanto ao melhor horário para que seja realizada a microinjeção.
OBJETIVO:
O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do horário da ICSI em relação à administração do hCG, sobre as taxas de fertilização e qualidade embrionária.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Este estudo retrospectivo de dados laboratoriais avaliou 550 ciclos de ICSI, realizados de janeiro de 2002 a março de 2005, com um total de 4.334 oócitos injetados. Foram incluídos casos envolvendo espermatozóides ejaculados (n = 364), obtidos do epidídimo (n = 30) e do testículo (n = 75). Os grupos foram divididos hora a hora de acordo com o intervalo entre a administração do hCG e a ICSI, de 37 a 45 h, além dos oócitos injetados no dia seguinte (~ 60h). Os resultados da ICSI foram avaliados em relação às taxas de fertilização normal (2 PN), taxas de fertilização anormal e qualidade embrionária nos dias 2 e 3. Foi utilizado o teste não-paramétrico Mann-Whitney, com nível de significância 0,05 para comparar os resultados entre os grupos.
RESULTADOS:
Oócitos injetados com menos de 38 h tiveram qualidade embrionária significativamente inferior quando comparado à faixa de 38 h a 42 h, que mostrou os melhores resultados. Oócitos injetados com mais de 43 h tiveram redução estatisticamente significativa tanto nas taxas de fertilização quanto na qualidade embrionária. Entretanto, houve maior incidência de oócitos injetados com espermatozóides provenientes do testículo de pacientes com azoospermia não-obstrutiva nas faixas horárias acima de 43 h, cujos resultados inferiores podem ser devidos à menor capacidade reprodutiva deste tipo de gameta. Porém, excluindose estes espermatozóides, a tendência a piores resultados ainda se manteve, embora em um nível de significância inferior. Oócitos maturados in vitro e injetados no dia seguinte tiveram resultados inferiores comparados a oócitos injetados no mesmo dia.
CONCLUSÕES:
A faixa horária que se mostrou ideal para a realização da ICSI neste estudo foi entre 38 h e 42 h. Oócitos injetados com menos de 38 h mostraram fertilização satisfatória, porém com embriões de má qualidade. Isto pode estar associado à imaturidade citoplasmática, apesar da maturidade nuclear. Após 43 h, houve um decréscimo nos resultados de fertilização e qualidade embrionária. Os autores sugerem, portanto, que, quando utilizados espermatozóides provenientes de azoospermia não-obstrutiva, fator agravante para os resultados, os oócitos sejam injetados na faixa horária que mostrou os melhores resultados, nem que para isso a captação dos espermatozóides tenha que ser realizada no dia anterior.
Autores: Sandro Cassiano Esteves, Sidney Verza Jr., Alecsandra do Prado Gomes
ANDROFERT - Centro de Referência em Infertilidade Masculina, Campinas, SP
INTRODUÇÃO:
A biópsia microcirúrgica dirigida (microdissecção testicular) é um procedimento recente, inicialmente desenvolvido por Schlegel (1999), cujo objetivo é a identificação e extração de áreas focais de espermatogênese nos homens com azoospermia não-obstrutiva (ANO).
OBJETIVO:
O objetivo deste estudo foi analisar as taxas de recuperação de espermatozóides via microdissecção testicular em relação à histologia testicular.
MATERIAL E MÉTODOS:
Foram avaliados, no período de outubro/2002 a maio/2004, 26 homens com diagnóstico de ANO, resultando em 33 procedimentos de biópsia testicular dirigida (microdissecção testicular). Destes, 22 possuíam avaliação da histologia testicular pregressa ou concomitante ao procedimento, classificados de acordo com o padrão histológico predominante em hipoespermatogênese, parada de maturação germinativa ou síndrome de “sertoly cell only” (SCO). O valor médio do FSH em cada grupo foi de 27,3, 23,9 e 20,1 mUI/ml, respectivamente. A idade média dos homens foi de 36,2 ± 6. A avaliação genética mostrou microdeleção da região AZFc do cromossomo Y em um paciente e síndrome de Klinefelter em outro.
RESULTADOS:
A extração microcirúrgica teve sucesso em 15 dos 33 procedimentos (45,5%). Nos casos de hipoespermatogênese, foram encontrados espermatozóides em 100% dos procedimentos (5/5), contra 66,6% nos casos de parada de maturação (2/3) e 28,5% quando a histologia mostrava SCO (6/21). Em nove procedimentos (27,3%), foram encontradas espermátides em alongamento e/ou alongadas, sendo todos homens com SCO. Foram realizados 13 ciclos de ICSI, sendo nove com presença de espermatozóides e quatro com injeção de espermátide alongada. Os nove procedimentos com presença de espermatozóides resultaram em oito gravidezes, das quais quatro evoluíram para aborto (50%), resultando em quatro gravidezes em andamento e/ou nascidos. Não houve nenhuma gravidez quando espermátides alongadas foram utilizadas para ICSI. Dos 15 procedimentos com presença de espermatozóides, 10 (66%) tiveram material excedente para criopreservação.
CONCLUSÃO:
A histologia testicular é preditiva das chances de encontrar espermatozóides via microdissecção testicular nos homens com azoospermia não-obstrutiva, mostrando melhor prognóstico nos quadros de hipoespermatogênese, seguido por parada de maturação e culminando nos piores resultados quando o diagnóstico é SCO. No entanto, mesmo nestes casos, ainda houve recuperação de espermatozóides em 28,5% dos procedimentos, confirmando a presença de focos de espermatogênese ao longo do testículo, não mostrados na histologia, e demonstrando a eficiência da técnica de microdissecção testicular na localização destes focos.
Autores: Sidney Verza Junior, Cinthia M. Feijó e Sandro Esteves
ANDROFERT - Centro de Referência em Infertilidade Masculina, Campinas, SP
INTRODUÇÃO:
A criopreservação de espermatozóides é indicada nas diversas situações onde possa haver risco para a fertilidade, beneficiando estes indivíduos que, associado às técnicas de reprodução assistida, podem ter seus próprios filhos biológicos.
OBJETIVO:
Avaliar a capacidade de resistência do espermatozóide a repetidos ciclos de descongelamento-recongelamento pela técnica de vapor de nitrogênio líquido.
MATERIAL E MÉTODOS:
Foram descongeladas 16 amostras de sêmen de 12 indivíduos (normozoospérmicos, n = 5; oligozoospérmicos, n = 7) que solicitaram descarte do sêmen criopreservado no banco de sêmen da instituição. O congelamento do sêmen foi realizado pela técnica de vapor de nitrogênio líquido com fases estáticas. Para o descongelamento, as amostras permaneceram durante cinco minutos à temperatura ambiente e 20 minutos a 37° C. Uma alíquota de cada amostra foi removida para análise da sobrevida espermática e motilidade, e o restante recongelado, de maneira idêntica à utilizada no congelamento inicial, porém sem a nova adição de meio crioprotetor (TEST yolk buffer, com glicerol, Irvine Scientific, EUA). Após um mínimo de 24 horas, as amostras foram novamente descongeladas pela técnica já descrita, e os mesmos parâmetros foram analisados. Repetidos ciclos de congelamento-descongelamento foram realizados até a ausência de espermatozóides móveis. Realizou-se ainda o teste de vitalidade espermática com eosina-Y nos casos em que havia apenas espermatozóides imóveis após o descongelamento. Para análise estatística foram utilizados os testes não-paramétrico de Wilcoxon signed-Rank e Mann-Whitney, com nível de significância de 0,05.
RESULTADOS:
Houve diminuição estatisticamente significativa na motilidade espermática depois de repetidos ciclos de descongelamento-recongelamento. (Tabela 1). A capacidade de criossobrevivência foi significativamente menor nas amostras oligozoospérmicas quando comparada com as normozoospérmicas. Espermatozóides móveis foram observados até o sexto e o terceiro ciclos de recongelamento nas amostras normozoospérmicas e oligozoospérmicas, respectivamente. Quando da ausência de espermatozóides móveis, 43,7% (7/16) das amostras ainda apresentaram uma média de 2% de espermatozóides vivos.
CONCLUSÃO:
Espermatozóides móveis podem ser obtidos após repetidos ciclos de criopreservação utilizando a técnica de vapor de nitrogênio líquido com fases estáticas. A capacidade de resistência ao processo de criopreservação está relacionada com a qualidade inicial dos espermatozóides. No entanto, espermatozóides obtidos depois de repetidos ciclos de recongelamento poderiam apenas ser utilizados associados à injeção intracitoplasmática do espermatozóide (ICSI). O recongelamento dos espermatozóides excedentes descongelados para um ciclo reprodução assistida poderia ser recomendado para pacientes que não tiveram tempo para múltiplas coletas, como, por exemplo, os pacientes com câncer. Embora nossos resultados sejam promissores, outros estudos são necessários para avaliar o potencial fértil destes espermatozóides em ciclos de reprodução assistida.

Tabela 1. Motilidade percentual e sobrevida espermática após repetidos ciclos de descongelmanto-recongelamento. Valores em mediana
Autores: Rocca, T; Alegretti, JR; Fioravanti, J; Hassun, PA; Fassolas, G; Massaguer, AA; Motta, ELA; Serafini, P
HUNTINGTON - Centro de Medicina Reprodutiva
OBJETIVO:
Avaliar a freqüência de alterações cromossômicas encontradas em pré-embriões biopsiados provenientes de ciclos de fertilização in vitro (FIV) entre janeiro/2003 e janeiro/2005.
DESENHO:
Estudo retrospectivo.
INTRODUÇÃO:
O diagnóstico genético preimplantacional (PGD) associado às técnicas de hibridização in situ por fluorescência (FISH) permite a determinação cromossômica numérica do pré-embrião gerado por fertilização in vitro. O PGD/FISH tem por objetivo documentar a normalidade numérica destes cromossomos, com o intuito de aumentar as taxas de implantação e diminuir as de abortamento. As indicações para o PGD/FISH são: (a) idade materna superior a 37 anos; (b) histórico de abortamento espontâneo de repetição; (c) falhas repetidas em ciclos de FIV/ICSI; (d) fator masculino severo; (e) antecedente genético familiar e (g) doenças específicas ligadas ao sexo.
MATERIAL E MÉTODOS:
No período de janeiro de 2003 a janeiro de 2005, foram analisados 229 pré-embriões de pacientes com média de idade de 38,2 anos, através da técnica de FISH. Realizou-se a biópsia embrionária com a remoção de um único blastômero, seguida da fixação do núcleo no dia 3 após a FIV. Embriões com seis ou mais células e com taxa de fragmentação abaixo de 30% foram biopsiados pela técnica convencional. Aplicaram-se as sondas específicas para os cromossomos X, Y, 13, 18 e 21.
RESULTADOS:
Dos 229 embriões biopsiados, 156 (68,1%) foram normais para os cromossomos analisados e 73 (31,9%) apresentaram algum tipo de aneuploidia. Os embriões aneuplóides foram subdivididos em três grupos: grupo 1, constituído por 28 préembriões (38%) que apresentaram somente alterações nos cromossomos sexuais; grupo 2, constituído por 40 (55%) préembriões que apresentaram alterações nos cromossomos 13,18 e/ou 21; e grupo 3, constituído por cinco pré-embriões (7%) que apresentaram alterações dos cromossomos sexuais como dos autossômicos. As maiores freqüências de aneuploidia foram: monossomia do cromossomo X, 29% (n = 21); trissomia do cromossomo 21, 22% (n = 16); trissomia do cromossomo 18, 9,6% (n = 7); monossomia do cromossomo 18, 8% (n = 6); trissomia do cromossomo 13, 7% (n = 5); e as demais alterações não ultrapassaram 4%.
CONCLUSÕES:
A freqüência de 68,1% de embriões euplóides e 31,9% de aneuplóides corrobora os dados da literatura para o grupo etário estudado. As alterações numéricas encontradas nos grupos também estão em proporção com estudos prévios. Estes dados enfatizam a importância de um detalhado aconselhamento do casal antes da realização da transferência embrionária.
Autores: Georges Fassolas, Alfonso Massaguer, José Roberto Alegretti, Taciana Rocca, Joyce Fioravanti, Eduardo Motta, Paulo Serafini
HUNTINGTON - Centro de Medicina Reprodutiva
INTRODUÇÃO:
A transferência embrionária (TE) é importante passo no tratamento de reprodução assistida. Contrações uterinas e sangramentos devem ser evitados através de utilização de cateteres adequados e manipulação gentil. Ainda se discute se o uso do ultra-som (USG) para guiar a TE melhora os resultados da transferência.
OBJETIVO:
Determinar se o processo de TE direcionado por ultra-som favorece a maior incidência de gravidez em pacientes submetidas a FIV/ICSI.
DESENHO:
Estudo prospectivo randomizado em aberto.
MÉTODOS:
Cem pacientes consecutivas submetidas a FIV/ICSI foram divididas em dois grupos: I (n = 49), TE guiada por USG; II (n = 51), TE sem USG. No grupo I, foi medida a distância do orifício cervical interno ao fundo uterino. A distância do local onde depositaramse os embriões ao fundo uterino foi mensurada. A existência de migração embrionária (fúndica e cervical) foi avaliada. A qualidade dos embriões foi classificada pelo método de Veeck. As TE foram realizadas com o cateter de Sydney. Neste trabalho, consideraram-se somente gestações clínicas. Utilizou-se para análise estatística o teste de Mann-Whitney e o teste exato de Fisher quando adequado. Um valor de p < 0,05 foi considerado significante.
RESULTADOS:
A idade das pacientes, o número e a qualidade de embriões transferidos não diferiram entre os grupos. A presença de sangue no cateter após a TE foi mais freqüente no grupo I. Não houve diferença estatisticamente significante quanto ao número de gestações entre os dois grupos. Os dados estão mostrados na Tabela a seguir.
CONCLUSÃO:
A homogeneidade dos dados nos dois grupos foi relevante. Nota-se que a variabilidade na idade das pacientes foi ampla, com mediana de 36 anos. Sabidamente, as taxas de gestação são menores nesta situação. Todavia, a taxa total de aproximadamente 40% de gravidez deve ser valorizada. O grupo com TE guiado por USG apresentou maiores taxas quanto à presença de sangue no cateter, o que prejudica as taxas de gestação. Isso pode ser devido à maior manipulação do cateter para seu ajuste no local desejado pela visualização ecográfica, bem como para a realização das medidas descritas anteriormente. Os dados sugerem que a TE guiada por USG parece não melhorar os resultados da transferência. Ressalva-se o tamanho da amostra, e para que este estudo tenha um poder de 80%, está em andamento com o objetivo de abranger o total de 778 pacientes (389 em cada grupo). Talvez a ET guiada por USG seja importante em casos especiais, principalmente naqueles em que há alteração da anatomia uterina.
Autores: Lopes, Vinicius Medina; Pereira, Temízio Rodrigues; Brasileiro, Jean Pierre Barguil; Medina-Lopes, Maria das Dores; Silva, Carla Maria Martins; Moraes, Thaís Ribeiro Lobo Vilela; Café, Tatiana Coelho
Instituto Verhum-Vídeo
INTRODUÇÃO:
Nos casos em que se recuperam apenas espermatozóides imóveis no ejaculado ou na punção, a utilização da pentoxifilina tem sido uma estratégia para selecionar aqueles que serão utilizados para a ICSI, na medida em que estimula a motilidade espermática. O uso da pentoxifilina baseia-se no conhecimento de que ela atua inibindo a quebra do AMP cíclico, aumentando a produção de ATP e, conseqüentemente, a motilidade celular. No nosso Centro, o fator masculino isolado e/ ou associado representa um universo de mais de 60% dos casos de indicação para ICSI, e em algumas amostras de ejaculado ou punção encontramos apenas espermatozóides imóveis, onde o uso de pentoxifilina é uma alternativa.
OBJETIVO:
Avaliar os resultados de ICSI em que a pentoxifilina foi utilizada em amostras seminais apresentando apenas espermatozóides imóveis.
METODOLOGIA:
Foram estudados nove ciclos (dois com gametas oriundos de material ejaculado e os sete restantes de tecido testicular) com amostras apresentando apenas espermatozóides que eram preliminarmente imóveis, mesmo após capacitação e investigação do ressuspendido em gotas de 5 μl, no período de junho de 2003 a março de 2005. A placa para micromanipulação foi preparada com uma gota central contendo 3 μl de PVP (polivinilpirrolidona), 1μl de pentoxifilina (Trental 20 mg/ml) e os espermatozóides. Aqueles que adquiriram motilidade foram transferidos para gota sem a pentoxifilina. Os critérios para a seleção de espermatozóides para micromanipulação foram ausência de alterações morfológicas e presença de motilidade.
RESULTADOS:
Dos nove ciclos, após o uso da pentoxifilina, em apenas um não se conseguiram espermatozóides móveis; neste ciclo houve fertilização de apenas um óvulo (quatro injetados) após a ICSI com espermatozóides imóveis. O total de ovócitos injetados com espermatozóides móveis foi de 64 (maduros e imaturos). Obtiveram-se 51,56% de fertilização (33/64), sendo 59,62% (31/52) de maduros e 16,67% (2/12) de imaturos. Aconteceram duas gestações clínicas em um total de oito transferências. Uma está em evolução e a outra foi concluída com bebê normal em casa.
CONCLUSÃO:
Embora a casuística envolva um pequeno número de pacientes, conclui-se que a pentoxifilina pode promover motilidade de espermatozóides que permanecem imóveis após as técnicas habituais de preparo seminal, bem como melhorar a seleção dos gametas a serem utilizados na ICSI.
Autores: Eleonora Bedin Pasqualotto, Fernanda Medeiros Umezu, Márcia Garcez, Mirian Salvador, Fabio F. Pasqualotto
Instituto de Biotecnologia, Universidade de Caxias do Sul, RS
INTRODUÇÃO:
A geração de espécies reativas de oxigênio (EROS) no trato reprodutivo masculino tornou-se uma preocupação real, devido ao potencial efeito tóxico quando de elevados níveis na qualidade e função espermática. A membrana do espermatozóide humano é rica em ácidos graxos polinsaturados e, desta forma, suscetível aos ataques das EROS. Entre os antioxidantes mais conhecidos encontram-se a superóxido dismutase (SOD), a catalase, e o sistema glutationa peroxidase/redutase, os quais apresentavam um papel importante na proteção dos espermatozóides contra o dano peroxidativo. O objetivo do nosso estudo foi avaliar a atividade enzimática antioxidante da SOD e catalase e níveis de peroxidação lipídica da membrana dos espermatozóides dos homens férteis e inférteis.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Todos os pacientes assinaram o consentimento informado e o estudo foi aceito pelo comitê de ética da Universidade. Dez homens férteis e 112 pacientes inférteis foram incluídos no estudo. Análise seminal foi realizada de acordo com o critério da Organização Mundial da Saúde e morfologia de acordo com o critério Tygerberg. Níveis enzimáticos da SOD e catalase foram avaliados com o espectrofotômetro.
RESULTADOS:
Níveis significativamente inferiores de SOD (14,67 ± 12,27 vs 38,03 ± 21,65) e catalase (14,87 ± 16,95 vs 34,03 ± 20,65) foram detectados nos pacientes inférteis comparados aos férteis (P < 0,0001). Uma correlação direta foi detectada entre níveis de catalase e SOD (r = 0,461, P = 0,0001). Os níveis de peroxidação lipídica (LPO) apresentaram correlação inversa com a SOD (r = -0,267, P = 0,035). Níveis de SOD apresentaram correlação direta com concentração espermática (r = 0,204, P = 0,034) e inversa com níveis de leucospermia (r = -0,228, P = 0,021).
CONCLUSÕES:
Baixos níveis das enzimas antioxidantes e elevados níveis de peroxidação lipídica estão associados com infertilidade. O estresse oxidativo precipita várias patologias que estão associadas com infertilidade masculina. A determinação dos níveis e foco de produção da excessiva geração de EROS no sêmen humano e a precisa avaliação do sistema neutralizador da EROS são ferramentas úteis no desenvolvimento de estratégias terapêuticas para a infertilidade masculina.
Autores: Camila Madaschi 1,2; Lia Mara Rossi 1,2,3; Débora Rodrigues 1,2, Daniela Braga 1,2; Tatiana Carvalho de Souza Bonetti 1,2; Christiany V. Locambo-Freitas 1,2; Assumpto Iaconelli Júnior 1,2; Edson Borges Júnior 1,2
1 FERTILITY - Centro de Fertilização Assistida; 2 Associação Instituto Sapientiae; 3 Faculdade de Medicina de Jundiaí, SP
Vários sistemas de classificação embrionária têm sido propostos, embora não exista consenso sobre a melhor metodologia. Neste estudo, procuramos demonstrar nosso critério de classificação e seleção embrionária, assim como determinar parâmetros morfológicos preditivos para se ter bons embriões para transferência no dia +3.
Um total de 2.185 embriões foi estudado. Desde a checagem da fertilização até a transferência no dia +3, 18 parâmetros morfológicos foram avaliados. Através de escala numérica (0-48; melhor e pior, respectivamente), notas consecutivas foram atribuídas a cada embrião em cada estágio de desenvolvimento. Para este estudo, foram considerados “bons embriões” aqueles que 17 horas após a ICSI mostravam pronúcleos alinhados e justapostos, nucléolos visíveis simétricos, em número não discrepante (PN = 0), e nove horas mais tarde, embriões com duas células, nos quais a primeira clivagem já havia ocorrido (EC = 0). No dia +2, “bons embriões” deveriam conter 3-5 células, < 20% de fragmentação e ausência de multinucleação. No dia +3, embriões contendo 6-10 blastômeros regulares e < 20% de fragmentação receberam a menor nota. Um em cada três embriões classificados como “bons” no dia +2 foi também assim classificado no dia +3. Cerca de 2,5 embriões considerados “bons” tanto no dia +1 quanto no dia +2 foram necessários para que pelo menos um embrião fosse selecionado para transferência no dia +3. Quando a morfologia dos pronúcleos foi analisada, notou-se que foram necessários pelo menos quatro embriões PN = 0 para obtermos um bom embrião tanto no dia +2 como +3. Por outro lado, quando o zigoto não apresentava boa morfologia na checagem da fertilização, este número foi significativamente maior (7,1; P < 0,05). Em relação à ocorrência da primeira clivagem, foi possível observar que todos os embriões EC = 0 também apresentaram boa morfologia no dia +2. No entanto, um em cada três embriões com EC = 0 apresentou boa morfologia nas classificações subseqüentes (dia +2 e +3). No entanto, quando embriões avaliados 26 horas após ICSI apresentavam-se ainda no estágio de zigoto (uma célula, dois pronúcleos e dois corpúsculos polares), cerca de 17 embriões foram necessários para que pelo menos um bom embrião fosse obtido no dia +3.
Nossas evidências sugerem que a avaliação da primeira clivagem seguida da observação dos pronúcleos e nucléolos parece ser preditiva na classificação embrionária. Quando o embrião selecionado é eleito como melhor de toda a corte, espera-se que tanto as taxas de gestação como as de implantação sejam consideravelmente maiores, mesmo com a transferência de um único embrião.
Autores: Edson Borges Jr. 1,2; Wagner C. P. Busato 1,2; Luiz Guilherme L. Maldonado 1,2; Mauro Bibancos de Rosa 1,2; Lia Mara Rossi 1,2,3; Tatiana C. S. Bonetti 1,2; Assumpto Iaconelli Jr. 1,2
1 FERTILITY - Centro de Fertilização Assistida; 2 Associação Instituto Sapientiae; 3 Faculdade de Medicina de Jundiaí, SP
Através deste estudo, procuramos demonstrar protocolos alternativos de estimulação ovariana controlada para ciclos de alta complexidade com utilização de microdoses de hCG-recombinante (r-hCG) enfatizando as taxas de recuperação de oócitos maduros (MII%), taxas de fertilização, gestação continuada e implantação.
Cento e setenta ciclos (166 pacientes) foram analisados, tendo como critério de inclusão mulheres ≤ 37 anos, FSH basal < 10 MUI/ml e ciclos regulares. Sincronização ovariana foi feita utilizando-se anticoncepcional oral com posterior bloqueio hipofisário. Dose inicial de 225 UI de FSH- recombinante (r-FSH) foi administrada em todas as pacientes a partir do dia 3 do ciclo menstrual. Em 79 pacientes (81 ciclos), nos dias 9 e 10, microdose de r-hCG foi administrada associada a 75UI de r-FSH (grupo A). A partir do dia 11, a r-FSH foi suspensa e a microdose de r-hCG foi administrada isoladamente até o trigger (250 µg de r-hCG). A solução contendo microdose de r-hCG, ou seja 7,7 µg de r-hCG em 0,1ml (equivalente à administração de 200 UI de atividade de LH por dia), foi preparada a partir da diluição de uma solução original contendo 250 µg de r-hCG. Em 89 ciclos, 87 pacientes foram submetidas a protocolo longo convencional sem microdose de r-hCG (grupo B). Punção ovariana ocorreu aproximadamente 36 horas após o trigger em ambos os grupos. Os resultados foram analisados e P < 0,05 foi considerado estatisticamente significante. Não houve diferença estatística quando a idade das mulheres foi comparada (30,5 ± 3,8 e 33,4 ± 4,6; grupos A e B, respectivamente; P = 0,352). A utilização de microdoses de r-hCG possibilitou o uso de menores quantidades de r-FSH (1.625 ± 255 versus 2.393 ± 634, grupos A e B, respectivamente; P = 0,001) com maior porcentagem de recuperação de MII (80,4% versus 76,2%, grupos A e B, respectivamente; P = 0,020). As taxas de fertilização normal foram maiores nos pacientes submetidos aos protocolos convencionais (73,4% versus 74,4%; grupos A e B, respectivamente, P = 0,040). No entanto, taxas de gestação foram significativamente maiores quando se utilizou microdose de r-hCG (29,1% versus 19,0%, respectivamente, grupos A e B, P = 0,037). Apesar de observarmos tendência numérica para melhores resultados no grupo A, não notou-se diferença estatística entre as taxas de implantação (12,3% versus 9,7%; grupos A e B, respectivamente, P = 0,380) quando os grupos foram comparados. Pequenas doses de r-hCG administradas isoladamente na fase folicular tardia parecem manter a esteroidogênese adequadamente e promover a maturação final dos folículos em crescimento, favorecendo a utilização de menores quantidades de r-FSH. Este protocolo parece ser uma conduta favorável em pacientes jovens com bom prognóstico.
Autores: Paz, AHR; Terraciano, PB; Baldo, G; Matte, U; Passos, EP; Cirne-Lima, EO
Células-tronco embrionárias são linhagens celulares derivadas da massa central do embrião no estágio de blastocisto. Estas células possuem como principais características a possibilidade de multiplicar-se infinitamente mantendo seu cariótipo estável, além da capacidade de diferenciar-se em tipos celulares mais complexos. Quando recebem os fatores de crescimento adequados, as células-tronco modulam a sua diferenciação celular por vias específicas. A partir da adição dos fatores de crescimento, estas podem se diferenciar em todos os 200 tipos celulares presentes nos organismos, o que lhes confere um caráter de grande plasticidade. A partir da diferenciação, as células-tronco variam não só na sua morfologia, como também na expressão de genes e proteínas específicas de tecidos diferenciados. Muitos protocolos para diferenciação celular foram estabelecidos baseados nas seguintes técnicas: método de “hanging drop” (Wobus et al., 1991, 1997), cultura em “mass culture” (Doetchsman et al., 1985; Wartenberg et al., 1998) ou ainda através do cultivo utilizando metilcelulose (Wiles & Keller, 1991). A técnica utilizada por nosso grupo é a técnica de “hanging drops”, ou “gotas suspensas”, que consiste basicamente em agregar um número conhecido de células-tronco em gotas de 20 μl de meio de cultura para induzir a formação de corpúsculos embrionários. Os corpúsculos embrionários são então mantidos em cultura de suspensão, onde recebem os fatores de crescimento e começam a diferenciação in vitro. Neste trabalho, obtivemos sucesso na diferenciação de células-tronco embrionárias em células nervosas. A análise da diferenciação foi feita através de morfologia celular e RT-PCR.
Autores: Horn, MM; Paz, AH; Terraciano, PB; Duarte, MES; Baldo, G; Passos, EP; Matte, U; Cirne-Lima, E
Centro de Pesquisas, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS
O objetivo deste estudo foi obter e transferir células germinativas testiculares, entre elas as células-tronco, de um animal doador adulto para animais receptores da mesma espécie, e verificar a fixação destas células no epitélio do receptor. O grupo de animais receptores foi composto de ratos Wistar, que foram submetidos a degeneração testicular através da injeção intraperitoneal de bussulfano, na dose de 30 mg/kg, 35 dias antes do transplante. As células do doador da mesma espécie transplantadas foram obtidas pelo procedimento de digestão enzimática. Foi utilizado um marcador fluorescente (DAPI), que foi adicionado à suspensão celular injetada na concentração de 1 x 107/ml. Desta suspensão celular foram injetados 300 μl em um dos dois testículos de cada animal. O local escolhido para a injeção foram os ductos eferentes. Os animais receptores (quatro) foram anestesiados com xilazina/ ketamina, foi realizada uma incisão na linha mediana, o testículo esquerdo foi retirado da cavidade abdominal e o epidídimo afastado para acessar o local dos ductos eferentes. A suspensão foi injetada com uma agulha de vidro acoplada a um cateter e a uma seringa de insulina. Quinze dias após o transplante, os animais foram sacrificados em câmara de gás, e os testículos retirados para análise do epitélio seminífero. Os testículos foram fixados por 12 horas em Bouin e submetidos ao procedimento padrão para confecção de blocos de parafina. Os cortes foram desparafinizados e em cada testículo foi realizada histologia de rotina, através da coloração com hematoxilina-eosina e sem coloração em microscópio de fluorescência. Dos quatro animais receptores, um sofreu hemorragia durante a cirurgia de transplante e teve de ser sacrificado. Dos três animais transplantados, foi possível observar que os testículos controles encontravam-se com degeneração testicular decorrente da aplicação de bussulfano, e também não apresentavam células fluorescentes no epitélio seminífero. Por outro lado, os testículos que receberam a suspensão testicular de células germinativas mostraram espermatogênese normal, e com células fluorescentes no epitélio dos túbulos seminíferos. Considerando que estes são resultados preliminares, observa-se que as células transplantadas serviram para incrementar a reconstituição do epitélio seminífero em apenas 15 dias em ratos com degeneração testicular provocada pela aplicação de bussulfano.
Autores: Pedro Augusto Araujo Monteleone, Sergio Pereira Gonçalves, Andrea Cristina Farkas Crepaldi, Pedro Paulo Roque Monteleone, Nilson Roberto de Melo, Domingos Auricchio Petti
Centro de Reprodução Humana Monteleone, São Paulo, SP
INTRODUÇÃO:
As taxas de gestação múltipla são altas em tratamentos de reprodução assistida, em virtude na necessidade do estímulo de folículos ovarianos e da transferência de vários embriões com o intuito de se obterem taxas razoáveis de gestação. Não obstante, sabe-se que as taxas de mortalidade perinatal são quatro vezes maiores para gestações gemelares e seis vezes maiores para as trigemelares, quando comparadas a gestações únicas. Além disso, gestações múltiplas apresentam maior incidência de complicações, tais como prematuridade, restrição de crescimento intrauterino, pré-eclâmpsia, anemia, diabetes gestacional e hemorragia pós-parto. Apresentamos uma política com o objetivo de evitar gestações trigemelares pela transferência de apenas dois embriões em casos selecionados.
MÉTODO:
Foram escolhidas para a transferência seletiva de dois embriões, 25 pacientes com as seguintes características: idade inferior a 40 anos; ausência de tratamento prévio de FIV; três ou mais embriões formados (a existência de apenas um ou dois embriões formados descaracterizaria a seletividade na escolha dos embriões). As transferências foram realizadas no terceiro dia de cultura e a seleção embrionária levou em conta critérios morfológicos como número de células, grau de fragmentação e simetria de blastômeros.
RESULTADOS:
CONCLUSÕES:
Ainda que existam fatores que definitivamente influenciam as taxas de gestação, tais como idade da mulher e qualidade embrionária, os exatos mecanismos envolvidos no sucesso ou não de um tratamento de fertilização in vitro estão longe de ser completamente conhecidos. Com base neste fato, consideramos que pacientes mais jovens, submetidas pela primeira vez a um tratamento de reprodução assistida e que produzem um razoável número de embriões representam um grupo no qual não temos condições de avaliar as chances de implantação embrionária. Objetivando evitar a ocorrência de gestações múltiplas de alta ordem, isto é, de três ou mais conceptos, limitamos em dois o número de embriões transferidos. Os resultados preliminares obtidos mostram que não houve prejuízo das taxas de gravidez. O expressivo número de gestações gemelares (64%), ou seja, pacientes com 100% de implantação, torna plausível a suposição de que nosso programa de fato evitou a ocorrência de gestações trigemelares em um considerável número de pacientes.